janeiro 14, 2008

São Paulo o espetáculo das múltiplas visões...

São Paulo, mito da metrópole global. Um mito, mesmo. Eu acredito. Em nem um momento sequer acredito ser São Paulo aquela misto de “globalismo” e de “pluriculturalismo” que muitos entusiastas têm da maior cidade brasileira. Tem bons restaurantes de muitas cozinhas, muitos locais de valor histórico e mais que tudo, uma vida pulsante. Mas isso não significa ser global em hipótese alguma. No fundo é uma cidade que vive uma decadência enorme. Uma destruição da sua história e da sua personalidade, criando um grande lugar sem nome. E alguém acha que não ter mais identidade significa ser global. As poucas identidades, das ruas, bairros e avenidas, São Paulo não passa mais do que uma caricatura do que foi no passado. Claro que as muitas visões diferenciadas fazem parecer de tudo uma cidade com uma alma tão grande que possa projetar-se na idéia de um mapinha mundial. Sem falar de nenhuma outra cidade, mostro-lhes que a São Paulo que todos clamam é aquela que fica 80% na área central, ou central expandida, entenda-se como Avenida Paulista. Ali está a cidade. Muitas pessoas moram ali naquele trecho, mas, mais que tudo, muito mais pessoas trabalham ali. E esse fluxo intenso é a tal maravilha da metrópole que não dorme. Nada de mais óbvio tudo acontecer por ali. Desde “Reveilllon na Paulista” como qualquer passeata ou até mesmo a corrida de São Silvestre passa por ali. Um centro com força, mas muito mal conservado.

Culturalmente hoje se acredita que preservando aqueles fragmentos que a cidade do concreto não conseguiu apagar é a “herança cultural”. É quase hipócrita. Mas não é por isso que não se deva conservar, mas tem-se que ter também bom senso para não valorizar a moldura e deixar o quadro se estragar... De que adianta uma bela praça para um monte de mendigos? Seus bancos se tornam é um bom beliche... As praças deveriam seguir a idéia original da cidade colonial, sendo a praça o local de vida social e não um monte de matinhos em meio a umas árvores com meio caule pintado de cal e um chão de terra batida com algum lixo. Falam da falta de verde na cidade e nem sequer fazem o esforço de tentar arborizar as ruas e avenidas de uma forma passível de uso (basta ver o canteiro central da Avenida 23 de maio, onde ninguém consegue chegar... é uma visão para quem está nos carros e ônibus). Tudo parece ser um discurso ditado por alguma moda. No fundo parece que os paulistas querem mesmo é uma casa com tudo ao seu redor (um shopping, um mercado, lojas, etc.) e não uma cidade de setores, como o atual urbanismo fez a cidade se moldar. Aqui é residencial, aqui comercial, aqui industrial, etc... A idéia tão boa dos antigos bairros com as casinhas e as lojinhas intercaladas com a praça simplesmente morreu e com ele as identidades dos bairros. O que era pitoresco virou algo de “massa”. Sem perspectivas, sem vazios, sem valor.

Ao se deparar com caminhos antigos e as perspectivas criadas por estes, parece estar se mostrando uma cidade nova. Aquela cidade que clamam ser a verdadeira São Paulo. Uma dessas visões é o Viaduto do Chá. Sua passagem por cima do Vale do Anhangabaú. Outra poderia ser o percurso pela Avenida Paulista. Ver a cidade do MASP. Este museu que esteve a pouco nas páginas dos jornais devido ao roubo de dois quadros de seu acervo. Um museu que vive um momento ruim. E não poderia ser diferente. A São Paulo que é o MASP não é a São Paulo real. É duro admitir isso, mas São Paulo não é uma cidade culta. Não é uma cidade de pessoas cultas. Não é uma cidade cultural. O MASP é exemplar nisso. Como pode, com o acervo que têm ser um museu sem lá grande visitação? Não são poucas as pessoas que nunca entraram lá (e que trabalham na região da Paulista). E sem contar que além do MASP, só na Paulista deve haver outros montes de pequenos “centros culturais”. No centro então, tudo que não tem função vira centro cultural (se não prédio abandonado). Não é ruim isso, mas também não agrega lá grande feito pela cultura da cidade. A pulsação da cidade é outra. É uma cidade de negócios. E cada vez mais perdendo seu espaço de negócios de mercadorias para serviços. E isso é ruim, uma vez que serviços com novas tecnologias fazem desaparecer pólos. Um exemplo é o tele marketing, que te atente em qualquer lugar do Brasil, de qualquer lugar do Brasil... Enganos são aqueles de achar que os serviços podem se manter longe das manufaturas... O tal termo “potencialidades” é tão subjetivo quanto “serviços”. São Paulo se tornou importante com o café, entre 1890 e 1930. Manteve-se com a industrialização e a manutenção de sedes executivas de empresas e mais que tudo como centro financeiro. Mas nunca deixou de ser centro comercial. Ao passo que o centro comercial vai perdendo espaço, certos serviços também deixam de estar presentes.

O pior disso tudo é a intromissão governamental para “fomentar potencialidades”. Uma dessas obras de fomento fez uma parte do centro simplesmente ficar mais morta ainda: Parque D. Pedro II. E morta não no sentido de não ter gente passando, mas o tipo de gente que agrega ao seu redor. Assim como o desastre da área da Luz, onde se acreditou que restaurando os edifícios o entorno se renovaria naturalmente. Quase 30 anos de abandono não se reverte com um prédio caro para grupos restritos. Basta ver que tipo de gente freqüenta a Sala São Paulo. Garanto: a maioria do público estaciona seu carro no estacionamento e paga o valor dos ingressos, que se somados ao longo do ano não deve pagar nem o salários dos faxineiros. Um bom dinheiro público para fomentar a cultura universal... De alguns poucos... Não acho, de maneira alguma, que se deva acabar com a orquestra; mas ela deve ser viável. Assim como o MASP. O duro é ter que agüentar a “democratização” da cultura para um grupo pequeno, que se diz grande, como a cidade. Ou melhor, um grupo que quer “de graça” aquilo que todos pagam inclusive os que nunca poderão usufruir dela. Para estes sobra somente as multiplas visões que a cidade oferece. De graça.

janeiro 13, 2008

O Fernando

Estava lendo a entrevista de Fernando Henrique Cardoso ao jornal “O Estado de São Paulo” (aqui). Em meio a algumas coisas que discordo dele, tenho que pontuar pelo menos dois trechos que são importantíssimos. Um primeiro é relacionado à postagem que fiz a pouco, falando de John McCain:

OESP: Qual é a sua opinião sobre Obama?

FHC: Só o vi falando uma vez. É um rapaz brilhante. Jovem, boa aparência, avançando nos Estados "brancos". Mas, se ele for candidato contra o (republicano John) McCain, não sei se leva. Porque poderá haver um refluxo no ímpeto de mudança da sociedade. E o McCain não é um reacionário, tem ficha limpa.

E o segundo trecho se refere ao entendimento sobre o conceito de democracia:

OESP: E essa voga de consultas populares e plebiscitos?

FHC: É uma confusão. Plebiscito é aplicável sob circunstâncias muito bem definidas. Fora disso, dá margem a manipulações. Que fique claro: democracia implica algum grau de deliberação consciente. Sempre. Hitler foi eleito, Mussolini fazia comício para milhões, ditadores, não só africanos, fazem eleições plebiscitárias e ganham por maioria. É democracia? Experimentem colocar a pena de morte em plebiscito no Brasil. Ganha fácil. É a melhor solução? Democracia direta num cantão suíço pode funcionar. Mas não funciona numa sociedade de massas porque o risco de manipulação é alto. Qualquer um com entrada nos meios de comunicação leva. Não se forma opinião. Forma-se torcida.


Voltando. Continuo achando que a melhor opção dentre os candidatos seria Rudy Giuliani. Certo que a idéia do super-prefeito não é lá a melhor das opções para um governante de nível global, como é o caso da presidência dos Estados Unidos. Mas eu tenho certa dúvida que ele como presidente seria o super-prefeito. Mas como ele não estará na disputa... O que vale é a opinião de FHC a respeito de McCain. E o engraçado que quando fala em “torcida” (notar que as citações estão em ordem inversa na entrevista, primeiro fala do Brasil, depois da parte mundial e por fim de sua vida) fiquei pensando em como os jornalistas brasileiros fazem torcida e não jornalismo. Primeiro torciam para Ségoléne Royal, agora por Obama. Nem sequer firmam uma opinião mais centrada aos fatos. Erraram com Kerry em 2004 e agora continuam em seus chutes errados na sua “torcida” por Obama. Temos que ser objetivos: ele perdeu a segunda prévia. E isso é que deve ser noticiado. A jornalista Patricia Campos Mello noticiou direitinho o que foi que aconteceu. Leia aqui.

FHC tem tido bastante feeling em suas ultimas analises e tem poupado muito Lula. O poupa, pois é deselegante bater de frente com algo que não mais lhe interessa. Pois se quisesse ser novamente presidente, tenho certeza que seria uma dor de cabeça para o PT. Em termos políticos é nítida sua superioridade em relação a Sarney e Lula (a Collor, nem se fala). E o recado é muito claro a Sarney, de que ele não mais vai ser candidato, mas que continuará a fazer política. Muito me arrependo de no ano passado não ter participado de um café da manhã com ele no Hotel Crowne Plaza, mas não consegui me organizar a tempo.
De outro lado, acredito que Fernando Henrique também esta sabendo valorizar seu patrimônio político. O desgaste eleitoral para quem já esteve no cargo político mais importante do país é bastante complico, vendo, por exemplo, o caso de Itamar Franco, que depois de ter sido presidente foi governador de Minas Gerais. Hoje não é tão aclamado como FHC, e, em parte, por ter tomado este caminho. Sua posição durante a ultima eleição, de ter apoiado Alckmin, foi de uma enorme delicadeza e de um político experiente. Coisa que nunca se esperará de Lula. Sarney já é outro caso. Aliás, uma incógnita. Ele ainda renderá muitas páginas de futuras biografias. É talvez hoje o político mais influente no Brasil. E influencia nada tem a ver com popularidade.

Bem, como é complicado falar somente de FHC. Ele parece estar preparando alguma nova publicação. Não sei não, mas li trechos somente daquele monstro que é seu livro – “A Arte da Política”. O engraçado que torcedores no jornalismo formam torcedores na comunidade. Certa vez, enquanto ainda navegava pelo Orkut, me deparei com uma comunidade sobre o livro de FHC. Eram pessoas se dizendo apaixonadas por ele. Mas algo patético. Não se discutia nada do livro. Era uma torcida mesmo. O que gosto em FHC é que ele tem autocrítica. E isso aparece em inúmeras oportunidades. Sem contar como aborta alguns conceitos, como esta parte da entrevista:

OESP: Há quem sustente que, com a unificação dos programas sociais no Bolsa-Família, os coronéis do Nordeste perderam terreno.Tanto que o PFL, tradicional partido desses senhores, teve que se refundar.

FHC: Lula pode ter desalojado o coronelismo no Nordeste, mas pode vir aí com o coronelismo dele. Se houver uma apropriação pelo governo de uma política que é do Estado, isso acontecerá. Não se esqueçam de que o cadastramento no programa Bolsa-Família é feito pelos prefeitos. Isso aumenta a influência dos políticos locais e pode criar uma linha direta com o presidente, esvaziando o papel dos Estados. Rejeitei a idéia de criar nas classes desfavorecidas essa dependência simbólica. Paguei um preço, mas, republicanamente, agi bem. Sempre tive horror à idéia de ser o pai dos pobres.

janeiro 12, 2008

Bush, bush...


É... E ele ganhou de Al Gore em 2000. Em 2004 de John Kerry. Se ele não fizer o sucessor eu diria que não esta sendo coerente... E a cada dia acho que o próximo presidente americano será John McCain... E Obama nem será candidato... Tem que se ganhar as prévias para ser candidato, não no tapetão. Eu queria que fosse Rudy Giuliani... Fazer o que...
Na foto: John McCain.

Maria Rita – e sempre algo me incomoda...

“Seu garçom faça o favor
De me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo
E um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita
Com muito cuidado
Que eu não estou disposto
A ficar exposto ao sol (...)”

Conversa de Botequim – Noel Rosa

Começo contando uma história de 1992. Existia uma loja de HQ´s, na Avenida Ibirapuera, aqui na cidade de São Paulo. Nem lembro ao certo o nome, mas funcionou por muitos anos naquele mesmo lugar que era a passagem que tinha que fazer até o ponto de ônibus. Certa vez vi também alguns discos de vinil usados à venda. Entrei e fiquei olhando os títulos. Eram muitos deles de bandas dos anos 1980 e 1970. A principio escolhi um para comprar, pois os preços eram convidativos, afinal, naqueles anos muita gente substituía seus discos de vinil por cd´s. Foi um disco de Steve Vai – “Passion and Warfare”. Feliz com a compra sempre passava por lá para ver se havia alguma novidade, algum álbum novo.

Certa vez passando por lá, a pessoa que sempre atendia não estava lá e sim um senhor barbudo, meio anos 1960 (não consigo descrevê-lo melhor). E ele foi conversando comigo sobre as bandas até chegar a ver um vinil de Elis Regina. E ele me disse que escutava tudo até os anos 1960 e, em suas palavras, “até o barulho começar”. Depois me perguntou se conhecia Elis Regina. Eu na verdade nunca havia prestado atenção nela. Meu pai gostava muito e lembro vagamente de sua morte em 1982 (tinha 6 anos na época). Mais ainda, o senhor completou: “Você é um cara inteligente, vai gostar dela.” Ao chegar, fui dar uma “fuçada” nos discos dela que meu pai tem (até hoje, em vinil e muita coisa duplicada em cd). Dentre algumas audições, um concerto dela ao vivo no festival de Montreux, se não me engano de 1979. Foi ali que comecei a gostar de Elis.

Muitos anos depois fazia parte de uma clude de vendas de cd´s, da Editora Abril, chamado Music Club e um especial de Elis (um folder de umas duas páginas) foi escrito por seu filho, João Marcelo Bôscoli. Tentava ali passar a imagem maior que a cantora, dando a vida pessoal certo destaque, ao falar de como Elis dirigia automóveis. E o Music Club tinha uma boa seleção de cd´s de Elis Regina. Tenho um tio que muito posteriormente se interessou muito por bossa nova. Digo posteriormente pois à época dos concertos no Teatro Record, ele não acompanhava meu pai e nem tinha interesse pelas apresentações de muitos músicos da bossa nova. E ele comprou muitos dos títulos sobre bossa nova do Music Club, porém nenhum de Elis Regina. Na época também, lembro de ver o lançamento do primeiro disco de Pedro Mariano, filho de Elis Regina. Estava também disponível também no catálogo do Music Club. Um bom disco, que escutei poucas vezes.

Porém, chega o ano de 2003 e vejo lançarem com muito alarde o primeiro disco de Maria Rita, filha de Elis Regina. Logo chegam as comparações com sua mãe e destaque até em especial exibido pela Rede Globo. Se saiu bem, tem boa voz, porém seu primeiro disco não me agrada. Não sei o que há ali ou o que falta, mas passam algumas faixas e eu não consigo gostar do disco. Os outros dois discos dela nem sequer escutei com atenção, mas destaco que achei péssima a escolha da música “Minha Alma” no segundo disco, de 2005, por considerá-la uma música menor, de um modismo, que sim, deve ter feito parte das recentes valorizações dadas a canções de protesto e tempos de “pré-lulismo”. Algo anos 1990 de um desprendimento bobo e sem maior profundidade. Algo que chamo de Sprite (imagem não é nada, sede é tudo) onde a imagem é maior que a profundidade das letras e das canções. Um lugar onde se perdeu um pouco a melodia para dar espaço a um protesto sem sentido, sem tempo e sem espaço (ou com muito espaço). Algo que Maria Rita foi vítima, para mim (o que não é difícil e nem muito menos pejorativo).

No seu terceiro disco, fico muito feliz com a ideia de valorizar o samba dessa forma que fez. Isso sim é profundo. Não posso me atrever a comentar as músicas, mas digo que a vi dia desses cantando “Conversa de Botequim” (letra acima) numa reprise de um especial sobre Noel Rosa, feito pela Rede Globo de televisão. Foi muito bem, assim como em outras canções. Nada melhor que voltar a valorizar Noel Rosa, morto em 1937. Ainda não sei o que me incomoda na cantora Maria Rita, mas sou obrigado a dizer que ela esta indo cada vez melhor. Só o tempo poderá nos dizer. E com ela as vozes femininas brasileiras estão numa boa fase, completando ainda com as cantoras Céu, Vanessa da Mata, Fernanda Porto e outras, mais experientes, como Ná Ozetti e por que não até Sandy e Luiza Possi?

Nicolas Sarkozy - a biografia (inicial)

Ainda falando um pouco sobre o mercado editorial e as biografias, esta nova biografia de Catherine Nay, jornalista especializada em políticos, tenta desvendar um pouco do que seria o atual presidente da França Nicolas Sarkozy. Num momento político de paz relativa, com um presidente norte-americano bastante impopular, Sarkozy não é o perfil comum de um político “engajado” nos padrões pré-estabelecidos. Porém, seu sucesso vem de ações com prática já conhecida e com um discurso bastante conservador. Dentre os pêndulos que balançam na Europa, Sarkozy seria um líder por ter se destacado durante o governo de Jacques Chirac e ter sempre um discurso objetivo; sem rodeios, Sarkozy fala de suas opiniões muito claramente, uma questão hoje um tanto quanto difícil entre políticos. Principalmente que a grande maioria deles tende a olhar o mundo sobre uma ótica bastante particular, pouco universalista. Certo que esta biografia, num começo de governo, não trata de um completo panorama, mas trata de falar do caminho que percorreu até chegar ao posto mais alto da França. Simpatizo muito com Sarkozy, mas não sei dizer até que ponto. Vamos deixar o tempo passar e assim fazer a melhor avaliação de suas atitudes com seus discursos.

Tenho interesse em biografias, mas não morro de amores por elas. Muitas delas poderiam esperar anos para serem concluídas, ou ter muitas páginas a menos. Acredito ser Fernando Morais um dos biógrafos brasileiros mais conhecidos, tendo biografado Assis Chateaubriand, em “Chatô, o Rei do Brasil”, de 1994, Olga Benário, em “Olga” de 1993 e a minha predileta: “Montenegro”, sobre o Marechal Montenegro, de 2006. Sobre “Olga”, talvez a mais difícil de ser checada, Morais deixou de lado muitos dados importantes, o que define ter sido uma opção (não se sabe se editorial ou pessoal) para que o livro não fosse muito extenço. Assim como em “Montenegro”, Morais deixa uma lista de documentos que foram e não foram utilizados nos livros. Isso para mim dá margem de se fazer outras biografias, ou se estude sobre determinado assunto com mais profundidade. Atualmente ele é o autor da biografia de Antonio Carlos Magalhães, o ACM.

Madame Satã

Fiquei bastante honrado com o comentário de Marcelo Leite de Moraes, autor da biografia do RPM, que comentei bastante por alto aqui. Gostaria de também falar de seu outro livro, Madame Satã. Madame Satã foi umas das casas de show mais conhecidas nos anos 1980 e lá nasceram várias bandas, uma delas o próprio RPM. Este registro em livro, feito por Marcelo fez em 2006 com mais de 80 entrevistados, nos dá um panorama bastante interessante de como foram aqueles anos e a importância de palcos alternativos. Acredito ser São Paulo a cidade com a maior diversidade, porém com poucos lugares e poucas bandas nascidas nos últimos anos na cena nacional. Não cheguei a conhecer o Madame Satã, mas os comentários de como era o local são realmente um dos poucos registros de algo alternativo chegou a ser um mito.

janeiro 05, 2008

Duas biografias

E os lançamentos editoriais continuam a todo vapor no Brasil. O interessante é que se vê por aí pouca gente lendo. Será verdade? Ler é uma forma também de entretenimento. Gosto de ler para me divertir. A leitura de entretenimento normalmente é leve, flui bem. E nem por isso precisa ser leviana e pouco profunda. Dois lançamentos recentes me chamaram a atenção. Primeiro pelo gênero, a biografia, e segundo pelo tema, tratam do rock nacional. São elas: “Agente é Assim”, uma biografia da banda Barão Vermelho e “Revelações por Minuto”, sobre o RPM, um doa maiores fenômenos de vendas da década de 1980. Gosto de biografias. Normalmente avançam além do biografado dando um bom recorte daquele período.

No caso dessas duas biografias, fica uma interrogação: porque uma biografia nesse momento? Sobre Barão Vermelho, a parte mais interessante da banda foi enquanto Cazuza era membro da banda, mesmo eu não gostando dele. E sobre Cazuza foram feitas muitas biografias e até um filme. O interessante que eles próprios reconhecem isso na biografia. Seria ruim de minha parte dizer que nem tenho interesse em saber da banda, mas para fomentar alguma curiosidade a mais, esta biografia acompanha um novo álbum, de músicas inéditas.

O RPM é um caso diferente. Este biografia já era esperada. É talvez a banda que tenha se perdido mais no tempo que as outras dos anos 1980. Isso, claro, das bandas que tiveram mais que uma música de sucesso. Paulo Ricardo se manteve na mídia, mas nada que fez depois chegou próximo ao sucesso com o RPM. Ele vive praticamente do fantasma do RPM. Luiz Schiavon hoje é tecladista da banda de Fausto Silva, no Domingão do Faustão, da Rede Globo de televisão. Estão prevendo uma volta agora em 2008 e este livro seria o inicio dessa volta.

Agora, eu acho que essas biografias nada mais são que um novo modismo como foram os acústicos. Conforme Lobão declarou, ele foi o ultimo a gravar um acústico. O RPM gravou um acústico e um show para DVD em 2002, com uma nova composição – “Vida Real”, tema do programa Big Brother. O Barão Vermelho já gravou também seu acústico e acredito que essa biografia nada mais é que uma jogada de marketing. Em suma, quando se espera que comecem a fazer biografias sérias registrando aqueles tempos, elas escapam pelo caminho fácil de fazer uma jogada de marketing.

Gostaria que essas biografias fossem recheadas de fatos inéditos e não mais uma no meio de tantas outras. Para um primeiro registro, até que a do RPM está num bom caminho. Para mim esse tal rock nacional continua sendo mais uma fase mal explicada, onde as nuvens cinzentas encobrem as falhas, que são naturais e o que os torna mais humanos, e continuam a tentar fazer algum “mistério” sobre como foi aquele período dos anos pós-abertura, anos Sarney, para ser mais exato. O Titãs lançou, se não me engano, em 2003 sua biografia. E olha que é uma banda que nunca deixou de gravar, tendo uma história muito mais ampla (afinal eram oito membros) e não tinha um jogo de marketing por trás desse lançamento. Eu acredito que faltaria uma biografia sobre a Blitz. Foi uma banda que teve influencia sobre outras bandas e que teve muito do seu material ainda censurado pelo Regime Militar de Exceção. Vai aí uma idéia. Se for para revirar os anos 1980, é para fazer direito.

Outra questão que me pareceu interessante é que em breve, com esse acumulo de material produzido, poderemos até parar de classificar essas bandas como “anos 80”. Imagine só uma biografia sobre Paralamas do Sucesso. Os anos 1990 foram bastante importantes na carreira deles, não podendo simplesmente chama-los de “mais uma dos anos 80”. Já o RPM não. Foi realmente uma banda dos “anos 1980”. Uma banda com curtíssima duração. Mas com um reflexo até hoje bastante interessante. Merecia uma forma mais aprofundada. Acredito que essa forma só será dada na biografia de Paulo Ricardo, o que espero que seja daqui a muitos anos; algo bastante amadurecido, onde ele poderá até contar sobre suas participações como ator. Uma coisa pode-se falar de RPM: foram poucos discos e um tempo curto, mas a maioria de suas músicas se tornou hit, inclusive “Vida Real”, tema do programa Big Brother. Se eles se juntassem assim e fizessem um disco inteiro, tenho certeza que bons sons sairiam de lá. É estranho, mas separados não produzem grandes coisas.

Ouça o que eu digo: não ouça ninguém

Outro dia lia algum blog cujo título era “Não acreditem em mim”, numa referencia que muito da opinião dele, blogueiro, era baseada em muitos indícios e muitas outras opiniões de pessoas que são, por assim dizer, “alguém”. Isso me lembrou um pouco o que escrevi agora pouco do Foro de São Paulo e um pouco sobre um artigo que João Mellão escreveu ano passado (aqui). Mas dei ao título dessa postagem, o nome de música e disco dos Engenheiros do Hawaii. É um pouco por aí que penso. Eu crio minha opinião baseado em questões abordadas por outras pessoas e muita reflexão minha. Está reflexão é muito maior do que a que emito aqui no blog. E assim que deve ser (diferente de muita gente que escreve uma coisa e pensa outra... ou pior: escreve para agradar quem quer que seja). Tudo que eu escrevi aqui eu assinei, claro, assim como muitas opiniões de outras pessoas. E sobre outros temas dos quais não tratei aqui, muito provavelmente por não ter tido tempo nem interesse, não significa que não tenha opinião. Mas o importante é escrever e deixar disponível para alguém ler. Se for de utilidade para alguém, já fiz minha parte. Estou mais preocupado com o crescimento cultural e isso é individual. No máximo sou uma vela nesse caminho escuro. Por isso corrigiria a frase do título por “ouça tudo e tire suas próprias conclusões”. Mas aí tem que ter paciência de um professor de primário, onde o aluno toma contato com o mundo. Mas não, minha paciência é a de um professor universitário: estou aqui para te orientar em seu próprio caminho e te avaliar depois. O único fato é que eu não farei a avaliação. Esta será feita pela sua própria vida.

Não falaram a Sarkozy

Muito provavelmente o presidente da França, Nicolas Sarkozy, não sabe da existência ou dos planos do Foro de São Paulo. Esqueceram de informá-lo. Se bem que tanta gente no Brasil não sabe do que se trata. Mas nem por isso estão menos sujeitas a padecer dos males que esta instituição, em minha opinião, a mais nefasta instituição política da América Latina. Ás vezes, alguém me pede para explicar o que é o Foro e eu, com minha pouca paciência, explico muito por alto e escuto quase sempre aquela velha expressão de que se passa uma teoria da conspiração. Não tenho vocação para explicações longas sobre assuntos que são (ou deveriam ser) de conhecimento geral, principalmente de quem pretende tratar do assunto da política internacional.

Mas esse último episódio, onde figuras conhecidas do Foro de São Paulo estiveram frente a frente (FARC, Hugo Chaves e MAG – Marco Aurélio Garcia), para tentar fazer uma negociação de resgate de reféns das FARC, incluindo representantes franceses, me deu a impressão de não terem avisado a Nicolas Sarkozy do que se tratava. Torço muito para Álvaro Uribe prosseguir em seu caminho e tentar resolver esse problema que são as FARC em seu país. Todo colombiano que conheci, quando morei nos Estados Unidos, estava lá como num auto-exílio, sempre falando que as FARC ao dominar todo o tráfico de drogas são uma das piores organizações já existentes no mundo, em termos de violência (e por que não, atentando aos direitos humanos).

Essa postagem poderia ter quinze páginas e mesmo assim faltaria espaço para falar sobre os males do Foro de São Paulo e o erro do presidente Sarkozy em tentar fazer alguma negociação com essa turma. Imagino como não se fala do Foro de São Paulo na França. É inacreditável que até mesmo aqui no Brasil, falando de pessoas inteligentes, o fato do Foro não é nem sequer debatido. Fora Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho, nenhum outro jornalista fala a respeito com seriedade.
E para finalizar esse pequeno texto, vale a leitura de uma simples postagem, das várias onde Reinaldo Azevedo comenta sobre o Foro de São Paulo: aqui. Na verdade eu nem ia mais falar sobre política aqui no blog. É desgastante e não leva a nenhuma parte. Isso porque eu só me interesso em política internacional. Um tipo de política que não tem esse desprendimento de “metamorfose ambulante” do dia-a-dia. É mais uma postura, um firmamento. Não trata de conjunturas esporádicas. E o que me faz desistir também de falar de política é a Al Qaeda Eletrônica, da qual ainda não fui vítima, mas cedo ou tarde, acabaria sendo. Não me interesso por combate frente a frente, esse desgate; mas sim pela formação de uma cultura que faça pensar por si só. Coisas difíceis nesses tempos de polarização. Não existem mais pensadores libertários. De certa forma, a vontade é a de ir embora daqui. Arrumar as malas e se mandar. Vou pensar mais nisso se no futuro o céu não clarear e continuar a choverem espertalhões e gente ignorante.

A conspiração

Alguns fatores conspiram para que eu não consiga escrever no blog. E pior que isso, os mesmos fatores conspiram também para que eu não consiga encontrar com os amigos. Sono atrasado, trabalhos extras, trânsito e chuva... Tudo seria fácil se fosse só a cidade caótica e não a pressão interna do trabalho. Tudo parece um reflexo. Mas nada de desanimo. Outras pizzas virão. O sábado é longo!

Obs.: Qual o plural certo: pizzeria ou pizzaria? Sei não, se o Aldo Rebelo ler meu blog vai querer fazer uma lei contra também os neologismos italianos. Certo que ele só deve ser contra os “imperialistas”... E vamos comemorar o dia do Saci Pererê...

Feliz 2008

Certo que as árvores de Natal já estão sendo desmontadas; as pessoas já voltam de suas férias e eu aqui desejando um feliz 2008. Afinal essa é a primeira postagem de 2008. Rumo aos meus trinta e dois anos de idade! De pensar naquele ano de 1976, quando nasci, até hoje, quantas coisas se passaram. A retrospectiva anual é meio chata até. Acho mais legal pensar em um período de tempo mais longo. Muito melhor. Faz parecer que tenho já tradições. Só penso em lugares que gostaria de ter trabalhado e não trabalhei. Teria sido tudo um tanto diferente nesta última fase. Parece-me, hoje, que sou levado pelo destino do que traçando meu próprio caminho. Bem, mas isso não é problema, vamos seguir em frente. Esta foi só a primeira postagem em 2008. A postagem de número 353, desde que inaugurei este blog, dia 6 de abril de 2007. No ano de 2007 consegui fazer, nos 270 dias desde a inauguração do blog, uma média próxima a 1,3 postagens por dia na média. Para este ano pretendo fazer uma postagem por dia ao menos na média; podem me cobrar. Já começo o ano devendo quatro postagens...

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...