maio 23, 2009

Arquitetos da América 1

Em 2002 descobri um livro que falava sobre o escritório de arquitetura americano Morphosis. Não poderia ser diferente, foi na livraria de arquitetura do diretório acadêmico da Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, o DAFAM. Lá tem há bem mais de dez anos a lojinha de livros. Comprei tantos livros lá que poderia dizer ser ali a minha principal livraria. Este ano mesmo comprei alguns livros lá esgotados em todas as outras livrarias. Não sei como conseguem ter estes livros, mas quando quero alguma coisa sempre corro para lá. Ainda bem que há esta proximidade, assim consigo manter certas tradições... O melhor caso foi o livro do Eduardo de Almeida. Morava à época nos Estados Unidos e pedi por e-mail o livro. Um amigo passou por lá apanhou o livro que já estava separado e me trouxe. Por sinal um ano depois comprei de novo o mesmo livro, já que havia dado aquele exemplar de presente... Bem, histórias a parte, mas o livro ficou lá me esperando por mais de um ano e não o comprei. Não é até hoje um livro “acessível” financeiramente. E o detalhe que não encontrei este livro para vender nos Estados Unidos. Trouxe outros tantos, mas este, não. Também, talvez, naquele momento não estava tão focado, afinal muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. Este livro tem uma capa transparente de plástico duro com algumas imagens, uma edição incrível. As imagens dos projetos são quase inacreditáveis. E foi ali que conheci alguns projetos deste escritório dirigido por Thom Mayne, laureado com o prêmio Pritzker de 2004. Fui praticamente por um ano consultar o livro na lojinha...

O famoso livro...
Naquele livro conheci o projeto da Diamond Ranch High School, em Pomona, na Califórnia, cujas imagens ilustram esta postagem. É um projeto entre 1994 e 1999. Sua forma me remete a uma descontinuidade que parece formar na mente uma unidade. Os ângulos parecem sempre formar uma nova perspectiva, uma nova surpresa. Não vou me alongar, mas não é a toa que o escritório chama Morphosis... A idéia é a formação de vários edifícios que formem uma unidade. Mais especificamente vários módulos, que seguem um currículo educacional.
Naqueles anos pensei que o projeto não tinha sido construído, pois no livro só havia imagens do projeto. Assim como de outros tantos projetos. Então, os materiais era uma questão de imaginação. Sempre uma imagem dá interpretações múltiplas e vê-lo construído é muito mais interessante. As aberturas são sempre outras surpresas. Interessante é a quantidade de projetos não executados. Isso parece regra geral para quase todos os arquitetos. Muitas propostas, tanto de concursos como planos maiores, parecem ser a base para o desenvolvimento de uma sólida arquitetura. Talvez isso remete a um questionamento de onde nasce a arquitetura; se arquitetura é projeto ou somente obra construída. Eu resolvo isso de forma simples: tudo é arquitetura. Ou, plagiando Le Corbusier: “arquitetura em tudo, urbanismo em tudo.” As imagens, mesmo impressionantes nunca são superiores a arquitetura pronta – se são, é por que a arquitetura não convence.

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