TV a cabo

Para quem gosta de televisão, como eu, ter uma televisão por assinatura é natural. É caro também. Era um dos prazeres que tinha, quando assinava todos os canais. Lia muito menos e via muito mais filmes. Descobri nessa época que não conseguia lembrar dos nomes dos filmes, mas lembrava praticamente todos os detalhes. Comecei então a saber um pouco sobre cinema, ainda mais com os comentários de Rubens Ewald Filho, na HBO. Que em sua maioria eram prolixos, mas depois de ver o filme e ver aqueles detalhes apresentados naqueles clippings com o diretor, etc, ajudava muito.

É importante salientar que eu detestava ir em salas de cinema. Isso começou na infância, passou pela adolescência, e chegou à fase adulta, passando por uma fase, que hoje classifico como “rebeldia direcionada ao cinema”. Sim, em 1994 praticamente me recusava a comentar sobre filmes. Achava aquilo uma das piores coisas do mundo. Um bando de metidinhos a se vangloriar que viam uns filmes bem meia boca com mensagens idiotas. Assim via as pessoas que até hoje se maravilham com a sétima arte do miolo mole. Logicamente sou suspeito para comentar cinema. Tenho aversão a filmes “cabeça”. Que chamo de filmes “cabeça-de-repolho”. Eu quero que se dane a mensagem do diretor. Eu gosto mesmo de fotografia e enredo. Uma boa história não precisa de “mensagem do diretor”. Ela fala sozinha. Não preciso e não quero proselitismos a lá Michael Moore. Não há necessidade de entender o filme sob o viés do diretor. Tanto é assim que a crítica sempre fala dos filmes bons mal e dos ruins bem. Não que todos os críticos sejam assim. Existem críticos muito bons, diga-se. E os filmes que estes não comentam, normalmente são por estarem abaixo de suas críticas. Uma boa lógica de pensamento, que demorei anos para descobrir. E outros anos para descobrir estes críticos.

Mas como minha aversão mudou? Na verdade não mudou. Com a TV a cabo tive acesso a um número muito maior de filmes, entre eles filmes franceses. O cinema francês, que eu conheço muito pouco em seus detalhes, me encantava ver no Eurochannel. Tinha também uns filmes ingleses muito bons. Isso data de pouco menos de 10 anos. Até então eu era viciado em filmes de ficção cientifica ou de produções como “Rambo”, “Exterminador do Futuro”, “Batman”, etc. Ainda hoje gosto muito do “Homem Aranha” e “X-Men” e, claro, nada melhor do que ver num mesmo dia (maratona) a trilogia de “De Volta para o Futuro”. Sem contar os “Mont Phyton”, “Top Secret” e as seções da tarde “Curtindo a Vida Adoidado”, “Agarra-me se Puderes” entre outros. Nada disso visto no cinema, mas sim no vídeo cassete e na televisão. Sempre longe da moda. O que é ótimo, pois somente o que foi bom, continua sendo comentado dois, três anos depois. São inúmeros os casos de filmes que as pessoas falaram tanto na época e pouco tempo depois parecia que ninguém mais sabia do que se tratava. Um deles foi “O Que é isso companheiro?”. Não escuto ou leio ninguém falando desse filme (que eu não assisti). Parece que nunca houve. Falam do Fernando Gabeira, mas não por causa do filme. E falam dele a pouco tempo, desde que começou a ter projeção na Câmara. Nada ligado ao tema do filme.

Passada esta fase, hoje tenho visto de tudo. De cinema europeu a cinema nacional, sem normalmente errar na escolha dos filmes. Gostaria de ver muito mais e ter meus canais de TV de volta. Eu acho muito mais interessante ver que vai passar um filme e assistir, sem pensar em escolher um filme. Eu gosto de ser surpreendido pelo filme. Só a TV por assinatura nos trás isso.

Mas uma dúvida persiste: porque tem tanto comercial na programação da TV a cabo?

Comentários

Postagens mais visitadas