Uma fila de livros...

Que tal dizer quais livros estão na fila das minhas próximas leituras?

Acontece sempre que ao terminar um livro, de ensaio, aparecem ao menos mais uma dezena de outros autores correlacionados. É uma seqüência sem fim...

Bem, mas atualmente estou me divertindo com um livro. “Exército de um homem só”, de Moacyr Scliar, é, como diz na orelha, “(...) uma das peças de ficção mais importantes produzidas na década de 70”. Conforme soube pelo próprio Moacyr, todos seus livros incorporam o humor na literatura. Já deveria ter terminado o livro, mas com minha atual atividade, ando lendo nem 10 páginas dele por dia. Mas o interessante é a capacidade do autor de colocar tantos detalhes em tão poucas páginas. Estou gostando muito e rindo também de várias das passagens.

Bem, na fila está uma coletânea de ensaios de George Orwell, “Por Dentro da Baleia”, que parei para ler um livro de Viktor Frankl, que acabei não lendo também por completo. Na fila tenho o livro do jornalista William Waack, “Camaradas – Nos arquivos de Moscou”, e o livro de Geneton Moraes Neto, “Dossiê Moscou”. Os dois têm uma raiz comum, mas as temáticas são de abordagens completamente diferentes.

Ainda na fila, tenho que terminar de fazer as notas de “Ideais Traídos”, de Sylvio Frota, além de tentar comprar em algum lugar o “Dossiê Geisel”, que anda esgotado nas livrarias. Mas se não consigo terminar os que estão ao meu alcance imagina falar dos livros que ainda não comprei. Para estes tenho já uma outra fila, ou melhor, planejamento para comprá-los. Entre eles estariam “Sobre o Islã”, de Ali Kamel, “A Lanterna na Popa”, de Roberto Campos, “Camus e Sartre – O fim de uma amizade no pós-guerra”, de Ronald Aronson, entre outros. Como sempre, temas variados.

Sobre a arquitetura, tenho tentado manter as leituras direcionadas ao meu tema de trabalho. Muitas coisas eu adoraria ter mais tempo para ler, como um livro de textos sobre o modernismo brasileiro que tenho aqui comigo, dos quais já li alguns. Tenho grande vontade de saber mais sobre os tratados de arquitetura de Vitruvius, além de um livro do arquiteto suíço Peter Zumthor.

O mais interessante que costumo encontrar muitas referencias a outros livros que não são de arquitetura nos livros de arquitetura. Isso é muito compreensível. A mais interessante de todas as referencia anda sendo Ortega y Gasset, que escreveu muitos ensaios sobre estética.

Ler costuma ser passa-tempo para alguns. Informação para outros e tudo isso e mais um pouco para uns poucos. E há ainda aqueles que se preocupam em não escutar música e não assistir TV para dizer que são “leitores”. Outro dia alguém me perguntou sobre o Big Brother. Não sabia o que dizer, já que não acompanhei em nada esta oitava edição do programa. Para ser mais exato, nunca acompanhei o programa. Vi muitos “paredões” e edições dos primeiros junto com amigos, mas nunca me interessei pelo programa. E não recrimino quem se interessou. Pode-se fazer uma boa análise dos participantes. Uma análise sociológica, psicológica e até sobre o marketing e a edição da TV Globo. Lembro de uma entrevista da apresentadora de televisão Márcia Goldschmidt, na qual dizia ser simplesmente uma janela, pois a paisagem que exibia em seu programa era existente. De certa forma o Big Brother tem muito disso. Se a tal edição valoriza ou desqualifica os personagens ali sendo apresentados aos poucos são outros aspectos a serem discutidos, mas em termos técnicos a edição do programa é bem feita.

Mas voltando aos livros, entendo muito bem que sem eles não há como realmente entender certos mecanismos do mundo atual. Mas a questão mais correta é quem realmente quer entender os mecanismos do mundo atual. Existe certo perfil, que li em texto de George Orwell, mas que não entendia até começar a questionar o tipo de leitura que as pessoas fazem de maneira geral. Este perfil é formado por pessoas que consomem os livros lançados no momento. Não se importam muito com o que lêem. Seja algum passa-tempo, o livro de fácil leitura; seria o “easy reading”, parafraseando o método musical (ou seria estilo?) do “easy listening”. Estão nesse meio muitos autores considerados de média qualidade, aqueles “vendedores de livros”. A dúvida é sempre se um leitor desses livros um dia chegará a ler os “clássicos”. E a resposta continua sendo não. Não existe uma “escada” a subir pela leitura. Ou seja, o incentivo a leitura tem também um lado mais específico. E existem horas e horas para ler certas coisas. Não adianta tentar ler um complexo e longo livro no metrô ou no ônibus, como “Ulisses”, de James Joyce, ou “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski. Assim como num momento mais propicio nada melhor que tentar encarar um dos clássicos, quando, por exemplo, em férias ou num final de semana de descanso.

São nessas horas que vejo que uma cultura não caminha. No Brasil do século XIX tenho a desconfiança que se liam muito mais os clássicos que atualmente. Isso levando em conta o número total de alfabetizados em relação à hoje. Mesmo nas escolas se tem a impressão que estudos dos clássicos são sempre chatos. Parece que o esforço está sendo substituído pela propaganda. Ou seja, agora que existem megastores, o acesso aos livros se torna cada vez mais fácil, se lê mais, mas a qualidade do que é lido é duvidosa.

Da mesma forma que a música passou a ser muito mais acessível, com o advento dos aparelhos de mp3 portáteis, a qualidade da música produzida também não mudou e ocorreu um novo problema: a forma anterior de se distribuir música parece fadada a desaparecer, enquanto o livro impresso parece ter uma longa sobrevida.

No período da faculdade lembro de colegas de outros cursos (pois os alunos do curso de arquitetura sempre tiveram muito gosto pela compra dos livros, que muitas vezes são extremamente caros, por serem importados e as publicações constarem de muitas fotos coloridas) da dúvida de comprar o livro ou tirar uma fotocópia. O livro é relativamente caro no Brasil, mas existe um perfil de estudante (nas faculdades) que prefere gastar noutro tipo de atividade ao invés de comprar os livros. E também existe um perfil de professor que pede o livro para uso de um único capítulo, o que demandaria talvez a confecção de uma apostila ou outra forma mais propícia didaticamente. Os dois erram. Mas fazer o que? Em muitas disciplinas das faculdades professores enganam que ensinam e alunos enganam que aprendem...

Garanto a você que pouca gente sente falta de uma biblioteca pública. Uma biblioteca onde se emprestam os livros. Isso parece hoje uma coisa do passado. Muito me agradava ficar na biblioteca da faculdade (na de arquitetura). No geral eu via pouca gente emprestando constantemente algum livro ou revista. As pessoas eram bem direcionadas. Pegavam exatamente o que era para um trabalho e mais nada. E depois reclamam que tinham poucos exemplares dos livros... Daqueles três que resolveram pegar na biblioteca durante todo o curso. O que mais eu gostava na biblioteca eram os livros importados. Isso sem dúvida nenhuma é uma das melhores coisas de uma biblioteca pública. E a pior coisa são os ácaros, já que poucas bibliotecas têm um bom projeto arquitetônico. Quando estava cursando o segundo grau passei muitas tardes no Centro Cultural de São Paulo, mas nenhuma vez fui à biblioteca Mário de Andrade. Existia algo de cult naqueles passeios, mas garanto que foram melhores que muitas outras formas de se “perder tempo”. Pode-se perder muito tempo lendo também. George Orwell dizia até que muitos livros não deveriam ter sido escritos e que outros poderiam ser bem menores. Para se concordar com isso basta ver quantos livros foram “ruins” de ler, mas eram “bons” de crítica...
Voltando a fila dos livros, eu costumo mesmo ler dois ou três títulos ao mesmo tempo. Para ser mais exato é começar um sem terminar o outro. Ultimamente venho constatando o fato de se lançarem muitas coletâneas de textos, o que não acho ruim, já que com o tempo tudo fica meio dispenso e essa reunião ajuda muito a trabalhar os textos de ensaio. Em suma, se estou lendo um romance que necessita de muita atenção, este fica para as noites ou para os finais de semana, enquanto no ônibus ou no metrô prefiro estas coletâneas de textos. Um que estou lendo no momento é “Lula é minha anta”, escrito por Diogo Mainardi, que não passa da reunião de textos de sua coluna semanal na revista Veja. Mas estes em especial tratam do momento político entre os anos de 2005 a 2007. Sua importância com o tempo será ainda maior. Fico no aguardo do lançamento de “O País dos Petralhas”, próximo livro de Reinaldo Azevedo. Pelo que adiantou em seu blog, trata-se de uma coletânea de textos também, assim como é “Contra o Consenso”, seu primeiro livro, por sinal muito bom. O que se pode avaliar pelas minhas atuais leituras é que tenho variado entre textos antigos e textos novos. Um equilíbrio bom sob este aspecto, mas tenho lido pouca ficção e muitos mais ensaios, o que não sei se é tão bom. Mais uma dúvida para meu longo caminho...

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