setembro 11, 2008

09-11-2001

Se há algo que não sai do meu pensamento são os ataques de 11 de setembro de 2001. Muito já observei e li a respeito do assunto, mas nunca assisti a documentários e, claro, ao filme de Michael Moore. Michel Moore é algo que não me interessa. Algo como Al Gore. Algo que asseguro: não faz diferença. Se é para ter uma “visão crítica” do assunto, esta deveria no mínimo mostrar detalhes significativos e fatos. Bem, não vou entrar no mérito.

Mas gostaria de lembrar aqui o texto que publiquei ano passado sobre o tema: aqui.

setembro 10, 2008

Música do seu tempo...

Acho que nunca manifestei tal indignação a respeito da idéia do “homem o seu tempo”, ou “a frente do seu tempo”. Uma coisa é certa: algo que passa pelo tempo e consegue dialogar com outros tempos e com outros interlocutores é algo que merece ser lembrado e relembrado.

Uma idéia de música de nosso tempo é tão vazia que me deixa até aflito por não conseguir identificar o que se quer dizer com isso. A sensação de flash back é interessante, músicas dos anos 50, 60, 70, 80, 90, etc. Mas isso não significa que você tenha que ter gostado das ditas cujas na época em que eram tocadas (e nem muito menos gostar delas muito tempo depois).

Escrevo isso pensando nas músicas que agora já passam de dez anos, e eram trilhas do período de faculdade, porém mal sei eu quem as cantava. Lembro-me de pouca coisa, mas o que me chamou atenção foi a inclusão de uma música daquele período no segundo disco da cantora Maria Rita. Eu escutei, tentava lembrar e não menos que repentinamente lembrei do que se tratava. Estava ali o meu exemplo de “música do seu tempo”. Eu não escutava aquela banda que ela pode ter tido até influencia. Fico a pensar se me faltou “aquele” pedaço de tempo; se não o vivi ou o observei com o devido cuidado. Mas não; continuo a pensar da mesma forma como naquele tempo: música de protesto, sem fundo musical, sem estrutura; o que valem são as letras, ou melhor, o que as letras querem dizer; o despertar das consciências.

Mas para que se queria despertar? Volto aqui ao discurso furado das conscientizações de manada. Nessa hora penso no Zé Ramalho, me permitindo dizer que não gosto dele e nem de sua música, mas que ele sabe do que está falando sabe:

“Vocês que fazem parte dessa massa,
Que passa nos projetos, do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar, muito mais do que receber
E ter que demonstrar, sua coragem
A margem do que possa aparecer.
E ver que toda essa, engrenagem
Já sente a ferrugem, de comer.
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado e,
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado e,
Povo feliz (...)”


Admirável Gado Novo (1997) – Zé Ramalho

setembro 01, 2008

E setembro promete...

Previsto a ser lançado dia quinze de setembro, o segundo livro de Reinaldo Azevedo já tende a ser um novo best seller, não sei se igualado a “Lula é minha Anta”, de Diogo Mainardi, mas com certeza um dos livros mais aguardados para este segundo semestre.

O que me intriga é que não será um novo “Contra o Consenso”, mas um livro de analise política e no máximo sociológica brasileira. Vou sentir falta do lado cultural de “Contra...” É difícil ler num mesmo livro literatura, televisão, cinema e música pop. É um livro que guardo com bastante cuidado e que consulto regulamente, além de ser muito bem editado. Fala um pouco mais que o esperado de Graciliano Ramos, porém é uma fonte de conceito e de estilo.

Infelizmente não acho que “País dos Petralhas” venha a ser tão bom quanto “Contra o Consenso”, mas com certeza é bom ver materializado muitos dos textos incríveis que navegam em meio a notícias, comentários de notícias e comentários de freqüentadores. O que acho mais divertido no blog do Reinaldo Azevedo é que nunca se sabe que horas vai aparecer uma pérola de boa escrita e conceito para nortear a falta de rumo de muitos blogs, que na falta do que escrever apela à exposição de um perfil. Não que seja ruim a exposição desses perfis, mas eu não sei se quero eu ler estes perfis naquele momento. Penso que a exposição de perfis seja mais direta que a citação de alguém em meio a exposição de um pensamento, como já li em artigos de Olavo de Carvalho uma citação direta a Von Mises, assim como um ótimo texto a respeito de Victor Frankl, um perfil direto, como este publicado em Primeira Leitura.

Aliás, bem lembrado, quanto mais tempo passa, textos de Primeira Leitura pedem uma compilação em livro. Eis aí mais um bom projeto a ser tocado daqui a alguns anos. Não a toa, falar de Reinaldo Azevedo e lembrar de Primeira Leitura, já que boa parte dos textos de “Contra...” são publicações originais de Bravo! e Primeira Leitura. Na área mais cultural do blog do Reinaldo Azevedo está a seção Avesso do Avesso, onde especula em muito bom texto aspectos de cultura e comportamento. Bem, começar setembro já com a expectativa de um lançamento já bastante aguardado é dizer que setembro promete.
Gosto muito de fazer a primeira postagem do mês falando de um livro, como foi em setembro do ano passado a postagem do lançamento do livro dos arquitetos Mário Biselli e Artur Katchborian. Bem, se conseguir voltar a escrever como antes já vou estar me sentindo muito melhor.

agosto 30, 2008

Despedida de Agosto

Quase não ando escrevendo no blog. Falta de tempo e não de ter o que escrever. Já tive momentos mais empolgados com o blog e era empolgação de escrever tudo aquilo que estava a anos na mente e não tinha como expressar antes. Agora venho ponderando outros critérios e ando meio preocupado de escrever sobre política. Não sei que leis são estas que não se podem ter comícios e comunidades do orkut. Onde discutir política então? E por que os candidatos a vereador podem falar as maiores besteiras no horário político? Que lei é esta que não deixa uma comunidade fechada, como o orkut, funcionar e deixa um candidato falar que transporte público não precisa dar lucro? Estupidez a parte, esta eleição está sendo mais engraçada que a anterior, basta acompanhar o Fantástico após a eleição para ver os maiores micos e as campanhas mais engraçadas que ocorreram por todo o Brasil.

Bem, agosto é um mês bastante chato. Sempre achei. Um início de segundo semestre que nunca promete nada. Muito diferente de um Janeiro que dá a esperança de um novo ano todo pela frente. O que espero é que este ano acabe logo e que mudem as coisas de uma vez... Setembro promete!

Rumos da lei seca...

Sexta-feira à noite o bar próximo de casa quase vazio. Nunca havia visto aquele lugar com tão pouca gente. Uma garrafa de tequila entre amigos e algumas cervejas foi o saldo da noite. Muita preocupação com a nova “lei seca”. Como disse um amigo, com a lei seca parei... De dirigir. Na verdade não me preocupei com a lei em termos pessoais, afinal praticamente não bebo e como descrevi acima, moro num bairro bastante boêmio, não tendo a necessidade de circular com automóvel. O que me incomoda nesta lei é a falta de senso crítico do poder público, como se a lei fosse um problema e não a falta de fiscalização.

Para comprovar minha teoria, basta perguntar para algum amigo se este já fez o teste do bafômetro ou se conhece alguém que o tenha feito (obviamente antes da lei seca). É mais uma daquelas lendas urbanas, onde o amigo do amigo do primo talvez tivesse sido abordado com a tal fiscalização. Com essa fiscalização precária queriam que fosse qual o resultado? O pior é que agora a lei está mais rígida, dando a entender que aquele velho conhecido esquema de criar dificuldades para vender facilidades pode prosperar outra vez.

Bem, agora ao menos aos olhos da imprensa, apareceu alguma fiscalização. Vamos ver quanto tempo vai durar até aparecerem os primeiros casos de corrupção. E obviamente os números vão cair abruptamente, principalmente os do faturamento dos bares e restaurantes. Haverá uma breve pausa até retornar aos números que temos hoje, pois duvido muito que a fiscalização continue por muito tempo da forma como está.

O mais interessante é que o transporte público não atende as necessidades das pessoas que querem continuar a beber seus drinks. Há um tempo atrás os bares que não tinham estacionamento deveriam encerrar suas atividades às 11 da noite. Inventaram o tal “vallet park” e outra vez a lei não fez mais efeito. Como conter uma madrugada consagrada já internacionalmente como uma das melhores? E para que conter? Vamos é dar apoio técnico e fiscalização para que haja sim fomento das atividades. Muito melhor seria melhorar o transporte público e dar segurança a tentar acabar com a noite com este ato de origem fascista.

Mas é isso que dá viver por estas terras. Ao viver num país onde se combate o álcool e o tabaco e se dá tolerância ao uso e tráfico de drogas o que mais se poderia esperar? E não me venham com conversinhas sobre o “combate ao tráfico” se este não se vê nas ruas. Deve ser tão existente quanto os bafômetros, antes da lei seca...

Estamos em tempos onde é politicamente incorreto falar para um usuário de drogas que ele é um imbecil convicto. Igual ao consumidor de tabaco e álcool? Não. Moralmente um consumidor de tabaco não leva nas costas as mortes dos crimes do tráfico de drogas, que somam mais de cinqüenta mil ao ano (sabem quantas mortes ocorreram no Iraque no período inteiro da guerra? Ao comparar com as do tráfico de drogas no Brasil, o Iraque se torna mais seguro...). Só para ficar claro, já que estamos também num país onde quase se tem que desenhar as coisas para que o óbvio seja entendido, a fiscalização quanto ao motorista de veículo automotor alcoolizado tem que ser realmente dura e eficaz, mas não era necessária a mudança da lei para isso. A anterior já punia se tivesse sido aplicada com a devida fiscalização.

agosto 17, 2008

Eu a televisão... e a Olimpíada

Este poderia ser a o texto da falta da televisão na minha vida, mas é só um pequeno desabafo em forma de texto. Não vejo mais nada na televisão. Não vejo por pura falta de tempo. E o pior da falta de tempo é que no tempo livre não organizo as tarefas para conseguir assistir algo ou acompanhar alguma programação, ter alguma diversão (até mesmo escrever neste blog, meu único blog, diga-se). Não vejo nenhum programa nos últimos tempos. Para não dizer que estou exagerando, após a retirada dos canais extras da TV a cabo, consigo de vez em quando assistir aos seriados de “Dr. House” e “CSI”, na Rede Record. Mesmo assim perdendo muitas vezes.
Da Olimpíada então, até agora vi as medalhas nos milhares de reprises. Não sei os horários dos jogos e nada. Bem, eu já tinha a impressão que está seria como a minha segunda Olimpíada (Seul, 1988) que não vi praticamente nada, a não ser a medalha de Aurélio Miguel. Mas o que acho estranho que em Sydney (2000) assisti a muitos jogos e ficava nas madrugadas a assistir outros mais. Bem, Pequim não me interessa nem um pouco, principalmente em comparação à Austrália.
Com certeza essa olimpíada é a de Michael Phelps e torço muito para que ele ganhe as oito medalhas de ouro. Assim tem de ser. A individualidade esportiva e não medalhas por país. Assim é a diferença com Cuba e China. Estados Unidos tem Michael Phelps; Cuba tem quem mesmo? Não lembro de um atleta cubano, nem mesmo aquele boxeador que tentou desertar no Pan-americano, ano passado. Já imaginou um Pan-americano na Florida? Deserção total da equipe cubana... Não sobraria um atleta...
Bem, na China ninguém tentaria desertar. Por pior que seja em Cuba, acho que existe uma China pior ainda... O que achei maravilhoso foram os pronunciamentos de George W, Bush a respeito da China. Nenhum jornalista sério ou alguém com alguma inteligência seria capaz de dizer que desta vez Bush não acertou e na mosca.
Claro que seria ridículo um boicote de atletas para Pequim, afinal, a competição é muito mais importante que a tal valorização e exposição do país sede. Mas eu tenho lá muitas dúvidas sobre o porquê da escolha da China como sede. Bem, acho que a Fifa tem melhores critérios de escolha. Eu acho que Dubai seria uma escolha muito mais acertada. Fazer o que, não sou eu que descido... Bem, mas o importante é que o Banco Real dá dez dias no cheque especial e ponto final.

Pantanal...

O SBT acertou. Eu não apostava nada na reapresentação da novela Pantanal, produzida pela rede Manchete em 1990. São quase 20 anos que separam a apresentação original e parece ser a reapresentação outra vez um sucesso para o público alvo do SBT.
Assisti a alguns capítulos, sem lembrar de quase nada, a não ser o tal “velho do rio”, a Juma (Cristiana Oliveira em seu papel de maior repercussão até hoje) e as histórias engraçadas que praticamente parece caricatura hoje em dia. O que mais me impressionou foram os efeitos de fotografia, abusando do efeito de silhueta, e a trilha sonora de Almir Sater e Sérgio Reis. Alias Almir Sater é o personagem mais engraçado de tudo que pude rever. Não a acompanho, como atualmente não acompanho absolutamente nada (mas isso fica para outro texto...), mas para o público estar comentando significa que alguém ainda assiste ao SBT!
Não lembro direito qual a ultima vez que assisti à televisão de Silvio Santos, mas com certeza fazia muito tempo antes de dar esta espiada em “Pantanal”. E tenho uma advertência: pessoas xaropes andam assistindo e uma pessoa até me disse que é uma novela de cunho erótico! É. Isso mesmo: “cunho erótico”. Sabe-se lá o que essa pessoa xarope quis dizer... Mas com certeza aparecem algumas pessoas tomando banho de rio e, oh!!!, transando!!!
Mesmo depois de quase vinte anos ainda tem gente que critica as telenovelas como algo que estimula a libido e etc... Não sei se elas têm razão ou não, mas ao assistir a esta telenovela à primeira vez, tinha eu entre treze e quatorze anos de idade e não acho que na época tenho feito “estragos” a minha “mente”. Tanto o é que nem lembrava das personagens e da trama tinha pouquíssimas recordações. Diria que “Que Rei Sou Eu?”, trama o horário das sete horas, da Rede Globo, de 1989, traz muito mais recordações.
Eu acho até bastante interessante comparar a trama de “Pantanal” com novelas recentes, principalmente da rede Record, com seu “hiper-realismo”. Não defendo a novela, até por não saber qual conteúdo trará pela frente, mas dizer que é de “cunho erótico” é um exagero sem tamanho. Gostaria de acompanhar e ver coisas como garrafas de coca-cola de vidro, a falta de computadores, celulares e outras parafernálias eletrônicas. Sem contar os carros, que eram, segundo Collor de Mello, “carroças” naqueles tempos. Parece a fotografia ser de grande qualidade e se não me engano foi a única novela que não era da Globo a ficar na memória das pessoas. Não sei ainda avaliar como “Pantanal” entraria para um estudo sério de fenômeno televisivo, mas com certeza a menção e a reapresentação são fatos que já entraram para a história recente da televisão, a ser ainda analisada.

Previsão para o mito da fome mundial...

(Texto escrito em 02/08/2008)
Se eu fosse adepto da religião do apocalipse ecológico diria que o mundo vai morrer de fome. A população do terceiro mundo cresceria de forma alarmante e dominaria todas as áreas de florestas e não haveria mais supersafras, pois os latifúndios estariam todos destruídos pelas políticas econômicas populistas dos países de terceiro mundo. Mas como vemos em recentes reportagens a população mundial começa a estabilizar o crescimento e até o Brasil sente a redução no número de bebês por casais e o envelhecimento da população. O aumento da produção agrícola brasileira não para de crescer, mesmo sendo um dos pontos menos focados por todos os governos, pelo menos nas duas ultimas décadas.
Um anúncio de uma pesquisa bem sucedida como o álcool combustível brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, e suas críticas como sendo um os problemas da atual crise da alta dos preços de alimentos no mundo, são os indícios claros que existe uma total incapacidade de organismos como a ONU de interpretarem dados ou de tentar manipulá-los para servir interesses escusos e obscuros. Ao mesmo passo que se encontram novas reservas de petróleo no mundo, sendo estas muitas vezes maiores que as existentes e imaginadas nas décadas de 1970, fica parecendo que os “visionários” do apocalipse ecológico tiveram de mudar de discurso. O pior de tudo é que realmente vivemos num mundo muito mais poluído e as medidas que deveriam ser tomadas, nunca implantadas por completo, talvez não sejam mais eficazes.
Mas duas certezas se fazem completar, mesmo à contra gosto dos seguidores de seitas: o crescimento da população mundial está equilibrado e tende a se manter, nunca mais sendo duplicado, como ocorreu nas décadas de 1970 a 1990, e a produção de alimentos tende a ser cada vez maior. Nesse panorama as economias tendem a serem todas bem sucedidas. Uma África que deve terminar seus conflitos internos e integrar essa onda de economia global é algo que se verá no máximo até a próxima década. Assim como nos anos 1980 a América do Sul terminou muitos dos seus conflitos e estabilizou economias como a do Brasil e do Chile, isso deverá ocorrer com maior velocidade na África. Claro, a África que assinalar estar em consonância com economias de mercado e não com protecionismos e “doenças” econômicas. Na América do Sul poderia dizer que a Venezuela sofre um caso da “doença holandesa” e nesse aspecto é uma exceção à região. Se não fossem por presidentes populistas a região já estaria muito mais desenvolvida, economicamente falando. A mentalidade de não compreender a economia de mercado e facilitar os processos de desenvolvimento, mistificando efeitos com causas, faz, principalmente do Brasil, o eterno “gigante adormecido”.
É óbvio que isso é uma das inúmeras visões que se pode ter do Brasil, mas com certeza sua economia tende a se manter boa e cada vez mais forte, ao contrário de sua cultura, cada vez menos interessante aos próprios brasileiros. Este pequeno e breve texto trata de aspectos econômicos por um não economista, mas alguém com leitura de economia. Alguém que conhece um pouco da escola austríaca de economia e tem uma visão de que as coisas andam bem na economia mesmo todo o resto atrapalhando.
Sob todo este quadro, ainda bastante trucado, ainda tenho enorme dúvida se os planos previdenciários vão agüentar o envelhecimento dessa população se não forem aferidos os mecanismos de contribuição, inclusive a fiscal. O problema é que não vejo nenhuma previsão de mudanças no curto e médio prazo. O “gigante adormecido” vai continuar assim, se é que não some em meio aos pequenos anões acordados.
Pode parecer estranho falar sobre um mito da fome mundial enquanto temos tanta fome visível nos semáforos das ruas e avenidas e nos documentários alarmistas das ONGs internacionais. Mas o futuro é acabar com a fome mundial e de forma bem diferente da apregoada pelos governos populistas. O pior disso tudo é que hoje temos um mundo dividido em três, e nem podemos pensar que ainda são aquelas antigas definições de Primeiro ao Terceiro mundo... São três grupos, sendo um deles comprovadamente auto-destrutivo e outro que tenho dúvidas se não segue princípio semelhante. O grupo hostilizado pelos dois outros é por principio o contrário de tudo aquilo que lhe atribuem. A atribuição é obviamente proposital, pois ao se chamar um governante de “tirano”, sendo este eleito e reeleito, e ao terminar seu mandato deve passar o cargo a outro, também eleito, sem substituir constituições, sem destruir as instituições formais e democráticas já tradicionais, é a mais pura obra de desinformação em andamento nunca antes vista.
Nesse aspecto falar de um futuro sem fome parece até ato de suicídio intelectual, pois, afinal, quem se interessa em ter informações legítimas sobre um assunto tão perturbado pela mídia? Digo perturbado em todos os aspectos, pois a mesma mídia que critica as ações consideradas “politicamente incorretas”, elogia os resultados obtidos com as mesmas ações. Basta um pouco de inteligência para ver a total falta de lógica nos panfletos existentes, onde o que realmente interessa são as verbas e interesses outros, nunca a real informação.

julho 09, 2008

Isso que é protesto!

Foto: Andrea Comas/Reuters by G1 de 09/07/2008

Bem, eu nem sei por que ainda usam peles de urso para fazer este chapéu ridículo. Por puro enfeite, qualquer pelúcia servia. Mas os manifestantes têm o direito de ir lá e protestar. E de biquíni! Afinal, se não fosse pelo biquíni eu nem teria prestado atenção ao fato.

Passados tantos anos, os peladões ainda chocam a sociedade. Será mesmo? Eu vejo é muita graça neles. Por mim podiam andar peladas o dia todo. Quero ver é agüentar o inverno de Madrid, local dessa manifestação. Essas coisas de chocar a sociedade é uma ação bastante covarde, digamos. Chocam somente as pessoas indefesas: as crianças e os velhinhos. As crianças ainda se divertem, entendendo que aquilo não é bem assim. Mas os velhos são de outra geração, a maioria vítima inconsciente dos manifestantes. Para os velhos moralistas que tem um espírito autoritário (diga-se, uma minoria) não vão ser só os peladões a provocá-los. Qualquer coisa é motivo de provocação. É o modelo clássico do velho ranzinza.

Lembro de uma senhora, nem tão velha, que me dizia em tom de mulher chocada que achava um absurdo um homem fazer uso de cabelos longos, como era o meu à época desse fato. Falou que pelou sua neta, cortando ela mesma os cabelos compridos, pois era até falta de higiene. Imaginei a neta, sendo vítima dessa avó autoritária. Se fosse ainda uma tatuagem, que é um tanto eterna, eu até poderia dizer que a avó tinha um pouco de razão, mas com madeixas de cabelo? Credo, que pessoa sem noção. Tinha dezesseis anos de idade na época e não lembro nem de meu pai ou minha mãe falando algo a respeito. Viam os discos, as revistas, diziam somente que detestavam Sepultura e que Metallica era muito barulhento. Achavam as letras dos Ramones interessantes e nada de mais. Sabiam que era algo de momento. Talvez errassem na quantidade de tempo, afinal foram quase dez anos de cabeleira (1992-1999), mas não erraram que era passageiro.

Dos cabelos longos e idéias imaturas a cabelos de acordo com a “convenção de Genebra” e a identificação e rejeição de idéias que compõe o ideário da “Nova Ordem Mundial” foram muito mais de quinze anos e outros tantos para começar a reagir às muitas armadilhas que ainda existem nesse contexto conturbado dos “tempos modernos”. E então onde ficam esses manifestantes no meio disso tudo?

Bem, eu acho que existem discursos e mais discursos. E eles optaram por um. De livres pensadores passaram a militantes de causas. É uma causa nobre? Matar um urso para fazer chapéu é idiota. Salvar os ursos dessa idiotice não é nobre. É uma questão de lógica racional. Mas será que é necessário usar biquíni na frente da embaixada para isso? Isso me lembre um grande fotografo que disse que o Photoshop foi uma invenção ecológica, afinal não mais se usavam químicas para revelações. Isso é fazer acontecer. Isso é ser consciente. O resto é “armazém de secos e molhados”.
Mas sou obrigado a dizer que se a manifestante não fosse uma bela jovem até eu ia protestar contra eles! Onde já se viu, colocar uma bunda caída na frente da embaixada da Inglaterra?

Sistemas arquitetônicos

Sistemas Arquitectónicos Contemporáneos - Josep Maria Montaner (2008).
Neste novo livro de Josep Maria Montaner apresenta como “sistema arquitetônico” a relação dos edifícios, do espaço construído com o espaço público e da inserção de novos projetos. Já li muita coisa sobre Montaner, até hoje não sei sua opinião política, o que não consigo dizer se é bom ou ruim. Mas de uma coisa eu posso ter certeza: que ele tem amplo conhecimento dos seus temas. Em seus outros livros, “Depois do Movimento Moderno”, “Arquitetura e Crítica” e “A Modernidade Superada”, podemos ter uma ampla gama de conceitos para interpretar onde começou a crítica ao movimento moderno. È uma reação clara a dois outros livros que tratam de exaltar o movimento moderno em suas “matrizes originais” que são “Quando o moderno não era um Estilo e sim uma Causa”, de Anatole Kopp, e “Espaço, Tempo e Arquitetura” de Sigfried Giedion. Não que estes livros sejam “ruins”, mas não ousavam ir além de defender o movimento moderno. Os dois autores, Giedion e Kopp, eram ligados aos CIAM´s e bem por isso ao início do movimento moderno. Montaner é contemporâneo, posterior a Leonardo Benévolo, que foi de grande contribuição à reflexão sobre o movimento moderno. Mas ao início de um novo século, os escritos de Montaner são mais interessantes aos de Benévolo. Não pude ir à Bienal de Arquitetura de São Paulo no ano passado (2007) assistir à palestra de Montaner, onde muito provavelmente pode ter se referido ao tema desde seu mais novo livro. Tinha até uma enorme vontade, mas uma enorme falta de organização naquele momento. Bem, sem ter lido mais do que umas 30 páginas desse livro não conseguiria ir mais longe, mas bem que a edição poderia ter um preço mais acessível.

Eu gosto de elogios...

Diálogo:

- Sabe, desde que montei o blog tive muitos elogios... Muitos mesmo, e aqueles também inofensivos. Iguais aos que posto em blogs sobre algum assunto exclusivo.

- Sim, mas e as críticas?

- Sim, tive algumas críticas. A pior de todas numa postagem minúscula sobre a revista Atlântico. E nem tinha notado o trocadilho torto que tinha feito. Só mesmo depois das críticas.

- Que coisa. Mas, qual assunto foi mais comentado?

- O assunto que menos falei: religião. Era um assunto que estaria fora das minhas postagens na idéia de fazer o blog.

- Por que estaria fora? Se escreve sobre filosofia, política, e outros tantos, por que deixar de fora a religião?

- É um assunto que não domino. É o que tenho mais dificuldade em escrever mesmo. Aliás, não escrevo sobre filosofia. Seria comportamento e cultura. Muitas vezes soa como filosofia, mas não é. Ou seria por estar no meio de tudo?

- É, mas é classificado como um blog de arquitetura.

- No começo era o assunto mais recorrente, obviamente. Mas depois que comecei a falar sobre televisão, comecei a pegar gosto por escrever sobre temas mais cotidianos. Mais narrativos.

- Mas se fosse mais especializado não teria mais leitores?

- Sim, teria. Mas para quê? Quando vejo blogs de arquitetura são repetitivos, seria mais um e com certeza um daqueles vitimados pela “Al Qaeda Eletrônica”.

-Por que diz isso?

- Já imaginou ler num blog especializado em arquitetura uma opinião de que Lina Bo Bardi é a grande introdutora do pós-modernismo em terras tupiniquins?

- Como assim?

- Sim. Existe um livro de Josep Maria Montaner em que expõe a idéia de que a arquitetura de vanguarda de arquitetos como Lina Bo, no Brasil, Jorn Utzon, com seu projeto para a ópera de Sydney, eram já a reflexão que o modernismo pedia. Mas fazer o que, ninguém lê nem o Artigas, imagina esperar lerem Montaner ou Sola-Morales.

- Pois é. É duro falar de cultura nesse país. Bem que faz de escrever sem foco. Assim recebe os elogios que interessam e uma quantidade pequena de críticas dos tais “fundamentalistas”.

- É. Na verdade sigo o conselho de um mestre.

- Ahhh sabia... Como sempre há muito mais informações e continua sempre a surpreender seus amigos!
- Não faço de propósito. Mas também há um método. Por isso as postagens são tão oscilantes.

- Quem me dera um dia chegar lá...

- Bem, tenho que ir agora.
- Até mais.

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...