maio 01, 2012

E o Kassab vai embora...

2012. Não escrevo aqui desde 2011, devido inúmeras questões, mas a principal é falta de paciência e aquela preguiça de escrever sobre aqueles temas derivados das questões que deveriam ser óbvias e que paira uma grande nuvem cinza, onde debate de ideias simplesmente não existe. Bem, isso eu já estava avisado a um bom tempo, por muitas fontes diversas. Outro dia, durante o lançamento dos livros de e sobre a obra de Louis Lavelle, veio à tona uma de suas características: a distância dos debates sem sentido, das polêmicas e dos argumentos vazios. Uma obra de vulto que comecei a tomar contato este ano. Como sempre aprendendo e descobrindo algo novo e de qualidade, com aquela frase típica de algo que empolga: “como não conheci isto antes?”

Porém, tenho que novamente voltar a um assunto de fundo bastante óbvio e que permeia um conceito fundamental, que em muitos momentos parece um tanto “esquecido” - propositadamente ou não. O fato de haver este ano algumas eleições que me interessam, justamente por estarem às vezes acima da política e evocando alguns conceitos mais amplos. Me faz voltar a escrever e fugir um pouco do meu dia-a-dia corrido e longe destas realidades – o que às vezes é muito bom!

Durante o ano passado e desde o começo do ano surgiram muitos nomes e especulações múltiplas para a sucessão do prefeito Gilberto Kassab, aqui em São Paulo. É uma eleição local, obviamente, mas que no passado teve uma tradição muito maior. Ser prefeito de São Paulo era um bom passo para a sonhada presidência do Brasil. Foram alguns dos ex-prefeitos que chegaram à presidência e um que perdeu a prefeitura justamente para um ex-presidente e que se tornou presidente posteriormente – este em especial iniciando um novo marco político após sua saída, que daria uma boa postagem.

O primeiro nome que surgiu nesta corrida eleitoral foi o ex-candidato à presidência, ao senado e que fez certo retorno à política a partir de 2006, sendo atual vice-governador do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Seu nome surgiu logo durante a eleição, fortalecendo a coligação entre o DEM e o PSDB. Com sua saída do DEM para o PSD, seu nome acabou inviabilizado. Após também a criação do PSD, justamente pelo próprio Gilberto Kassab, um dos nomes mais importantes a se filiarem ao novo partido foi o ex-presidente do Banco Central durante o governo Lula, Henrique Meirelles. Seu nome foi cogitado tanto como prefeito ou vice numa possível coligação do recém-criado PSD e o PT. Para o atual pré-candidato do PT, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, era o melhor vice-prefeito possível. 

No PT havia dois pré-candidatos: a senadora e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy e o escolhido por Lula, Fernando Haddad. Haddad é ainda um ilustre desconhecido, algo muito comum a todos os ministros de Lula, fenômeno que mereceria ser explicado num outro momento. Com Marta a coligação com o PSD não iria para frente e como Lula escolheu Haddad, o pré-candidato já estava definido e hoje o PT se articula para conseguir apoios. Estes apoios esbarram no PSDB e noutros pré-candidatos. Entre eles colocaria o cantor e apresentador, atual vereador e candidato derrotado ao senado, Netinho de Paula. O PCdoB, partido de Netinho, sempre foi um aliado do PT e muito provavelmente será uma coligação que tende a caminhar e uma candidatura que tende a naufragar.

Outro pré-candidato também da base de apoio do PT, porém exótico e beirando o bizarro, e que me parece não se viabilizar, é o atual deputado federal pelo PR e palhaço de profissão Tiririca. Uma das possibilidades avaliadas era sua candidatura fazendo chapa com o estilista Ronaldo Ésper – atual pré-candidato a vereador – como vice-prefeito. Esta possibilidade foi comentada pelo próprio Ésper durante entrevista ao programa de Danilo Gentili – Agora é Tarde.

Outro pré-candidato cujo partido faz parte da base de apoio do governo federal, é o sindicalista Paulo Pereira da Silva – que é deputado federal pelo PDT e já foi candidato à vice-presidência com Ciro Gomes em 2002. Porém, hoje o partido trafega nas duas esferas principais, o PT e o PSDB. E sua candidatura parece ser mais sólida a outros candidatos. Uma destas pré-candidatas é Soninha Francine. A apresentadora de TV já foi vereadora e candidata a deputada e prefeita, porém, sua principal desvantagem está em sua falta de votos... Suas ideias, seus argumentos, são interessantes, porém o que a inviabiliza como deputada é ainda mais importante numa eleição majoritária.

Ao contrário de Soninha, o ex-deputado e candidato derrotado ao governo Celso Russomano, agora num novo partido, tem de mais sólido. Não somente ele como também Gabriel Chalita, pré-candidato pelo PMDB. Estes dois me fazem pensar que a renovação na política paulista não tende a ser feita nem pelo PT e nem pelo PSDB – teoria esta que Kassab se encaixa mais do que exemplarmente.

Agora, avançando a já um dos pontos importantes dessa eleição, a pré-candidatura de José Serra mudou de sobremaneira o cenário, demonstrando, antes de tudo, que o PSDB tem nomes de sobra para o futuro político. A convenção do partido com a escolha de Serra, tendo ainda Ricardo Tripoli e José Aníbal, mostrou que o partido tem divergências, o que é normal, mas que é ainda um postulante forte na política regional e federal. Mesmo eu sendo um divergente do conceito da socialdemocracia, o PSDB é ainda um dos poucos partidos com base teórica – o que me interessa bem mais do que a mera política do dia-a-dia. O fato que preocupa e me irrita, conforme coloquei no início do texto, é que não há debate de ideias e logo esse vazio é preenchido por um monte de coisas sem importância e que a imprensa de forma mais geral anda separando o joio do trigo e ficando só com o joio...

Conforme escrevi em 2007, em relação a George Bush (aqui), falo o mesmo em relação à Kassab: Sim, em 2012 voltará para casa e ficará pelo menos 2 anos sem um cargo político. Essa é uma das principais vantagens da democracia: a alternância de poder, a possibilidade de novas ideias, de novos rumos, de modernização – mesmo com os riscos da involução ou de alguma quebra de ritmo. Este um conceito ainda pouco evoluído no Brasil.

Outro exemplo de uma eleição que acompanho é o da França, com Nicolas Sarkozy que não é o que eu esperava, porém ainda é melhor do que o resto... Mas tanto ele como Obama estão passando pela avaliação dos eleitores e Sarkozy já afirmou que caso seja derrotado vai se “aposentar” da vida política. O conceito institucional de ex-presidente no Brasil é algo ainda por também evoluir. Somente Fernando Henrique Cardoso largou a política do dia-a-dia – o que em sua avaliação abriu espaço que ainda não foi preenchido no PSDB – o que também não vou tratar aqui em detalhe.

Em suma, em termos políticos este ano promete. Acompanhei por alto as prévias nos Estados Unidos, mas aparentemente os candidatos já estão definidos. Em 2008 Obama saiu na frente por conta da crise econômica, porém neste ano as coisas mudaram. E, como sempre digo, a diferença de votos entre Obama e McCain na eleição 2008 foi muito inferior a que temos impressão via nossa “maravilhosa imprensa esquerdista isenta.”

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