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junho 20, 2009

Jeff Scott Soto

Foto do show de Jeff Scott Soto no Blackmore (São Paulo 19/06/2009)
Tive o prazer de assistir ao show do cantor (ou poderia dizer multi-instrumentista, front man) Jeff Scott Soto! O show aconteceu nesta sexta-feira, dia 19 de junho no Blackmore Rock Bar (ou sei lá como chama exatamente o local). O show foi regado a muito hard rock da carreira solo e alguns hits conhecidos, como Crazy, de Seal. Os músicos que o acompanharam foram incríveis, principalmente pelo trabalho vocal de praticamente todas as músicas apresentadas. Só discordo de sua comemoração ao Los Angeles Lakers...

Bem, esta foi a segunda vez que assisti a Jeff Scott Soto no Brasil, e quase sete anos depois ele continua com a mesma garra e técnica vocal. Jeff me acompanhou na adolescência, com um vídeo de 1985, ao lado do guitarrista Yngwie Malmsteen, com quem gravou dois álbuns – Rising Force (1984) e Marching Out (1985). Depois Jeff excursionou com o Queen, Journey entre outros projetos.
O próximo show agendado no Blackmore Rock Bar é do cantor Graham Bonnet. Este é outra lenda que almejo assistir.

abril 29, 2009

5 listinhas...

Não sei por que resolvi entrar no Facebook, que é mais um site de relacionamento, semelhante ao Orkut, entre outros tantos que existem por aí. Mas hoje descobri um “desenvolvedor de listas”; e me diverti muito por pouco mais de uma hora. Não foi tempo perdido, pois fazer uma lista é complexo, ainda mais com somente 5 posições. Os temas que não foram, assim, muito interessantes.

A primeira lista me referi a 5 cantores que mais gosto. Eu entendi por cantores e não cantoras, e quem sabe faça uma listinha sobre as cantoras. Mas coloquei 5 nomes que não tenho tanta certeza que fariam parte mesmo dos 5 melhores. Mais: todos estão vivos e em atividade. Resolvi optar por estes critérios, levando em conta que pelo menos nos últimos 5 anos escutei coisas novas desses cantores. São eles:

- Rob Halford; escutei dele a sua volta ao Judas Priest, com Nostradamus. Em forma e cantando muito bem.

- Jeff Scott Soto; escutei um single dele por estes dias e não é mesma coisa da época em que cantou com Yngwie Malmsteen, mas continuo a achar ele um dos melhores que já pude ver ao vivo.

- Sammy Hagar; tenho o álbum ao vivo Hallelujah (2003). Não está mais em forma, uma pena. Mas por ter gravado músicas incríveis e um álbum como Balance (1995), tenho que dizer que é um dos meus preferidos. Há pouco falei de um disco dele no Van Halen (aqui).

- David Coverdade; assim como Hagar, não está mais em forma. Seu último álbum Good To Be Bad (2008) não me chamou a atenção. Mas gravou músicas e disco maravilhosos durante a vida toda. Não poderia faltar. Poderia ter colocado Gleen Hughes em seu lugar, mas acho Coverdale melhor compositor, me agrada mais.

- Eric Adams; Manowar é uma das bandas que mais tocam alto no mundo. Uma voz como a de Eric Adams e a energia vocal, depois de mais de vinte anos de carreira, não há como não aparecer numa lista de vocalistas que gostam de Heavy Metal... Claro, é quase um sacrilégio colocá-lo e não por antes dele Dio. Mas tenho meus motivos e o principal é a banda do Dio.

Outros como Robert Plant, eu nunca colocaria. Não gosto dele e não gosto de Led Zeppelin. Então, nunca estaria na minha listinha de preferidos... Outros que poderiam constar, como Freddy Mercury, mas, pelo critério de não estar mais entre os vivos...

Bem, passamos para a próxima lista. Os 5 melhores álbuns de todos os tempos. Foi uma dificuldade. Como poderia colocar um álbum, por exemplo, de Eric Clapton, se de seus álbuns nunca gostei do “todo” e sim de partes? Então, músicas e músicos que mais escuto, não vão constar dessas duas listas... Vamos aos meus escolhidos:

- Rising Force – Yngwie Malmsteen (1984). Um álbum que foi tão marcante que nem sei que palavras usar para listar. Uma vez escrevi algo sobre ele (aqui).

- Burn – Deep Purple (1974). Outro álbum que teria horas a falar... Mas o que falo principalmente é que é o primeiro álbum com David Coverdale no Deep Purple. São músicas que não se escuta mais, o Deep Purple não toca mais, o Whitesnake também não e mais recentemente nem o Blackmore toca...

- Fly By Night – Rush (1975). Um álbum que ao escutar pela primeira vez já tive uma “paixão” inexplicável. As músicas parecem a cada faixa trazer múltiplos sentimentos. Não tenho palavras para descrever, ou melhor, teria que escrever páginas...

- Stranger in This Town – Richie Sambora (1991). Este álbum está aqui por ser uma dos álbuns mais bem feitos e bem cantados da história e ao mesmo tempo uma das piores vendas. Tem a participação de Eric Clapton e é de um ex-integrante de um dos grupos mais famosos da década de 1980 - Bon Jovi. Uma jóia rara... Estaria na lista dos discos que você não ouviu (se esta lista tivesse sido feita em 1991...). Ao fazer Undiscovered Soul (1998) não obteve o mesmo resultado.

- Stranger in Us All – Ritchie Blacmore´s Rainbow (1995). O ultimo álbum do Rainbow. Conseguiu trazer toda a experiência dos anos 1970 e 1980 ao mesmo tempo, num disco de qualidade incrível em todas as faixas. Também poderia perder páginas para falar deste álbum, mas, aí teria de falar de outros clássicos do Rainbow, como Ritchie Blackmore´s Rainbow (1975), Rising (1976) e Long Live Rock ´n Roll (1978)...

Quantos outros ainda poderiam colocar? É uma das mais difíceis listas que já fiz. Nesta fui extremamente restritivo... Faltaram tantos...

A terceira listinha tratava de um tema que absolutamente não sou nenhum conhecedor. Mas tenho, nos últimos 5 anos, apurado o gosto para tentar fazer a lista das 5 cervejas preferidas. Comecei com as cervejas que venho apreciando cada vez mais, de trigo, as weissbier. Nisso a lista começa com a Paulaner Helles e a Erdinger. Depois a cerveja belga Stella Artoirs, que anda sendo comum nos bares brasileiros. Depois pus a minha pilsen predileta nos Estados Unidos, a popular Budweiser. Logo acompanhada da minha segunda predileta, a Coors Light. Poderia ainda colocar outras, como a Bush, a Calsberg ou mesmo a Original. Mas estas são mais marcantes, para mim... Lembram-me fases da minha vida...

A quarta listinha é uma que já falei a respeito aqui e aqui, a dos arquitetos preferidos. A única coisa que poderia colocar é o quanto venho me interessando pela obra de Renzo Piano, no últimos tempos, a ponto de colocá-lo já entre os meus dez prediletos, o que não acontecia a cerca de dois anos, por exemplo. A lista ficou com Jean Nouvel, Renzo Piano, Paulo Mendes da Rocha, Antoine Predock e Álvaro Siza. Esta foi mais fácil devido a ter pensado nela já. Mas lembro bem de como foi difícil chegar a um resultado á época.

A última lista é sobre as atrizes prediletas, que daria para escrever horas, já que é um tema que falo pouco e gosto muito. Coloquei com dificuldade algumas, que não sei se trocaria agora:

- Sandra Bullock; não lembro de ter falado dela nenhuma vez. Mas é uma atriz cujo trabalho sempre gostei. Teve até uma época que alugara todos seus filmes. Talvez seja uma das poucas atrizes que assisti tantos filmes. Gosto muito de muita coisa até meio bobinha, mas é a vida. Ela tinha que estar entre as minhas prediletas...

- Katherine Heigl; esta é uma atriz que nos últimos anos venho prestando atenção. Assisti alguns bons filmes com ela, e da mesma forma que Bullock, vem trazendo a cada personagem algo novo. Não assisto Grey´s Anatomy, para fazer mais uma avaliação de seu trabalho, mas esta na minha listinha...

- Catherine Zeta Jones; outra que assisti uma boa quantidade de filmes. Nada também de filmes de autor. Para ser exato talvez não goste de filmes de autor... Mas acho ela uma atriz interessante que ainda está a fazer um filme grandioso.

- Kristen Bell, a Veronica Mars. Não vi seu papel na série Heroes, mas acredito que ela é uma das atrizes que poderiam estar numa melhor posição. Bem, acho que tende a ser a atriz com menos de trinta anos de idade entre as minhas escolhidas. Talvez também esteja na minha lista por precipitação. Como disse, eu sabia que era a lista mais falha das que fiz hoje.

- Salma Hayek; talvez a maior atriz das que separei dentre estas cinco. Seu papel em Frida até hoje m emociona. Ao lado de Penélope Cruz, outra que poderia estar nesta lista, é a atriz mexicana que mais gosto no momento.

Bem, como disse a lista é bem falha. Falta a Julia Roberts e a Nicole Kindman, por exemplo. Além de outras que poderia por como Meg Ryan, a já citada Penélope Cruz e a francesa Audrey Tautou. Esta lisinha ainda terá uma versão melhorada...

novembro 22, 2008

Inspiration...

Yngwie Malmsteen gravou no ano de 1996 um álbum interpretando várias músicas de outras bandas e músicos, chamando este trabalho de Inspiration. Não à toa neste trabalho temos musicas de Jimi Hendrix, Deep Purple, Rainbow, Rush e Kansas, todas bandas que o autor diz serem suas maiores influencias em entrevistas. Acho extremamente transparente este disco, justamente por ter interpretado musicas bastante conhecidas como Child in Time e Mistreated. Logicamente este disco teve certa crítica, já se falando que seu repertório e seu estilo já estavam desgastados, e que este disco era praticamente o fim de sua carreira.

Bem, após este disco Malmsteen gravou mais oito álbuns, sendo um com orquestra, outro tocando ao vivo com Steve Vai e Joe Satriani, mantendo uma banda estável por pelo menos sete anos (entre 2001 e 2007). E recentemente acaba de lançar mais um álbum, em outubro de 2008, que ainda não tive a oportunidade de escutar. Pode-se dizer que mudou um tanto de seu estilo, ficando seu som mais pesado e menos trabalho instrumental. Sua inspiração deve continuar sendo praticamente a mesma, talvez com algumas adições. Tive o prazer (para ele nem tanto) de encontrá-lo mais de uma vez fora do palco e continuo a nutrir certo prazer em ouvi-lo tocar.

Em sua ultima apresentação, São Paulo em 2007, me deu impressão de um show muito melhor – e com a mesma banda de acompanhamento – que o show de 2001, mesmo com o problema já identificado em 2001, de perder muito dos arranjos de certas músicas por necessitarem de backing vocals. Acredito que Yngwie Malmsteen é o músico estrangeiro que mais assisti até hoje. O primeiro show foi em 1996, tendo assistido os dois dias de sua passagem por São Paulo, como da mesma forma em 1998, tendo ainda participado de workshop e noite de autógrafos nos dias que antecederam suas apresentações que culminaram no lançamento de um disco ao vivo.

Tenho estado afastado de shows de outros músicos e bandas nos últimos anos, afinal, não dá para participar de tudo. Mas tenho acompanhado o percurso de certas bandas. Algumas se separaram e seus integrantes formaram trabalhos ruins, assim como poucas novas bandas me chamaram a atenção. Hoje não tenho qualquer envolvimento com o meio musical, praticamente tenho só escutado trabalhos novos de bandas que já gostava muito e mesmo assim, comprando cd´s raramente. O que é interessante é que tenho escutado muitos outros tipos de música e continuo a me refugiar naquilo que conheci na minha adolescência.

Talvez um dia possa fazer uma análise mais profunda do porque gosto mais de escutar Malmsteen a escutar outros guitarristas e uma dica já tenho hoje: é por ser um músico com inspiração ocidental. Não que não goste de vários dos orientalismos presentes nas músicas de Steve Vai ou mesmo em alguns discos de Martin Friedman, mas não é o mesmo de escutar a atual banda de Ritchie Blackmore ou mesmo Malmsteen. Influencias... Inspiração... Preferências...

fevereiro 04, 2008

“Flying in a blue dream”

O mais legal das praias, de Santa Catarina, Rio de Janeiro como do Guarujá ou litoral norte de São Paulo, é que cada pedacinho de areia parece sempre diferente. Desde a praia do Tombo, até Laranjeiras, tudo parece flutuar... E nada melhor que escutar o meu disco predileto do Sr. Satriani...
Lá no começo dos anos 1990, quando ia constantemente para a Vila Caiçara, na Praia Grande, costumava fazer este disco ecoar na quadra da minha casa. Se não era Satriani, era Steve Morse e suas “Tumeni Notes”... Em dias menos inspirados, fazia uma seleção de fitinhas K7 com sons variados, entre clássicos como “Born to be Wild” de Steppenwolf, “Cocaine” de Eric Clapton, principalmente uma versão ao vivo de 1977, “Hey You” de Bachman-Turner Overdrive e “My Generation” do Who, ou baladas como “Hotel California” dos Eagles, “Behind Blue Eyes” do Who ou “Love Hurts” do Nazareth.

O engraçado que muita coisa que ouvia no final dos anos 1980, como Manowar, Metallica e Slayer, naqueles anos de praia, quase todos os finais de semana, não rolavam muito bem... Lembro, em 1993, de fazer meus pais, tios e convidados implorarem para trocar uma fitinha K7 com a gravação do novo disco do Deep Purple, “The Battle Rages on...”. Bom lembrar desses anos... O mais interessante que tinha uma enorme quantidade de fitas K7 de cantores como Dio e Ozzy Osbourne, e bandas como Whitesnake e Van Halen, e não lembro de nenhuma vez escuta-los na praia. Lembro de escutar o “Balls to Picasso” de Bruce Dickinson, mais nada...

Se um dia escrever um diário de memórias, com certeza ele será regado de músicas e momentos, como o de ouvir “Sinner” do Judas Priest durante a aula de desenho técnico na Escola Técnica Federal. Era de uma fitinha gravada por uma amiga minha que era fã de Judas Priest. Eu não conhecia praticamente nada da banda. Ela gravou a fita para me apresentar a banda, e logo muitas das músicas que selecionou eu não parava de ouvir, como “Hell Bent for Leather”, “Exciter”, “Painkiller” e “Breaking the Law”.

Um momento mágico para mim foi assistir ao filme “Alta Fidelidade”. Não lembro nem quando foi direito, se não me engano em 2004. O filme já era, digamos, “velho”, como sempre eu vejo os filmes muito tempo depois de lançados. É um filme que o personagem principal fazia uma seleção de músicas e gravava numa fita K7 e entregava para sua “amada” da época. O interessante que ele fazia sempre um Top 5 de tudo, inclusive de suas ex-namoradas. Uma maravilha de filme! O que me identifiquei muito foi o fato de também fazer fitas K7 para presentear. Não à toa ganhei aquela do Judas Priest. Presenteei uma vez uma fita K7 com músicas selecionadas de três álbuns do Mr. Big. Foi um bom resultado! E a última fita que fiz foi em 2003, o que já estava defasado, pois os cd´s já dominavam praticamente tudo... Era uma gravação do lado A com músicas de Dave Lee Roth e o lado B com Sammy Hagar, incluindo uma única música de sua carreira fora do Van Halen: “Red Voodoo”. O pior que foi num momento que cismei em não cortar mais o cabelo até que me formasse na faculdade... Seis meses de “cachinhos castanhos”... Estava com a cara do Sammy Hagar em OU812... O pior foi um amigo que mora nos Estados Unidos de passagem por aqui disse que meu cabelo parecia o do Eric Marmo na novela “Mulheres Apaixonadas” (que passava na Rede Globo à época). Foi a fase Sammy Hagar II...

O interessante de gostar muito de música que em certo ponto se tenta começar a tocar. Descobri logo de cara que tinha certa tendência para tocar blues, mesmo gostando muito mais de rock´n roll. Até hoje, quando toco, por puro hobbie, acabo indo para um formato blues. Tentei em três momentos formar uma banda. No terceiro fiz três shows e descobri que não era o que eu queria. Compor e tocar são coisas interessantes, mas fazer show nem tanto. Um tanto de nervosismo e outro tanto de insegurança, mas o que mais eu não gostei foi da exposição. No primeiro show, fiquei sentado num banquinho o tempo todo. Nos poucos momentos que meus solos apareceram eu queria era me esconder. Só havia amigos vendo, o que foi ótimo. Nos outros dois shows foram numa feira de artesanato chamada Festart. Onde havia mais gente e muito menos gente prestando atenção no que tocávamos. Chegamos a tocar a mesma música por quatorze minutos, entre solos e improvisos. E no segundo show da Festart tocamos uma música da Legião Urbana. Foi ali que comecei a pensar em quanto estava fugindo do que eu imaginava tocar. Eu detesto Legião Urbana e tocar “Será” estava sendo estranho, ainda mais porque a versão ficou péssima. Depois disso resolvi que não teria banda, pelo menos por um tempo. Imaginava eu tendo uma banda e tocando “Flying in a blue dream”...

O que achei maravilhoso de tocar no Festart que era uma local ao ar livre, numa praça, e o meu amplificador Fender ecoava no meio daquele cenário. Uma sensação incrível! Toquei de chinelos, como sempre sonhei. Acredito que por ter visto em 1999 um show de Gilberto Gil (show fechado, em homenagem por ter ganhado o Grammy) fiquei impressionado com todos os músicos tocando descalços e todos vestidos de branco. Desde então acho que tenho que tocar sempre de chinelo ou descalço. Ano passado, ao assistir o “Altas Horas”, a cantora Luiza Possi também tocou descalça. Não vou dizer que é 100% original, mas me agrada muito a idéia.

Bem, passada a idéia de ser músico, tive também a oportunidade de fazer um teste para ser apresentador de televisão. Nem deveria ter ido em frente para fazer o teste. Duas outras oportunidades que tive de aparecer na TV foram péssimas. Uma foi uma entrevista para MTV em 1998, no workshop do guitarrista Yngwie Malmsteen e a outra foi uma participação num programa de mesa redonda na AllTV, onde fiz o teste. Na entrevista travei e não conseguia falar coisa com coisa, além disso, estava emocionado por ter visto o Malmsteen tocar “Too Young To Die Too Drunk To Live” minutos antes, música da época em que tocava na banda Alcatraz, que para um fã como eu tinha sido um momento mágico. A mesa redonda eu simplesmente fiquei quieto. O coração batia desesperadamente e não conseguia emitir nenhuma frase com mais de três palavras, algo como “muito bem”, “é, eu gosto” e “ta bom”. O teste foi interessante. Gostei muito de fazê-lo, na verdade. Fiz uma pauta interessante sobre política, mas com os três minutos que tinha, falei tudo em 45 segundos, muito rápido e sem técnica alguma, ainda mais que não estava nem um pouco acostumado a ouvir minha própria voz no fone de ouvidos, o que dá uma sensação de ser extraterrestre ou estar participando de um filme de ficção científica. Logicamente eu não passei, mas a história entra para minha lenda pessoal.

Após estas duas experiências que foram muito próximas até, eu resolvi que se um dia fosse trabalhar com algo diferente que a arquitetura seria a escrita. Pensei no rádio, mas quando me dei conta que nunca escuto rádio, a não ser quando o jogo do Corinthians não vai passar na televisão (mesmo assim, às vezes só assisto aos gols no Jornal da Globo) ou quando vou escutar rádio, posiciono na CBN... Logo, eu não escuto a tão falada rádio Kiss FM que é um das poucas rádios segmentadas (em classic rock) de São Paulo e nenhuma outra. O que da margem aquela cara de “não sei do que está falando” quando me falam de uma música nova, que “toca direto no rádio”. Já a escrita me dá margem de escrever só dependendo de mim. Não existe a idéia de uma banda. Mas na verdade o meu erro é não ter estudado música num conservatório. Ter estudado algum instrumento de orquestra, como violino ou piano. Esta seria uma base muito melhor para mim que o estudo dos violões e das guitarras. Mostra disciplina e trabalha o que mais eu tenho problemas que é fazer atividades coletivas. Quando jogava futebol era goleiro. Detestava jogar basquete na escola e o vôlei só é interessante por não haver contato físico entre os jogadores. No fundo prefiro muito mais assistir a jogar. Gostava mesmo de natação e agora estou na minha fase de “atletismo”. Já passei pela de ciclismo, e quem sabe um dia ainda não faço triatlo. Como sempre digo, felizmente sou arquiteto... Não sei se conseguiria ser um atleta profissional ou um músico profissional. Não vou dizer como às vezes é chato demais compatibilizar o forro com o ar condicionado ou mesmo adequar os montes de quadros de energia, relógios de água e luz, tomadas, etc. Mas faço com um prazer que não sei da onde vem. Se todo mundo trabalhasse assim... Seria escutar “Flying in a Blue Dream” o tempo todo...

fevereiro 02, 2008

Quantidade de informação...

Certa vez, para ser mais exato dia 2 de setembro de 1995, fui a um workshop de um guitarrista chamado Marty Friedman. Na época tocava no Megadeth, uma banda que definiria como speed metal, trash metal, ou sei lá, megadeth, ta bom... Já diz tudo... E nesse workshop Friedman mostrou muito do que se chama de carisma. Conversou com todo mundo, tocou guitarra, executou muitas músicas de seus álbuns, que entre outros produtores tem Kitaro. Na sua obra, Friedman coloca inúmeros orientalismos em seus temas e é basicamente uma obra instrumental, tocada com violões, sendo a guitarra como moderadora, valorizando os temas. Já sua obra anterior, junto ao guitarrista Jason Becker, que parou de tocar com problemas de saúde, fez dois álbuns históricos: “Speed Metal Symphony”, de 1987 e “Go Off!”, de 1988. A banda se chamava Cacophony. E seu álbum de estréia chamava “Dragon´s Kiss”, de 1988, que inclui a participação de Jason em duas faixas. Nesse período tocava bem pesado: “Speed metal”... Após a entrada no Megadeth em 1990, seus álbuns “Scenes” (1992) e “Introduction” (1993), não contemplavam nenhuma música que tivesse qualquer relação com o Megadeth. Eram praticamente álbuns instrumentais com grandes doses de violões e temas que lembravam muito a temática “new wave”, de canções como as da cantora Enya.

Durante aquele workshop fora perguntado a Friedman, sobre o porquê da decisão de fazer discos que nada tem a ver com o trabalho do Megadeth, e ele disse com todas as letras que não era um trabalho de complemento do Megadeth e sim aquilo que ele sentia. E, claro, como sempre acontece no Brasil, querem fazer intriga e concorrência com outros guitarristas e fora perguntado o que achava de Steve Vai, Malmsteen e outros. O que ele foi “politicamente correto” respondendo que gostava dos sons, mas que havia muita informação naqueles álbuns. O que ele tentava deixar mais claro, mais limpo, diria. Esta informação é de uma maturidade incrível. Acho que demorei esses anos todos para entender o que ele dizia com aquilo... O que não me faz gostar menos de Malmsteen e Vai...

Com quantidade de informações dizia é que não é necessário se colocar todos os recursos existentes para se conseguir belas melodias e que existia certo excesso no que se fazia. Eu colocaria de outra forma, que não me sinto extremamente seguro. Eu acredito que as influências orientais de certa forma tendem a deixar a sonoridade mais sensível. Um guitarrista como Malmsteen, é de certa forma mais ocidental que Friedman, que incorporou muito desse espírito oriental na sua música. Já Malmsteen não; é um promotor da cultura ocidental. Da mais alta cultura musical ocidental; de Beethoven e Mozart a Bach e Paganini. Nenhuma das duas formas de pensar a música esta errada. Mas são formas diferentes de se fazer as músicas. Incomparáveis. Não existe relativismo para tal oposição.

E com o estudo e o tempo, nada mais complexo para mim, de entender até onde existe o conflito de ocidente e oriente. Conflito este que já foi estudado por René Guenón em seu livro “A crise do mundo moderno”. O que é estranho que uma frase como a de Friedman, num workshop de música, de uma música que tem preconceito desde seu surgimento com Elvis Presley, pode suscitar debate sobre questões do oriente com o ocidente.

Por outro lado, a influencia oriental na arquitetura sempre foi grande. Desde Frank Lloyd Wright com sua viagem ao Japão, como a arquitetura de Tadao Ando, entre outros. De certa forma, o conceito de “clean” está bastante ligado ao lado oriental da arquitetura. E a quantidade de informações que são colocadas na arquitetura reflete muito essa forma de pensar. Mas como certa vez li em algum lugar, Picasso se referia a beleza clássica como a única existente. Fico por aqui, com minhas dúvidas e minhas poucas conclusões, mas o que posso afirmar que ao nascer no ocidente, muito daquilo que me cerca me forma. De certa forma consigo entender cada vez mais o que fez Guenón sair de Paris para morar no Cairo, assim como um escritor como Albert Camus se fixar em Paris. Gostaria que as fronteiras entre uma coisa e outra fossem maiores, assim como um leigo acredita ser...

abril 17, 2007

Icarus´ Dream Suite Op. 4

Desde seu primeiro álbum, Yngwie Malmsteen já mostrava suas inspirações. Não vou aqui falar do álbum (Rising Force, 1984), mas somente de uma de suas faixas: “Icarus´Dream Suíte Op. 4”. Das oito faixas do disco, (sim, eu tenho em vinil... autografado por Malmsteen em 1998) seis são instrumentais. As inspirações de Malmsteen aparecem logo no agradecimento do disco. Reproduzo abaixo:

“Special thanx to: Rigmor and Bjorn Malmsteen, Lolo Lannerback, Maud Jarredal, Steve Blucher and Larry Di Marzio, Ária Guitars, D´Angelico Strings and Picks, J. S. Bach, Nicolo Paganini, H. P. Lobecraft, Rod Serling, Grober Jackson, Andy Trueman, Peter Rooth, Sebastian Thorer Paul Trueman for the great driving, Chris Stone for his invaluable assistance, Ken Matsumoto and Polydor K. K., Bin Tajima and Hiroshi Kuwashima at Matanabe Music, and of course, Jimi Hendrix.”

Logo de início citando Johann Sebastian Bach e Nicolo Paganini já podemos esperar as pitadas de música erudita mesclado ao rock´n roll. Coisa que não era, digamos assim, uma inteira novidade. E o final com Jimi Hendrix, já demonstra toda sua admiração pelo guitarrista. Logo, somente pela leitura pode-se esperar um guitarrista com influencias da música erudita. Muitos anos depois desse primeiro álbum, Malmsteen lança um álbum chamado “Inspiration”. Nesse álbum, além de músicas de Ritchie Blackmore (Deep Purple e Rainbow), Jimi Hendrix, Rush e Kansas, aparece o guitarrista Peter Roth. Tudo parece tão certo para entender Malmsteen. Deve ser por isso que gosto de suas músicas.

Porém, em “Icarus...” acontece a transcrição das partituras de um tema erudito para guitarra de uma forma bastante nítida. Mais claro impossível. Em outras faixas há também citação, porém como mescla e não de forma tão alongada e direta. Essa forma demonstra o conhecimento prévio da música erudita, um músico erudito tocando guitarra, e não o contrario, um guitarrista tentando buscar se renovar tomando emprestado algo de que não tem domínio. Buscar em suas raízes me parece mais proveitoso do que a simples repetição de suas técnicas ou de seus temas. Encontrar em Malmsteen a inovação, ou como queira, um estilo, é em si um trabalho redundante. Sua música é uma clara colagem, uma fusão e não em si a essência. A essência de sua música esta na busca anterior de outros guitarristas, como Hendrix e Blackmore, e no conhecimento dos clássicos, como Mozart, Beethoven e Bach. Aceito hoje a hipótese de ter perdido tempo buscando na estética do rock´n roll aquilo que a ela não pertencia. Esta confusão de signos muito pouco contribuiu para entender os antigos clássicos e em termos de rock´n roll sua marca já estava selada.

Seu primeiro álbum, “Rising Force” (1984) parece incompleto, sendo sua seqüência o segundo álbum, “Marching Out” (1985). A somatória destes dois álbuns forma então um novo momento para a guitarra. Havia, pouco tempo antes de Malmsteen, a presença de Randy Rhoads, morto em 1982, guitarrista nos dois primeiros discos solos de Ozzy Osbourne e de da banda Quiet Riot. Anos antes, com o lançamento de Van Halen I (1978) e II (1979), aparecia também Eddie Van Halen. Após anos da morte de Jimi Hendrix (em 1970), e com Eric Clapton, um tanto quanto sumido, a guitarra se renovava. Ainda sem esquecer, que neste momento também outros dois guitarristas já se destacavam: Joe Satriani e Steve Vai. Um momento bastante rico, para o rock´n roll.
Após estes primeiros álbuns, Malmsteen forma uma banda, onde os momentos diferenciados são os longos solos de guitarra. Mas é importante lembrar que Malmsteen sempre esteve acompanhado de bons músicos. Front Men que sabiam o que estavam fazendo, como Jeff Scott Soto, Mark Boals e atualmente Doogie White, e tecladistas como Jeans Johansson e Mats Olausson. Seus discos, mesmo passado mais de 20 anos, pouco mudaram. Formado um estilo, segue seus cânones. O álbum gravado junto com orquestra filarmônica de Praga, “Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra in E flat minor, Opus 1” é uma jóia rara, em meio a álbuns sem muita inovação. Não é uma condição somente de Malmsteen, mas de uma forma geral, passa também por Vai e Satriani. O desgaste dado por uma fusão de estilos, aparentemente conflitantes, começa a dar sinal e pedido para uma renovação.
Rising Force - Primeiro álbum de Yngwie Malmsteen


"Icarus´ Dream" is dedicated to the spirit of Moje.

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...