1930

Foi publicado em 1930 o livro de Jose Ortega y Gasset intitulado “A Rebelião das Massas”. Ortega y Gasset (1883 – 1955) é o maior nome da filosofia espanhola. Talvez não seja o maior filósofo, lembrando de Xavier Zubiri, mas com certeza é o de maior expressão internacional. Zubiri, se não me engano, fez parte de grupos de estudo organizados por Ortega y Gasset. Ainda não terminei de ler “A Rebelião das Massas”, por se tratar de um livro de densidade elevada, mas muito do que ele escreveu tem extremo valor para compreender o momento atual:

“(...) Um mundo com possibilidades de sobra (excesso e não abundância) produz, automaticamente, graves deformações e tipos viciados de existência humana – que podem ser reunidos na classificação geral de ´homem-herdeiro´, da qual o ´aristocrata´ não é senão um caso particular, e o menino mimado outro, e o homem-massa de nosso tempo um outro muito mais amplo e radical. (...)

(...) (Por outro lado, deveríamos aproveitar mais detalhadamente a alusão anterior ao ´aristocrata´ para mostrar como muitas de suas atitudes, características em todos os povos e tempos, encontram-se no homem-massa em estado latente. Por exemplo: a propensão a ter como ocupação central da sua vida os jogos e os esportes; o culto do corpo – conservação da saúde e preocupação com a beleza dos trajes; falta de romantismo na relação com a mulher; participar de diversões com o intelectual mas, no fundo, não o estimar e mandar que os lacaios ou os policiais os agridam; preferir a vida sob a autoridade absoluta a um sistema de discussão, etc, etc) (...).”

Além de escrever muito bem, explana suas idéias sobre o homem-massa de uma forma brilhante. Os trechos acima são do capítulo 11, A época do “Senhorzinho Satisfeito”. O que mais acho brilhante é o fato de ter pensando em algumas considerações, que agora depois de estudado algumas partes do livro, vejo que faz sentido aqueles pensamentos. É bom lembrar que o mundo de 1930 era diferente do nosso atual.

Numa outra parte, Ortega y Gasset fala sobre a técnica: “(...) Vive-se com técnica, mas não da técnica. (...)” Assim consegue explorar um conceito bastante interessante sobre o quanto as pessoas não entendem das origens das coisas: “(...) O novo homem deseja o automóvel e desfruta dele, mas crê que é o fruto espontâneo de uma árvore do Éden. (...)” Já até devo ter mencionado o quanto eu acho que as pessoas dão valor à certos aspectos tecnológicos, sem mesmo nem sequer cogitar suas origens. O título pode parecer algo diferente do que seu conteúdo diz, e por isso eu indico a leitura de “A Rebelião das Massas”. Estou realmente entusiasmado com o livro.

Comentários

Adri disse…
Este vai para a minha lista de livros para ler, beijos, Adri

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