Contra a Corrente

Há muitos anos venho observando a quantidade de eventos e investimentos no Parque do Ibirapuera. Realmente é o parque da cidade de São Paulo com maior número de visitantes e, com efeito, é o único com tantas atrações também. Sempre me opus a isso. È vergonhoso ter somente um parque como símbolo de parque urbano paulista. O Parque Villa-Lobos seria um dos parques que naturalmente serve a região oeste da cidade. Assim como o Parque do Povo (Carandiru) serve à zona Norte da cidade. Assim como temos parque como da Aclimação, o Trianon, na região da Vila Mariana e Avenida Paulista. E não esquecendo o Parque do Piqueri na zona leste, assim como outros parques como Burle Marx, Guarapiranga, entre outros.

Com esta quantidade de parques na cidade é justo ter todo direcionamento para o Ibirapuera? É, minha opinião, absurdo não se valorizar e não haver eventos nos outros parques com a dimensão do Parque do Ibirapuera. E mais absurdo ainda saber que no plano diretor estão contempladas a compra daquelas casas em volta do parque para sua futura ampliação. Nada contra a ampliação, mas realmente é prioridade ampliar o parque? E ainda com a desapropriação daquelas casas? E nada contra os eventos do parque. Mas não se podiam ter muito mais eventos se os outros parques também fossem capacitados? Só acho que faltam políticas claras das secretarias de cultura das estâncias municipais e estaduais. Na verdade, falta também uma cultura sobre parques urbanos.

Os parques urbanos nascem da necessidade de se ter nas cidades lugares para o ócio. Nas nossas atuais vidas os parques são cada vez mais necessários. E acredito ainda que o número de parques da cidade é pequeno. Isso talvez justifique a falta de visibilidade que se tem da diferença entre Ibirapuera e outros parques, pois, estes, também ficam cheios aos fins de semana. Agora entre estarem cheios de gente sem ter o que fazer, ou melhor, sem ter a mínima estrutura, não impede a criação de novos pólos de atração fora do Parque do Ibirapuera. E vou mais além. Alguns parques temáticos da cidade, como Jardim Botânico, Jardim Zoológico, Instituto Butantã, não integram as políticas de cultura. Para esta gente ciência não é cultura. Assim como gostaria de ver um museu de história natural, também adoraria ver um centro de estudos sobre os rios, abordando as histórias dos rios que formaram desde a capitania de São Paulo até o estado atual dos Tietê, Tamanduateí, Pinheiros. Já imaginou um passeio turístico sobre o Rio Tietê?

Outro dia recebi um convite sobre o primeiro passeio de barco no Rio Tietê. Infelizmente não pude participar. Continuo contra a corrente que atualmente insiste em centralizar eventos e centros culturais na Paulista e Centro. Assim como não creio que só exista o Parque do Ibirapuera para isso. Nunca entendi a centralização que se dá em tudo na cidade de São Paulo. Já tinha escrito outro texto tratando desse assunto e continuo sem entender a razão para essa centralização.

Comentários

Claudia disse…
eu adoro o parque do ibirapuera, sem dúvida é o meu favorito em Sampa.
Mas concordo com vc, deveria haver um investimento em outros parques. O Brasil precisa de diversos investimentos, não é mesmo? Começando pela educação e cultura?
E apesar do parque do ibirapuera ser um ponto turístico, ainda conta com muita poluição.
BEIJO

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