dezembro 10, 2008

Criacionismo e Evolucionismo

Liberdade

Com este subtítulo inicio este pequeno texto, daqueles que dão nó na garganta. Certa vez conversava com um amigo quando este me disse que não há maior liberdade do que não acreditar em nada. Sou obrigado a concordar. Se Deus não existe você está praticamente livre de tudo. Isso até me lembra uma das frases que não vou lembrar ao certo, de Ivan Karamázov, personagem de Fiódor Dostoiévski (isso me lembra da recente edição em dois volumes de Os Irmãos Karamázov pela Editora 34), onde declarava que se não existe Deus tudo é permitido. O que, obviamente, denota uma visão de que Deus existe, mesmo que muitos achem que isso queria dizer que Dostoiévski era ateu... Essas questões de inversão lógica são constantes das quais temos que fugir o tempo todo. Sem contar que confundir autor com personagem...

Até aí, não há problema algum, se volta àquela velha questão sobre a matriz moral do Liberalismo (aquele Liberalismo de John Locke...). O que não tenho lá muito a falar por falta bases teóricas mais profundas, principalmente de Eric Voegelin e Max Weber.

Ensino do Criacionismo em escolas cristãs

Recentemente saíram reportagens sobre o ensino do Criacionismo nas escolas de crença cristã, além também do estudo do Evolucionismo, como uma teoria, como sempre. Nada mais justo a dar liberdade de cunho religioso às escolas de crença cristã. Não acho que deveria ser adotado no ensino público, pois se não há nem aulas de português ou matemática, quem dera ter mais uma questão a dar margens a especulação de pessoas mal intencionadas.

No ensino público sempre há a falta de alguma coisa, há sempre má intenção de alguém. Se há alguma coisa que aprendi nos meus oito anos de ensino público é encontrar raras ocasiões de boa intenção ou verdadeiros educadores. E o engraçado que eram sempre as professoras em fase de aposentadoria que eram as boas professoras, as que realmente tinham alguma preocupação com educação (não na formação de manadas).

Agora, ser favorável ao ensino do Criacionismo não diz nada. Declarando: sou católico. E mesmo que não acreditasse em nada (quem não acredita em nada, acredita que não acredita) seria falta de liberdade não deixar ensinar o Criacionismo. Se os pais dos alunos não gostam, que mudem seus filhos para outra escola, não cristã.

Laico não significa não ter religião, mas sim respeitar todas as religiões. Há alguns ritos que não me incomodam, mas há outros que tenho mesma opinião de René Guenón, que era muçulmano. E nem por isso saio por aí a escrever sobre as minhas objeções.

Haja paciência

Questões que já abordei algumas vezes é que não gosto de falar sobre religião. Primeiro que é bastante pessoal, o que é bom; é individual e a opinião quando emitida sem o peso dos preconceitos é sempre de grande valor, conforme comecei este texto falando sobre a opinião de meu amigo, que mesmo pensando diferente de mim, teve um pensamento bastante interessante e digno de enorme respeito.
Não tenho paciência para questões de ordem dogmática. Não há como discutir sem a mesma base de dados. Para ser mais exato, discutir sem conhecer a obra de São Tomás de Aquino ou de Santo Agostinho, é muito complicado. Isso entre cristãos.

Conforme escreve um grande professor: “O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium , aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões (...)”. Bem, eis mais um caminho.

dezembro 09, 2008

Ronaldo no Corinthians

Obviamente fiquei feliz em ver o Corinthians em todos os jornais do mundo devido à contratação de um dos jogadores mais conhecidos de todos os tempos. Sabe-se que há um marketing a respeito dessa contratação, o que também teria se um Flamengo tivesse contratado Ronaldo. Não há aí nenhum problema. Todos sabem que Ronaldo é muito maior do que um “reforço”. Isso nem sequer merece atenção. Ou se merece é por que há mais apostas favoráveis a Ronaldo.

Obviamente ele será cobrado pela torcida. Se for bem será um ídolo. Quem espera que vá mal? Ou melhor, alguém tem dúvidas que ele não se recuperará? Não vejo esta questão como aposta (posso estar sendo otimista demais).

O importante é esperar por sexta-feira, dia em que será efetivamente apresentado pelo Corinthians. A imprensa esportiva terá muito a falar nesse período de férias. Os jogos do Corinthians, ao menos os primeiros, estarão lotados. E eu que pensei que fosse só voltar a falar de futebol em janeiro...

Está chegando mais um louco!

Camiseta de Ronaldo - foto: Marcio Fernandes/Agência Estado

É isso ai. Corinthians nas páginas dos jornais do mundo inteiro dois dias depois do São Paulo ser campeão pela sexta vez. O mais interessante foi Muricy Ramalho afirmando que agora o campeonato está num nível altíssimo! Pois é, Ronaldo está jogando no Brasil, e no Corinthians!

São Paulo Tri, Hexa: só não venceu a Sulamericana...

E o São Paulo ganhou mais um título. Vejam: desde que o Corinthians ganhou o Campeonato Brasileiro só o São Paulo foi campeão... Mas o São Paulo nunca ganhou uma Copa Sulamericana. Bem, qual time ganhou uma Copa Sulamericana além do Sport Club Internacional, de Porto Alegre? Que foi campeão do mundo também. E mais: totalmente desacreditado.

Mas porque falo do Internacional? É um time que perdeu para o Goiás em 2007... Na reta final do Campeonato (assim desclassificando o Corinthians...), o mesmo que poderia ter dado o título deste ano ao Grêmio.

Voltando ao São Paulo, ganhou. Nem sei sobre as notícias que ontem tumultuavam as mesas redondas, a respeito da troca dos juizes. Mais certo é que o time nada tinha a ver com isso. Essa história de máfia dos juizes é assunto que o Internacional não engole até hoje... E porque o Corinthians de 2005 foi incompetente de fazer uma vitória a mais para tirar a dúvida...

Em janeiro volto a falar de futebol, sobre o Campeonato Paulista, onde espero que o meu time jogue no mínimo direito. Já é alguma coisa...

dezembro 06, 2008

Salário Mínimo

Muitas vezes fico a pensar na diferença entre salário mínimo nos Estados Unidos e no Brasil. E na grande diferença entre o salário mínimo e o salário mais alto recebido no país. Para ser mais exato, na diferença entre o salário do cargo mais alto numa empresa e o cargo mais baixo, na mesma linha de sucessão (claro, comparar o salário da copeira com o do presidente da empresa é o mesmo de dizer que morangos são mais saborosos porque mais caros que limões).

O fato que deixa muita gente feliz é com o tal indexador do dólar ao salário mínimo, do qual o presidente Lula sempre fez propaganda. E agora?

Do ex-blog do César Maia, de 5 de dezembro de 2008:

SALÁRIO MÍNIMO CAI A 166 DÓLARES!

E é sempre bom lembrar que Lula dizia que o piso do salário mínimo em seu governo seria de 200 dólares. Se analisarmos agora os números da economia brasileira em dólares, que é o que fazem lá fora, o PIB despencou, a proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza no critério do Banco Mundial aumentou muito, o patrimônio das empresas desabou... Com o dólar baixinho era usado como propaganda. E agora?

Aprovação popular...

Outro dia alguém me disse que Lula era popular...

Do ex-blog do César Maia em 5 de dezembro de 2008:

“(...)E POR FALAR EM APROVAÇÃO DE PRESIDENTE DA REPÚBLICA! SARNEY FOI RECORDE HISTÓRICO NO ESTADO DO RIO!

Em 14 de junho de 1986, o Ibope divulgava pesquisa fechada no dia anterior de avaliação de governo. O presidente José Sarney tinha 81,6% de ótimo+bom, 15,5% de regular e 2,5% de ruim+péssimo. É verdade: em pleno Plano Cruzado.(...)”

Ta bom que ele vem com estes índices a um bom tempo. A economia continua acompanhando este bom desempenho, diferente do Plano Cruzado, onde a economia desandou muito mais rapidamente.

Bem, num recente livro sobre José Sarney, falava-se sobre o Plano Cruzado ter sido o grande laboratório do Plano Real. Enquanto a crise mundial estiver sob controle, a marolinha do Lula continuará. Mas já são notados muitos pontos de crise e recessão, principalmente para o próximo ano. Vamos ver quem serão os ratos a pularem do barco primeiro...

dezembro 05, 2008

Hotmail...

- Qual é seu e-mail?

Logo que iniciei minhas “navegações” na internet, essa é uma pergunta com certa constância comum. Naquele ano de 1997 não eram muitos que tinham e-mail e poucos que entravam nas salas de bate-papo do UOL. Eu, na época, tinha um provedor chamado STI e uma placa de fax-moden que era até veloz para a época, não vou lembrar das medidas. Era um Pentium 200MMX, com 32 de memória. Uma máquina “explosiva” para a época... E tinha um e-mail Hotmail, que é o mesmo até hoje, aquele que uso no MSN Messenger, quando uso... E mais nada (felizmente um amigo meu disse que para usar o Messenger não é mais necessário o Hotmail... Ótimo. Aqui.)

Mas nos meus currículos detestava colocar um e-mail Hotmail. Sei lá se é preconceito. Eu achava que é para alguém que nunca acessa o e-mail ter uma conta Hotmail. Mais tarde fiz uma conta num provedor conhecido e desaparecido chamado SOL (SBT on Line). Esse sim, era bom. Não sei por que, mas também nunca gostei do UOL. Deve ser birra da época. Bem, depois que o SOL resolveu passar todos os seus clientes para o UOL, num mesmo momento que apareceu o iG, migrei para a tão fantástica “internet grátis” do iG. Não passou nem um ano e eu já detestava tudo daquele portal. Fora o Morango, nada lá me agradava... Nem o Nizan Guanaes, à época a frente do iG. Bem, outros portais começaram a distribuir “internet grátis”. Fui assim até 2002 quando entrei finalmente no Ajato. Já era assinante da TVA, foi fácil a instalação e, por coincidência, foi na mesma época que começou a funcionar a AllTV, uma TV pela internet, que era extremamente interativa. Comecei a gostar das vantagens da banda larga. Hoje sou assinante Net Virtua, tenho até Net Fone... hahahahah

Mas voltando ao caso do Hotmail, mantenho aquela conta sei lá por que há mais de onze anos. Poucas pessoas ainda enviam mensagens para aquela conta. Nunca avisei a eles de que aquele não era meu principal e-mail. Afinal de contas, eu o acesso sempre, recebo o boletim da Borders, do Office Depot e mais uma monte de outras propagandas que quero receber, mas que vejo com menos freqüência,mas sempre leio todos os e-mails. Não sei dizer, mas parece que Hotmail, assim como Yahoo, são aquelas coisas que aconteceram antes do Google. Não interessam mais após a gama de serviços que o Google oferece. O Gmail é muito mais interessante que o Hotmail, e a busca no Google parece ser algo que nasceu com a internet, faz nos esquecer de outros sites de busca tenham existido, como o Yahoo (um dos poucos sobreviventes), Altavista, Surf, e sei lá mais qual.

O interessante desse pequeno texto é que esbarrei em pelo menos três questões meio espinhosas para os profissionais da área de informática: 1- Hotmail e a Microsoft; 2- Google, Gmail, serviços e softwares; e 3- Menos relevante: Internet grátis, iG.

Lembrando que sou arquiteto, não tenho maiores ligações com empresas de internet ou de softwares e sou contra idéias como o “software livre”. Em miúdos: uso Windows, AutoCAD, Photoshop e outros softwares de gigantes como Autodesk, Adobe e Microsoft. Detesto, com todas as minhas forças, os “genéricos” Intelicad, BR Office e outras barbaridades. Mas, por outro lado, adorei o SketchUp, software gratuito produzido e oferecido pelo Google. Não me interessa se a Microsoft tem monopólio ou não, mas que produza algo que preste, onde possa rodar meu AutoCAD, meu Photoshop. E isso vinha acontecendo como tendência, desde o Windows XP (recente, eu sei), o que não consigo avaliar se é porque existem outros sistemas operacionais (o Linux) para rodar em PC (pois Mac sempre foi uma ótima alternativa, porém não tão completa, ou é completa demais, ou é um “sistema fechado”) ou se a tecnologia finalmente conseguiu chegar a resultados razoáveis.

Trabalhando sobre este perfil, de realidade de usuário, o que retira “ideologias” de que tudo vai se modificar no “futuro” e que já há softwares semelhantes, etc., o primeiro tópico é sempre aquele que fala dos fãs da Microsoft e dos contrários a ela. Coisa chata, que detesto e esta fora de questão. O segundo tópico é sobre o Google, que é moderno, mas que tem tendências a ser dominante na internet. Onde há especulações sobre monitoramento de conteúdo e que por isso muita gente prefere usar o Yahoo. Outras muitas teorias. O terceiro tópico até hoje rende “projetos” mirabolantes até de ex-prefeitas em fases desesperadas. Nessa hora tenho que lembrar de Milton Friedman dizendo que não existe almoço grátis. A idéia de se fazer um provedor gratuito estava atrelada à telefonia, que naquele momento da história do Brasil estava em processo de privatização. Tanto que é só lembrar quanto custava um telefone em 1993, 1994, por exemplo, e quanto custa hoje uma linha telefônica. Uma breve pesquisa no Google responde este questionamento com uma enorme quantidade de fatos, não de versões. Um projeto que popularizou mesmo a internet naquele momento, mas que comparado aos dias atuais, é uma “historinha” de tentativa.

Ao esbarrar também na AllTV, da qual fui entusiasta, que foi um projeto extremamente caro e sem lá muita repercussão. Hoje, vários portais têm suas “televisões”, com vídeos que tendem a ser menos interativos no conteúdo, mas com uma facilidade enorme de acesso. E para a interação, tudo hoje parece um grande blog, onde abaixo das reportagens existe espaço para a “opinião do leitor”. Mediadas sei lá por qual critério e por quem. Uma televisão, uma nova rede de televisão, sempre é um sonho. Sempre há entusiastas como eu, que apóiam a idéia de um novo formato, de interação, de algo novo. Mas porque será que nenhuma decola ou produz novos formatos, programas etc.?

Eis o que fico a pensar “navegando” pela internet, se nada de novo encontro. Poderia fazer um breve histórico de como começou a “interação” das pessoas com os portais e a tais “novas formas” de relacionamento, os tais “relacionamentos virtuais”. Mas isso é trabalho para sociólogos, e, de novo, eles continuam a estudar qualquer coisa na universidade menos o que há demanda. Acredito que os sociólogos devem ter repulsa ao povo, pois sempre estudam temas onde eles não têm interesse nenhum. Por exemplo: o crescimento das igrejas evangélicas no Brasil. Os universitários estudam se Deus existe ou não, não se importando com o fenômeno presente à vida das pessoas, do tal “povo”. O tal relacionamento virtual é motivo para enormes especulações, mas sempre distante da realidade das coisas, pois, quantos são estes casais hoje no Brasil? É relevante? Ou são notícias do “bizarro” (aquelas que os veículos circulam por ser “diferentes”, mas que são de nenhuma relevância)?

dezembro 04, 2008

Jornalismo Cultural

Lendo uma breve crítica num blog qualquer, não lembro mesmo, mais para frente falo o porquê, lia que o “jornalismo cultural” no Brasil é muito ruim, principalmente ao tratar coberturas sobre bandas de rock e heavy metal. A crítica explorava a respeito da falta de qualidade até de se cobrir eventos, citando que basicamente eram noticiadas as datas e locais, sem maior opinião a respeito. E ainda citava que este jornalismo ao cobrir as bandas buscava no bizarro e não na música a notícia.

O que penso a respeito que há, sim, um tanto de falta de cultura no jornalismo cultural. Falta ler o Daniel Piza – Jornalismo Cultural – e saber as origens desse jornalismo. Há muitos jornalistas culturais bons no Brasil. Como já citei aqui, o livro Contra o Consenso, de Reinaldo Azevedo, é um excelente exemplo. Fala de cinema, de televisão, sobre o Cazuza, o Marcelo Taz, além das letras, Graciliano Ramos, Monteiro Lobato, etc.

O problema da música, mais especificamente do heavy metal, esta mesmo na cultura paralela desde movimento. O pequeno texto daquele blog trazia palavras de Jotabê Medeiros, um excelente colunista musical do jornal “O Estado de São Paulo”, falando que o público de “metaleiros” era o mais fiel e estava lá para ouvir música, para curtir a banda e não como mero entretenimento. Pois, para um “metaleiro” (termo que detesto), a música está no “sangue” (expressão que também detesto).

Nesta “cultura paralela” que acabei de citar acima, nascida dos movimentos de contra-cultura lá nos anos 1960, há busca por questões esotéricas entre outras. Mas também muito de críticas de costumes, de visão de mundo, de história, como na letra de Alexander The Great – Iron Maiden:

“(...) Near to the east
In a part of ancient Greece
In an ancient land called Macedônia
Was born a son
To Philip of Macedon
The legend his name was Alexander
At the age of nineteen
He became the Macedon King
And he swore to free all of Asia Minor
By the aegian sea
In 334 b.c.
He utterly beat the armies of Pérsia
Alexander the great
His name struck fear into hearts of men
Alexander the great
Became a legend mongst mortal men (...)”

Seria falta completa de cultura ignorar o fenômeno que são as bandas de rock, que há décadas mantém seus fãs pelo mundo todo, assim como lotam shows, às vezes nem divulgados na grande mídia. Ninguém é obrigado a cobrir os shows, porém, quando se dão a este trabalho, o mínimo esperado é seja bem feito, e por quem entenda do assunto. Para os mais velhos, de gerações que “amavam os Beatles e os Rolling Stones”, cujo acesso aos discos era muito mais difícil, me falam das reportagens feitas por Nelson Motta na televisão (anos 1970). Pelo que contam, naquela época, as reportagens eram de melhor qualidade as feitas hoje em dia.

Há espaço para todos os gostos, porém acredito que há certo preconceito. Nunca senti nenhum tipo de preconceito quanto usava “cabelos longos”, mas uma coisa é certa: o público de heavy metal realmente é exigente, diferentemente de outros que preferem pular, não se importando se a cantora esta rouca ou não, nem sobre o que fala a letra, afinal, para eles o que importa é “a levada”.

Já li excelentes reportagens sobre músicas feitas por jornalistas desconhecidos da grande mídia, em sites perdidos na internet, como já vi péssimas entrevistas de apresentadores de TV, que são considerados “intelectuais”... Em especial um meio gordinho, que acha que todo cabeludo não sabe nada...

Como começou esse tópico

Estava na internet buscando algum site ou blog que falasse de música (mais especificamente estava me divertindo lendo uma menina que escreve mal pra chuchu, mas que sabe contar bem uma história) e me deparei com um que havia uma bela postagem (algumas belas postagens), mas o tal blog não era atualizado há tempos. Então fui buscando um que fosse mais novo e tivesse boas postagens. Nisso fui perdendo a quantidade de blogs que entrei e nem consegui depois encontrar aquele, que mesmo sem atualização, era o melhor de todos.

Para ser exato, muitos têm atualizações excelentes, falam bastante de bandas praticamente desconhecidas e tem agenda de show; muitas agendas de show, e mais nada. Nada de crítica, nada de falar de disco antigos, nada de dar opinião. Um vazio total. Em matéria de blog de música (heavy metal e rock´n roll) sou obrigado a dizer que nos 100 mil blogs brasileiros não há nenhum que seja bom o suficiente. Para dizer bem a verdade, se eu, que sou arquiteto, consigo fazer igual ou parecido, é porque não encontrei mesmo nada melhor. Eu, ao escrever sobre música, discos, cantoras, escrevo sobre impressões, sobre lembranças, não me importando muito em descrever uma crítica geral ao disco, em fazer uma resenha ou sinopse do mesmo (resenha só se usa para livros? E sinopse, só para cinema?). E o faço por intuição, tentando ao máximo escrever certo, em português. E nem isso encontrei.

Encontrei alguns blogs específicos, de rock progressivo, de música brasileira, mas nada que eu gostasse e me motivasse a voltar lá. Outro dia, pela rádio CBN, fiquei sabendo de um blog sobre discos de vinil que não foram lançados em cd. Bastante interessante, mas no blog simplesmente tem as músicas para serem baixadas, as capas dos discos, e mais nada; nenhuma sinopse, nenhuma crítica. Eis que se não quando, volto eu a ler a grande mídia, a internacional, atrás de alguma crítica a respeito do que gosto.

dezembro 03, 2008

Hidden Treasures

O ano era 1995. O disco foi trazido por uma fantástica fã oriental (do Megadeth, e minha...). Era um lançamento bastante recente. Havia visto o Megadeth ao vivo pela primeira vez havia pouco tempo. Questão de pouco mais de um mês. O mais interessante era uma coletânea de tributo ao Black Sabbath, Nativity in Black, lançada em 1994, que continha a participação do Megadeth tocando uma das minhas músicas prediletas: Paranoid. Tinha ouvido a coletânea e ficado fascinado não só pela versão executada pelo Megadeth como também por uma versão de Sabbath Bloody Sabbath, executada por Bruce Dickinson. E Hidden Treasures trazia não só Paranoid como também No More Mr. Nice Guy, clássico de Alice Cooper. Sem contar outras pérolas esquecidas como Angry Again e Diadems. O nome não poderia ser mais apropriado.

Se há algo que guardo até hoje com certo orgulho é ter seguido uma indicação de uma rebelde menina, que ficava comigo ao telefone por horas, na madrugada, falando de bandas como Megadeth e Whitesnake, suas prediletas. Era interessante demais falar com ela. Tinha um ar meio superior, um pouco intelectualizada, mas no fundo era uma solitária rebelde que tinha uma pontinha de inveja da minha liberdade de tocar (muito mal) com os “caras” e meio que viver algumas aventuras impensáveis a ela, como aquelas noites em meio a bandas e amigos naquela fase do início dos anos 1990 da famosa Rua Treze de Maio, no bairro do Bixiga. Lá estavam pessoas, bandas, em suma, a música.

Mas saindo dos bares de rock e voltando ao Megadeth, é talvez umas das poucas bandas que acompanho até hoje. E este pequeno disco, que é mais uma reunião de musicas a um álbum, ainda é dos que coloco para escutar com certa constância, ao lado de Countdown to Extinction e Youthanasia. Só posso dizer que é uma fase que vivi, dos lançamentos destes discos, da apresentação de videoclipes na MTV, e, como afirma o Zeca Camargo, tendendo a achar que é a melhor coisa do mundo.

O interessante que naquele ano de 1995 tinha tempo para me dedicar às tarefas mais complicadas, como trabalhar durante o dia, com gel nos cabelos, estudar num cursinho à noite e ainda fazer um curso de inglês aos sábados. No curso era normal ficar perguntando o que certas frases queriam dizer e ficar traduzindo letras de músicas. Hoje ainda faço isso, mas tenho já uma técnica apurada, trazida pela tecnologia Microsoft... Mas o dicionário é ainda o mesmo Michaelis de sempre. Para ser mais exato desde 1991. Assim como o de espanhol é de 2000, o de alemão de 2003 e o de francês, mais recente, 2006... Seguindo o que recomenda um grande mestre, o ideal é aprender pelo menos uma língua clássica (latim ou grego) e pelo menos dois idiomas além do inglês e espanhol, isso como básico, para ai sim, iniciar uma carreira acadêmica.

Bem, novamente voltando ao Megadeth, eu não consigo hoje ouvir Metallica, banda da qual Dave Mustaine fez parte, da mesma forma e com a mesma vontade que escuto Megadeth. Há alguns anos assisti na casa de uma amiga um DVD sobre o Metallica, onde Dave Mustaine se reencontrou com Lars Ulrich para uma conversa, uma reconciliação, algo muito esperado pelos fãs. Os últimos trabalhos do Megadeth não andam me empolgando muito, com exceção de The System Has Failed, de 2004. Acredito que minha exigência está em esperar sempre uma continuação dos álbuns de 1992 e 1994. Se eu não sou mais o mesmo, porque esperar que uma das minhas bandas prediletas seja a mesma, não mude?

dezembro 02, 2008

Jørn Utzon (1918-2008)

Megadeth e ao fundo a Ópera de Sydney, obra mais conhecida de Jørn Utzon.
Uma pequena homenagem a um dos grandes arquitetos do século XX, ganhador do Prêmio Pritzker em 2003, morto aos noventa anos de idade, no ultimo sábado, 29 de novembro.

A leveza do desenho de sua obra mais conhecida é um dos cartões postais mais conhecidos no mundo. Concebida em 1957, fruto de um concurso internacional, Utzon não havia conseguido concluí-la, deixando o projeto em 1966, voltando a fazer intervenções há poucos anos, a convite do governo de Sydney.

Se me fosse pedido falar da obra de arquitetura moderna mais bonita, com certeza a Sydney Opera House estaria em primeiro lugar. Ela inaugura uma nova fase na concepção de edifícios dentro do panorama da arquitetura moderna.

Especial Aprendiz 6

A próxima edição de O Aprendiz será composta de universitários. Pela edição especial que foi ao ar dia 1 de dezembro, o programa não será tão divertido. Lembrando que quem observa o programa como uma fonte de conhecimento, ou como uma das participantes descreveu certa vez, que participar do programa era como fazer um MBA, talvez seja de pouco interesse. Eu acho somente um entretenimento, de boa qualidade.

Não tenho como pensar no programa como uma extensão de conhecimento, como um aprendizado. Só, claro, não se pode negar que é para um público que tem interesse no universo executivo, quem têm outros interesses a aqueles expostos num Big Brother, por exemplo. Obviamente que os anunciantes são diferentes, com outro foco. Mas não ao compararmos com as fatias de mercado que o programa atinge, acho que têm melhores e mais caros patrocinadores.

Mas voltando a edição especial, esta era composta por 16 universitários, que passaram por testes de lógica na primeira etapa, onde foram divididos em dois grupos de 8 pessoas. Porém, a regra era excluir o grupo que fosse pior nas realizações. Ou seja, tirar 8 pessoas independente das características individuais. Bem, há de ter critério, e este era o critério. Depois foram para uma segunda etapa, onde dividiram em dois grupos de 4 pessoas para perguntas e respostas. Assim eliminando mais quatro candidatos. Os quatro últimos disputaram mais perguntas e respostas, onde uma das candidatas superou e muito as questões, indo para a fase final com o segundo colocado. A fase final foi baseada na letra do hino nacional e a disputa estava encerrada.

Duas coisas a respeito deste episódio: que a educação brasileira decaiu tanto, mas tanto, que nem o hino nacional esses meninos sabem mais. Era bastante chato ter que decorar a letra do hino para o sete de setembro, quando criança, mas até hoje sei grande parte da letra graças a isso. As datas, questões de “relativa importância”, foram piores que a encomenda: fora a ganhadora, praticamente ninguém sabia data alguma. Esta questão reflete uma tendência que escapa a articulação de idéias. Vamos a data em questão: Qual o ano da proclamação da República? Somente a vencedora acertou, dizendo 15 de novembro de 1889. Um colocou 1988. Esta foi a data da abolição da escravatura no Brasil, pela lei áurea. Menos mal, pois os fatos são interligados de certa forma. Mas há de convir que se fosse que os outros candidatos escrevem 1822, data da independência do Brasil, até seria aceitável. O que não é aceitável escrever 1840, que se não me engano, nada aconteceu. Poderia dar outro exemplo: Ao se perguntar qual foi o primeiro presidente eleito pelo voto direto, dois participantes escreveram Tancredo Neves. Não é uma questão fácil saber que foi Prudente de Morais, um presidente sem maior projeção; é complexo mesmo. Mas Tancredo Neves já é demais. Justamente porque sua eleição foi indireta, fruto de uma enorme articulação, da derrota do movimento “Diretas Já”, que também foi resposta de uma das questões. As datas não têm importância quando se sabe o contexto, a interligação. O que poderia chamar de história interpretativa. Mas não se pode ignorar as datas e as interligações. Isso é ignorância.

A ganhadora desta etapa especial se saiu muito melhor aos seus companheiros, que não conseguem ir muito além de uma cultura pop mitificada. Um deles, até ironizado por Roberto Justus, tinha Vinicius de Moraes como resposta a tudo. Entendo que quando se coloca Heitor Villa Lobos e Caetano Veloso no mesmo patamar de qualidade musical, não se poderia ter mais do isso. Durante a minha geração ainda pairou a MPB com os mesmos nomes de hoje e desde os anos 1970, com boas pitadas de bossa nova. Mas houve nos anos 1980 uma cultura pop que importou um jeito de fazer um “rockinho”, bem brasileiro. Mas a matriz era muito mais externa que interna, sabe-se muito bem. Nos anos 1960 e 1970, essa matriz era mais aberta e a qualidade nacional muito pior. Certo que é difícil comparar um Roberto Carlos nos anos 1970 com um RPM nos anos 1980. Roberto tinha uma banda que o acompanhava, com instrumentos de época, com gravações em estúdios com pouca tecnologia. Já o RPM conseguiu o que havia de melhor em termos de tecnologia, num nível semelhante ao internacional. O sucesso de um não pode se comparar ao do outro, pois Roberto se reciclou e sobrevive até hoje, claro, falando a outros públicos (muito outros, talvez em parte até àquele que era jovem em 1970) enquanto que o RPM foi um “vento”, assim como muitos nomes naqueles anos. Mas nos anos 1990 não havia mais algo que fosse “o ruim” dos anos 1990, sem dar mãos àqueles mesmos nomes conhecidos da MPB. Quando digo “o ruim” é porque sempre a geração anterior fala que a outra atual é muito pior. Uma coisa de falar que os anos 70 eram melhores que os 80 que eram melhores que os 90 etc. E que tem muito de verdade, mesmo. Mas não se pode fazer disso um mito. Que é nítido que o Brasil teve uma enorme queda na qualidade dos produtores de cultura (escritores, poetas, músicos) a partir dos anos 1950, chegando ao nível atual. Claro, no mundo inteiro isso aconteceu, mas o caso brasileiro é pior.

Além da decaída cultural, o que mais atrapalha o desenvolvimento e a questão de impossibilitar as escolhas. Com o atual pensamento “politicamente correto” certas questões de ordem de escolha ficam truncadas, ao ponto de se perder o senso da qualidade das coisas. Bem, isso já foge um pouco desde comentário televisivo, mas é interessante deixar claro que não é porque gosto de algo que este algo é bom. Nem porque algo é uma “unanimidade”, como Caetano Veloso, que faz dele um “gênio”. E isso serve para tudo.

Os três textos

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