setembro 02, 2014

Vivendo a história

Quanto aos acontecimentos das últimas semanas eu já os poderia apresentar como históricos. Estava eu escutando rádio, trabalhando, quando repentinamente fui acometido pela notícia da queda do avião em que estava o candidato a presidência Eduardo Campos. Liguei a televisão e passei então a acompanhar a eleição.

Não vinha prestando muita atenção na campanha eleitoral. Campos já havia, no âmbito nacional, conquistado certo destaque durante a última eleição, quando seu partido, o PSB, crescerá em todo o Brasil o número de prefeitos e houvera sido considerado como o grande ganhador da eleição pela mídia especializada. Como governador de Pernambuco em seu segundo mandato vinha tendo altos índices de aprovação. Nunca prestei muita atenção em seu governo, mas já era uma referencia regional de grande envergadura. Nascia ali uma nova liderança. Neto do ex-governador histórico de Pernambuco, Miguel Arraes, vivia a política desde muito cedo e já apresentava aos 49 anos uma carreira política bastante sólida.

Tudo isso o credenciou a disputar a eleição de maior importância no período pós democratização (ou seria pós ditadura, a que cassou os direitos políticos do avô de Campos). Mas um dos fatos mais importantes eu nem sequer me dava conta: a aproximação de Campos com Marina Siva. Foi uma jogada política de grande habilidade, conduzida de forma muito bem articulada. O que garantiria ao partido uma gama de votos muito maior do que os velhos e já desgastados integrantes de seu partido – tais como Luíza Erundina e Ciro Gomes. Porém, com o incidente de sua morte tudo mudou. Não vejo mais o PSB como um partido a crescer e ampliar sua base no parlamento. Vejo o Rede Sustentabilidade o novo partido que deverá crescer, principalmente com a vitória de Marina, ou melhor, Silva, como é chamada pela imprensa internacional.

A cerca de duas semanas, ouvi Diogo Mainardi falando que Marina Silva ganharia a eleição. Novamente fui descrente em seu comentário. Passada a primeira pesquisa, já colocando Marina como candidata, Aécio Neves começa a comer poeira...

Tempos atrás eu disse numa conversa sobre o futuro da política no Brasil e falei que eu não vejo uma longa vida nem para o PSDB e nem o para o PT. Acredito que, fora da presidência, o PT murcharia, já que nunca foi um partido de governadores, fora em poucas localidades – o Acre e o Rio Grande do Sul, por exemplo. O PSDB já dava sinais de esgotamento e não renovação nas eleições municipais de 2012. O PT, nesse quesito, as disputas municipais, começa a trafegar no espaço que pertencia ao PMDB e da mesma forma, sem grande similaridade com sua ideologia inicial. Campos, iniciava um novo caminho. Mesmo o PSB tendo este nome retrógrado, ele já se reinventava e iniciava realmente uma nova fase.

De certa forma, eleições onde não há mais PMDB naquele formato (partido repartido), agora transmutado em PT, e sem a polarização PT x PSDB, nos faz ver que envelhecemos. O próximo passo é ver Lula como uma figura folclórica, e saber que Dilma longe da presidência não é absolutamente nada além de um poste. E, claro, ver os partidos sem seus donos, ou melhor, ver partidos desaparecendo com seus maiores representantes (como o PPS de Roberto Freire, o PP de Paulo Maluf – certo que nesse quesito os partidos já se renovaram: o PSD de Gilberto Kassab, o Solidariedade, de Paulo Pereira da Silva e o fenômeno de persistência em existir: o PDT, mesmo sem Leonel Brizola).

Bem, há muito ainda até as eleições e tudo pode mudar, como foi a disputa pela prefeitura de São Paulo em 2012.

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