junho 11, 2009

Diary of a Madman V

Leituras
Sempre fui um leitor, desde criança. Mas tinha o mal hábito de não ler por obrigação. Até hoje tenho problemas com isso. Acho que o prazer em ler veio muitos anos depois. Na infância (sei lá como chamar esta fase) havia aqueles livros da Editora Ática, da coleção Vaga-lume. Acho que todos da minha idade lembram-se dessa coleção. Livros como A Ilha Perdida, Os Barcos de Papel, A Serra dos Dois Meninos... O que me deixava curioso era um determinado título: Um Cadáver Ouve Rádio, de Marcos Rey. Talvez este seja o primeiro livro que comprei por conta própria. Foi numa feira do livro, no ano que estudei no Colégio Barão do Cerro Azul. Tanto que Marcos Rey é até hoje um dos autores que mais aprecio. Li depois O Mistério do Cinco Estrelas e Sozinha no Mundo. Sem contar que há bem pouco tempo vi uma citação sobre um texto chamado Quatro Bares, onde Marcos Rey relembrava suas andanças pelos bares Paribar, Nick bar, Brahma e Clube dos Artistas. Houve outros da coleção, como A Primeira Reportagem, de Sylvio Pereira, e Açúcar Amargo, de Luiz Puntel, este indicação de uma bibliotecária. Fora da coleção Vaga-lume, teve o famoso O Gênio do Crime, de João Carlos Marinho. Este talvez tenha sido o primeiro livro obrigado a ler que tive enorme prazer. E à época falávamos da então recente continuação com Berenice Detetive, que nunca li.
Uma das questões mais esquisitas naquele chamado “primeiro grau” – hoje ensino fundamental – foi uma professora repreender uma aluna por estar lendo um Jorge Amado. Na opinião da professora, teria que ler muito até chegar a um Jorge Amado. Sempre tive ao meu lado, na biblioteca, inúmeros Amados. Todos de meu pai. Destacaria Tocaia Grande como meu predileto. Pouco mais de um ano após esta professora fazer todo este escândalo, outra professora de português, já na Escola Técnica Federal de São Paulo, indicava como leitura obrigatória A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água. Em 2001 conheci Zélia Gattai, numa noite de autógrafos. Guardo comigo o livro Códigos de Família autografado. Foi uma dos meus episódios mais engraçados até hoje. Disse a Zélia que enviaria o manuscrito do primeiro livro para que ela avaliasse. Não deu tempo.
Ainda no técnico (em 1994) tive aula com o professor Valério Arcary. Com ele estudamos O Príncipe, de Maquiavel. Numa outra disciplina estudávamos o livro de Ricardo Semler, Virando a Própria Mesa. Diria que nos anos 1990 quem me influenciou mesmo foi o cronista Mário Prata. Ler suas crônicas no Estadão era minha alegria das quartas-feiras. Aliás, o próprio Estadão foi o veículo para descobrir vários livros e autores. Diria que até hoje. Por ser assinante, o Estadão enviou o livro Cem Crônicas de Mário Prata e uma coleção com 20 títulos de clássicos como O Primo Basílio e Dom Casmurro. No próprio Estadão ainda acompanhei as crônicas do escritor Ignácio de Loyola Brandão. Mas estava mais afastado das leituras de ficção. Nos tempos de faculdade ainda lia com certa freqüência uma porção de coisas diferentes, grande parte relacionada à arquitetura. Já até contei por aqui sobre o livro de Vilanova Artigas, Caminhos da Arquitetura, que de certa forma é a obra que me fez batizar este blog.

Tempos depois, quase no final da faculdade (2001/2002), comecei a acompanhar a coluna Sinopse, também no Estadão, escrita pelo jornalista Daniel Piza. Com esta coluna comecei a revisitar alguns clássicos, como Machado de Assis e Eça de Queirós, e encarar alguns textos como os de Shakespeare, sem contar nas outras inúmeras indicações, como o livro organizado pelo próprio Piza dos textos de George Orwell. Além de Piza ser um dos poucos jornalistas a falar sobre arquitetura. Mas foi mesmo com o método do filósofo Mortimer Adler que tive um novo impulso nas leituras. O método e a orientação do filósofo e professor Olavo de Carvalho. O que acho absurdo é enxergar Olavo de Carvalho somente como o autor de O Imbecil Coletivo (que é muito bom também). Bastaria ler dois textos recentes (de 2006) onde trata de falar a respeito do problema do estudante sério no Brasil. Além também das questões levantadas por Ítalo Calvino em Por Que Ler os Clássicos? e o livro de Reinaldo Azevedo, Contra o Consenso, fonte sobre as letras e as leituras. Talvez a leitura posterior destes tenha sido tão interessante por uma base anterior.

O que às vezes fico a pensar é quando vejo escritores falando de Julio Verne e Monteiro Lobato, dois escritores que conheço bem superficialmente. Ainda Lobato tive a leitura de alguns contos durante as aulas de literatura da escola. Eram os contos adultos e não a famosa literatura infantil. De Julio Verne me interessei e muito quando do relançamento de alguns títulos com a tradução feita por Walcyr Carrasco.
Caricaturas de Belmonte
Ainda quando criança me interessava muita pelo tema da Segunda Guerra Mundial. Tinha um livro de caricaturas de Belmonte, com sátiras sobre a guerra. Mais velho perdi muito meu interesse pelo tema. Não sei dizer por quê. Lia aquele livro com muita vontade. Talvez sejam as duas coisas que mais gosto: desenhos e humor. O mais legal é que eram todos desenhos em preto e branco. O livro tratava de fazer um breve diário das batalhas com datas e depois seguia com inúmeras sátiras em formas de tiras.
As leituras que apresentei aqui brevemente mostram mais um caminho que fiz pela vida. Meio sem rumo, meio sem jeito. Lembro de quando era criança escrevia longas páginas em cadernos, dizendo que um dia seria escritor. Talvez um dia...

2 comentários:

onzepalavras.com disse...

Ludo,

Acho que vou fazer um post com essa temática. Sensacional! Ainda tenho na estante, em lugar de destaque, o "Garra de Campeão", do Marcos Rey, e praticamente toda a coleção dos irmãos encrenca da Stella Car. Eu li e reli esses livros, e eles foram a isca para o mundo da literatura.

Talvez você já tenha lido, mas existem dois livros que gostaría de te indicar. São aqueles que se leem em uma sentada, e a Cosac Naify lançou uma edição especial dos dois:

A Fera na Selva, Henry James
Primeiro Amor, Samuel Beckett

São romances escritos no pós-guerra. Na minha opinião, obrigatórios.

Bjos, Ana

Elisangela Batista Barbosa disse...

Olá, meu nome é Elisangela e venho ao teu blog por intermédio da querida Ana Karina, que escreve seu comentário acima ressaltando o magnífico “Garra de Campeão” (não preciso nem dizer que era apaixonada pelo protagonista né?!), então tenho que registrar aqui o quanto de nostalgia me trouxe ver a capa do “Sozinha no Mundo”, esse é um clássico para mim, dentre outros como “A Ilha Perdida” e “Na mira do Vampiro”. Naquela época, tinha também outros como “A marca de uma Lágrima” do Pedro Bandeira, que eu li e reli... Obrigada por esse revival!

Abraço,
Elis