Bicicletas

Nunca fui um atleta. Não fui por pura preguiça ou falta de vontade. Não sei até hoje qual das duas. Aos doze anos nadava. Participei de competições, etc. Aos quatorze não tinha mais tempo devido aos estudos. Nunca mais voltei. Aos quinze estudava na Escola Técnica Federal de São Paulo, um dos melhores locais onde estudei na minha vida. Tinha uma estrutura maravilhosa para tudo. Um boa biblioteca, atelier para artes plásticas, música e artes cênicas, campo de futebol gramado, futebol society na areia, pista de cooper e até aparelhos de musculação. Mas minha vontade de fazer esporte era pequena, ainda mais eu jogando nada bem futebol. Algumas aulas de educação física (uma vez por ano) eram dadas no parque do Ibirapuera. Eram aulas de condicionamento físico na pista de cooper do parque. Na época a escola tinha algo em torno de quatro mil alunos, separados em seis cursos técnicos: mecânica, eletrotécnica, edificações, telecomunicações, eletrônica e processamento de dados. Além disso, tinha dentista, psicólogos, médicos (que apareciam uma vez por ano, e olhe lá). Tinha até um lendário professor de educação física, que andava pela escola de terno.

De um tempo para frente eu comecei a andar de bicicleta. Tinha até um grupo, que andávamos no parque do Ibirapuera e no campus da USP. Ali realmente me encontrei em fazer algum esporte. Andava bastante. Ao final do ano de 1994, comprei um bicicleta maravilhosa, uma Giant. Até hoje ela ainda manda bem. Impressionante isso. Realmente isso prova que qualidade é realmente uma questão essencial.

Hoje quase não ando, mas estou fazendo planos para voltar. Depois desse período já pratiquei artes marciais, academia, mas acho que vou voltar ao karatê e à bicicleta. O que até hoje não entendo é que na USP não posso mais ir. Pois até hoje as tais ciclovia nunca saíram. Hoje têm horários pré-determinados para se andar lá. Tenho eu, um amador, que competir com aquele bando de frescos “profissionais”, que, em minha opinião, fazem do prazer de andar de bicicleta uma verdadeira batalha. Um sacrifício. Não posso generalizar, mas atropelar as pessoas por andar depressa demais lá é um absurdo. Da mesma forma quando vou andar num domingo, no parque do Ibirapuera, e vejo as criancinhas sendo quase atropeladas por aqueles boçais que andam tão rápido, pelo simples prazer de andar rápido, sem nenhuma preocupação com a questão coletiva do parque. Bem, depois não podem reclamar da proibição dos horários.
Muitos dos alunos da USP, principalmente os que não tem carro, tem dificuldades de se locomover pelo campus. A bicicleta é uma boa forma de resolver isso. Levando em conta ainda a existência de certa quantidade de cursos em período integral, tendo aulas em vários institutos diferentes. Eu acredito que isso deveria ser mais valorizado. Em Curitiba tem ciclovia. Muita gente vai para o trabalho de bicicleta. Quando estive na Alemanha vi muita gente andar de bicicleta, tanto indo ao mercado, quanto ao trabalho. Eu acho que certas coisas do interior poderiam ser muito melhor incorporadas ao nosso ambiente urbano. Só tenho dúvidas em relação às distâncias percorridas em São Paulo. No fundo, não acredito na hipótese de substituir carros por bicicletas, no dia a dia. Não acredito que podemos ter regiões com aquele ar holandês, de bicicletas por todo lado. Mas acredito que os momentos de lazer pelo menos deveriam ser mais planejados.

Comentários

João Batista disse…
Realmente, se o idiota quer velocidade, que arranje um lugar apropriado para acelerar. O Autódromo de Interlagos, por exemplo. Rsrs... Não é uma má idéia. As Bicicletas são leves, não vão estragar a superfície. O único problema é, novamente o horário. Seria restritíssimo. Mas que seja, montem uma pista oval em algum lugar e não encham o saco. Se o Tietê estivesse limpo, poderiam andar de bicicleta, quer dizer, triciclo aquático...rsrs...

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