fevereiro 03, 2008

Born to be Wild

Get your motor runnin'
Head out on the highway
Lookin' for adventure
And whatever comes our way
Yeah Darlin' go make it happen
Take the world in a love embrace
Fire all of your guns at once
And explode into space
I like smoke and lightning
Heavy metal thunder
Racin' with the wind
And the feelin' that I'm under
Yeah Darlin' go make it happen
Take the world in a love embrace
Fire all of your guns at once
And explode into space
(...)”

Born to be Wild – Mars Bonfire (1968)

Nos dois textos anteriores, que este tenta complementar, falava de uma revolta sobre não conseguir estudar tudo, a tempo de expor as idéias. Isso lembra um pouco sobre Arthur Schopenhauer, que desenvolveu um sistema filosófico ainda muito jovem e por toda sua vida escreveu sobre ele, complementando-o. É um sistema que respondia uma parcela de suas dúvidas filosóficas. Existem duas formas de um filosofo se concentrar: é fazendo por toda sua vida um estudo e quando chega à maturidade mostra um sistema filosófico mais apurado, onde as hipóteses estejam em profunda concordância com a experiência do filosofo; ou razoavelmente jovem, apresentando parte do que seria um sistema completo, sendo complementado posteriormente. No Brasil existe uma terceira forma, que é o “especialista” em outro filosofo. Uma pessoa que escreve sobre o sistema filosófico de outro. Sim, é estranho... Mas acontece. É novamente aquela situação de “realidades”. Ainda voltando a Schopenhauer, talvez isto explique a maior influência sobre escritores, como Thomas Mann, a outros filósofos.

Na arquitetura acontece um caso mais exótico: alguns urbanistas desprezam a construção arquitetônica; como se fosse possível uma cidade sem a construção arquitetônica. São pessoas presas a números e índices. Talvez seja por isso que o urbanismo no Brasil passe por certa crise. E não responde nem a crise dos anos pós-guerra, que era a dos “números”, do déficit habitacional, e nem da crise dos “indivíduos”, que é a da questão da qualidade ambiental das construções.

Muito do que hoje é considerado cult vem principalmente dos anos 1960. Foram anos, digamos, revolucionários. O que mais intriga, que além, claro, da música, que teve uma grande influencia, principalmente pela música pop (desde Elvis, anos 1950, a Beatles, anos 1960), muito do pensamento filosófico e da música erudita não teve expoentes significativos como até os anos 1950. No Brasil isso foi até mais grave. E hoje temos um sistema acadêmico e não mais um centro de excelência de estudos. Um norte que poderia ser a universidade vem desde os anos 1960 perdendo importância. Um pouco disso tem a ver com o comportamento “mais livre” que se tomou desde então. Por isso ilustrar essa terceira parte com “Born to be Wild” é interessante. Pois mostra um lugar para a aventura, para a liberdade. Muito daqueles anos 1960 e 1970.

Esta música foi tema do filme Easy Rider, e praticamente foi a primeira vez que surgiu a expressão “heavy metal”. De certo modo formaliza uma terceira via de pensamento. Um pouco de “sociedade alternativa” mais um tanto de liberdade de escolhas. De uma forma um pouco diferente, é a maneira como se pode viver alternativamente. Isso serve para um publicitário, um arquiteto, um jornalista, um artista gráfico, um escritor. Não é nem o caminho dos acadêmicos e nem o caminho da carreira executiva. Muito disso se pode notar com quem trabalha com televisão. A idéia é ser descolado e trazer temáticas interessantes para a tela, sem cair no academicismo chato. Mas é importante destacar que se produz cultura, e de qualidade. Porém qual o meio de qualificá-la? Tendo uma academia que acha a televisão “muito burra, burra demais”, que em nenhum momento ajuda a encontrar um caminho da qualidade, nos resta “acreditar” em algum “selvagem” (born to be wild) que produza algo que nos desperte. O maior problema disso é dar igual valor a coisas que não têm mesmo valor. Numa palestra com Arnaldo Jabor, em dezembro de 2006, na livraria Saraiva do Shopping Morumbi, ele destacou essa idéia da indústria cultural, que coloca na mesma prateleira coisas que tem valores completamente diferentes. A indústria cultural não é ruim, na sua visão, mas que é necessário dar cultura para saber separar o joio do trigo.

Um comentário:

João Batista disse...

A televisão está ótima. Se fosse melhor e eu tivesse que assistir aí é que não encontraria tempo para fazer coisas mais importantes mesmo. Muito ingrata essa gente da academia. A coitada da TV reproduz tudo que eles dizem, os convidam sempre para falar em seus programas e reportagens e jamais deixam de fazer propaganda política a seu favor. É. Realmente. Eles estão certos: a TV é burra demais.

Os três textos

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