outubro 06, 2007

Livro... e outras coisas...

O Instituto de Arquitetos do Brasil – Direção Nacional, Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo, Instituto Tomie Ohtake e Publifulha convidam para o Lançamento do livro “Oscar Niemeyer”, por Ricardo Ohtake (série Folha Explica, Vol. 72). Dia 9 de outubro no Instituto Tomie Ohtake, às 19:00 horas.

E:

Na segunda-feira dia 8 de outubro, Ticiane Pinheiro e Karina Bacchi lançam na Saraiva o livro “Patricinhas sem Salto”.

Mas o evento da semana realmente vai ser a tarde de autógrafos de Mônica Velloso, na terça-feira dia 9, também na Saraiva. Vai autografar a revista playboy deste mês... Será que terá canapés?

Tava pensando em como deve ter sido o lançamento do cd de Amauri Jr. (cd de coletânea musical precisa da presença do, digamos, selecionador das músicas?).

Perfil x Seja você mesmo x Mercado de trabalho

“(...) Há mais de um motivo
Há mais de uma razão
Havia um romance
Ao alcance da mão
Mas o cigarro apagou
E me ensinou o macete
De esconder as cinzas
Sob o tapete”

Sob o Tapete – Engenheiros do Hawaii (1988)

Se existe algo que não entendo é exatamente a questão de que o mercado de trabalho “pede” certo “perfil” dos candidatos às novas vagas. E, além disso, os programas de TV, desde reportagens especiais de Fabiana Scaranzi a Max Gehringer, falam de como se preparar para o “perfil” que o mercado exige no momento. Uma coisa é óbvia, toda vez que os recursos humanos estão em alta na mídia significa que os empregos estão escassos.

Segundo uma pesquisa feita, cuja fonte e os dados exatos eu não lembro, dizia que mais que 40% das pessoas que consegue emprego são por meio de “networking”, ou seja, por indicação ou por contatos, 16% por internet e somente 4% pelas agências de emprego. Queria até analisar melhor estes dados, mas aparentemente o contato se torna uma das ferramentas de trabalho mais importantes. Se for assim, que importa o tal perfil? Reportagens e mais reportagens estariam mentindo?

A verdade seja dita. A melhor preparação geral, formada por faculdade de primeira linha, idiomas e alta gama de conhecimentos gerais é ainda a melhor postura, fora a atenção aos contatos. Ou seja, a fórmula é fácil. Mas ai é que entram os limites. E normalmente eles são bastante delicados, um deslize é muito trabalho desperdiçado. E ai resta tentar esconder as cinzas “sob o tapete” e começar tudo de novo. A sorte que o recomeço não é algo tão mortal, mas não é fácil. Mas a maioria das pessoas, além do medo e do “mito que limita o infinito” (Guardas da Fronteira) tem dificuldade de se recriar. Um detalhe fantástico disso é sempre avaliar aquele que foi morar no exterior. Normalmente a pessoa cria novos amigos, nova vida, um renascimento, e uma saudade difícil de lidar muitas vezes, sem contar que por causa de uma cultura diferente sofre para se adaptar ao status quo (Nada melhor que citar Victor Frankl nesse estágio, no seu “Um sentido para a Vida”).

Fora isso tudo ainda falam das questões relacionadas à idade, tempo de fazer as coisas, limites de ousadia e conforto. Quanto à idade é um pouco ridículo assim como penso em relação ao tempo. Como já havia esboçado em “Às vezes sim, às vezes não” (I, II, III, IV e V) não creio muito nessas questões de tempo. Que exista um tempo em que se deva casar, ganhar dinheiro, morrer, etc. mas existe uma questão entre oportunidades e oportunismo. Isso dá muito que falar, principalmente que não há aí “paralaxe cognitiva”, onde falo mais precisamente sobre a minha experiência pessoal do que uma questão de conceito.

Mas uma coisa é certa: a escolha que se faz sempre está baseada no fundo no “seja você mesmo”. Não adianta fugir muito disso. Como num outro trecho da mesma canção que iniciei esta postagem (depois me perguntam por cito os caras toda hora, eles falam poeticamente o que eu quero dizer):

“(...) Quanto mais se foge
Tanto mais se quer fugir
?O que seria de nós
Se não fosse a ilusão
A doce ilusão de conseguir? (...)”

Assim sendo, não vejo o porquê ser outra pessoa para estar no meio daquilo que nem se sabe ao certo se é o que se quer. E saber o que quer é algo às vezes é ruim. Nem sempre saber tudo e ter tudo planejado é sinônimo de bom desempenho. Nessa hora lembro sempre do filme “Cartas na Mesa” (1998), com Matt Damon (um dos poucos filmes que assisti no Morumbi Shopping, e foi antes do ataque do psicopata). No filme o jogador de pôquer tem uma conversa com o professor que ele muito admirava, onde fica sabendo que ele tinha desapontado a família por ser o que ele é. E também de “Gattaca – Experiência Genética” (1997), onde tanto o rapaz que usava óculos, era de baixa estatura, queria estar na tal elite genética. Os finais dos dois filmes (o de Gattaca eu não lembro) não eram o mais importante dos filmes.

Agora, conciliar o tal “perfil” ao seu modo pessoal e buscar a alternativa no mercado de trabalho é uma equação complexa, com inúmeras variantes e poucas constantes. Detalhe: isso só serve para profissões lineares. Aliás, esse meu conceito de linearidade é mais baseado numa questão de ofício, ou de aquisição de questões técnico administrativas, não sendo aplicáveis para profissões cujo talento artístico, caso muitas vezes do jornalismo, da carreira de músico, ator, diretor de cinema, escultor, pintor ou até mesmo diretor de arte publicitária, cuja linearidade não cabe explicações lógicas, onde aquela questão de oportunismo e oportunidade fica mais esfumaçada do que tudo.

Nota de rodapé
Já pensei muito nas hipóteses que tinha ao fazer o vestibular, mesmo tendo gostado muito do curso que fiz, da faculdade, de professores, do Mackenzie, monto aquele simulacro de vida baseado na expressão “se...” pensando em como seria se tivesse partido para outro lado. E o pior: nunca faltou aviso. Hoje em dia penso que ter feito parte da primeira turma de Administração de Empresas da Escola de Engenharia Mauá poderia ter sido uma ótima. E era possível, foi exatamente naquele ano em que fiz o vestibular (foi conceito A em todos os as edições do provão, o que não prova nada, mas a desconhecida é uma das mais preparadas do mercado, no mundo a parte das conhecidas FEA, FGV - Acho que estaria no limite...). A FATEC, cujo vestibular fui aprovado, fico até certo ponto feliz de não ter cursado. Na hora das escolhas, fico feliz também de não ter caído em curso de humanas puro como publicidade, rádio e televisão, artes plásticas, entre outros (até o de filosofia ou sociologia, principalmente). Mas, a dúvida entre engenharia e arquitetura, hoje acho muito mais distante e não mais relevante. Vejo que a parte em que a engenharia me deixa feliz hoje, nada tem de engenharia e sim de administração.

outubro 05, 2007

Quase tudo quase sempre é quase nada...

De que adianta ser o primeiro se do primeiro ao septuagésimo quinto formarão a mesma turma? Claro que é bom, mas não serve efetivamente para muita coisa. O melhor mesmo é ser o setuagésimo sétimo. Com a desistência de duas pessoas a mesma oportunidade do primeiro também será sua. Não sei por que os limites sempre geram confusão. Imagine só estourar o cheque especial em quatro Reais. Como se fosse só os quatro que contaram... Parece como certa vez um professor reprovou uma aluna por 0,5 pontos. E ele falou que não era por 0,5 e sim por 5,5 ao termino da reclamação da aluna. Faz sentido. O que não faz sentido é que se existe um limite ele deve ser levado ao máximo. Uma outra vez um diretor financeiro falou que se a conta corrente da empresa esta negativa ou positiva, qualquer número diferente de zero, cabeças rolam. Imagine só então aqueles que me dizem que não conseguem ter cartão de crédito. Seriam cabeças roladas na certa se trabalhassem no setor financeiro. Uma simples continha de cartão, um limite, um prazo. Tudo na verdade é muito mais profundo que isso. Claro que falo de limites físicos, não emocionais. O pior é culpar uma sociedade por deixar as pessoas terem limites. Ela sempre é culpada: se não lhe dá o limite é reacionária, elitista, discriminadora. Se o limite é dado é para te fazer o mal, para te transformar num consumista, num comandado pelo sistema, num escravo do capitalismo.

Ao fazer um vestibular não se propõe a entrada dos melhores, mas aqueles que atingiram o limite mínimo dentro o máximo possível segundo uma faixa determinada. Traduzindo, dentro de um universo de 100% de acerto, os que acertaram um mínimo para não desclassificação, dentre estes os mais pontuados para completar a quantidade de vagas. Por isso o vestibular para medicina é muito mais difícil que o de publicidade, cujo número de candidatos por vaga é maior. Pois, sendo o estudante de medicina os que mais acertam, os limites de erro diminuem, tornando mais difícil a entrada.

Tudo parece tão fácil olhando assim, mas a única coisa que nunca muda está na lógica de que quem acerta mais sempre estará dentro do limite e quem erra estará fora. Logo quem erra ao gastar mal seu limite tende a ficar numa situação pior a aquele que não errou ao gastar, ou simplesmente não gastou. Por isso sempre existirá certo e errado. A idéia de quebrar certa lógica cria um mundo às avessas. Um mundo em que não se têm limites. Ao ler “Admirável Mundo Novo”, escrito por Aldous Huxley em 1931, podemos ver alguns desses exemplos de como seria um mundo sobre uma óptica em que os limites poderiam ser trocados e como a lógica deles também funcionam se observadas e seguidos os preceitos daquela nova era. O interessante é ler depois o restante da bibliografia de Huxley, como “A Ilha” ou “As Portas da Percepção”. È difícil dizer quem era Huxley, mas uma coisa fica parecendo: um filósofo que escrevia romance.

Nota de rodapé

“(...) Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido (...)”

Muros e Grades – Engenheiros do Hawaii (1991)

Você achou que em algum lugar eu não citaria Engenheiros? Um dia explico o porquê das citações deles. No dia que tiver a certeza de outra questão. Mais um texto está a caminho... Amanhã talvez. E este vai tocar na questão desta minha dúvida.

Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora

O SUPRASUMO DA CONTRADIÇÃO
Clichês inéditos
Déja vu nunca visto
Esquerda light
Diet indigestão
Jagunço hi-tech
Perua low profile
Cabelo vermelho Ferrari
Jóia rara para a multidão

(CONTRA A TRADIÇÃO: A CONTRADIÇÃO)
Overdose homeopática
Ode ao que se fode
Humildade
(com "H" maiúsculo e dourado)
Enfant terrible veterano
Calendário eterno
Fuso anti-horário
Luz difusa
Confusa explicação
Tara relax
Safe sex
Disneylândia dândi
(a grande guerra)
Pantanal new age
Bacanal cristão
Fanatismo indeciso
Fanática indecisão
Em resumo:
ET COETERA e tal...
(Trecho da música Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora – Engenheiros do Hawaii - 1992)

outubro 04, 2007

O futuro do...

Algum tempo atrás, para ser mais preciso dia 01 de agosto, fui ao lançamento dos livros “O Futuro do Pensamento Brasileiro” e “A Dialética Simbólica – Estudo Reunidos”, ambos de autoria do filósofo Olavo de Carvalho. No evento, muito bem montado pela editora É Realizações, teve pequena palestra do autor, por vídeo conferencia, onde expôs uma breve teoria das 4 etapas de aprendizado, sendo elas copista, compilador, expositor e autor.

Sua explicação foi muito interessante e foi ali que entendi um pouco do processo de aprendizagem, ao qual tento aplicar a respeito dos temas que trato aqui. Muitas vezes faço uma citação a alguma pessoa (por exemplo: Rodrigo Constantino ou as músicas dos Engenheiros do Hawaii), mas veja que uso as palavras para meus propósitos e normalmente retiradas do contexto original. Não se trata de copiar, mas só de mostrar a tal fonte. Elas são até dispensáveis, mais por uma questão de transparência estão lá. No fundo ainda estou na primeira etapa do processo. Existem alguns temas dos quais acho delicados demais para tratar aqui, mas quem sabe, aos poucos vou escrevendo. Mas veja que as fontes são sempre muito mais profundas que o apresentado. Seria como no trecho abaixo, de Graciliano Ramos:

“(...) Afirmava não ser difícil percorrermos um texto, aprendendo a essência e largando o pormenor. Isso me desagradava. São as minúcias que me prendem, fixo-me nelas, utilizo insignificâncias na demorada construção das minhas histórias. Aquele entendimento rápido, afeito a saltos vertiginosos e complicadas viagens, contrastava com as minhas pequenas habilidades que pezunhavam longas horas na redação de um período. Julguei Sérgio ausente de emoção, e isso me aterrou. Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício, acho medonho alguém viver sem paixões (...)” (Memórias do Cárcere).

Ou no texto de Arthur Schopenhauer:

“(...) Há uma profusão de pensamentos que têm valor para aquele que os pensam, mas apenas alguns poucos entre eles possuem a força para atuar por meio da repercussão ou da reflexão, ou seja, para conquistar o interesse do leitor depois de escritos. (...)

De qualquer forma, na verdade, só tem valor o que uma pessoa pensou, a principio, apenas para si mesma. Aliás, é possível dividir os pensadores entre aqueles que pensam a principio para si mesmos e aqueles que pensam de imediato para ou outros. (...)”
(A Arte de Escrever – Pensar por si mesmo).

Por isso venho escrevendo muita coisa de memória, para após isso tentar colocar em uma ordem para analisar os resultados. Que sorte a minha de não ser tão lido (mas quero manter os leitores que tenho!!!). E por não ser cobrado. Têm horas que fico até com receio, principalmente de errar. Mas é parte do processo.

Notas de Rodapé

Na segunda-feira, dia 01 de outubro, tratei de falar mais uma vez para o Daniel Piza sobre a idéia do Estado Mínimo, e desta feita foi engraçado. Um dia conto mais.

Mas sobre a briga antiga do antigo colaborador do site Mídia Sem Máscara, Rodrigo Constantino, com Olavo de Carvalho, achei inútil. Não levou a nada. Inclusive acho que os poucos que liam seu blog continuam os mesmos poucos. Nunca foram muitos. Mas foi no Mídia que conheci seus textos, assim como os de Norma Braga.

Pirataria

Lendo o Daniel Piza, na sua coluna deste domingo, tocou no assunto da pirataria de DVD e cd´s. O assunto chave, na verdade, nascera em seu blog, numa postagem sobre o filme Tropa de Elite, que eu não assisti. Sei lá se verei no cinema. Talvez. Se não espero anos para ver, não estou muito preocupado. Da mesma forma estou agindo com o resto: senão tenho dinheiro não compro, não leio, não escuto. Fazer o que? Comprar pirata é que não vou. Baixar da internet até poderia ser, mas nunca baixei filmes, não tenho paciência para o tempo necessário de download. O jeito é esperar ou não ver. Sinto em dizer, mas minha vida não vai mudar se não assistir ao filme, e nem o contrário. E, para não deixar de ser chato e repetitivo, vou citar outra música dos Engenheiros do Hawaii:

“(...) Todo mundo é eterno
Todo mundo é moderno
Como um calendário do ano passado
Como a coluna Prestes
As colunas do Niemeyer
Como a Holanda de 1974
Um símbolo sexual dos anos 60
Todo mundo é moderno
Todo mundo é eterno
O papa é moderno

O pop é eterno
Então,? Porque este medo de ficar prá trás
De não ser sempre mais
De nunca mais poder?(...)”

Nunca Mais Poder – (1990)

Para terminar, sou obrigado a dizer que não sou contra essa idéia de indústria cultural, mas às vezes a minha curiosidade perde em função ao meu perfil financeiro. Isso para não cair numa outra música de Humberto Gessinger:

“(...) [Eu pago os meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez]
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, me enganei outra vez (...)”

O Preço – (1996)

Na verdade eu tenho é que pensar em viver até uns 80, 90 anos e ter uma boa visão e saúde. Se não realmente não vai dar tempo mesmo de ver, escutar e ler tudo o que gostaria.

Nota de rodapé

Eu acho mesmo que cito demais Engenheiros do Hawaii, mas é para dar um charme (e ser chato mesmo). Mas podia ser pior, citar Legião Urbana, Roupa Nova, Fábio Junior... Às vezes fico na dúvida se eles leram Albert Camus... Talvez o Renato Russo ou o Lobão... O Humberto leu com certeza. Mas prefiro mesmo pensar o final da música da Blitz – “Você Não Soube Me Amar” – onde Evandro Mesquita fala ao final da faixa:

“(...) Nosso grupo sempre foi um grupo aberto. Nós nunca tivemos preconceitos, dogmas, Dobermanns, Dálmatas, Pointers, Sisters, Allmann, Brothers, nem Crosby, (...), nem Young... Talvez Lennon, não, McCartney... Talvez, quem sabe...”

outubro 03, 2007

Um pouco do começo do rock nacional

Lembrando do começo do rock nacional, me recordo de dois ícones da década de 1980: Roupa Nova e Rádio Táxi. Importante certa impressão que tenho sobre anos 1970 antes. Acho que nunca falei a respeito do que penso daquelas bandas nacionais dos anos 1970, mas para não me demorar muito, pouca coisa que se produziu naqueles anos chegou aos 1980 com a profundidade inicial. Diria que só o que era quase brega chegou. Vamos por partes. Mutantes: a carreira da “roqueira” Rita Lee nos anos 1980, com “Lança Perfume” e “Cor-de-rosa Choque” é realmente uma dúvida, recordando o que havia produzido com Os Mutantes. Mais pop do que isso impossível. Aqui é bom lembrar da diferença entre pop e popular. Da diferença entre Chico Buarque e Ivete Sangalo. Não é por um ser melhor que outra, não. Simplesmente seria como a música sertaneja de raiz e a música produzida pelas duplas sertanejas (do talvez “country pop Brazil”). Uma não desqualifica outra. Mas a herança desse novo modelo pop é base do sucesso tanto para Roupa Nova como Rádio Táxi.

Bom lembrar que Rádio Táxi nasceu nos anos 1970, mas seu sucesso com os hits “Garota Dourada”, ”Eva”, ou mesmo o tema de abertura de novela “Sanduíche de Coração” são o que foi de mais pop naqueles anos. Ao lado deles Roupa Nova, com uma base harmônica bastante interessante, também fizeram parte de trilhas de novela, como “Transas e Caretas” (1983), com “Whisky a Go-Go” e “Que Rei sou Eu?” (1989), com “Coração Pirata”. Se bem me lembro Roupa Nova teve o recorde de músicas em trilhas de novelas de todas as bandas e músicos brasileiros. Roupa Nova, também teve grandes sucessos como “Show de Rock´n Roll”, “Sapato Velho”, “Dona”, “Volta Para Mim” e “Seguindo no Trem Azul”. Tudo muito brega, praticamente como tudo nos anos 1980.

Diria que, da mesma forma que Ana Maria Bahiana separa a década de 1970 em duas partes (no seu bate-papo sobre seu livro, “Almanaque dos Anos 70”, no programa “Sempre um Papo” da TV Câmara), sendo a primeira até 1975/76, onde o pessimismo era geral em relação ao término do regime militar de exceção, e dos anos posteriores a 1976, já com vistas da abertura militar iniciada com a lei da anistia, eu separo a década de 1980 também em duas partes, sendo a primeira essa parte brega, com Roupa Nova e Rádio Táxi e resquícios dos anos 1970, como Pepeu Gomes, Raul Seixas e Rita Lee com a nova safra de bandas surgidas nos anos 1980, como Blitz, Paralamas do Sucesso, Titãs, Barão Vermelho, Legião Urbana e Capital Inicial (as duas oriundas da banda Aborto Elétrico), Engenheiros do Hawaii, Inimigos do Rei, Nenhum de Nós, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e a mais conhecida de todas: RPM. Diria que um momento também pode ter marcado muito esta década: o “Rock In Rio” de 1985. Foi ali que o Brasil realmente se abriu para o rock´n roll.

O que é interessante é ver de onde surgiram as bandas, as pessoas. Paulinho Mosca era dos Inimigos do Rei, hoje um dos candidatos à nova MPB. Nando Reis e Arnaldo Antunes foram dos Titãs e o atual baixista dos Titãs, Lee, era do Rádio Táxi. Wander Taffo, que fez uma curta carreira, com dois bons discos nos anos 1990, sem nenhum sucesso, era o guitarrista do Rádio Táxi. Paulo Ricardo, que dispensa maiores apresentações, já tentou refazer o RPM pelo menos duas vezes. Da mesma forma que hoje Engenheiros do Hawaii é sinônimo de Humberto Gessinger, Paulo Ricardo queria o mesmo para o RPM. Lobão foi baterista da Blitz, da qual também fez parte Fernanda Abreu (que até hoje me pergunto se sua participação foi vital para existência da Blitz). Lulu Santos, pelo que eu saiba, foi produtor e trabalhou na Som Livre. No fundo, nenhuma dessas bandas era como direi, iniciante. Já eram maduras quando chegaram ao sucesso. Se pensar em Titãs, os primeiros discos não tiveram o sucesso de “Cabeça Dinossauro”. Não por nada, acredito até que bandas de um único disco poderiam fazer um excelente trabalho. Mas acho muito difícil aparecer um gênio musical e ser identificado logo ao seu primeiro trabalho. Vejo por exemplo Marjorie Estiano, que participou de bandas de garagem em São Paulo, é hoje atriz, mas fez uma carreira como cantora e pode vir a despontar novamente (não acredito muito nisso). Fez recente participação especial no segundo DVD do Roupa Nova, cantando um tema de Rita Lee.

Bem, esse é um ponto também em comum das duas bandas: lançaram DVD´s lembrando seus sucessos passados. Roupa Nova, para ser ainda pior lançou um segundo DVD, este com participações especiais e tocando músicas de sucesso dos anos 1980, como “Flagra” e “Lança Perfume” de Rita Lee. Não sei qual sucesso atingiu o Rádio Táxi nesse retorno, porém ficam assim registrados que estes músicos todos não pararam, mas também não produziram mais sucessos como no passado. Pior ainda, quase caíram no completo esquecimento. Entendo que é realmente difícil uma banda ter uma longa vida de sucesso, mas Paralamas, Titãs e Engenheiros, só para ficar em alguns poucos exemplos, se reinventaram, o que não consigo ver nem no Rádio Táxi e nem no Roupa Nova.
O Roupa Nova às vezes me lembra Fábio Junior, com musicas de sucesso nos anos 1980, shows atualmente cheios, certa exposição na mídia, mas, sem um detalhe: um Fábio Junior à frente da banda. Só tenho a dizer que a eternidade dos Rolling Stones se deve muito ao fato de ter um frontman como Mick Jagger.

Um pouco de paciência

Ainda sobre o Rock Nacional, não é a primeira vez que me falam de bandas novas, mas como sempre eu não conheço. Não sei dizer se é minha paciência ou se realmente eu acabei me fechando e não consigo escutar nada em português sem fazer algum bloqueio.

No passado já não tinha muita paciência para bandas como Jota Quest, Detonaltas e nem muito menos para Charlie Brown Jr., nem O Rappa ou qualquer uma destas bandas. Uma das poucas que teve algum detalhe a mais foi Los Hermanos, que, na verdade, foi quase profissional, sabendo que eles tinham um repertório e uma legião de fãs que falava praticamente outra língua, dentro desse universo. Mesmo assim não os escutei com paciência. Teve certa moda com Mamonas Assassinas que até já falei algumas outras vezes aqui, principalmente quando falei de Cidade Negra. Não consigo visualizar ainda bandas novas. O que destaco são as vozes femininas que fazem uma música interessante. Cito a cantora Céu, Vanessa da Mata, Fernanda Porto e até a Luiza Possi. Mas onde foi parar o rock´n roll?

Para quem conhece um pouco de Engenheiros do Hawaii (um pouco, estou sendo irônico) sabe da existência de uma música chamada “Causa Mortis”. Na verdade esta música foi de um, digamos, projeto de Humberto Gessinger, chamado Humberto Gessinger Trio, de 1996. E é aquilo que me trás de volta a falar de Engenheiros. Da mesma forma, no disco “Sexo” (1987) do Ultraje a Rigor, tem uma música não cantada por Roger Moreira – “Prisioneiro” – e que tem um peso característico do hard rock daqueles anos. Estas surpresas são as melhores, sempre. E essa paciência que tive para eles no passado não tenho agora para as bandas novas. Não sei dizer, mas prefiro escutar o novo disco do Megadeth, ou mesmo o Radiohead (que para mim é uma dúvida a mais) do que tentar entender essas bandas novas.
E outra, que outro canal existe para escutá-las? Eu lembro que nos anos 1980 era só ligar o rádio. Agora me dizem que não tocam na televisão, não tocam no rádio, não tocam em lugar nenhum. Lembrando que não freqüento locais para ver bandas nascendo, me interessam aquelas que conseguiram passar esta barreira. Bandas talvez mais maduras. Aí fico sabendo que tenho eu que baixar seus arquivos de música na internet. Mas como vou saber que eles existem? O engraçado que bandas nórdicas, do mencionado por mim “metal melódico”, me chegam e são normalmente distribuídas por selos como a Nuclear Blast. Do que trata o selo do titã Charles Gavin? Ou seja, sem canais tenho que depender da minha paciência e da indicação de amigos para pensar em conhecer algo novo... Depois me dizem que a Vanessa Camargo é um sucesso montado pela mídia, lembrando do guitarrista que tocou com ela era nada mais, nada menos que Faísca, cujo disco “Nevoeiro”, perdido por emprestar para um amigo, nunca foi lançado ou editado novamente.

outubro 02, 2007

Rock Brasil

Existe algo que sempre me deixa desconfortável no tal rock Brasil, ou rock nacional, expressão que gosto mais. Não sei ao certo o que é. Por ser uma imitação, os músicos tendem a ser ruins, as gravações, as vozes, tudo ruim. Não sei se é implicância minha, mas tem horas que parece este cenário uma coleção de pessoas que nunca chegam lá. Tem as idéias e as executam a qualquer nota, até meio propositadamente. Um pouco punk. Mas isso, depois de 20 anos parece o fim da picada. Nesse aspecto que me ocorre elogiar mais um Kid Abelha, que tenta colocar seu lado pop, com arranjos etc. a um Lobão que parece só ter as idéias. Uma música que sempre está no limite entre a idéia, mais forte, e a música, quase um fundo, uma paisagem.

Não consigo olhar a falta de profundidade da música, ou os temas rápidos, sem criticá-los. Claro, há exceções, como na música do Irá! – “Envelheço na Cidade” – em que eu gosto do pequeno riff da introdução e da levada mais crua. Mas também noto que os grupos ao tentarem ousar, colocar mais elementos, como a própria banda já citada, em “Fores em Você”, da qual usa violinos e faz uma gravação de estúdio praticamente irreproduzível em shows. Levando em conta que Ira não é um dos grupos que eu posso dizer que gosto fico talvez nas tentativas de Humberto Gessinger multi-instrumentista, tocando guitarra, baixo e piano. Nenhum deles com elevada técnica. Mas dos Engenheiros do Hawaii posso classificar uma qualidade: o fato de serem eles mesmos e somente eles. Claro, estou me referindo à fase em que eram somente os três e que faziam os três tudo nos shows. A partir do momento em que Humberto simplesmente se transformou em sinônimo de Engenheiros do Hawaii, chamando um monte de músicos e com uma banda desconhecida, esta qualidade se perdeu. Mas, criaram em termos musicais alguns riffs, não somente letras e melodias. Citaria aquele de “Somos Quem Podemos Ser”, “Tribos & Tribunais” e “Exército de Um Homem Só”. Diga-se, acho o disco mais bem gravado deles o “O Papa é Pop” (1990), mesmo sendo o meu predileto “A Revolta dos Dândis” (1987). O que é interessante em termos de gravação são os discos dos Titãs. Posso dizer que em qualidade é a melhor banda gravada no estúdio. De toda a obra dos Titãs separo os discos “Cabeça Dinossauro” (1986) e “Jesus não tem Dentes nos País dos Banguelas” (1988). Nesses dois álbuns está o que de melhor o Titãs produziu. Cheguei a ver um show histórico, Titãs e Paralamas tocando juntos, com Marcelo Fromer e Herbert Vianna antes do acidente. Um riff muito forte dos Titãs é sem dúvida “Lugar Nenhum”. O que também gosto é do esquema de banda. Não sou fã dessas incursões de carreiras de solistas. Gosto mesmo de um grupo, cada um criando e "tudo ao mesmo tempo, agora”. Mas as bandas, como todo grupo, uns se destacam mais e tudo acaba, mais cedo ou mais tarde. Não posso deixar de falar do riff de “Como Eu Quero” do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens. Só iniciar aqueles sintetizadores e todo mundo sabe qual é a música.

O Kid é praticamente o meio termo entre uma banda e um solista. Hoje, analisando, Kid Abelha é praticamente sinônimo de Paula Toller, assim como já me referi a Humberto Gessinger. Posso dizer que Lobão e Lulu Santos sempre foram assim. Não gosto muito disso. Prefiro banda, como Ultraje a Rigor, por exemplo. Esta, um ícone do politicamente errado, eternizada por letras críticas e pelo bom humor. O pior são as defesas feitas pelos músicos. Ou melhor, pior mesmo é ver fã falando das bandas. Mas o que vale dizer que nos anos 1980 a diferença entre a MPB e o rock nacional tinha obrigatoriamente de ser evidenciada. Já nos anos 1990, Skank nem se deu ao trabalho de defender sua música, simplesmente toca. Não importando se é rock nacional ou se é MPB ou reggae. E sou obrigado a dizer que os arranjos dos discos do Skank são bem feitos. Essa diferença ficou mais esfumaçada e de certa forma isso deu resultados. O público se ampliou e, ao mesmo tempo, piorou. Tudo ficou mais popular, mais igual. Tudo soa um pouco igual, desde Sandy & Junior a KLB.

Os lados mais ligados à MPB das bandas se soltaram. Como em “Parabólica” dos Engenheiros do Hawaii ou mesmo o trabalho do ex-titã Nando Reis. E basicamente sou obrigado a dar razão ao Lulu Santos: o rock (o nacional) morreu mesmo. O problema ficou para quem gosta de rock e não tinha lá muita afinidade com a MPB. Acho que esso é o maior desconforto para quem gosta ou gostou de algumas dessas bandas do rock nacional. Como Humberto já havia falado em alguma entrevista, e eu concordo com ele, não gosto da idéia de usar a música como maneira de separar as pessoas. Mas as pessoas, mais preocupadas em separar o mundo em pedaços, gostam. Nessas horas, eu fico do lado de lá, junto com o rock´n roll... It´s only rock´n roll...

outubro 01, 2007

Hora da diversão III

Não acredito. Tem certas coisas que são realmente impossíveis de se ver e acreditar. A tal dança do Siri, criação da dupla Silvio e Vesgo, personagens do programa Pânico na TV, foi dançada quase ao mesmo tempo pelo governador José Serra, o prefeito Gilberto Kassab e pelo jogador Pelé. Nenhum deles se negou a falar com os repórteres. Olha, digo mais, o Galvão Bueno não foi tão simpático quanto os três citados acima. Pelo que entendi, o próximo passo é ver Lula dançando a dança do Siri. Essa eu quero ver e digo mais: eles estão entrando para a história da TV! Após a entrevista coletiva de Michael Schumacher, ano passado, os dois podem ser considerados mesmo um pânico para os novos rumos da televisão. Enquanto isso, eu rio... E rio muito. Vamos fazer o Lula dançar! Meus pensamentos voam longe!

Contemporâneo de Mim

Hoje fui ao lançamento do livro de Daniel Piza, “Contemporâneo de Mim”, na Livraria Cultura. O livro trata de dez anos da coluna “Sinopse”, atualmente editada aos domingos no jornal “O Estado de São Paulo”. O livro é uma coletânea de textos datados de 1996 a 2006, cujo conteúdo forma um bom panorama sobre o Brasil, o mundo, cultura e comportamento. Este é o décimo quatro livro de Daniel Piza. Além do bom pequeno bate-papo com Piza, tive a honra de falar uns minutos também com o arquiteto Isay Weinfeld, cujo livro que trata de sua obra, prevista segunda edição em breve, tem ensaio de Piza.

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...