Janeiro 30, 2010

Mais Ramones...

Estava outro dia fazendo uma visita a um escritório de arquitetura. O local mais parecia uma caverna. Uma escadinha e estava numa das antigas sobrelojas, onde é o tal escritório. Sem contato visual com o exterior e num ambiente definitivamente desligado do contexto tropical brasileiro, estava na tal sala de espera escura daquele escritório. Não sei dizer, mas a luz hoje me anima mais que as trevas de outrora. E havia um som ambiente. Nas caixas rolava a tal Mitsubishi FM. A minha sorte foi estar na sala de espera e estar a tocar nas caixas um bom e velho Ramones. Falei tempos atrás sobre Ramones aqui. E continuo a dizer que eles fazem parte da minha vida. Ao lado de outras bandas como o Kiss, Ramones também teve sua fase na minha vida. E vejam só, ainda hoje quando escuto lembro daqueles momentos.

O mais engraçado é que em nenhum momento tento dar “valor erudito” aos Ramones. O importante é curtir e falar que gosto mesmo e era bem punk rock mesmo. Nada de “valores intrínsecos”, “expressão artística” e outras delinqüências intelectuais. Não. Ramones é Ramones. E curtir na sala de espera foi uma alegria ímpar.

Imagino eu, se um dia fosse entrevistador de RH, questionando um candidato: “Ei, qual sua opinião sobre Ramones? Sabe, nos temos uma filosofia empresarial bastante arrojada... “

The blog is back

Yes, D. Fernando is back.

Sim, estou de volta. Por que com este início em inglês? Oras, porque iniciei um projeto de longo prazo, que estava há tempos adormecido. Bem, a idéia básica é um novo começo. Mas esse novo começo está ligado a uma parte de um processo ainda maior. Está complicado de entender? Deve estar mesmo...

Vamos aos fatos: agora novamente sou estudante universitário. Com o apoio indireto do Governo do Estado de São Paulo, volto a cursar uma nova faculdade. Fazia 14 anos que não prestava um vestibular. Não estudei nada em especial. Fui ajudado por uma manobra das tais “ações afirmativas” - o que tenho a dizer é que mesmo sem elas passaria no vestibular, com o número de acertos. Mas é sempre bom ser 14º colocado. Bem, as aulas iniciam no dia 1º de fevereiro e agora tenho como estudar alemão, francês e inglês de forma sistemática a um custo bem interessante.

E para que estudar três línguas, das quais tenho algum mísero conhecimento das duas primeiras? Oras, para construir uma carreira num espaço bastante específico da pesquisa científica. Um fato sempre está ligado a outro. Se tivesse sido aluno da graduação da USP teria conseguido há muito tempo este objetivo. Como não estudei na USP... Quebrei a cabeça por anos para conseguir saber onde poderia melhorar meus conhecimentos da língua inglesa e conseguir estudar outras línguas sem um custo astronômico ou cair naqueles cursos de “conversação”. O objetivo é simples, mas antes tenho que contar uma breve história.

Fiz várias disciplinas do mestrado / doutorado na FAU-USP, desde 2004. Tenho elaborado um plano de pesquisa que trata de estudar qual a visão que o leigo (aqui entendido como o não arquiteto) tem da arquitetura realizada no Brasil, através do estudo de algumas residências unifamiliares publicadas numa determinada revista - especializada em apresentar projetos de arquitetura e construções. Durante estas disciplinas tive, obviamente, contato com vários textos de vários autores – muitos deles que nada tem a ver com o meu projeto de pesquisa, porém, textos incríveis! E, claro, muitos deles em língua estrangeira. Só tenho a elogiar os professores da USP por seus conhecimentos em línguas estrangeiras. Isso pode parecer “colonialismo” da minha parte – explicando: muitas pessoas acham que ler em outras línguas é ainda um “espírito” da “colônia”; daqueles tempos em que os pais enviavam os filhos para Europa para estudarem, porque aqui pela “colônia” não havia boas escolas. Mas não é. E é um projeto é grande envergadura – se o foco lhe for dado sob os princípios do desenvolvimento nacional. Nem sei por que ainda perco tempo explicando este tipo de coisa... E, voltando aos textos, descobri algumas coisas absurdas. Inicio por um breve livro de teoria da arquitetura, escrito em 1961, chamado The Death and Life of Great American Cities, que na tradução nacional perdeu o “american” e passou a chamar Morte e Vida de Grandes Cidades, da jornalista Jane Jacobs. Bem, a tal tradução nacional, aportou aqui em 2000. O que são 39 anos para se traduzir uma obra que teve impacto profundo nos Estados Unidos? Bem, ainda não cheguei lá. Em 2004, a editora Cosac & Naify, lançou em português o livro Precisões Sobre um Estado Presente Da Arquitetura e Do Urbanismo, escrito por Le Corbusier em 1930. Bem, durante duas aulas na USP teríamos que estudar dois textos: um de Le Corbusier e outro de Frank Lloyd Wright. O tal texto de Wright tinha uma tradução para o espanhol, dos anos 1960, argentina. É isso mesmo, na Argentina o livro já havia sido publicado há mais de 40 anos e no Brasil, nada... Nada e nem previsão para publicação. Segundo editores brasileiros parece que não vende bem...

Para este “atraso” nas publicações, o estudante sério brasileiro estuda línguas estrangeiras. Para ler na língua original estas obras. Sou um pouco mais pretensioso. Pretendo mesmo é traduzir algumas dessa obras e buscar a publicação em língua portuguesa. Bem por isso um curso de “conversação” não acrescenta nada e busquei uma faculdade; uma nova carreira praticamente. E paralelamente, continuo meus estudos para o projeto de pesquisa. Em suma, enquanto leio um monte de coisas, tive que desaparecer do blog.

Falei a pouco com um amigo e ele me disse: vai ressurgir das cinzas? Não diria que voltar a escrever um pouco no blog seja ressurgir, mas é sempre legal falar um pouco mais do cotidiano e de coisas que não aparecem na superfície. E para isso que fiz este blog, para arquitetar caminhos!

Novembro 28, 2009

20 dias...

Acabo de notar que há vinte dias nada escrevo aqui no “meu querido blog”. E não é síndrome da folha em branco. É a total falta de tempo mesmo. Assuntos não me faltam. O principal dele é o acúmulo de eventos num mesmo dia ou na mesma semana. Se há algo mais desagradável é justamente o fato de haver um fim de semana inteiro sem nada par fazer e outro, que já previamente estava agendado (desde março) consegue ficar carregado de eventos. Se não fosse uma pessoa calma diria que andaria meio estressado. Bem, acho que sou meio estressado...

Bem, deixando de lado todas as outras coisas, estou escrevendo aqui para apontar um novo projeto, o qual ainda é secreto, não posso falar nada. Mas continuarei meio ausente aqui do blog, porém, não ausente das letras...

Diria que 2010 promete. Afinal, o mundo acabará em 2012 (sic)...

Novembro 08, 2009

Rocket to Russia

Certa vez lembro de ter ouvido falar que o João Gordo – da banda Ratos do Porão (na minha época), hoje, VJ da MTV – expulsou uma banda que entrevistava em seu programa quando os integrantes falaram que não gostavam de Ramones. Nem sei que banda era, mas sou obrigado a dizer que concordo com ele plenamente em ter mandado os caras embora. Ramones é unanimidade. Pode-se não gostar de Elvis ou Beatles, talvez Rolling Stones, mas é praticamente impossível passar por Ramones e dizer que não gosta, ou, quem em momentos da vida não balançou com alguma de suas músicas? Eu sempre gostei. Mesmo entendendo que não há nada além de atitude pura ali. Muita atitude, por sinal. Mas minha adolescência foi regada por Ramones. Sou quase um suspeito para falar da banda. Mas dentre todos os discos que ouvi à época e que continuam – como diz o Zeca Camargo – a tocar no meu iPod, este disco de 1977, Rocket To Russia, continua a me animar. Um disco que até hoje escuto faixa por faixa. E pior: gosto de ouvir na seqüência original das músicas...

Mas sempre digo que há momentos específicos para escutar Ramones. Mas que normalmente são impressionantes. Diria que é a banda de punk rock que me faz “escutar música de forma diferente” – plagiando novamente o Zeca Camargo. Deveria eu estar aqui a fazer uma resenha, mas pra que? Quem conhece e gosta não vai se interessar em ver repetidas frases a respeito do álbum, afinal, nada de novo tenho a falar. Quem não gosta não vai resolver gostar de Ramones só porque eu disse alguma coisa. Alias, quem não ouvia Ramones na adolescência não me parece ser de confiança... Em muitos momentos me perguntei se deveria ter escutado mais The Police que Ramones na adolescência. Mas hoje vejo que cada um tem seu momento. Mas, na adolescência, a banda de Sting perdia feio...

Novembro 03, 2009

Para onde vamos?

Poucas e raras vezes reproduzi aqui um artigo completo. Mas este me parece ser um dos dois artigos de Fernando Henrique Cardoso que merecem mais atenção que o normal. Um intelectual como FHC tem prestígio para falar o que bem entender, principalmente porque ainda em atividade. Mas quando trata de traçar um caminho tomado por um opositor, que por muitas e muitas vezes falou enormes bobagens a seu respeito, este se torna uma peça para um estudo sociológico bastante interessante. Boa leitura aos meus poucos leitores. Mas fica aqui registrado que é uma tarefa bastante grata ler e entender que ainda existe vida intelectual acima da política rasteira.

Por Fernando Henrique Cardoso, no jornal o Estado de São Paulo de 1º de novembro de 2009.

Para onde vamos?

A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.

É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha Casa, Minha Vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU - contra a letra expressa da Constituição - vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: “L”État c”est moi.” Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.
Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas - com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde

Novembro 02, 2009

Meus heróis morreram de overdose...*


“If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is, infinite.“

William Blake - The Marriage of Heaven and Hell.

Começar um texto que batizei com um trecho de uma música do Cazuza, já demanda certa dose de esforço fora do normal para ir em frente e pontuar alguns tópicos. Não tenho muita afinidade com as letras de Cazuza e sua música não teve para mim o mesmo impacto de outras bandas da mesma época, como até já me referi aqui neste mesmo blog. Mas algo dos meus 15 anos ainda permanece na minha mente e cada vez mais confuso. Não vou falar nada de Cazuza, mas de outras três personagens reais que me balançaram – e ainda balançam - em momentos diferentes e que acabaram por bater a minha porta por várias e várias vezes.

Túmulo de Jim Morrison - Cemitério de Père-Lachaise, Paris.

A primeira personalidade que vou falar é do sempre jovem Jim Morrison – uma das duas coisas boas de se morrer jovem é que nunca envelhecem; a outra é a não revisão do legado deixado, deixando sempre uma lacuna aberta para um infinito de interpretações. Quando assisti pela primeira vez o filme Doors, de Oliver Stone, não entendi nem a metade daquilo que viria a ser uma das bandas mais comentadas entre meus colegas de colegial. Pouco tempo atrás assisti novamente ao filme e a cada vez observo novos detalhes que me haviam passado despercebido. Quanto mais tempo se passa mais identifico o poder artístico distante daquela busca das novas emoções da juventude. O mais impressionante é o poder das letras atrás das músicas que ainda hoje tem o poder de embalar momentos marcantes da minha vida. Quanto mais o tempo passa mais informações vamos acumulando.

O fator que me chama atenção na figura de Morrison está nas pequenas apresentações indiretas que me trouxe. Não poderia deixar de descrever a primeira apresentação indireta de uma música do Doors. Foi aos meus 10 anos de idade num disco, famoso à época, um LP da moda daqueles tempos, chamado Rádio Pirata ao Vivo, do RPM, onde Paulo Ricardo cantou incidentalmente Light my fire no meio de uma música. Isso data de 1986. Pouco tempo depois, em 1991, veio o filme de Stone. Mas Doors não parava ali a me apresentar novidades. Descobri o poeta William Blake através de Morrison. Depois, ao me interessar por ficção científica, acabo por descobrir Aldous Huxley, e o seu livro As Portas da Percepção – livro que dá nome à banda de Jim Morrison. De Huxley ainda acabei por ler Admirável Mundo Novo, e hoje é um dos autores que acabo por esbarrar na condução de uma busca intelectual e em muitos casos como simples citação – como a cerca de dois anos, citado explicitamente no texto de um arquiteto.

Mas, além de suas letras que ainda trazem algumas reflexões, a música do Doors acaba por embalar algumas “trilhas sonoras” das viagens de fim de semana ou de férias junto aos amigos e namorada. Não somente Doors, mas talvez seja a única banda que marcou a todos em momentos diferentes. Ontem mesmo, ao ouvir Riders on the storm, acabai por escutar várias vezes seguidas...

Túmulo de Randy Rhoads - Cemitério de San Bernardino, California.


Aos quinze anos fui apresentado ao Ozzy e ao Black Sabbath, como já contei por aqui, nas minhas recordações em forma de blog, cujo nome não poderia ser mais do que significativo. Falar de Randy Rhoads, morto em 1982, é para mim como falar de um dos guitarristas que mais curiosidade me desperta. Sua morte, prematura, decorrente de um acidente, tendo somente gravado dois álbuns ao lado de Ozzy (Blizzard of Ozz e Diary of a Madman), era como se algo muito maior não tivesse se concretizado. Ozzy estava numa péssima fase quando Rhoads chegou, e praticamente colocou o primeiro álbum de Ozzy entre um dos mais vendidos no mundo (num livro sobre os 100 álbuns mais vendidos no mundo ocupa a 100ª posição – se não me engano - e é o único disco de Ozzy nesta lista) tendo impulsionado sua carreira a parir de então.
Mas Randy Rhoads tem para mim algo de extrCor do textoaordinário que ainda não consigo explicar em palavras, principalmente ao ouvir Over the mountain ou mesmo a pequena peça Dee. Por trás das guitarras ainda aparece a figura de Aleister Crowley. Rhoads continua a ser para mim uma das maiores incógnitas entre os guitarristas que aprecio.


Túmulo de Elvis Presley - Graceland, Tenesse.
A terceira pessoa que vou comentar a respeito é a única que me deixa 100% confortável. Nestas poucas linhas a respeito de Elvis Aron Presley, gostaria de tentar explicar um dos maiores erros de interpretação que passam de geração a geração sobre sua morte: Dizer que Elvis era drogado. Naquele tempo, década de 1970, não se consideravam os efeitos dos comprimidos como um vício. Elvis tinha tido uma infância solitária e bastante pobre e em momento algum teve atos de revolução como outros astros que morreram naquela mesma década, como Jim Morrison, por exemplo. Elvis fazia pela música sua revolução. Não à toa, John Lennon, quando esteve pela primeira vez nos Estados Unidos, disse que conhecer Elvis foi o melhor de tudo desta viagem.

Certa vez o jornalista Daniel Piza comentou sua inicial estranheza nos fãs de Elvis de sua fase final (gordo). Mas complementou que ao se descobrir o Elvis dos anos 50 dava para compreender a devoção. Elvis fez inúmeros filmes, mostrando até o Hawaii. Mas sua terra era mesmo Las Vegas. Até hoje, Las Vegas, com suas múltiplas transformações, ainda tem muito do espírito de Elvis. Era um super-astro e até hoje as peregrinações a sua casa e, conseqüentemente ao seu túmulo, atraem multidões. Um mito que se traduz numa música que marca gerações e que me foi apresentada ainda na infância. Se um dia alguém me perguntasse quais foram os primeiros discos que escutei, Elvis certamente estaria entre eles.

Nada mais impressionante do que falar dos mortos no dia de finados. Que estejam em paz e continuem a me guiar por estes caminhos que a vida me apresenta. Não estranho em falar de três personagens tão conhecidos e que influenciam até hoje inúmeras gerações. Eles com certeza ainda podem aparecer em mais outras tantas postagens.
* Da música Ideologia, de Cazuza.

Novembro 01, 2009

A chuva

A chuva caia sem trégua ao pedestre. Caminhava ele sem muita pressa, já úmido, parecendo sem destino. Procurava no vasto aglomerado de edifícios algo que fizesse sentido. Transitava olhando para cima e para baixo, num movimento sem sincronia, como num ritual. Procurava no vazio uma explicação para o que lhe acontecia. Parecia perdido, mas os caminhos em que transitava lhe eram familiares. Os conheceu num tempo passado. Um tempo que o sol ali brilhava radiante, sem perceber os rumos que aqueles dias moldariam em sua vida. Pensava em quantas vezes já havia pisado naquela calçada; em quantas vezes havia desviado daqueles canteiros de flores e árvores; em quantas vezes esperara para atravessar aquelas mesmas ruas; e em quantos carros já havia passado, estacionado e visto naqueles anos todos. Quantas pessoas cruzaram por ele nesses caminhos, transformando-se em meros desconhecidos para todo o sempre. Quando se pondera a eternidade se descobre que mesmo que sua memória fosse a mais genial, ainda não poderia lembrar-se de todas as pessoas comuns que cruzou por aquelas ruas. Mas, havia uma pessoa em que a esperança de voltar a ver o fazia se movimentar daquela forma sob a chuva.

Havia a encontrado anteriormente numa rua, noutra ocasião bastante diferente. Era um local comum e não mais o bairro em que transitaram juntos por todos aqueles anos. Foram poucos anos em que estiveram lado a lado numa diferença de horários em que o espaço físico daquelas arquiteturas ecléticas era a única testemunha. Uma testemunha muda de acontecimentos dos mais marcantes de inúmeras vidas e de inúmeras épocas. Mas sua vida naquele momento estava marcada pela chuva, que continuava a não lhe dar trégua. Seu caminhar já se tornava cansado e logo deveria desistir de conseguir este encontro forçado. A esperança deste encontro era maior que a possibilidade real de acontecer. Era de uma melancolia sem limites, numa mistura de sentimentos em que se avaliavam aqueles rumos moldados por aqueles dias radiantes e um futuro que havia ou não se concretizado. A dúvida era o preço da pureza, pois lhe era inútil ter certeza. A certeza que lhe poria fim na sua busca romântica de um encontro sob a chuva. Não encontrava respostas para entender aquele mundo onde parecia ter sido arremessado. Um mundo que tudo parecia fora do lugar. Corria ele em busca daqueles dias radiantes, debaixo da chuva, cada vez mais volumosa.

Em sua mente a imagem da musa inspiradora de vários e variados assuntos lembrava a lenda das sereias em seu canto apaixonante. O canto que embalava os marinheiros nas profundas águas oceânicas. As imagens de seus passos lado a lado naquelas ruas eram um desejo de extrema magnitude. Mas então resolve passar a pensar em seu estado geral lamentável, de suas roupas encharcadas, de sua barba por fazer e seu cansaço, cada vez mais aparente aos olhos mais destreinados. Foi então que a magia tomou conta de seus olhos. Sim, ela estava lá. Alguns poucos passos, também debaixo da chuva. Estava de botas negras, as mesmas daqueles tempos radiantes e toda molhada, numa tentativa sem sucesso de abrir a porta de seu carro; o mesmo daqueles dias radiantes. Foi então que tentou se aproximar. Mas seu cansaço ganhou e a avistou partindo numa rápida arrancada. Era hora de desistir. Não aconteceria outra vez mais naquele dia. Ela nunca saberia o quão perto estivera; nunca saberia de seu esforço; nunca saberia de seu desejo de encontrá-la. Tomou então o rumo de volta ao seu “esconderijo”, apelido dado ao seu pequeno cômodo alugado ainda naqueles tempos radiantes. A decoração permanecera intocada por todo o tempo que longe estiveram. Era a memória viva de um ritual de devoção a musa inspiradora dos melhores dias de sol pelos quais já havia passado.

De volta ao pequeno cômodo, recolheu a correspondência, menos úmida que sua roupa. No meio de todas aquelas contas atrasadas estava um pequeno envelope verde, sem remetente. Em seu interior um cartão com as seguintes palavras: “Estive por aqui, no intuito de recordas nossos bons tempos.”

Aquelas palavras foram a pior coisa que se poderia ler naquela hora. Tanto esforço para aquele encontro forçado sem qualquer perspectiva de êxito, enquanto a peça chave estava justamente a caminho do único local inalterado e testemunha viva daqueles dias radiantes. Num mesmo dia era sorte demais jogada fora. Agora o cansaço dominava o corpo úmido. Era aquela noite de chuva a pior de todas. Uma verdadeira tempestade, mesmo sem os raios e trovões. Era a vitoria da ansiedade sobre a paciência. Agora nada restava a não ser tentar estar melhor para um novo dia. Nenhuma outra possibilidade estava em questão. Nada naquele momento seria possível. Não havia nenhum número de telefone e mesmo se houvesse não teria como chamar. Estava com as mãos e os pés amarrados, rendido ao cansaço e à desesperança. Mais uma noite, em que a insônia o acompanharia. E a chuva não parava de derramar suas lagrimas cada vez mais geladas e densas. Amanhã seria outro dia. Um dia a menos na vida que poderiam juntos ter. E como era longa aquela noite...

Pela manhã percebe a porta a bater. Estava mais lamentável ainda, com as roupas úmidas e dores por todo o corpo. Fora difícil seu levantar. A porta batia mais desesperada. Cambaleando consegue atender, e, para sua surpresa, ela estava ali. Radiante. Extraordinária. E com os olhos apreensivos. Olhos vermelhos, como os de quem também havia repousado menos que o necessário. Aquele encontro era o mais inexplicável de todos os tempos e o silencio tomava conta da cena. O convite para a entrada fora feito e aceito. A porta se fecha e o sol passou a penetrar novamente o “esconderijo”. A chuva passou e levou junto os piores sentimentos. Tudo então volta à normalidade. Os carros nas ruas, as pessoas a circular pelas calçadas, as plantas e as flores a se multiplicarem e despertarem de seu descolorido, assim como o sol a brilhar. Quando repentinamente a porta se abre. Por ela vai-se embora a musa de seus sonhos mais inspiradores. A chuva volta então a cair. Uma garoa fina, restabelecendo a normalidade das águas. Mas agora existe a promessa que ela vai voltar. A chuva então nutre agora as flores e as árvores nas calçadas, mantendo-as como vivas testemunhas desses novos tempos antigos, que não voltam mais, assim como uma onda no mar, nada do que foi será igual ao que foi um dia... E que a chuva traga alívio para todos...
"Riders on the storm,
Riders on the storm,

into this house we're born,
into this world we're thrown
like a dog without a bone,
an actor out alone,
riders on the storm

There's a killer on the Road
His brain is squirming like a toad
Take a long Holiday
Let your children play
If you give this man a ride
Sweet family will die
Killer on the Road

Girl you gotta love your man
Girl you gotta love your man
Take him by the hand
Make him understand
The world on you depends
Or life will never end
Gotta love your man"

The Doors - Riders on the Storm - L.A. Woman (1971)

Outubro 25, 2009

A Cigana

Caminhava eu sozinho, olhando para o chão. Era uma noite nublada - certo que um dia pode ser nublado; não uma noite. Mas aquela noite era nublada – e o chão estava um pouco úmido. Os meus sapatos negros de couro pareciam já bem encharcados e havia muito ainda a caminhar. As pernas já davam sinais do esforço e os pés do desconforto daqueles belos sapatos negros. Pensava eu: se eu fosse mulher faria sentido usar um sapato desconfortável por seu aspecto estético – lembrando sempre de uma amiga que diz que sapato é como lingerie: se é bonita não é confortável; se é confortável não é nem bonita e nem muito menos sexy -, mas era quase o uniforme daquele trabalho péssimo que era obrigado a fazer. No começo tudo parecia tão bonito, aquele shopping, muitas garotas, lojas de muito bom gosto, produtos especiais e importados – e, claro, não era perto da época de natal. Mas o tempo passou e apareceram também as pessoas chatas e mal amadas. O inferno estava ali. Até os sapatos que não brilhavam era motivo para um olhar depreciativo. Minha vontade era usar camisetas do Ramones, All Star e jeans surrado. Mas não. Os sapatinhos de couro preto eram uma das minhas ferramentas de trabalho. As camisas e as calças não me incomodavam, mas aqueles sapatos...

Mas aquela noite era diferente. Naquele horário o caminho de casa, em que ônibus e metrô já não mais estavam disponíveis, era uma longa caminhada. Não sei ainda como tinha sorrisos até pouco mais de vinte minutos antes, na hora do fechamento da loja. Se pensasse nessa caminhada acho que nem sairia da cama no dia seguinte. Mas aquela noite me sentia diferente. Não sabia definir aquele sentimento. Quando repentinamente me deparei com aquela mulher. Aquele vestido vermelho, de gala, parada de pé em meio à calçada. Era uma visão um pouco maluca para explicar para alguém. Era bela, mas ao mesmo tempo assustadora. E mais assustadora ao vê-la descalça com aquele belo vestido. A cada passo me aproximava mais dela. Seria ela uma miragem? Certo que miragens acontecem em desertos... Tinha uma pele bem branca, como uma criatura das noites, aquelas que habitaram a minha mente durante a infância. E das mesmas lembranças da infância surgiu uma da qual a minha atual psicanalista dizia ser uma representação de um desejo - e eu sempre senti que era a minha salvação. E logo parei. Ela então conversou comigo. Perguntou-me se eu era aquele garoto que sempre andava com um coelho azul pela mão – igual ao da querida Mônica. Perguntou depois do meu carrinho vermelho, que havia ganhado no aniversário de 8 anos de idade - e havia perdido numa viagem. Eu estava parado. Sem responder nada. Não sei dizer quanto tempo mais ela me questionou contando parte da minha vida. E ela parecia igual àquelas imagens da infância. Logo me tocou a mão. Senti uma segurança incrível naquele ato. Passaram-se alguns minutos, em silêncio, nós nos tocando. Se pudesse dizer uma única frase diria que ela é a paixão recolhida de toda minha vida. Os cabelos pareciam diferentes da época de infância. E logo me disse:

- Pronto. Vá para a casa de seu amigo Carlos.

Não entendi muito bem e logo ela dobrou a esquina, desaparecendo - em passos elegantes, como pequenos pulinhos de uma adolescente em chamas. Logo retomei minha caminhada rumo a minha casinha, quando avistei um tumulto enorme em frente ao meu prédio. Carros de polícia e um do corpo de bombeiros. Era um incêndio e meu apartamento fora uns dos queimados. Foi por conta de uma explosão, cerca de cinco minutos antes da minha chegada. Meu desespero era enorme. Principalmente lembrando que antes do incêndio da casa dos meus avôs tinha também encontrado aquela cigana, isso ainda na minha infância. Agora não tinha mais nada. Para onde iria? Foi quando percebi porque falou para ir para a casa do Carlos. Tomei então uma carona com a viatura de polícia rumando para o apartamento do Carlos, poucas quadras do meu. Bati em sua porta e lá estava ele com duas amigas – uma delas a cigana descalça. Ele então me falou para entrar que tínhamos muito a conversar. A cigana tinha trazido minhas roupas, fotos, cds e livros. Tudo estava na sala do Carlão. A vitrola então rolava uma música do Deep Purple, bastante significativa:

Tell me gypsy can you see me
In your crystal Ball
I'm asking you what can I do
My back's against the wall
And I can't hold on much longer
So I've come to you my friend
For now my life seems at an end
I came to see you once before
One hundred years ago
You took my hand and broke the spell
That should have let me go
But my years have gone so slowly
So I'm here again my friend
For now my life is at an end


The Gypsy – Deep Purple (1974)

O Lavabo

Tivesse você a possibilidade de fazer “o lavabo dos seus sonhos”, como ele seria? Eu já decidi. Não só decidi como também já “copiei” em projeto certa vez... Isso pode ser plágio ou inspiração. Prefiro dizer que era uma inspiração, já que não havia a mesma intensidade dos materiais deste da foto, projeto do escritório Jacobsen + Bernardes. Ultimamente venho prestando muito mais atenção aos materiais utilizados nos projetos. E eu que um dia houvera dito que achava esta questão sobre o uso dos materiais empolgação filosófica arquitetônica dos anos 1980...
No momento atual começo a me preocupar não só com os materiais, mas com uma condição de utilizá-los. Entender as características do uso dos materiais naturais; compreender o efeito que cada um tem por sua natureza e não mais só o uso “genérico” – aquele que se expressa dessa forma: “madeira”, “pedra”, “mármore” – e o seu uso no contexto completo do projeto. Mas tem ainda algo que sempre foge do controle: as partes vivas do projeto. Nesse mesmo exemplo de lavabo, o jardim tem vida. Ele cresce, seca, em suma, se transforma. Conforme já havia falado numa postagem anterior, o novo conceito de sustentabilidade acaba por trazer do passado o uso dos materiais naturais, principalmente a madeira, por ser renovável. Mas como pensar em madeira numa área molhada como o lavabo? Então parte-se para o uso das pedras naturais, juntamente por seu menor impacto ao meio ambiente. E, além disso, nasce uma arquitetura totalmente nova sempre – onde o lugar, a textura, a forma, os veios das pedras, fazem ser sempre únicos estes ambientes. Este texto pode ter ainda mais outras dimensões e prolongamentos, questionamentos e focos, mas o que quero colocar aqui é como a simplicidade de um pequeno ambiente com uma pequena dose de arquitetura pode ser tão diferente de tudo o que se viu antes - e nada disso tem uma diferença financeira tão relevante, ou seja, não é uma questão de economia ou custo, mas de arquitetura pura. E como não se pode tratar de um caminho arquitetônico a partir de um simples (nem tão simples assim) lavabo?

Outubro 22, 2009

E não deu Rubens mesmo...

Bem, era de se esperar que Rubens não ganhasse a corrida. Não por nada, depois de Ayrton Senna não houve mais nenhum campeão do mundo brasileiro. Além de Felipe Massa, nem em Interlagos algum piloto brasileiro ganho mais... Não seria o sem sorte do Rubens que ganharia.

Agora, que foi mal mesmo com ele foi José Simão: “(...) Agora piada pronta foi a manchete que o Simão viu no caderno de esportes da Folha na véspera da corrida: Novos freios empurram o Barrichello! Rarararará.
E aí teve a corrida. E o Rubinho não ganhou! Normal. Ele não pode ganhar porque ele é o nosso anti-herói, ele tem que fazer coisa engraçada. O Rubinho é o nosso piloto trapalhão. O pneu furou... mas o pneu não fura nem na rua mais. É piada de antigamente: atrasei no trabalho porque o pneu furou.
Até a mãe do Simão brincava: furou o pneu do bonde! De tão antigo que isso é!(...)” (aqui)

Outubro 17, 2009

E amanhã vai dar Rubens?

Dois pilotos de segunda classe disputam um campeonato em que as três maiores estrelas da Fórmula 1 atual não ascenderam durante o ano inteiro. Uma delas, a única com verdadeira causa, foi Felipe Massa, cujo acidente quase o afastou em definitivo das pistas. Era e é o piloto que mais gosto de ver correndo. Sem ele o campeonato fica bem chato e sem muito interesse. Fernando Alonso, que ganhou dois campeonatos com Michael Schumacher nas pistas é a outra estrela que neste ano não brilhou. O espanhol merece todo o crédito que teve e tem. Lewis Hamilton, que não gosto do jeito que corre, é um piloto jovem que nunca vai ter mais do que já teve... Não creio que venha a ser tão melhor do que mostrou até aqui. Mas, contudo, é um campeão mundial. Rubens Barrichello, com toda sua experiência, não é campeão mundial e creio que não venha a ganhar amanhã em Interlagos. Não acho que ganhará nem a corrida... Se ganhar será uma boa festa, para ele... De resto o campeonato não teve lá muita emoção este ano, principalmente ao se comparar com o de 2008.

Outubro 12, 2009

O Nobel para Obama...

Não entendi nada. O Nobel não é uma menção, uma láurea, uma homenagem, aos que fizeram algum fato notável em prol da humanidade? Pois bem, quero eu saber o que Obama fez pela paz em incríveis nove meses? Juro, não consegui encontrar nada para tamanha menção. Mas de qualquer forma, este mundo louco esta me deixando são demais... Vou deixar de tentar entender certas coisas... Só espero não ter que ouvir de alguém um dia as saudades de George Bush... Algo como pude ouvir aqui por estas terras: “Nada pode ser pior que o Sarney...” (quando da posse de Fernando Collor).

Geneton...

Geneton Morais Neto é um jornalista que já falei por aqui algumas vezes de seus livros (aqui e aqui, por exemplo). E até hoje ainda não sei o que ele particularmente pensa. Um jornalista de mão cheia, que já vi entrevistas desde José Sarney a Caetano Veloso, além desta última (que li, de 2004) com Paul Johnson (esta foi uma dica do blog do Daniel Piza). Navega pelos assuntos da política, dos grandes acontecimentos – como o narrado em Dossiê Moscou -, da música e de personalidades. Sempre com grande quantidade – e qualidade - de informações. Atualmente leio uma quantidade de jornalistas além da habitual quantidade de artigos acadêmicos – estes ultimamente andam-me “estressando” um bocado. Na verdade nem são tantos jornalistas assim, e praticamente todos ligados a cultura ou aspectos culturais. Como dizem por aí, o jornalismo cultural anda em alta... Pelo menos nas minhas leituras informativas...

Para novembro...

Estava sentado lendo um texto que foi publicado em O País dos Petralhas quando me dei conta de que exatamente neste dia 07 de outubro fez um ano que eu peguei autógrafo e bati um papinho com o Reinaldo Azevedo – ele autografou tanto O País dos Petralhas quanto Contra o Consenso, este último assunto do nosso breve bate-papo. E não é que para minha surpresa em novembro chega às livrarias o terceiro livro dele: Máximas de um país mínimo. O engraçado é que quando comecei a ler seu blog tinha um pé atrás com ele, por ele ser “muito tucano”... O mais interessante não é discordar dele, como fazem petralhas a rodo mundo a fora, mas entender a complexidade de pensamentos por trás de suas palavras. Não à toa este livro foca exatamente nessas palavras. Um trabalho até inédito (nem tanto) e ainda mais interessante porque feito pelo próprio autor. Mas que a saudade de um crítico de literatura e de cultura geral ainda é maior que suas palavras sobre a política (talvez, a falta dela) no Brasil. (aqui)

E o futebol...

Quem diria... outro dia fiz uma listinha de pessoas “meio intelectuais” que gostavam de futebol. E nesta lista não constava o nome do jornalista e historiador Marcos Guterman que acaba de lançar O Futebol Explica o Brasil. Tempos atrás eu e mais outros fãs de haevy metal tiramos satisfações com ele sobre um comentário (dele), que já foi para blosfera faz tempo, da capa do disco de Megadeth - United Abominations. Se não me engano em 2007. Após isso venho acompanhando muito suas postagens no seu novo blog. E se não bastasse isso, ele escreveu belíssimo texto este ano no Livro do Ano Barsa, para os que sabem do se trata um “livro do ano”...
Bem, o livro ficara numa fila para possível presente de final de ano e entrará na incrível listinha de títulos a ler. De uma coisa tenho certeza: deve ser muito bem feito e deve ter inúmeras histórias engraçadas no meio.

Outubro 01, 2009

Tecnologias...

Começo contando uma velha piada, cheia de pormenores ideológicos e carregada de um sentimento que a cada dia vejo se esvaziar das mentes pensantes:

“Os engenheiros americanos da NASA desenvolveram uma caneta que possa escrever mesmo sem a força da gravidade. Uma caneta que pode funcionar na lua. Uma perfeição, uma esferográfica que independente da pressão atmosférica terrestre escreve. Já os cientistas do programa espacial russo adicionaram aos materiais de seus vôos um lápis...”

Essa história serve para ao mesmo tempo apresentar duas questões que passam dia sim, dia não, no meu cotidiano: certo nacionalismo bocó e a valorização de tecnologias inúteis.

Certa vez estava com um primo e este me disse que enquanto o celular dele funcionar ele estará a utilizá-lo. “Para quê celular com câmera, com música, com e-mail ou televisão? O importante é que se consiga ligar para as pessoas.” Por sinal há muito de verdade em seu pensamento. As tecnologias usadas de forma vulgar nada mais são do que meros brinquedos para adultos. Assim como muitas formas outras de tecnologia, simplesmente servem como passatempo e diversão sem praticamente nada adicionar a vida cotidiana. Hoje fico feliz com meu BlackBerry, onde posso ver e mandar e-mail praticamente o dia todo de qualquer lugar. Logicamente se este serviço me custasse muito caro eu o dispensaria. É mais uma questão de mercado do que de tecnologia. Diga-se de passagem, que desfazer esta associação entre mercado e tecnologia é condição para a “demência das ambições tecnológicas”.

Começando com a questão da caneta que escreve na lua, ela realmente existe. E hoje é algo até normal. São aquelas canetas com um refil de aço, normalmente da Parker ou outras cujo refil é um tubo vedado sob pressão. Claramente o lápis resolveria o problema, mas a caneta é de uma precisão incrível e hoje além de um sinal de tecnologia é um sinal de status. Essa questão do status ainda move muitas das relações humanas e é algo que move de certa forma a industria e assim o financiamento de novas tecnologias que podem ter utilidades muito mais amplas, entre elas, uma da moda, é o GPS. A principal questão da tecnologia é que ela sempre trás algo novo, que pode melhora a vida e uma desvantagem, muitas vezes imperceptível. No caso do GPS parece óbvio o benefício: encontrar as ruas e não se perder mais. A desvantagem, nesse caso, é moral. Com o GPS você pode ser rastreado, monitorado assim como a ficção mais absurda de George Orwell (não necessariamente, claro...).

A outra questão apresentada de forma ideológica na piadinha é a de tratar sempre de bobos os americanos, para valorizar as idéias soviéticas, aquela idéia marxista, predominante durante a Guerra Fria. Por sinal, bastante influente até mesmo no Brasil de hoje... Esse pseudo-nacionalismo demonstrado por meio de um antiamericanismo é de uma estupidez voraz. Certo que ainda existe um grande número de pessoas que ainda resistem em pensar como colonizado, simplesmente colocando o mundo sob duas visões: uma européia e outra americana. Como se fosse possível esquecer o oriente, ou mesmo a questão do Oriente Médio. E mesmo essa visão já naufraga levando em conta a diversidade cultural dos povos europeus... Ou seja, as duas questões que parecem desconexas – a tecnologia e o nacionalismo bocó – tem uma enorme conexão, principalmente ao se falar que hoje as tecnologias não são mais monopólio de americanos, ingleses ou alemães, mas também disputam os mercados os japoneses e mais recentemente os chineses e indianos. E hoje se falar em nacionalismo em termos tecnológicos é como se falar em parar de comer hambúrguer e tomar coca-cola por ser “coisa de americano”.

Mas ainda ao se falar de tecnologia existem certas questões cuja tecnologia ainda é a mesma de muitos séculos atrás. Principalmente ao se cogitar o conceito de sustentabilidade, como na construção civil, onde hoje há a valorização de materiais naturais, como as pedras e as madeiras, por sua menor agressão ao meio ambiente. Mas pedras e madeiras nada mais são que os materiais utilizados à séculos nas construções... Como numa letra do primeiro disco dos Engenheiros do Hawaii (achou que eu não citaria nada deles, sempre surpreendo em encontrar nas letras do Humberto alguma pertinência...) “Você/ que tem idéias tão modernas / é o mesmo homem / que vivia nas cavernas (...)” (Crônica – 1986), como também não podemos esquecer que nem toda a tecnologia pode substituir a presença humana. De que adianta um edifício finamente projetado na mais alta precisão tecnológica se ainda hoje muito do trabalho é feito de forma artesanal? Sabe-se que a industrialização teve suas fases, como as descritas nos trabalho de CIRIBINI, dos anos 1960, assim como a tecnologia, hoje são indiscutíveis seus benefícios na vida atual. Mas dizer que hoje se vive muito melhor que em séculos passados não é de jeito nenhum dizer que se evoluiu. Simplesmente há descobertas que se traduziram em conforto, o que só vai ser avaliado nos próximos séculos, onde alarmistas como Al Gore e outros serão lembrados (se forem lembrados) como mais alguns malucos que se recusavam a aceitar a lógica de que “não há ganho sem dor” (esta frase data de uma palestra que assisti em 1993, do inglês No pain, no gain). E a cada vez que entro nessa questão tenho em mente o que certa vez Zeca Camargo comentou sobre qual a diferença entre nascer aqui no Brasil ou num lugar como aqueles que visitou em suas duas voltas ao mundo. São estas pequenas sementes que me fazem pensar que ainda existe algo por entender além desses clichês todos, e que há vida sem essa parafernália tecnológica que parece aprisionar as pessoas, ou fazer delas pessoas como Mersault, de O Estrangeiro de Albert Camus.

Setembro 20, 2009

O Preço...

Um carro: Chevrolet Kadett, ano 1996. Completamente original e em fase de restauro. Faltavam os estofamentos, alguns itens de parte elétrica e alguns detalhes de puxadores. A lataria brilhava do polimento. Estava em perfeito estado e mostrando os defeitos constatados por donos de Kadett, tais como problemas com a bomba de combustível, as travessas dos bancos entre outros. Um motor de 1.8 l e uma potência de motor de mais de 100 CV, a álcool, era um carro e tanto, ainda mais levando em conta que estava com a família desde sempre. Único dono.

Foram treze anos com o carro que desapareceu na porta do hospital Beneficência Portuguesa na noite de sábado. A sensação estranha de passar no local onde havia estacionado pelo menos mais umas cinco vezes e não entendendo o que havia acontecido. Afinal, tinha estacionado ali fazia pouco mais de uma hora. Parar na “via pública” é uma condição aparentemente normal em qualquer cidade do mundo. Parava na rua sempre, durante os anos de faculdade, ao redor do Mackenzie. Sempre parei na rua durante as aulas na pós-graduação, também em volta do Mackenzie, já que o curso de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo fica a cerca de 100 metros do Mackenzie. Também estacionava na “via pública” (assim que é identificado no boletim de ocorrência da Polícia Civil) nos meus trabalhos, tanto no Itaim Bibi, quanto na Vila Olímpia. Não tinha toca-cds, não tinha nada que fosse interessante para um ladrãozinho a não ser o próprio carro.

Não achava que o carro fosse um “objeto de desejo” dos ladrões de automóveis. Se o é, é por causa das peças de reposição e do comercio “espertalhão” das peças usadas. Mais uma mostra de subdesenvolvimento brasileiro. Subdesenvolvimento também cultural, não apenas econômico. Ter uma “caranga” velha para trabalhar e mesmo assim o carro sumir é o fim da picada. Certo que o carro estava bonito, mas era velho e estava com vários defeitinhos. Sei que isso acontece o tempo todo, o que é pior ainda. E esse meu desabafo é mais uma vez uma história que será somada a outras tantas e nada vai mudar.

Como dizia o Humberto em 1987, “nossos sonhos são os mesmos/ há muito tempo/ mas não há mais muito tempo pra sonhar” e não adianta nada falar sobre por que não parou no estacionamento. Por que não fui embora antes. Por que e mais porquês. E lembrar de um amigo que perdeu o carro, sem seguro, por conta de dez minutos entre sua descida do carro e volta ao lugar onde havia estacionado. Teriam os mesmo porquês? São cousas dadas pelo Fortuna, como diriam o gregos antigos (ou seriam os romanos?). Claro que sempre trabalhei nos limites, de sempre estacionar na rua. Talvez um pouco mais de investimento em cuidado, eu não tivesse que passar por este transtorno.

Por fim o que mais incomoda são os pneus Michelin de pouco mais de seis meses, o que me arrependo agora de não ter “ralado” mais, os fazendo cantar com graça (coisa que donos de Kadett sabem ser comum em saídas um pouco mais bruscas). Era uma parte da história da minha vida de motorista aquele carrinho, que agora deve estar sendo despedaçado em algum ferro-velho. Os sentimentos se vão; ficam as histórias. E como no final de “E o Vento Levou”, amanhã será um novo dia.

Setembro 12, 2009

Olhos vermelhos










Quando os vejo
Na calada da noite
Tenho a certeza:
Que são belos e grandes

De uma grandeza sem limite,
De uma emoção renovada,
De uma beleza sem igual;

Quando os vejo
No meio da madrugada
São mais belos e vivos

E brilham como o sol
Na roseira da parreira
Seus belos olhos vermelhos

Setembro 03, 2009

Santos 1, Corinthians 2...

Falar mais um pouco sobre futebol. Parece que meu time esta reagindo. Desde quando eu dei uma pausa nos meus escritos – por inúmeros motivos, falta de monitor, estudando, trabalhando – o time deu uma baixa ao mesmo tempo. Ronaldo se machucou; outros jogadores saíram; o time praticamente estava desmantelado. Fazer o que. Mas hoje teve uma reação inesperada. Na verdade não sei dizer se era inesperada. Comecei a assistir ao jogo aos 30 minutos do segundo tempo. Timão estava perdendo no Pacaembu de 1 a 0. De repente um gol. Minutos depois outro. E lá foi o timão para sua quarta vitória, em cinco jogos, sobre o Santos nesta temporada. Bom ver meu time reagindo. Agora é só melhorar um pouquinho mais e quem sabe começar a pensar no título e na tríplice coroa. Para quem vivia o inferno da segunda divisão em 2008...

Por que não acaba logo No Limite?

Não acompanhei nem sequer um episódio dessa temporada. Para ser mais exato, lá pelos idos de 2000, não havia acompanhado também. Muito menos as edições intermediárias. Em 2000 estava passando férias entre Miami, Los Angeles e Las Vegas. Quando voltei preferia relembrar aqueles momentos assistindo TV a cabo e escutando muita, mais muita mesmo, country music e , claro, rock ´n roll... No Limite era algo que todo mundo comentava e eu não tinha a menor idéia do que se tratava. Da mesma forma, quando estava a morar nos Estados Unidos, entre 2005 e 2006, me perguntavam sobre uma novela chamada América e uma personagem de Débora Secco, a tal Sol, que era uma ilegal “fazendo a América”. Lá vou eu criticar a novela... Pra variar tinha que ser uma novela da Gloria Perez... Bem, o que eu quero dizer é que prefiro Zeca Camargo de volta ao Fantástico. Assim como também preferia Brito Junior no seu programa matinal ao mais que chato Na Fazenda – ao qual somente assisti ao primeiro episódio. Por mim todos esses realitty shows podiam terminar...