dezembro 29, 2014

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – acabei por descobrir este livrinho contendo três textos de Rem Koolhas, chamado Três Textos sobre a Cidade. Estes textos poderiam estar contidos nas coletâneas de Kate Nasbitt, Uma Nova Agenda para a Arquitetura, e de A. Krista Sykes, O Campo Ampliado da Arquitetura. De certa forma fico extremamente feliz de ver estes textos em português. Quando era estudante, mal existiam textos teóricos além da década de 1970... Eram somente as poucas entrevistas de AU e livros editados em espanhol pela GG. O que, segundo os professores era muito mais do que na época deles como alunos, que nada existia além de Le Corbusier.

Aliás, erro meu – o texto Junkspace está na coletânea de Krista Sykes...

dezembro 04, 2014

Renzo Piano e a responsabilidade

Estou aguardando com ansiedade a encomenda que fiz do livro A Responsabilidade do Arquiteto, de Renzo Piano. Mais especificamente, Renzo Piano, conversas com Renzo Cassignoli. O lançamento foi em 2011, mas não tinha prestado atenção ao título e nem mesmo as sinopses sobre o livro. Vai ser de certa forma uma surpresa.

Lembro de uma revista/livro editada pela GG, que tratava da obra de Renzo Piano e de outros arquitetos. Tenho as duas: referente a obra do arquiteto Antoine Predock e sobre Dominique Perrault. Lembro-me bem de quando consegui cada uma delas. A de Dominique Perrault comprei na já clássica livraria do Toninho, hoje uma livraria gigante dentro do prédio do IAB. Foi logo após a visita de Perrault ao Mackenzie, em 1999. A de Predock uma amiga trouxe de uma viagem a Europa, em meados de 2000 ou 2001. Lembrei desta revista justamente porque o número com Renzo Piano eu nunca consegui encontrar a venda. E lembro que o texto tratava de sustentabilidade, já em 1998...

Sempre gostei muito da diversidade arquitetônica de Renzo Piano e seu Renzo Piano Building Workshop. Quando era estudante Renzo Piano estava fazendo a restauração de seu primeiro projeto de envergadura mundial, o Centre Georges Pompidou. Fico sempre pensando em como foi a concepção dessa obra em 1970. E quanto desdobramento teve desde então, positivos e negativos.


Eu vou aguardar e ler sem pressa mais este livro.

dezembro 03, 2014

Novos Horizontes

“(...) chuva de containers, entertaines no ar
eu presto atenção no circo que nos cerca
chuva de containers, entertainers no ar
começo a achar normal algum boçal detonar

se tudo passa, talvez você passe por aqui
e me faça esquecer tudo que eu vi
se tudo passa, talvez você passe por aqui
e me faça esquecer que...

… falta pão, o pão nosso de cada dia
sobra pão, o pão que o diabo amassou (…)'

Toda Forma de Poder
e música incidental: Chuva de Containers
Engenheiros do Hawaii - Novos Horizontes (2007)

Toda vez que escuto esta música, nesta versão acústica, do segundo (terceiro) álbum acústico dos Engenheiros do Hawaii eu consigo ver finalmente a reinvenção de Toda Forma de Poder. Sempre esperei por uma versão melhor que a gravada ao vivo em 1989, no álbum Alívio Imediato. E em Novos Horizontes foi possível. O estranho é esperar sete anos para escrever isso...

Lembro de ter escrito algo a respeito em 2007... Mas não tinha escrito o quanto me agradou esta versão. Eu já citei mais de uma vez alguma parte de Toda Forma de Poder, mas sempre algo na versão original me deixava com uma sensação de querer algo mais, uma versão diferente, não sei dizer se esta foi a materialização plena desse desejo, mas com certeza a mistura com Chuva de Containers, do álbum GLM (1992), foi tão interessante, tão densa. Lógico, só para quem é fã. Não sendo fã de Engenheiros nem sequer dará conta que houve a música incidental... Eu mesmo tenho consciência disso e nem me importo. Continuo gostando muito da versão.

De certa forma, acho que falar de Engenheiros e lembrar de pelo menos dois momentos marcantes na minha vida que os escutava muito e que parecia encontrar nas letras algo que me tocava profundamente. Não sei dizer porque eles estavam lá, mas estavam e esta é a história. Poderiam ser outras bandas, outras composições, outras histórias. Mas não, lá estava o Humberto e os músicos, fazendo um som...

Falar dos nossos momentos é sempre interessante. E essa postagem de hoje fala mais de mim mesmo. Um pouco autobiográfica, mesmo sem ser. Um pouco daquilo que é e que não sei dizer porquê. Um pouco de nada que diz tudo...

O disco é mais uma experiência interessante. Músicas novas gravadas ao vivo ao lado de versões acústicas de músicas consagradas. Novamente, deve ser interessante para um pouco além dos fãs, mas não muito. Minha opinião.

Foi praticamente o último disco antes de Humberto começar a se dedicar a literatura. Depois se dedicou ao projeto Pouca Vogal e ao atual Insular, seu primeiro disco solo. E foi por enquanto o último disco dos Engenheiros do Hawaii. Já era hora de abandonar este nome...

setembro 06, 2014

Seis segundos de atenção

Humberto Gessinger, o eterno baixista do Engenheiros do Hawaii (para que escrever está apresentação? Todo mundo sabe quem é o Humberto Gessinger), lançou em 2013 mais um livro, Seis Segundos de Atenção. São crônicas e letras de músicas, princialmente de seu último disco Insular. Bem que gostaria de falar de Insular, mas nunca escutei... (Que tipo de fã é este que lê o livro, mas não escuta o novo cd?)

O livro mescla crônicas sem uma organização temática, aliás como também é Nas Entrelinhas do Horizonte, seu livro de 2012, e são de forma geral provenientes de seu blog, que atualiza sempre que a segunda-feira se transforma em terça-feira.

Mas falar de um Gessinger escritor é para mim mais que uma alegria. O Gessinger músico conheci em 1989, quando escutava no rádio suas músicas - de já alguns anos, porém, novas para mim naquele momento. E imaginava o que ele lia para conseguir escrever aquelas letras. Mas na entrada dos anos 1990 que ele se tornou uma referência para mim. Era ouvir Rush, Pink Floyd e, claro, Beatles e Rolling Stones por culpa de Gessinger. Hoje em dia acho que só Rush permanece na minha trilha sonora (aliás, nunca saiu). E na época dos álbuns Várias Variáveis e GLM tive o prazer de assistir vários shows e até tentar participar de um Programa Livre – na época com Serginho Groisman.

Agora, o Gessinger escritor eu não acompanhei o comecinho, com o Meu Pequeno Gremista, livro infantil de uma série, cujo Meu Pequeno Corintiano foi escrito por Serginho Groisman e Meu Pequeno São-Paulino por Nando Reis. Depois vieram os autobiográficos Pra ser Sincero, de 2010 e Mapas do Acaso, de 2011. Todos trazem muitos assuntos variados e dá para dizer que há um escritor ali, e eu aqui, esperando mais um livro. Só o que realmente me irrita é a repetição – mas como diz Luiz Felipe Pondé em A Filosofia da Adultera, que sem se repetir, sou um nada – e a organização temática. Mas isso não é problema do Humberto; é meu mesmo.

setembro 05, 2014

O Palmeiras e seu centenário

Sou corintiano. Mas nada impede que se fale, de certa forma descontente, do momento delicado de um dos rivais de meu time, que é o risco de queda para a segunda divisão no Campeonato Brasileiro deste ano de 2014. Tendo caído recentemente, em 2012, vinha se recuperando e inovando.

Inovação em termos, pois já teve outros técnicos argentinos antes de Ricardo Gareca, que teve sua demissão anunciada nesta segunda-feira, dia 1 de setembro.

O que chamo de inovação é justamente chamar um técnico estrangeiro após a derrota na Copa do Mundo no Brasil, tendo a seleção brasileiro sofrido com times sem tradição como a Colômbia e o Chile, que eram comandadas por técnicos argentinos. Porém, após as seguidas derrotas, tudo acabou e o meio sósia de Roberto Carlos está desempregado.

O que afeta a queda de um time para a segunda divisão, como o Palmeiras são fatores múltiplos, tanto econômicos como também a dificuldade de se contratar jogadores de melhor nível. E, claro, a total falta de interesse em ver times sem tradição jogando. O clássico sempre foi e acredito que ainda será por mais algum tempo o que mais atraem expectadores, tanto ao estádio quanto à televisão.

E ainda durante o ano do centenário, com um novo estádio totalmente remodelado prestes a ser inaugurado, é para torcedor de qualquer time ficar descontente. Fica assim o meu apreço ao adversário Palmeiras para que ele perca muitos jogos ainda, tanto em seu estádio remodelado, quanto no Itaquerão, mas que seja sempre na primeira divisão.

setembro 02, 2014

Vivendo a história

Quanto aos acontecimentos das últimas semanas eu já os poderia apresentar como históricos. Estava eu escutando rádio, trabalhando, quando repentinamente fui acometido pela notícia da queda do avião em que estava o candidato a presidência Eduardo Campos. Liguei a televisão e passei então a acompanhar a eleição.

Não vinha prestando muita atenção na campanha eleitoral. Campos já havia, no âmbito nacional, conquistado certo destaque durante a última eleição, quando seu partido, o PSB, crescerá em todo o Brasil o número de prefeitos e houvera sido considerado como o grande ganhador da eleição pela mídia especializada. Como governador de Pernambuco em seu segundo mandato vinha tendo altos índices de aprovação. Nunca prestei muita atenção em seu governo, mas já era uma referencia regional de grande envergadura. Nascia ali uma nova liderança. Neto do ex-governador histórico de Pernambuco, Miguel Arraes, vivia a política desde muito cedo e já apresentava aos 49 anos uma carreira política bastante sólida.

Tudo isso o credenciou a disputar a eleição de maior importância no período pós democratização (ou seria pós ditadura, a que cassou os direitos políticos do avô de Campos). Mas um dos fatos mais importantes eu nem sequer me dava conta: a aproximação de Campos com Marina Siva. Foi uma jogada política de grande habilidade, conduzida de forma muito bem articulada. O que garantiria ao partido uma gama de votos muito maior do que os velhos e já desgastados integrantes de seu partido – tais como Luíza Erundina e Ciro Gomes. Porém, com o incidente de sua morte tudo mudou. Não vejo mais o PSB como um partido a crescer e ampliar sua base no parlamento. Vejo o Rede Sustentabilidade o novo partido que deverá crescer, principalmente com a vitória de Marina, ou melhor, Silva, como é chamada pela imprensa internacional.

A cerca de duas semanas, ouvi Diogo Mainardi falando que Marina Silva ganharia a eleição. Novamente fui descrente em seu comentário. Passada a primeira pesquisa, já colocando Marina como candidata, Aécio Neves começa a comer poeira...

Tempos atrás eu disse numa conversa sobre o futuro da política no Brasil e falei que eu não vejo uma longa vida nem para o PSDB e nem o para o PT. Acredito que, fora da presidência, o PT murcharia, já que nunca foi um partido de governadores, fora em poucas localidades – o Acre e o Rio Grande do Sul, por exemplo. O PSDB já dava sinais de esgotamento e não renovação nas eleições municipais de 2012. O PT, nesse quesito, as disputas municipais, começa a trafegar no espaço que pertencia ao PMDB e da mesma forma, sem grande similaridade com sua ideologia inicial. Campos, iniciava um novo caminho. Mesmo o PSB tendo este nome retrógrado, ele já se reinventava e iniciava realmente uma nova fase.

De certa forma, eleições onde não há mais PMDB naquele formato (partido repartido), agora transmutado em PT, e sem a polarização PT x PSDB, nos faz ver que envelhecemos. O próximo passo é ver Lula como uma figura folclórica, e saber que Dilma longe da presidência não é absolutamente nada além de um poste. E, claro, ver os partidos sem seus donos, ou melhor, ver partidos desaparecendo com seus maiores representantes (como o PPS de Roberto Freire, o PP de Paulo Maluf – certo que nesse quesito os partidos já se renovaram: o PSD de Gilberto Kassab, o Solidariedade, de Paulo Pereira da Silva e o fenômeno de persistência em existir: o PDT, mesmo sem Leonel Brizola).

Bem, há muito ainda até as eleições e tudo pode mudar, como foi a disputa pela prefeitura de São Paulo em 2012.

setembro 01, 2014

Os caminhos e a vida, ou, a vida e os caminhos...

Os caminhos da arquitetura nos levam desde estudante a viver num ambiente cultural, bastante crítico, rico e criativo. Durante a vida profissional vamos perdendo um pouco disso e caindo em algumas rotinas. As vezes, a impressão é que tudo aquilo ficou num lugar distante. E, quando menos esperamos, tudo reaparece. Reaparece a vontade de fazer, de realizar e de novidades, sempre aprendendo.

Na academia é também uma constante. Aprender. Tem certas horas que me perguntam o que eu farei com esse “acúmulo” e na hora que alguém cita, numa reunião ou num contato comercial, um dos pintores prediletos de meu pai – segundo minha opinião – conseguimos levar para outro clima um breve comentário. Um clima onde o abstrato toma vulto e alimenta a alma. Carente é aquele que não sabe o valor da cultura ou seu prazer abstrato que alimenta mesmo na fome. A felicidade nunca é completa se não existe a abstração.

Nos caminhos da vida, fui aprendendo a entender, ou melhor, a tentar entender as perdas. Dizem que quando alguém querido se vai, continua a viver um pouco dentro de nós. Eu acho que morremos um pouco também. E quanto a morte, esta parece sempre ser algo incompreensível. Aceitar não é compreender. Conviver com a falta é, como diz o poeta português em inspiração, uma dor que doí no peito. Passam as décadas e a perda continua lá, tão intocada quanto no momento em que a perdemos. Quando é recente e buscamos nela compreender todos os seus valores e sua natureza, buscamos também tentar dar o melhor de nós e o que de melhor podemos dar. Encaramos a fragilidade humana, entendemos o quão simples é o ser humano. E vemos o tempo passar, inseridos na história, com a nossa história.

A recordação, a lembrança, a homenagem, o simples pensamento. Um ato, uma simples palavra. Tudo tem a emoção e a história daqueles momentos que nos acompanharam. Tudo o que nos alimenta no caminho da vida. Lembrar da escola, do colegial, da faculdade, da pós e de tudo que nos acompanhou e nos pequenos momentos do dia a dia, dos sabores, das massas e das maças, como dizia a letra daquela música. Uma música que ouvia no rádio antigo junto com outras e uma mais especial, na voz da Elis Regina, que dizia para iluminar a mina escura e funda, o trem da minha vida. Mesmo nos últimos tempos, ao ouvir as músicas do seu músico predileto, ia vendo que se distanciava e abstraia, relembrando aqueles caminhos que foram traçados, caminhados, trilhados, vividos.

Quando me vejo a frente da folha em branco, vejo que cada caminho leva a um processo que deve ser o mais rico possível. De que vale a vida, sem a graça e sem a riqueza que ela pode ter?

novembro 19, 2013

Start from the Dark...

Toda vez que um caminho se abre eu penso em quantos caminhos trilhamos ao mesmo tempo e onde é que vamos chegar. Nos últimos dias vejo as pessoas falando sobre biografias, justamente falando sobre as biografias derretidas com o caso do “mensalão”. Se há alguma coisa da qual eu não quero nem ouvir falar é do PT – o partido dos trabalhadores. Tanta coisa boa e gostosa a ter de falar nesses “malas”...

Começando de novo, o importante é que a vida é muito mais ampla e no tempo em que estive muito ocupado demais para escrever aqui tive uma produção incrível. O problema é que muita coisa acaba passando e não fica registrado por aqui. E isso sempre foi umas das muitas intenções de se escrever neste blog. A marcação das coisas sem importância, dos momentos de diversão, como o lançamento de alguns filmes, de livros, eventos. Algo sempre se perde...

Minha última postagem falava justamente sobre política, sobre o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ir embora. Nisso se passou um enorme processo eleitoral, bastante interessante de ser avaliado. Uma das coisas de que mais gosto é do processo político – muitas vezes as pessoas confundem isso como falar de política e de políticos, quando o que realmente me motiva é o processo. Na política internacional, Barak Obama se reelegeu – eu torci contra, mas os Republicanos não tinham candidato... Mas vai embora logo mais, em 2016. O que é muito bom. Bom para quem gostou e melhor ainda para quem não gostou. Uma das grandes vantagens das democracias é justamente a possibilidade de restauração do foi ruim e possibilidade de se manter o que foi bom. Já temos um pouco disso na prefeitura de São Paulo.

Por mais que a politicagem eleitoreira impeça o debate real de idéias e mais ainda a “fantasia” sobre os fatos, a verdade é que se inaugurou uma forma de gerir a cidade com a administração da atual ministra da cultura Marta Suplicy e houve continuidade nos governos Serra e Kassab. É lógico que houve fatos que merecem um demorado estudo, mas que ali se iniciou uma transparência que sempre motivou debate. As escolas de lata de Marta se chocam com a transparência dos salários divulgada por Kassab, assim como a continuidade dos CEU’s nos governos Serra e Kassab e a maior bomba de todas: a inauguração do tal fura-fila do Celso Pitta e Paulo Maluf – este último aliado de primeira hora no processo eleitoral do atual prefeito petista, o super-coxinha Fernando Haddad.

Alias, super coxinha ou super-coxinha, sei lá eu, foi uma invenção do jornalista Reinaldo Azevedo, que continuou nestes anos todos batendo de frente com a política petista, algo da qual eu não quero nem saber! Ainda bem que ele está lá... Já falei com ele que o preferia escrevendo outro Contra o Consenso, um dos meus livros queridos! Quando escrevo assim já falei com ele, fica parecendo que tenho enorme intimidade, mas não é nada disso. Falei com ele no lançamento de O País dos Petralhas II, neste ano de 2013 ou será que foi em 2012? Acho mais provável ser em 2012...

Eu tenho uma brincadeira entre os amigos mais próximos de falar que o Dave Mustaine me telefonou para falar do show, etc... E em setembro tive o prazer de assistir ao show de Mustaine e banda na abertura para o show do Iron Maiden. Mais do que isso, em 2012 havia comprado sua biografia em Londres e enviado um e-mail para a Editora Benvirá para que lançassem em português esta biografia. Não é que um colega de trabalho me falou que haviam lançado a biografia dele, tempos depois? Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Triste por ficar sabendo assim, por um colega que leu num jornalzinho de metrô, sem nenhum cuidado por parte do editor – que, se eu que sou fã da biografia nem fiquei sabendo, imagina quem sequer sabe do que se trata?

O que é legal voltar a falar de biografias – tema que iniciou esta postagem. O nome desta postagem também é sugestivo. O disco de retorno da banda Europe, uma das grandes bandas suecas da década de 1980, em 2004, foi exatamente Start from the Dark. Não é um dos álbuns que mais me marcaram, mas o nome é interessantíssimo!

Falta falar de arquitetura. Talvez o maior fato destes últimos anos que não escrevi com freqüência tenha sido o de Oscar Niemeyer ter falecido. É claro que eu imaginei que a notícia fosse ser mais forte e presente no debate arquitetônico, mas não. Inúmeras homenagens e a arquitetura passou novamente a não ser mais assunto. Uma vez ou outra aparece uma notinha aqui, outra lá. Mas Paulo Mendes da Rocha ainda é um nome desconhecido do público – digo mais: não só do público geral, mas até dos círculos mais esclarecidos. Uma pena...

maio 01, 2012

E o Kassab vai embora...

2012. Não escrevo aqui desde 2011, devido inúmeras questões, mas a principal é falta de paciência e aquela preguiça de escrever sobre aqueles temas derivados das questões que deveriam ser óbvias e que paira uma grande nuvem cinza, onde debate de ideias simplesmente não existe. Bem, isso eu já estava avisado a um bom tempo, por muitas fontes diversas. Outro dia, durante o lançamento dos livros de e sobre a obra de Louis Lavelle, veio à tona uma de suas características: a distância dos debates sem sentido, das polêmicas e dos argumentos vazios. Uma obra de vulto que comecei a tomar contato este ano. Como sempre aprendendo e descobrindo algo novo e de qualidade, com aquela frase típica de algo que empolga: “como não conheci isto antes?”

Porém, tenho que novamente voltar a um assunto de fundo bastante óbvio e que permeia um conceito fundamental, que em muitos momentos parece um tanto “esquecido” - propositadamente ou não. O fato de haver este ano algumas eleições que me interessam, justamente por estarem às vezes acima da política e evocando alguns conceitos mais amplos. Me faz voltar a escrever e fugir um pouco do meu dia-a-dia corrido e longe destas realidades – o que às vezes é muito bom!

Durante o ano passado e desde o começo do ano surgiram muitos nomes e especulações múltiplas para a sucessão do prefeito Gilberto Kassab, aqui em São Paulo. É uma eleição local, obviamente, mas que no passado teve uma tradição muito maior. Ser prefeito de São Paulo era um bom passo para a sonhada presidência do Brasil. Foram alguns dos ex-prefeitos que chegaram à presidência e um que perdeu a prefeitura justamente para um ex-presidente e que se tornou presidente posteriormente – este em especial iniciando um novo marco político após sua saída, que daria uma boa postagem.

O primeiro nome que surgiu nesta corrida eleitoral foi o ex-candidato à presidência, ao senado e que fez certo retorno à política a partir de 2006, sendo atual vice-governador do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Seu nome surgiu logo durante a eleição, fortalecendo a coligação entre o DEM e o PSDB. Com sua saída do DEM para o PSD, seu nome acabou inviabilizado. Após também a criação do PSD, justamente pelo próprio Gilberto Kassab, um dos nomes mais importantes a se filiarem ao novo partido foi o ex-presidente do Banco Central durante o governo Lula, Henrique Meirelles. Seu nome foi cogitado tanto como prefeito ou vice numa possível coligação do recém-criado PSD e o PT. Para o atual pré-candidato do PT, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, era o melhor vice-prefeito possível. 

No PT havia dois pré-candidatos: a senadora e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy e o escolhido por Lula, Fernando Haddad. Haddad é ainda um ilustre desconhecido, algo muito comum a todos os ministros de Lula, fenômeno que mereceria ser explicado num outro momento. Com Marta a coligação com o PSD não iria para frente e como Lula escolheu Haddad, o pré-candidato já estava definido e hoje o PT se articula para conseguir apoios. Estes apoios esbarram no PSDB e noutros pré-candidatos. Entre eles colocaria o cantor e apresentador, atual vereador e candidato derrotado ao senado, Netinho de Paula. O PCdoB, partido de Netinho, sempre foi um aliado do PT e muito provavelmente será uma coligação que tende a caminhar e uma candidatura que tende a naufragar.

Outro pré-candidato também da base de apoio do PT, porém exótico e beirando o bizarro, e que me parece não se viabilizar, é o atual deputado federal pelo PR e palhaço de profissão Tiririca. Uma das possibilidades avaliadas era sua candidatura fazendo chapa com o estilista Ronaldo Ésper – atual pré-candidato a vereador – como vice-prefeito. Esta possibilidade foi comentada pelo próprio Ésper durante entrevista ao programa de Danilo Gentili – Agora é Tarde.

Outro pré-candidato cujo partido faz parte da base de apoio do governo federal, é o sindicalista Paulo Pereira da Silva – que é deputado federal pelo PDT e já foi candidato à vice-presidência com Ciro Gomes em 2002. Porém, hoje o partido trafega nas duas esferas principais, o PT e o PSDB. E sua candidatura parece ser mais sólida a outros candidatos. Uma destas pré-candidatas é Soninha Francine. A apresentadora de TV já foi vereadora e candidata a deputada e prefeita, porém, sua principal desvantagem está em sua falta de votos... Suas ideias, seus argumentos, são interessantes, porém o que a inviabiliza como deputada é ainda mais importante numa eleição majoritária.

Ao contrário de Soninha, o ex-deputado e candidato derrotado ao governo Celso Russomano, agora num novo partido, tem de mais sólido. Não somente ele como também Gabriel Chalita, pré-candidato pelo PMDB. Estes dois me fazem pensar que a renovação na política paulista não tende a ser feita nem pelo PT e nem pelo PSDB – teoria esta que Kassab se encaixa mais do que exemplarmente.

Agora, avançando a já um dos pontos importantes dessa eleição, a pré-candidatura de José Serra mudou de sobremaneira o cenário, demonstrando, antes de tudo, que o PSDB tem nomes de sobra para o futuro político. A convenção do partido com a escolha de Serra, tendo ainda Ricardo Tripoli e José Aníbal, mostrou que o partido tem divergências, o que é normal, mas que é ainda um postulante forte na política regional e federal. Mesmo eu sendo um divergente do conceito da socialdemocracia, o PSDB é ainda um dos poucos partidos com base teórica – o que me interessa bem mais do que a mera política do dia-a-dia. O fato que preocupa e me irrita, conforme coloquei no início do texto, é que não há debate de ideias e logo esse vazio é preenchido por um monte de coisas sem importância e que a imprensa de forma mais geral anda separando o joio do trigo e ficando só com o joio...

Conforme escrevi em 2007, em relação a George Bush (aqui), falo o mesmo em relação à Kassab: Sim, em 2012 voltará para casa e ficará pelo menos 2 anos sem um cargo político. Essa é uma das principais vantagens da democracia: a alternância de poder, a possibilidade de novas ideias, de novos rumos, de modernização – mesmo com os riscos da involução ou de alguma quebra de ritmo. Este um conceito ainda pouco evoluído no Brasil.

Outro exemplo de uma eleição que acompanho é o da França, com Nicolas Sarkozy que não é o que eu esperava, porém ainda é melhor do que o resto... Mas tanto ele como Obama estão passando pela avaliação dos eleitores e Sarkozy já afirmou que caso seja derrotado vai se “aposentar” da vida política. O conceito institucional de ex-presidente no Brasil é algo ainda por também evoluir. Somente Fernando Henrique Cardoso largou a política do dia-a-dia – o que em sua avaliação abriu espaço que ainda não foi preenchido no PSDB – o que também não vou tratar aqui em detalhe.

Em suma, em termos políticos este ano promete. Acompanhei por alto as prévias nos Estados Unidos, mas aparentemente os candidatos já estão definidos. Em 2008 Obama saiu na frente por conta da crise econômica, porém neste ano as coisas mudaram. E, como sempre digo, a diferença de votos entre Obama e McCain na eleição 2008 foi muito inferior a que temos impressão via nossa “maravilhosa imprensa esquerdista isenta.”

outubro 28, 2011

Por que a Europa continua sendo o centro do Mundo...

Colocar um continente em crise, com um modelo econômico que não me agrada, uma sociedade que está hoje à beira do colapso (só este item já era assunto para um livro inteiro, não só mais uma postagem), como centro do mundo pode parecer uma contradição, mas no fundo não é. Obviamente existem outros lugares onde se vive muito bem, como exemplo a Índia, onde a cultura permanece ainda mais preservada (os costumes, aqueles que na Europa e Estados Unidos andam em crise, e que no Brasil só existia no “antigamente”...), os Estados Unidos, onde se há ainda uma enorme qualidade de vida, assim como modelo econômico de Singapura, etc. Mas nada substitui a Europa em termos de produção cultural. Li esta coluna que reproduzo abaixo e fiquei a pensar em quanto eu não pertenço à “classe média alta paulistana” e consigo concordar em praticamente tudo no que escreve a jornalista.

Além de não pertencer a classe média alta, esta para qual o texto está escrito, consigo entender muitas coisas que diz, principalmente a cada tempo eu observo ao meu redor e vejo as pessoas se pautarem nesse modelo fútil – ou, como diriam os comunistas, pequeno-burguês. Eu ando de transporte público com a mesma simplicidade com a qual eu janto num restaurante mais caro, assim como ando de carro com a mesma tranquilidade e, com certeza, bem menos stress que o pessoal do referido texto. Eu sempre acho irônico quando vou a alguma obra naqueles edifícios de escritórios, onde “executivos e executivas” desfilam com todo seu stress os seus trajes mais finos e suas maquiagens mais delicadas... A única palavra que vem a cabeça é “wannabe”.

Mas deixando de lado os que não sabem viver, talvez porque nunca se questionaram, vale a pela a reportagem.

Porque a classe média alta brasileira é escrava do “alto padrão” dos supérfluos

Adriana Setti

No ano passado, meus pais (profissionais ultra-bem-sucedidos que decidiram reduzir o ritmo em tempo de aproveitar a vida com alegria e saúde) tomaram uma decisão surpreendente para um casal – muito enxuto, diga-se – de mais de 60 anos: alugaram o apartamento em um bairro nobre de São Paulo a um parente, enfiaram algumas peças de roupa na mala e embarcaram para Barcelona, onde meu irmão e eu moramos, para uma espécie de ano sabático.

Aqui na capital catalã, os dois alugaram um apartamento agradabilíssimo no bairro modernista do Eixample (mas com um terço do tamanho e um vigésimo do conforto do de São Paulo), com direito a limpeza de apenas algumas horas, uma vez por semana. Como nunca cozinharam para si mesmos, saíam todos os dias para almoçar e/ou jantar. Com tempo de sobra, devoraram o calendário cultural da cidade: shows, peças de teatro, cinema e ópera quase diariamente. Também viajaram um pouco pela Espanha e a Europa. E tudo isso, muitas vezes, na companhia de filhos, genro, nora e amigos, a quem proporcionaram incontáveis jantares regados a vinhos.

Com o passar de alguns meses, meus pais fizeram uma constatação que beirava o inacreditável: estavam gastando muito menos mensalmente para viver aqui do que gastavam no Brasil. Sendo que em São Paulo saíam para comer fora ou para algum programa cultural só de vez em quando (por causa do trânsito, dos problemas de segurança, etc), moravam em apartamento próprio e quase nunca viajavam.

Milagre? Não. O que acontece é que, ao contrário do que fazem a maioria dos pais, eles resolveram experimentar o modelo de vida dos filhos em benefício próprio. “Quero uma vida mais simples como a sua”, me disse um dia a minha mãe. Isso, nesse caso, significou deixar de lado o altíssimo padrão de vida de classe média alta paulistana para adotar, como “estagiários”, o padrão de vida – mais austero e justo – da classe média europeia, da qual eu e meu irmão fazemos parte hoje em dia (eu há dez anos e ele, quatro). O dinheiro que “sobrou” aplicaram em coisas prazerosas e gratificantes.

Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. É o preço que se paga por conviver com algo totalmente desconhecido no nosso país: a ausência do absurdo abismo social e, portanto, da mão de obra barata e disponível para qualquer necessidade do dia a dia.
Traduzindo essa teoria na experiência vivida por meus pais, eles reaprenderam (uma vez que nenhum deles vem de família rica, muito pelo contrário) a dar uma limpada na casa nos intervalos do dia da faxina, a usar o transporte público e as próprias pernas, a lavar a própria roupa, a não ter carro (e manobrista, e garagem, e seguro), enfim, a levar uma vida mais “sustentável”. Não doeu nada.

Uma vez de volta ao Brasil, eles simplificaram a estrutura que os cercava, cortaram uma lista enorme de itens supérfluos, reduziram assim os custos fixos e, mais leves,  tornaram-se mais portáteis (este ano, por exemplo, passaram mais três meses por aqui, num apê ainda mais simples).

Por que estou contando isso a vocês? Porque o resultado desse experimento quase científico feito pelos pais é a prova concreta de uma teoria que defendo em muitas conversas com amigos brasileiros: o nababesco padrão de vida almejado por parte da classe média alta brasileira (que um europeu relutaria em adotar até por uma questão de princípios) acaba gerando stress, amarras e muita complicação como efeitos colaterais. E isso sem falar na questão moral e social da coisa.

Babás, empregadas, carro extra em São Paulo para o dia do rodízio (essa é de lascar!), casa na praia, móveis caríssimos e roupas de marca podem ser o sonho de qualquer um, claro (não é o meu, mas quem sou eu para discutir?). Só que, mesmo em quem se delicia com essas coisas, a obrigação auto-imposta de manter tudo isso – e administrar essa estrutura que acaba se tornando cada vez maior e complexa – acaba fazendo com que o conforto se transforme em escravidão sem que a “vítima” se dê conta disso. E tem muita gente que aceita qualquer contingência num emprego malfadado, apenas para não perder as mordomias da vida.
Alguns amigos paulistanos não se conformam com a quantidade de viagens que faço por ano (no último ano foram quatro meses – graças também, é claro, à minha vida de freelancer). “Você está milionária?”, me perguntam eles, que têm sofás (em L, óbvio) comprados na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, TV LED último modelo e o carro do ano (enquanto mal têm tempo de usufruir tudo isso, de tanto que ralam para manter o padrão).

É muito mais simples do que parece. Limpo o meu próprio banheiro, não estou nem aí para roupas de marca e tenho algumas manchas no meu sofá baratex. Antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade. Ou, pelo menos, não a minha. Essa foi a maior lição que aprendi com os europeus — que viajam mais do que ninguém, são mestres na arte dosavoir vivre e sabem muito bem como pilotar um fogão e uma vassoura.

PS: Não estou pregando a morte das empregadas domésticas – que precisam do emprego no Brasil –, a queima dos sofás em L e nem achando que o “modelo frugal europeu” funciona para todo mundo como receita de felicidade. Antes que alguém me acuse de tomar o comportamento de uma parcela da classe média alta paulistana como uma generalização sobre a sociedade brasileira, digo logo que, sim, esse texto se aplica ao pé da letra para um público bem específico. Também entendo perfeitamente que a vida não é tão “boa” para todos no Brasil, e que o “problema” que levanto aqui pode até soar ridículo para alguns – por ser menor. Minha intenção, com esse texto, é apenas tentar mostrar que a vida sempre pode ser menos complicada e mais racional do que imaginam as elites mal-acostumadas no Brasil.

outubro 07, 2011

Saxon - Unleash the Beast

Depois do show do Saxon, em 1998, um amigo – um dos mais próximos de todos os tempos -  me disse que parei de falar sobre Saxon. Faz sentido lembrando do show do Monsters of Rock...


Mas o álbum Unleash the Beast, ao lado de Innocence is no Excuse, é um dos meus álbuns prediletos desta banda que parece ser um pouco obscura para os padrões brasileiros. O Saxon não deve ter uma legião de fãs muito grandiosa, porém, estes álbuns caem tão bem aos ouvidos – ouvidos de ouvinte de Heavy Metal, diga-se; não tenho por objetivo ser “eclético” e nem mesmo “aberto à novos sons”. 


Faixa atrás de faixa, este álbum guarda muitas nuances que só o tempo vai mostrando. Claro, à primeira audição pareceu extremamente pesado, principalmente comparando ao que esperara encontrar. O ano era 1997 e o Saxon viria em turnê para o Brasil. Não vi outro show do Saxon, a não ser o já citado, em 1998. Mas todos me falaram que perdi um super show em 1997 (falam também do show do Scorpions em 1994 – pelo menos esta banda eu cheguei a ver em 1997). Nem sei sobre os lançamentos do Saxon no período posterior a este álbum, mas já é esperado um novo álbum este ano de 2011. Mas Unleash the Beast continua a ser um álbum que muito me agrada. Na época, a minha história com este álbum foi incrível. Nem lembro ao certo o que me motivou a comprá-lo, mas sem dúvida entrou para a minha lista dos álbuns mais interessantes.

Iron Maiden

Uma das bandas mais famosas do mundo e nunca havia escutado com mais calma em toda a minha vida... Pois é uma das daquelas idiossincrasias das quais somos cometidos de quando em quando...
Porém, acabei de comprar um cd – sim, um compact disc, como aqueles da década de 1990. Foi o Somewhere in Time, simplesmente a segunda melhor capa do Iron Maiden e um disco excelente do começo ao fim.  Eu sou um fã das capas de discos – aqueles em vinil – do Iron Maiden. Acho os desenhos incrivelmente fantásticos. Assim como a capa de Rest In Peace, do Megadeth, acho Killers algo inacreditável de tão bem desenhado! Essa é a minha capa número um. E, claro, o disco também é. Não sou um fã de Dianno, mas o disco tem faixas que em minha adolescência curti de forma alucinada! Iron era, ao lado de Metallica, uma das bandas ícones da minha adolescência. Incrível como eu sou um fã de Black Sabbath e Ozzy – este um fã até das besteiras – e não fui um fã alucinado de Iron... Nunca entendi o porquê disso, mas...

Os cd’s ainda têm em mim um fascínio, um pouco diferente do vinil que lembra a infância – sim, eu curti o disco do Balão Mágico -, mas muito próximo. Acho que a ideia de álbum é ainda, para mim, uma ideia que poderia permanecer; a ideia de uma obra que tem em várias músicas, a continuidade. Hoje, ao passar na Livraria Cultura – dizem ser a maior da América Latina, na Avenida Paulista – vi o lançamento de uma caixa de cd’s do Pink Floyd, com aqueles álbuns que formaram o imaginário da minha adolescência – aquele disco com a vaca na capa; ia à Galeria do Rock e olhava os discos usados (vinil usado) e sempre aparecia este – todos remasterizados. Esta realmente é uma banda que continuo passando ao largo; do Pink Floyd continuo a curtir somente o The Wall.

Mas voltando ao Iron Maiden, o fator atividade conta muito. Em 1990, aos meus incríveis 14 anos, lembro do lançamento do disco No Player for the Dying, que meu tio comprou em K7 (será que alguém ainda lembra de K7?). Em 1992 fora lançado o Fear of the Dark, e a banda tocava constantemente na MTV, que era assíduo telespectador (nem sei se era tão assíduo, pois vários programas nem lembro e muitos amigos falam ter sido os melhores anos da MTV...). E a banda segue, com a variação da saída de Bruce Dickinson e sua volta triunfal ao final dos anos 1990, junto com Adrian Smith - cujo show, Bruce Dickinson e Adrian Smith, tive o enorme prazer de assistir na pista de atletismo do ginásio do Ibirapuera em 1997 – produzindo sons com qualidade equivalente, mesmo que os fanáticos digam nem ser a mesma banda... Para quem é fã realmente há diferenças marcantes... Não poderei nuca discutir sobre isso... Mas ouvir um disco de 1986 e continuar a achar ele especial é porque realmente a força desta banda ultrapassou a barreira que todas as bandas almejam: a imortalidade clássica!

Poderia fazer um apêndice sobre o Metallica, cujo show recente no Rock in Rio não deixou dúvidas que é uma banda que tem um passado de peso e qualidade inquestionável. Porém, desde 1991 não consegui curtir nenhum álbum da mesma forma – sendo o Black álbum já algo a se questionar, mesmo eu tendo uma grande estima por este álbum (um dia poderia até escrever sobre ele em Diary of a Madman).

Bem, se alguém ainda tem dúvidas sugiro a audição de Somewhere in Time. Como já falei por aqui, Alexander the Great é uma das faixas que admiro muito!

setembro 25, 2011

Viena

Certa vez fui assistir á uma aula na FAAP, junto com minha namorada da época, e a aula tratava da arquitetura de “um tal” de Albert Speer. Estuda no Mackenzie e até então não tinha tido nenhuma aula a respeito da estética e das intenções por trás da estética deste arquiteto. Na aula havia um texto base, de Luis Fernando Veríssimo, que trato de reproduzir abaixo, que, de tão hilário, foi inesquecível!

Na aula foi passado um vídeo e, passados na época quase 50 anos da 2ª Guerra, a estética era mais do que factível de ser analisada com a devida isenção do tempo. Uma aula realmente daquelas que separam os cursos em superiores e outros...

Por Luís Fernando Veríssimo: Ach Viena!

- Ach, Viena. Não é maravilhosa?
- Você é maravilhosa.
- Não beije meu pescoço aqui. Coma a sua torta.
- Prefiro seu pescoço.
- Nein! Tome seu chocolate. Olhe, uma valsa! Vamos dançar? Traga a torta.
- Valsa, valsa, valsa! Não tocam outra coisa nesta maldita cidade?
- Mas esta é a terra de Strauss.
- Prefiro Wagner.
- E não é só Strauss. Esta é a terra de Mahler. E de Schönberg.
- Quem?
- Schönberg. Ele está fazendo experiências maravilhosas com a música.
- Pra você tudo é maravilhoso.
- Viena é maravilhosa!
- Seu pescoço é maravilhoso.
- Pare! Estão nos olhando.
- Também, não sei por que você insiste em vir para estes cafés de calçada. Estão sempre cheios.
- Toda Viena vem aqui. Olhe. Lá está Karl Kraus!
- Quem?
- Vai dizer que você não conhece Karl Kraus?
- Aposto que ele também é maravilhoso.
- Ele é mais do que maravilhoso... Ele é... Ele é... o espírito de Viena em pessoa!
- Sei.
- Coma a sua torta.
- Estou cheio de torta. Vamos para o meu quarto.
- Já disse que não. E largue o meu joelho.
- Eu sei. Você acha que ele é melhor do que eu. Você...
- Olhe quem está passando. É Loos! Loos, o arquiteto!
- Hruok.
- Que foi isso?
- Um arroto.
- Assim é demais! Aqui estamos nós, numa tarde de verão, sentindo o perfume das vinhas do Wienerwald, no centro da cidade mais maravilhosa do mundo, a cidade de Musil, de Hofmannsthal, de Schnitzler, de Wittgenstein, de Klimt... e você arrota!
- O cheiro que eu sinto é o da decomposição do império.
- Que bobagem. O que está acontecendo em Viena é uma revolução no espírito humano. Nós vamos mudar a Europa. Nós, em Viena! Estamos no limiar de uma era como nunca houve igual. De paz, de prosperidade, de criatividade, de alegria de viver. Uma era... maravilhosa! E você quer ir para o seu quarto imundo.
- Está bem. Esquece.
- É essa sua atitude. Você precisa mudar.
- Está bem, está bem.
- Você fez o que eu pedi? Fez?
- Não.
- Está vendo só? Você diz que faria qualquer coisa por mim. Mas eu pedi para você ir ver o doutor Freud, para o seu próprio bem, e você não foi.
- Cheguei a ir até a porta, mas não entrei. Sei lá.
- Ele está fazendo coisas milagrosas. Vem gente de toda a Europa consultá-lo. Foi uma dificuldade arranjar uma hora. Ele mudaria você. E você não foi. Depois ainda diz que me ama.
- Está bem. Se você marcar outra hora, eu vou. Juro. Eu...
- Ouça! É o Danúbio Azul! Não, esta nós temos que dançar. Se você não dançar comigo, eu danço com Kokoschka.
- Com quem?!
- O Kokoschka. Um estudante de arte que conheço. Está sentado ali.
- Então vá dançar com o Kokoschka.
- Você ficou magoado?
- Vá dançar com o Kokoschka, já disse! Ele deve ser maravilhoso. E eu sou um pintorzinho de nada.
- Adolf...
- Vai. Vai. Mas um dia você vai se arrepender. Você ainda vai ouvir falar de mim! Vocês todos ainda vão ouvir falar de mim!

setembro 22, 2011

Coleção Grandes Arquitetos da Folha

A Folha lançou recentemente a coleção Grandes Arquitetos com títulos monográficos sobre a obra de 18 arquitetos. Estão à venda nas bancas e com ótima qualidade de impressão e capa dura. Os livros trazem além de fotos, croquis e desenhos, pequenos textos sobre os arquitetos, alguns escritos pelos próprios arquitetos.  

Os livros em sua maioria trazem arquitetos contemporâneos em atividade e, claro, arquitetos que mudaram o panorama da arquitetura moderna, tais como Le Corbusier, Mies van der Rohe, Alvar Aalto e Frank Lloyd Wright. Logicamente, Oscar Niemeyer não poderia faltar, já que além de sua importância mundial, uma coleção lançada no Brasil sem o arquiteto brasileiro mais conhecido no mundo seria bastante estranho, ainda mais que a coleção pretende ser para leigos. Além do mais, bastaria ver que a grande maioria dos arquitetos foram laureados com o maior prêmio da arquitetura mundial, o Pritzker, como o próprio Niemeyer em 1988, Álvaro Siza em 1992, Tadao Ando em 1995, Rafael Moneo em 1996, Renzo Piano em 1998 e Norman Foster em 1999.

Dentre todos os arquitetos, o único que não conheço é o do volume 18, Kengo Kuma. E ainda não tive tempo de procurar suas obras. Acredito que dentre estes volumes faltaria um a respeito de Rem Koolhas e, mesmo não sendo um apreciador da obra, um sobre Frank Gehry. Talvez também sobre os suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron, por conta de suas recentes obras para as olimpíadas na China e copa da Alemanha.

Os volumes são em ordem:

1 – Frank Lloyd Wright
2 – Renzo Piano
3 – Oscar Niemeyer
4 – Antoni Gaudi
5 – Le Corbusier
6 – Santiago Calatrava
7 – Norman Foster
8 – Jean Nouvel
9 – Tadao Ando
10 – Steven Holl
11 – Dominique Perrault
12 – Mies van der Rohe
13 – Zaha Hadid
14 – Rafael Moneo
15 – Álvaro Siza
16 – Alvar Aalto
17 – David Chipperfild
18 – Kengo Kuma

O São Paulo e o Corinthians

Começar a escrever novamente no blog falando de um jogo sem lá grandes emoções, um oxo, como escreveu Daniel Piza outro dia (aqui), nada tem a ver com o futebol propriamente dito. O Campeonato Brasileiro está bastante interessante, mesmo sem lá grandes jogos memoráveis. O Corinthians liderou por mais tempo até agora, mas o Flamengo, o Vasco, e hoje o São Paulo passou a liderança. No fundo no fundo, o oxo foi bom para ambos os times. Melhor para o São Paulo, mas o fato de ficar mais distante do Botafogo é sempre bom para o Corinthians. Mas é claro que eu estava ansioso por uma vitória do Corinthians... E sua retomada à liderança.

Escrever como torcedor é sempre bom. Escrever sempre é bom. Assim como a leitura, o ato de escrever exercita muitas outras formas de expressão e de desinibição, além de também ser uma boa fonte de distração. Ultimamente venho ficando tenso ao assistir os jogos, por serem cada vez menos interessantes e mais burocráticos. Mas este eu só vi uns trechos e o que vi não deu para sequer tirar meu sono. Esta realmente faltando jogar bola nesse campeonato.

julho 18, 2011

O Efeito Orloff continua!

Há mais de três anos publiquei o texto da Newsletter do Instituto de Engenharia, de autoria do ex-presidente Edemar de Souza Amorim. Recebo de vez em quando algum comentário desrespeitoso e muitos comentários a respeito de determinada frase: “Para completar, o governo federal deve deixar a política eleitoreira fora dos corredores da Petrobrás e aumentar o preço da gasolina, pois o maior inibidor dos deslocamentos supérfluos é custo do quilômetro rodado.” (texto completo aqui).

Todo mundo escreve que o preço da gasolina já é um absurdo, etc, etc e etc. Mas vamos ser bastante claros em relação à tese defendida no texto. Mesmo com o valor absurdo existem cada vez mais carros na rua e menos gente reclamando por transporte público de qualidade. Teve, anos atrás, propaganda de uma fábrica de motos que falava sobre o valor da passagem do ônibus e da parcela da moto.

Eu não concordo com a idéia do aumento da gasolina, acho que não é uma solução consistente, e gostaria que o valor da gasolina fosse mais baixo. Mas em relação à tese defendida no texto, parece-me bastante evidente que uma coisa está ligada a outra. Eu andaria de ônibus e metrô, se este fosse realmente mais confortável e mais rápido, principalmente à noite. Como faço horários alternativos de trabalho, já fiquei por mais de uma hora para fazer o trajeto que de carro leva 10 minutos. E a pé é perigoso. As ciclovias seriam ótimas alternativas, se existissem chuveiros nos escritórios... Num país tropical, andar de bicicleta de calça, camisa... Nem preciso falar a respeito... As soluções estão dadas. Se a resposta é lenta, é outro problema. E quanto a estes outros problemas, principalmente a respeito dos governos que não fazem obras de infra-estrutura, eu digo que hoje se está bem melhor em termos de transporte público do que há 15 anos – por experiência própria. Agora, o valor das tarifas é compatível com os valores do resto, dos carros, da gasolina, dos pedágios, dos imóveis, dos aluguéis. Morar no Brasil é caro mesmo.

Sempre defendi menos governo e mais indivíduo e uma idéia de Estado Mínimo. Nesse caso, conformando a minha visão com a tese do texto de Edemar, a tese dele é até bem mais realista do que imagino e tenho como norte. Em muitos momentos sinto alguns de seus preceitos sendo aplicados gradativamente nas cidades. Fico feliz de um texto publicado num blog periférico como o meu ter causado algum momento de reflexão e por terem me escrito uma mensagem. Mas fico muito mais curioso ainda em saber como a pessoa achou esse texto e o meu blog. Quais foram os critérios de busca, quais foram as suas expectativas?

Entendo que é um assunto amplo e de muita reflexão. E realmente não há ainda soluções consolidadas. O mais interessante é, como arquiteto estudioso da história da arquitetura, sou conclamado a dar tais soluções. Como se o fato de ser arquiteto me desse o direito e o dever de ter soluções para tudo... e estas sempre definitivas...

junho 02, 2011

Mudando um pouco... Mas não muito!

Bom fazer mudanças no layout do blog. Diga-se de passagem, parece que há muito mais recursos. Mas gosto deste ar meio conservador. No início tinha o fundo escuro. Muitas pessoas me disseram que fica ruim para ler. Mudei pra branco e nunca mais mexi. Na minha área – a arquitetura – o fundo escuro é comum graças ao AutoCAD. Mas acho que é só o CAD mesmo... Bem, este é o novo layout do blog. Apresentado!

junho 01, 2011

Eu sou Ozzy...

Nada melhor do que voltar ao meu blog com uma postagem da, como poderia chamar, lenda da minha adolescência.

Dia destes, estava eu na livraria e olhei para o livro Eu Sou Ozzy e me alegrei de tal maneira a poder saber a vida desta lenda contada por ele mesmo. Ao menos o que ele lembra, segundo ele mesmo no prefácio do livro. A vida de Ozzy Osbourne é sem dúvida algo de muito interessante. Ainda não escutei seu último álbum – Scream -, mas se seguir a linha de Black Rain tenho a ligeira impressão que não me impressionarei... Tanto o novo álbum quanto a autobiografia são lançamentos de 2010. Porém, como nada havia pronunciado até então, para mim ainda é novidade.

Poderia divagar a respeito falando da grande quantidade de informação e tudo mais, mas não; o que ocorreu mesmo foi total falta de tempo. Estou só agora em 2011 retomando projetos que estavam simplesmente parados. Um dos projetos é arquitetar um caminho para o blog. Sinto de muitos leitores discretos que não tem nada sobre arquitetura neste blog. Pois bem, a ideia era mesmo ter de tudo e um dia encontrar um caminho. Comecei a escrever em 2007 e em quatro anos ainda não encontrei o eixo e acho que eu gosto de ter este espaço para escrever sobre tudo, sobre o que é o amor, sobre o que nem sei quem sou... (não, não, chega!!!).

Voltando ao Ozzy, quero lembrar aqui que ao me dedicar a escrever minhas lembranças (pseudoauto biografia) dei o nome de um álbum de Ozzy Osbourne (aqui). Naqueles anos, o que mais me chamava atenção – e até os dias atuais – é o guitarrista Randy Rhoads. No livro Ozzy dedica praticamente um capítulo a este episódio. Por sinal o único que li naquele dia na livraria. Passei por partes da infância de Ozzy e do reality show The Osbournes, o que eu acho – minha opinião – acabou com o mito Ozzy Osbourne e o deixou com uma popularidade um tanto quanto distante das letras que houvera escrito. Como falar de Ozzy do The Osbournes e pensar em um Ozzy que conhece Aleister Crowley (isso mesmo: da música Mr. Crowley)? Bem, agora me resta à dúvida se há citações a respeito das leituras que Ozzy teve. Quando li a autobiografia de Eric Clapton, ele citou escritores, como Kurt Vonnegut. Bem, logo que eu comprar e ler o livro voltarei a falar mais dele.

dezembro 13, 2010

Bêbados e loucos

Wittgenstein chama minha atenção a respeitos dos dois passageiros sentados nas longarinas do terminal de embarque do aeroporto. Um sujeito baixo, com uma protuberância abdominal avantajada, cabelos grisalhos e postura de um nouveau riche, e seu provável colega de trabalho, alto, magro com cabelo militar. Pegaríamos os quatro o mesmo avião, até aquele momento aparentemente vazio. O ar de Vitória estava bastante agradável para o inverno que tinha saído pela manhã, na São Paulo gelada. Tinha passado um ótimo dia naquela cidade e encontrar com o amigo Wttt, a forma carinhosa que chamava o professor Wittgenstein, no saguão do aeroporto enquanto esperava a aeronave que substituiria a considerada “insegura” – como se algum avião fosse seguro – para irmos a Belo Horizonte.
Witt falava da falta de segurança da pista do aeroporto de Vitória, quando algo naqueles dois homens o desviava do assunto. Tinha acabado de lhe falar da minha ligeira má impressão dos aeroportos Santos-Dumont e Congonhas, com suas pistas curtas e suas histórias de acidentes, quando também comecei a fitar aqueles dois homens.
Witt era um observador nato. Pelos sapatos conseguia dizer se o homem poderia ter ou não algum desvio de coluna. Se tivesse se dedicado a medicina com certeza teria sido um grande médico, mas acabou por preferir as letras e confeccionar seus poemas quase enigmáticos e dar as melhores aulas a respeito de William Shakespeare que alguém poderia assistir. Se não fosse por Witt muito provavelmente não estaria hoje participando destas visitas maravilhosas a novos escritores e entender como eles trabalham; suas manias, suas superstições. O trabalho de um jornalista é para alguns o divertimento, uma vida de badalações e ostentações, mas sempre esquecem que há muito trabalho para selecionar e compreender o que se pode e o que não se pode mostrar, o que faz a audiência subir e é supérfluo, e o que é essencial e ninguém se interessa. As entrelinhas são, em muitos casos, horas e mais horas de preparação, leituras, cursos e um sem fim de paciência, para às vezes meia hora de um papo fútil. Certa vez, um jornalista famoso disse que nossa profissão era separar o joio do trigo, mas ficar só com o joio... Mas Wiit não era jornalista. Era um dos que ninguém queria saber, e inúmeros poetas famosos o citavam como inspiração máxima. Era o Sergio Mendes no Brasil sem a carreira internacional. Mas um bom sujeito, de papo interessantíssimo, culto, refinado e mais que tudo: simples de coração.
Mas olhávamos aqueles dois sujeitos e praticamente não trocamos mais nenhuma palavra. Eu os observava na ânsia de entender o que se passava para chamar a atenção dessa forma de Witt. E ele os olhava, olhava e nada. Nenhuma palavra. Eu os via, olhava para a camisa listrada com a ostentação daquele crocodilo bordado que não deixava suspeita de se tratar de uma ostentação, podendo até mesmo ser uma falsificação, e nada via de interessante.
Reparo nesta hora a passagem de outro ilustre capixaba de nascimento, mas paulista de todo sempre, indo para o outro terminal com destino a cidade que moramos. O havia encontrado na rua outro dia. Cumprimentei-o naquele dia, mas parecia estar um tanto alterado pelo consumo de álcool. Agora estava mais sereno. Fitei-o sem a intenção de deixar de fazer a minha observação a aqueles dois homens para cumprimentá-lo. Certa feita, quando apertou minha mão pela primeira vez, achei que havia recebido fluxos mágicos de sua energia pulsante e que tudo, dali para frente, seria diferente. Nada... Tudo continuou igual, mas que sua imagem ainda permeia meus pensamentos permeia. Numa outra ocasião, este mesmo ilustre capixaba de nascimento, estava recebendo um dos maiores prêmios que um artista pode receber e estava feliz, falante, simpático, alegre. Foi muito bom vê-lo aquele dia. Noutra ocasião, que estava rodeado de “insufladores”, passei sem dar-lhe nem um aceno. Um livro sobre sua obra está entre os que mais tenho apreço, assim como também aprecio suas obras. Mas estava ele também naquele aeroporto, naquele mesmo dia.
Havia estado somente uma vez em Vitória, de passagem, para uma cidade muito conhecida por conta de seu filho mais ilustre. Mas Vitória está no meu coração. Assim como outros estados do Brasil, aquele foi um dos que sempre tive curiosidade.
Quando estudava na Europa, durante minha primeira pós-graduação, um rabino protestante budista me disse acham um absurdo um banco se chamar Espírito Santo. Mas, disse ele, que depois que descobriu que há um pueblo no Brasil com este nome, entendeu o nome do tal banco. Nem perdi meu tempo de explicar-lhe que era um estado e não um “povoado” e que o tal banco era europeu, português, e não brasileiro. Mas ficou na minha imaginação aquele estado da região sudeste que ainda não conhecia. Já havia ido uma porção de vezes para as Minas Gerais, e duas vezes para o Rio de Janeiro, mas não havia ido para o Espírito Santo, até surgir esta primeira oportunidade. Havia ido uma semana antes para o Rio de Janeiro, mais especificamente para Volta Redonda, e agora conseguia ir novamente para o Espírito Santo e mais que tudo, ficaria em Vitória mesmo. Certo que no mesmo dia, ao anoitecer, embarcaria para Belo Horizonte, mas só o fato de poder conhecer a capital do estado me deixou bastante contente. Como sempre, ao visitar uma capital, tento saber de seus museus e principalmente de suas bibliotecas. No Rio de Janeiro ainda não fui à Biblioteca Nacional, mas numa próxima oportunidade lá estarei, assim como numa certa livraria onde tudo acontece.
Mas os dois homens estavam eufóricos. Estavam conversando sobre o que serviriam no avião. Notei que a ansiedade dos dois estava na possibilidade deste vôo noturno oferecer bebidas alcoólicas. Notei então que Witt prestava atenção em como estavam em solo, para tentar entender ao máximo suas possíveis reações ao consumo de álcool durante o vôo. Notei então que o que interessava a Witt estava na possibilidade de perda do controle e a exaltação dos sentimentos, da selvageria talvez, que surgisse naqueles dois após o consumo de álcool nas alturas dos céus de Minas Gerais e do Espírito Santo. Pensei em como será ótimo estar longe de Witt dentro do avião. E mais que tudo, longe daqueles dois. Começava a me dar calafrios os três, os dois bêbados e o louco, fazendo uma arruaça no céu. Naquela altura, que tanto tenho receio. Fiquei feliz de poder sentar-me longe de Witt no vôo. Ele seria louco o suficiente de estimular aqueles dois a “realçar” suas sensações no céu. Witt era um louco, na verdade. Um inconseqüente. O que seria de mim e de outros passageiros, ou mesmo da tripulação, nessa quase macabra experiência sobre sensações? Achei melhor parar de pensar. Ainda passaria a noite toda em Belo Horizonte e muito provavelmente teria que estar bem para jantar com um editor local que me pegaria naquele aeroporto distante de tudo.
Enfim começaram a chamar os passageiros para o vôo. Os três comissários falavam intensamente entre si sobre a Copa do Mundo, sobre as seleções com maiores possibilidades de vencer. Nem sequer deram conta do lhe esperavam. Começaram a chegar passageiros sabe-se lá de onde e o avião começou a ficar lotado. Fui um dos primeiros a entrar e pedi aos pilotos se poderia entrar na cabine. Foi a primeira vez que me permitiram e explicaram todos os relógios e luzinhas para mim. Ao retornar ao assento o avião parecia bem lotado. Pensei em como seria agora ainda mais difícil para a tripulação controlar aqueles dois, depois do álcool. Quase falei aos pilotos o que estava por acontecer, mas não poderia precisar com total convicção que isso fosse algo realmente importante.
Já no meu assento, pensava agora na pista do aeroporto. Por que Wittgenstein me falou sobre a falta de espaço dessa pista? Estava agora praticamente agarrado ao banco, olhando pela pequena janelinha o avião taxiando. É chegada a hora e o avião sobe, sem nenhum problema, sem nenhuma trepidação. Pego o meu caríssimo Saramago que havia comprado na lojinha do aeroporto pouco antes de me encontrar com Wittgenstein e retomo o primeiro capítulo. Logo seria servido o serviço de bordo e então já imaginava que não teria condições de voltar a ler o Saramago neste vôo.
Bem, como nem tudo são flores, começo a ver a movimentação dos comissários. Para minha sorte, a única bebida mais “exótica” a ser servida era o novo guaraná com açaí... Nenhuma experiência nova ao professor Wittgenstein. Pude ler prazerosamente o Saramago até a descida em Confins.
Na sala de desembarque, enquanto tomava o rumo da saída, encontro com Wittgenstein novamente e ele pergunta com a cara espantada:
- Reparou naqueles dois?

outubro 10, 2010

17 anos depois...

Em 1993 assisti pela primeira vez o Bon Jovi ao vivo. Em 2006, quando morava nos Estados Unidos, era para ter visto pela segunda vez. Na minha adolescência o Bon Jovi não era a minha banda predileta. Para ser mais exato, até hoje não é uma das bandas que mais gosto. Mas talvez seja uma das únicas daqueles anos que ainda está em atividade com a mesma formação. O show de 1993 foi um show bastante interessante à época, não tenho enormes lembranças, mas foi o show da turnê Keep the Faith. Lembro bem mais das músicas do álbum Slippery When Wet e New Jersey. Diria que gosto mesmo destes dois álbuns. Era o show de reunião da banda e Jon Bon Jovi cantou uma música de seu álbum solo: Blaze of Glory. Este álbum solo foi o único álbum que comprei até hoje do Bon Jovi. Era ainda em vinil, no longínquo ano de 1991. Ainda hoje gosto muito das faixas Miracle e Santa Fe. É um álbum bem divertido e gosto de escutá-lo de vez em quando até hoje.

Agora, 17 anos depois, nesta semana, tive o prazer de ver novamente a banda tocando. Agora o palco não era o estádio do Pacaembu, como em 1993, e sim o estádio do Morumbi. Não fiquei até o final do show, em virtude do horário avançado para uma quarta-feira e do meu cansaço pessoal, já que tinha chego de uma viagem de trabalho no dia do show. Soube depois que o show se estendeu por pelo menos uma hora depois da minha saída, com mais de três horas de duração. Mas tudo bem... Já haviam tocado as música que queria ouvir de novo... Para mim estava mais do satisfeito. Foi realmente um show que atendeu aos anseios de todos ali presentes. Um show que contemplou muito da carreira da banda, tocando os sucessos do passado e as músicas que fizeram sucesso já na década dos anos 2000. A produção do show estava sensacional, com imagens impressionantes nos telões, inclusive até com a imagem projetada de Pelé e outras personalidades, durante uma canção. Os cinco elementos ainda sabem fazer 65 mil pessoas pularem...

Agora, que saudades de ver um show nos Estados Unidos... O brasileiro precisa entender que conforto não é nada de mais, e que o preço do ingresso deveria atender a isso. Eu tive que ver um show da escada e ter que empurrar as pessoas – diga-se suadas, sabe-se eu lá de que substâncias, pois tava uma temperatura de menos de 20ºC – para conseguir sair. Ou o brasileiro é realmente muito mal educado, ou a organização é muito ruim, ou as duas coisas... Sem contar que essa mania de ficar 100% do tempo de pé, na arquibancada, é algo um tanto quanto idiota... Num jogo de futebol, que são 90 minutos mais 15 de intervalo, todo mundo fica sentado durante a maior parte do jogo...