janeiro 07, 2009

Sobre a Guerra Fria e outras histórias

Lendo o blog do Jornalista Marcos Guterman, este que escreve com certo humor e certa fina ironia, até um pouco de sarcasmo, falava sobre o “humanismo” de Hugo Chaves, ao mandar embora o embaixador de Israel de seu país. Eu fico impressionado com os comentários dos leitores...

Para Hugo Chaves virar um ditador basta somente algum detalhe que desconheço... Uns me dizem que é por há eleições e ele é eleito. Deixe me ver: então se há eleições diretas para presidente não é ditadura?

Bem, a única ditadura que conheço de perto é a do Brasil, entre 1964 e 1985 (entre 1984 e 1985). Eu era criança quando acabou e o José Sarney tomou posse, com Figueiredo saindo pelos fundos do palácio, sem passar a faixa presidencial a ele. Os motivos que o levaram a fazer isso não fiquei sabendo até hoje, se é porque era o Sarney, ou alguma outra condição militar. No Brasil chamam de ditadura o Período Militar de Exceção, que é o nome que adotei para descrever o período, um dos menos estudados da história brasileira. Neste período foram cinco militares a governar o Brasil (marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, marechal Artur da Costa e Silva, general Emílio Garrastazu Médici, general Ernesto Beckmann Geisel e general João Baptista de Oliveira Figueiredo) e não um único ditador, caso de Getulio Vargas entre 1930 e 1945, de Cuba, Chile, Argentina, Paraguai, Portugal e Espanha (tudo isso depois da Segunda Guerra Mundial e no ocidente, pois no oriente perderia as contas). Logicamente não peguei os anos de chumbo, o período que era bravo para liberdade no Brasil. Liberdade individual, além da liberdade de imprensa. Mas isso quer dizer que houve durante este período liberdade de imprensa e mais: eleições diretas para prefeitos, vereadores, deputados e senadores. Ou seja, eleição não é definidor de "não-ditadura"...

Desde o lançamento dos livros de Elio Gaspari estudo este período, não publicando nada do que tenho encontrado de material. Mas o que tenho encontrado de desinformação... Em 25 anos, desde que acabou a ditadura no Brasil, penso eu, achava que estaria mais fácil de estudar o período. É incrível, se fosse jornalista estaria estudando muito mais o assunto. Eu não sei fazer reportagem (e acho que se fosse jornalista também não gostaria) e encontro pouca reportagem com os principais nomes daquele período. Não encontro também uma “vasta” bibliografia. Se não fossem os livros de Gaspari, acho que mais nenhum outro livro a respeito teria sido publicado. E ele ilumina uma questão da maior importância: a total heterogenia de políticas de Estado nos cinco governos.

O pior de tudo que parece a academia brasileira não ter nenhuma vocação para estudar a história do próprio país. Não sei se porque alvos do período ou algum tipo de medo, mas eu, que era criança no período, não tenho nenhum vinculo com ele e nem com quem queria sua queda ou continuidade. Sinto livre para escrever sobre as múltiplas visões do período. O que dá uma trabalheira sem igual. Por que escrever um livro ensaio é tão complexo sobre um tema que deveria estar já estudado, com uma bibliografia monstruosa?

Sei lá eu se isso é influencia americana, mas lá, a pouco, fiquei sabendo do lançamento de American Lion – Andrew Jackson in the White House, a respeito do ex-presidente americano Andrew Jackson, um dos que mais contribuíram para a fundação do partido Democrata. Foi também militar, primeiro governador da Florida, cuja campanha militar liderou, tomando as terras da Espanha. E basta também ver que há muita bibliografia a respeito. Como se pode ver, igualzinho ao Brasil... Detalhe: Jon Meacham, autor de “American...” tem publicado em português um de seus títulos, o que duvido que aconteça com este, por ser o assunto muito pouco popular no Brasil.

Mas voltando ao Guterman, ou melhor, aos comentários dos leitores do Guterman, um deles tentava explorar a hipótese que Israel era parte dos planos da Guerra Fria. Bem, isso parece até meio óbvio... O que fica estranho é não falar da participação soviética. Se os Estados Unidos financiaram a defesa militar de Israel, fica uma questão: Por que será que Israel precisou de uma defesa militar? E se tem algo a ver com a Guerra Fria outra questão: De onde será que vêm os mísseis do Hamas?

São questões meio estranhas, mas com certeza as pessoas no Brasil tendem a esquecer que existia outro lado na Guerra Fria, além dos Estados Unidos. Mas qual deles era mesmo uma democracia?

Saindo dessa história de democracia e ditadura e indo para a questão da “terceira força”. Hoje sabemos que a Guerra Fria não tem mais os mesmos campos de atuação, a bipolarização, onde o inimigo do meu inimigo é meu “amigo”... Desde a guerra entre Irã e Iraque isso já havia terminado. Hoje não há um inimigo como a URSS (pelo menos oficialmente) e a luta com a China se dá em termos comerciais. É um mito não achar nada de estranho na Rússia com seus recentes conflitos com a Ucrânia e a Geórgia. Isso sem falar na eleição do primeiro ministro russo e do envenenamento do presidente da Ucrânia. Mas achar que Irã e Rússia são “amigos” é uma aberração.

O fundamentalismo islâmico é hoje a terceira força, em combate ora contra o que chamam de Mundo Ocidental, ora ao lado de ditadores como Chaves e o primeiro ministro russo. Falei de novo em ditadores. Mas, eles são eleitos democraticamente! Será só a eleição que define uma democracia? E no Irã, como será que se pode definir “democracia”? O engraçado que sou eu falando sobre isso... Por que eu? Será que porque eu concorde com o Guterman? Será só uma questão de discordar ou concordar? Finalizando, hoje a Guerra Fria é travada por três forças e todas podem ter “a bomba atômica”! Será que o Mundo vai acabar? Lembrei da música do Rádio Táxi:

(...) Toda a terra reduzida
A nada, a nada mais
Minha vida é um flash(Flash!)
De controles
Botões anti-atômicos
Olha bem meu amor
É o fim da odisséia terrestre
Sou Adão e você será...

Minha pequena Eva (...)”

Não poderia terminar este texto mais confuso do que comecei. Tratar da ditadura brasileira, de Hugo Chaves, de Wladimir Putin, de Victor Yuschenko, Guerra Fria e o conflito de Israel na faixa de Gaza e ainda conseguir colocar um dos temas mais inacreditáveis das letras das músicas dos anos 1980 no Brasil. Eu era criança e lembro das letras com temas sobre a “Bomba Nuclear”, aquelas que foram usadas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Graças a elas sabemos que os Estados Unidos nunca mais usarão as bombas... Nenhum presidente seria louco o bastante para fazer isso no Ocidente.

Se existisse uma forma de se proibir a produção de armas bélicas no mundo, provavelmente não haveria confrontos. Mas isso serve para os dois lados... Sempre. Não adiantaria só tirar só as armas de Israel.

Outra questão me veio à mente agora: por que os judeus conseguem viver em paz com os cristãos e até mesmo os protestantes conseguem viver razoavelmente em paz com os católicos? Outra: Como são tratados os cristãos no Oriente Médio? (aqui).

Um comentário:

Lex disse...

Mandei um e-mail no hotmail para vc... só tenho este e-mail.