Ás vezes sim, às vezes não... (Parte III)

Vamos montar uma pequena estrutura, um rápido exemplo hipotético. A música tende hoje a separar as pessoas. Não deixa as pessoas a separarem da forma que bem entendem. Existe a “boa música”. Quem é que classificou em boa ou ruim? Para isso você vai buscando o caminho daquilo que você gosta e daquilo que você é influenciado. Nisso se forma pequenos núcleos de pessoas que seriam “os iguais”. E nesse núcleo não se discute a diversidade, mas sim a “defesa” da “boa música”. Nem que ela nem seja tão boa. Nem que exista algo muito melhor. Assim se formam os “clássicos”. Distorcendo a natureza da própria música.

É importante nesse exemplo esclarecer que para se entender a música como duradoura, seu tempo é um fator diferente do tempo das artes plásticas ou arquitetura, por exemplo. Vamos detalhar: Beatles era considerado passageiro nos anos 1960 e chega até hoje sendo lembrada como umas das bandas mais influentes na música pop mundial. Mas se compararmos a um Mozart, a música dos Beatles ainda terá que passar algumas décadas para realmente verificar sua real influência e durabilidade nas sociedades futuras. Ou seja, para o grupo que estuda Beatles como fenômeno, ainda terá muito chão pela frente. Documentar a história não é tarefa fácil. E interpreta-la depois é outro trabalho. Por isso usar o referencial da música é o mais complicado, pois seu tempo é o mais demorado de todas as outras artes (para resumir um pouco).

Então, baseado no exemplo, a falta de reflexão perdida no tempo em se defender a música atual deixa transparecer nos dias atuais que certas coisas têm o mesmo valor. É lógico que não podemos mesurar a arte, mas é nítido que a composição de Mozart não tem o mesmo valor de Beatles. Assim como Shakespeare não tem o mesmo valor de Paulo Coelho (aqui vai mais um rodapé: o valor de Paulo Coelho será dado pelo tempo, igual ao que foi dado à literatura e o teatro de Shakespeare, Machado de Assis ou Sófocles, por exemplo. Em nenhum momento seria eu a comentar a obra de Paulo Coelho ou mesurar seu valor).

Para esta falta de reflexão vai ai meu recado a respeito da música de Marisa Monte, Vanessa da Mata, Chico César, assim como suas influencias como Djavan, Milton Nascimento, Roberto Carlos, Gilberto Gil e Caetano Veloso, entre outros. É sempre bom lembrar que antes deles todos existiu Zequinha Gonzaga, Cartola e que na mistificação parecem pertencer a algum mundo que ninguém sabe onde é, de que Brasil eles vieram. Nunca vi, estudando jazz, se esquecer dos músicos e das canções das gerações de 1920, 1930...

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