Leituras
Sempre fui um leitor, desde criança. Mas tinha o mal hábito de não ler por obrigação. Até hoje tenho problemas com isso. Acho que o prazer em ler veio muitos anos depois. Na infância (sei lá como chamar esta fase) havia aqueles livros da Editora Ática, da coleção Vaga-lume. Acho que todos da minha idade lembram-se dessa coleção. Livros como A Ilha Perdida, Os Barcos de Papel, A Serra dos Dois Meninos... O que me deixava curioso era um determinado título: Um Cadáver Ouve Rádio, de Marcos Rey. Talvez este seja o primeiro livro que comprei por conta própria. Foi numa feira do livro, no ano que estudei no Colégio Barão do Cerro Azul. Tanto que Marcos Rey é até hoje um dos autores que mais aprecio. Li depois O Mistério do Cinco Estrelas e Sozinha no Mundo. Sem contar que há bem pouco tempo vi uma citação sobre um texto chamado Quatro Bares, onde Marcos Rey relembrava suas andanças pelos bares Paribar, Nick bar, Brahma e Clube dos Artistas. Houve outros da coleção, como A Primeira Reportagem, de Sylvio Pereira, e Açúcar Amargo, de Luiz Puntel, este indicação de uma bibliotecária. Fora da coleção Vaga-lume, teve o famoso O Gênio do Crime, de João Carlos Marinho. Este talvez tenha sido o primeiro livro obrigado a ler que tive enorme prazer. E à época falávamos da então recente continuação com Berenice Detetive, que nunca li.


Tempos depois, quase no final da faculdade (2001/2002), comecei a acompanhar a coluna Sinopse, também no Estadão, escrita pelo jornalista Daniel Piza. Com esta coluna comecei a revisitar alguns clássicos, como Machado de Assis e Eça de Queirós, e encarar alguns textos como os de Shakespeare, sem contar nas outras inúmeras indicações, como o livro organizado pelo próprio Piza dos textos de George Orwell. Além de Piza ser um dos poucos jornalistas a falar sobre arquitetura. Mas foi mesmo com o método do filósofo Mortimer Adler que tive um novo impulso nas leituras. O método e a orientação do filósofo e professor Olavo de Carvalho. O que acho absurdo é enxergar Olavo de Carvalho somente como o autor de O Imbecil Coletivo (que é muito bom também). Bastaria ler dois textos recentes (de 2006) onde trata de falar a respeito do problema do estudante sério no Brasil. Além também das questões levantadas por Ítalo Calvino em Por Que Ler os Clássicos? e o livro de Reinaldo Azevedo, Contra o Consenso, fonte sobre as letras e as leituras. Talvez a leitura posterior destes tenha sido tão interessante por uma base anterior.
O que às vezes fico a pensar é quando vejo escritores falando de Julio Verne e Monteiro Lobato, dois escritores que conheço bem superficialmente. Ainda Lobato tive a leitura de alguns contos durante as aulas de literatura da escola. Eram os contos adultos e não a famosa literatura infantil. De Julio Verne me interessei e muito quando do relançamento de alguns títulos com a tradução feita por Walcyr Carrasco.

2 comentários:
Ludo,
Acho que vou fazer um post com essa temática. Sensacional! Ainda tenho na estante, em lugar de destaque, o "Garra de Campeão", do Marcos Rey, e praticamente toda a coleção dos irmãos encrenca da Stella Car. Eu li e reli esses livros, e eles foram a isca para o mundo da literatura.
Talvez você já tenha lido, mas existem dois livros que gostaría de te indicar. São aqueles que se leem em uma sentada, e a Cosac Naify lançou uma edição especial dos dois:
A Fera na Selva, Henry James
Primeiro Amor, Samuel Beckett
São romances escritos no pós-guerra. Na minha opinião, obrigatórios.
Bjos, Ana
Olá, meu nome é Elisangela e venho ao teu blog por intermédio da querida Ana Karina, que escreve seu comentário acima ressaltando o magnífico “Garra de Campeão” (não preciso nem dizer que era apaixonada pelo protagonista né?!), então tenho que registrar aqui o quanto de nostalgia me trouxe ver a capa do “Sozinha no Mundo”, esse é um clássico para mim, dentre outros como “A Ilha Perdida” e “Na mira do Vampiro”. Naquela época, tinha também outros como “A marca de uma Lágrima” do Pedro Bandeira, que eu li e reli... Obrigada por esse revival!
Abraço,
Elis
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