novembro 17, 2007

Logo mais...

Estou bastante ocupado, mas em breve tenho que postar algumas coisinhas...

Quero dizer que este feriado não foi o que eu esperava: nem sol, nem verão... Nem ficar sem trabalhar... Muito menos descansar e o pior de tudo: ficar gripado.

Quando estiver melhor, sem febre, volto a escrever (certo que escrever com febre deve ser uma emoção, hahaha!).

novembro 12, 2007

Hippies malditos

Nada contra ao visual, os discos, as danças, as modas, mas nada mais interessante de reconhecer quando algo acabou... Vamos pensar na Bossa Nova, acabou. Era boa. Boa produção musical, mesmo às vezes tendo algumas rimas ruins, mais tudo ali tinha uma história. Diga-se de passagem, era uma parte da música brasileira, talvez uma das boas coisas feitas na música brasileira. Mas não sei dizer se motivavam jovens, como a Jovem Guarda. Alias em recente biografia de Tim Maia, escrita por Nelson Motta, há alguns comentários sobre a Jovem Guarda. Tem algumas figuras da música brasileira que mereceriam melhores estudos e muito menos emoção. Acho que essa biografia de Tim Maia inicia isso, muito melhor que a não autorizada biografia emocionada de Roberto Carlos.

Mas voltando a Bossa Nova, um belo livro sobre o período é Chega de Saudade, de Ruy Castro. Começa contando a história de João Gilberto, passando por inúmeras pequenas histórias. Muito boa leitura. Muito melhor que ver os hippies malditos invadirem a cena, perturbando os bons moços da Jovem Guarda e iniciando a peregrinação à Meca brasileira dos anos 1970: Salvador. De lá saíram novidades, a tal “tropicalia”, movimento tropicalista ou qualquer outro nome que foi dado a esta coisa hippie brasileira. Nesse ponto sou totalmente favorável ao que Ozzy dizia em 1970, quando do lançamento de seu primeiro disco com o Black Sabbath, onde lembrava que o mundo não é de paz e nem muito menos de amor... É engraçado como se misturou muito essa idéia hippie em meio ao nascimento do heavy metal e é tão nítida sua diferença. Ta bom que muita coisa estava mesmo misturada, mas depois de algum tempo, principalmente no final dos anos 1970, a diferença era gritante. E no Brasil, nada... Essas coisas de adaptar ao “jeitinho” brasileiro as tendências internacionais sempre saem alguma coisa boa e alguma coisa medonha... O movimento punk me parece ter sido muito bem sucedido no Brasil. O New Wave também, mesmo sabendo que as bandas que eu acho que foram os “brasilians new waves” pedem distância deste rótulo...

O pior é ainda hoje, passados tantas outras tendências e pensamentos, é existir gente que ainda vive num movimento hippie eterno, misturando a natureza com a vida e achando o paradigma de um mundo diferente... Tenho verdadeira aversão a pessoas que querem mudar o mundo. Uma vez, num Globo Repórter, apareceu uma família que mora numa pipa (grande barril de envelhecimento de vinho) em meio a uma enorme área verde, cuja esposa declarava que todos deveriam viver daquela forma. É uma estupidez sem tamanho. Se todos vivessem em pipas em meio a enormes áreas verdes, seria o mesmo de destruir todas as reservas indígenas, todas as reservas florestais e ainda assim teria muita gente morando no meio do gelo... Uma das primeiras questões a serem abordadas está obviamente na questão que o “eremita” nunca desenvolveu nada e que muito do se conhece hoje por tecnologia só foi possível pelo advento das cidades. Como se faria um teatro com todos morando no meio do mato? Ou melhor ainda, uma escola? Existem certas condições que a cidade cria que são inigualáveis.

Não é a toa que hoje o campo é um espaço com cada vez menos gente (tendência mundial) e que as cidades vivem um momento de extrema mudança, onde os pólos industriais se distanciam dos centros urbanos e existe uma onda de novos serviços. Durante o Império Romano, Roma chegou a ter quase um milhão de habitantes. Durante a idade média o povo voltou ao campo, e o sistema feudal mantinha pequenos agrupamentos que hoje poderia declarar como “auto-sustentáveis”. E isso era bom ou ruim? Tinha lados bons e lados ruins, oras. Basta conhecer a história e avaliar. Mas hoje quem tem em mente voltar ao feudalismo deveria rever suas críticas ao capitalismo, única alternativa ao feudalismo, lembrando que o socialismo nada mais é, segundo Karl Marx (que lixo, usei o nome desse infeliz no meu blog, eca!), que a “evolução do capitalismo”.

Garanto que os “brasilians hippies” nunca leram nada e nem sequer entendem os princípios que fez com que existisse um movimento do “não faça guerra, faça amor”, mas nunca, e isso tenho certeza, se preocuparam em saber quais os danos do “não guerra” causou depois. Reflexão só existe sempre de um único lado, impressionante isso... Bem, é fácil de saber, basta pesquisar sobre Pol Pot... E o Ozzy que tinha razão, isso sim!

Fala que eu te escuto...

Já notaram o aumento enorme de qualidade nas reportagens do programa da TV Record (ou seria da Igreja Universal do Reino de Deus?) Fala que eu te escuto? O Programa antigamente era meio tosco, um pastor falando com as pessoas da igreja etc. Agora aborda temas e tem séries de reportagens antes de entrar o pastor falando (como antigamente, igualzinho...). Mas a qualidade das produções é profissional. Muito bom, mesmo que o resto continue sendo meio igual. É estranho, mudar e ficar igual... Mas os temas são bons, quem sabe no futuro sejam mais aprofundados... Sou otimista...

Robert Plant e Alison Krauss

Recebi dia desses o aviso de ofertas e lançamentos da livraria Borders. Dentre os destaques estava o álbum de Robert Plant e Alison Krauss. Nada li a respeito na mídia brasileira, em destaque. Também não sei dizer se o álbum é bom, somente fiz uma breve audição no site oficial e me pareceu interessante. Depois de algum show de reunião dos membros do Led Zeppelin, me parece que Plant esta andando no caminho que Richie Blackmore já trilhou a mais de dez anos... Não da mesma forma, claro... Mas o caminho muito mais harmônico que aquele da vibração que tanto Deep Purple quanto Led tinham nos anos 1970.

Antes de tudo é sempre bom dizer que sempre fui muito fã de Deep Purple e nunca fui muito entusiasta de Led Zeppelin. Questão de gosto e de opinião. E sou fã de primeiro momento do projeto Blackmore´s Night. Este projeto de Plant não se parece em nada com Blackmore´s Night, mas o fato de ser harmônico me interessou mais do que se fosse uma proposta pop sem conteúdo, como já vi de outros músicos daqueles anos, ou aquelas voltas sem graça, como foi o “No Quarter”, ou mesmo o Coverdale & Page... Eu acho muito mais interessante algo novo, algo como Clapton já fizera de saber envelhecer e abrir novas fases na vida e não ficar revivendo um passado de glorias.

Boas vindas a este novo trabalho, que com o tempo volto a falar se ele me agradou.

novembro 09, 2007

The song from Louisiana…

This song is one of two official songs for the State of Louisiana.

“You Are My Sunshine
My only sunshine.
You make me happy
When skies are grey.
You'll never know, dear,
How much I love you.
Please don't take my sunshine away (…)”

Click here for more information.

novembro 08, 2007

Momentos mágicos

Momentos mágicos estão próximos. Josep Maria Montaner estará no Brasil. Vamos ver como é escutar alguém que dez anos atrás me foi de enorme valor. Meu espanhol está apuradíssimo! Tenho já uma dúvida para tirar com ele... Vamos ver como serão os eventos. A Bienal Internacional de Arquitetura se inicia este sábado. Comentários não faltarão.

novembro 06, 2007

Dois estados simultâneos

Esse vai ser um texto rasteiro, meio rápido. Mas serve como guia de um pensamento relacionando muito bem as posições às vezes ditas conflitantes dentro da personalidade do “povo” brasileiro. Está baseado em segunda mão com o livro de 1933 de Gilberto Freyre. Por que digo segunda mão? Pois além de estar no meio das leituras esse “fechamento” é interpretativo. Ela também está em alguns textos de Daniel Piza, que foi de onde partiu o primeiro detalhe, juntamente do comentário de um texto de Freyre comentando alguns pensamentos de Aldous Huxley. A fonte está dada, vamos ao texto.

Primeiramente, o que se deve levar em conta se um dia já passou por isso. São dois estados simultâneos no mesmo individuo, mas não acontecem ao mesmo tempo, obviamente. Foi brilhante ter lido este texto agora pouco. Estou entusiasmado pela idéia. Já se pegou falando mal do Brasil, sobre alguns aspectos, como política, economia, segurança? Já se pegaram em outro momento falando das belezas naturais do Brasil, de certos brasileiros, como Senna, Pelé, Oswaldo Cruz, Oswaldo Aranha, D. Pedro II, José Bonifácio de Andrade e Silva, Joaquim Nabuco, Manuel Bandeira, Olavo Bilac, Machado de Assis, etc.? Mas o maior exemplo, e também o mais bobo, é o da seleção brasileira de futebol. Quando ganha são o “orgulho nacional” e quando perdem são simplesmente um “bando de pernas de pau, milionários, jogando de salto alto”. Esse complexo de superioridade e o de inferioridade se manifesta não ao mesmo tempo, mas em muitos casos com pequena diferença de tempo, sobre o mesmo tema. Ou como falam para isso é bom e para aquilo é ruim, etc... Às vezes há unanimidade, mas como Nelson Rodrigues sempre dizia, “toda unanimidade é burra”. E isso que se fala do “povo” brasileiro, que é alegre, que é inventivo, que é em uma palavra só: singular! Hahahaha!

Não é genial entender isso? Entendendo que esta manifestação nada mais é que uma pequena fuga da realidade, tentando por algum meio uma esperança na melhoria das coisas e na decepção, nos momentos de altos e baixos que manifestam o total despreparo para compreender questões universais. Seria algo como “no Brasil é diferente”. Algo que faz as pessoas buscarem algo diferente da realidade, dizendo buscar a realidade, algo que para isso dizem fazer uma descoberta, ou levar um tema somente pela superficialidade, repetindo como um mantra. O principal disso se encontra em matérias espirituais, das quais não sou lá muito adepto, onde o “sentir” é mais importante que o “entender”. Sempre, segundo Reinaldo Azevedo, se deve desconfiar de verbos substantivados... Mas, brincadeiras a parte, o objetivo aqui é aprofundar um pouco, depois dessa exposição da problemática. Estou com certo sono, além de estar muito cansado, mas é bom deixar o texto assim, para analise das idéias apuradas e, claro, são muito bem vindos comentários. Acho que nunca havia deixado textos crus como este. Eu gosto mesmo, como já falei aqui, de um texto mais exposto, já que além da problemática de escolher bem as palavras, sempre algo fica subentendido, subliminar, que muitas vezes não é intencional. Normalmente quando a intenção é essa eu pouco disfarço. Nada temo de mostrar as fontes. O que é meu, é meu, oras. Assim como uma idéia de Aldous Huxley, de George Orwell, Gilberto Freyre, Ortega y Gasset, Robert Musil, Albert Camus, René Guénon e até da vovozinha torta são deles mesmos.

Bem, ao passo que este fenômeno acontece, o uso de momentos de “orgulho nacional” para manipular a opinião pública sob fatos é a parte ruim dessa história. Imagine o caso de quanto se distorce a realidade para dizer que algo não é aquilo que você acha que é porque o discurso é bom. Seria aquele aspecto de olhar o copo com água até a metade e dizer que está meio vazio ou meio cheio. Aquele caso de não entender certas realidades. Esta do copo mesmo, é um copo com água pela metade, como disse. Se se está com muita sede é péssimo, mas se este se vira e derrama a água em seu terno Armani (aquele que você veste sob a camiseta do Megadeth...) é ótimo que esteja pela metade... Ou pior, aquele discurso do “veja bem, existe um lado bom nisso”. Sempre tem lados, sempre tem versões. Não sei como isso se originou, mas os que tentaram explicar sempre barram nesses dois estados da imaturidade. Dizer que o Brasil é bom de bola por que tivemos Pelé, Garrincha, Romário não é dizer nada. Se ninguém mais jogar futebol? Nenhuma criança. Todas resolveram ir jogar tênis por causa do Guga, por exemplo. Então como seria este o país do futebol, seria o país do tênis do futuro? Os aspectos culturais estão mais ligados a outras condições. Por ter tido um Pelé é que se tem hoje futebol mais profissional e uma referencia. Se nunca nenhum piloto brasileiro tivesse participado com vitória da F1, ela seria importante? Agora somos os maiores pilotos do mundo por ter tido Piquet, Fittipaldi e Senna? Rubens Barrichello já nos apresenta que não... Então o que representa a cultura de uma nação? São atividades em torno de como se resolvem problemas, de como se organizam para tal, de que “lutas” são partidários, etc. São inúmeros outros aspectos, entre eles a língua falada. Porque o português de Portugal é diferente do brasileiro? Por todas essas influencias de que fomos apresentados e que Portugal não foi. Parece óbvio agora, não? Porém, ninguém se desdobra em saber quais são os problemas brasileiros reais e que solução está sendo dada. Como Diogo Mainardi já disse alguma vez em seu podcast, não é com aulas de tambor e nem com o aborto que se resolvem problemas da violência no Rio de Janeiro. Agora, como atualmente somos compelidos a ver a política se transformar em um ato de popularidade e não de idéias reais ou de debate da solução dos problemas (quero demais, também...). É fácil entender por que às vezes é melhor viver numa outra realidade, uma moldada.

O sono me impede de continuar hoje... Mas vou caminhando, sem objetivo nenhum de esgotar o tema.

novembro 03, 2007

Copa 2014

Ao mesmo tempo em que fico feliz que a Copa do Mundo de futebol seja realizada no Brasil, em 2014, fico ansioso em como será que vai ser a organização do evento, a construção dos novos estádios, as reformas nos estádios existentes... Sem contar como será a reformulação da malha turística. São tantas as dúvidas que me faz lembrar dos anos 1950... Tudo era muito mais fácil... E o Brasil dos anos 1950 é, em parte, ainda o mesmo, o mesmo Maracanã, praticamente o mesmo Morumbi, o mesmo Pacaembu... As cidades cresceram a população deve ter quadruplicado, mas a estrutura esportiva não está lá muito diferente. Até hoje não vi um debate sério sobre os Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro. Só se sabe que nada saiu muito errado, pelo menos aparentemente.

A Copa de 1950 foi disputada no Brasil, assim como os jogos Pan-americanos de 1963 em São Paulo. O Pan do Rio de Janeiro agora em 2007 e a Copa em 2014 com certeza colocariam mais o Brasil na rota mundial de eventos esportivos. Já é, hoje, rota dos grandes shows, mesmo com os preços absurdos que são cobrados. Só quero ver quanto serão os ingressos para ver os jogos da Copa... O Pan foi em média até barato, mas também não se sabe quanto foi arrecadado. Não se sabe nada. Acho que quando souberem a Copa vai parar no Canadá. Bem, a Copa é um evento muito diferente de um Pan...

Uma outra condição parece ser interessante sobre a Copa de 2014: que a política brasileira terá que se arrumar até lá. Essa história de terceiro mandato de Lula não seria nada boa para a condução dos trabalhos de organização. Tem horas que eu acho que a política deveria fazer as coisas acontecerem e não fazer média e politicagem. Só aguardar e ver quais grandes conquistas teve o Brasil nesses últimos cinco anos, principalmente nas crises energética (gás natural e energia elétrica), aérea, portuária e rodoviária. O detalhe que só o tempo dirá que nada foi feito, ou quando colheremos o resultado da privatização das estradas, simplesmente dez anos depois das rodovias paulistas. Aqui cabe dizer que acho ridícula a cobrança do IPVA, já que nada do dinheiro é levado à manutenção de estradas e as que são conservadas custam absurdos valores de pedágio. Certo que com a nova privatização esses valores serão menores, o que não quer dizer que serão rapidamente solucionadas as pendências das estradas. Em suma, nada andou e o que vai andar estará a pelo menos 2 a 4 anos de distância a partir desse ano de 2007.

Como serão feitas as licitações dos estádios para esta Copa? Será que a arquitetura brasileira terá condições para projetá-los? Os do Pan ficaram até razoáveis. A dúvida está na condução dos trabalhos para a Copa de 2010 na África do Sul. Um “se a África faz, nós também temos condições” está fora de questão, pois, se lá nunca houve nenhuma competição não se espera lá grandes conquistas, mas sim um apoio para que possam desenvolver-se. Já aqui no Brasil a condição é outra. Temos o Canadá e os Estados Unidos na busca de sediar a Copa em qualquer hipótese de falha na condução da organização. Lembrando que os Estados Unidos foi sede da Copa de 1994 e das Olimpíadas de 1984 e 1996 e o Canadá fez um mundial espetacular, em termos de organização, de Sub-20 este ano e o Pan de 1999, em Winnipeg.

novembro 02, 2007

November Rain

Zakk Wylde - Guitarrista do Black Label Society e Ozzy Osbourne.
Nem parece, mas estamos já em novembro. O calor é maior e começam as chuvas. De certo ângulo até gosto dessa situação. Principalmente do calor. Nem tanto das chuvas. Nada dos trovões. É hora de começar a pensar em 2008. De se preparar para novos desafios e esquecer a parte ruim deste ano. Planos é que não faltam... Basta um “choque de gestão” e umas metas para chegar aos meus objetivos. Falando em objetivos, outro dia uma amiga disse que meu blog não tem objetividade... Eu explicando: É proposital! Se existe um caminho e eu não sei qual é, é óbvio que não terá objetividade. O importante está nas sensações e em muitos pequenos detalhes que desde o começo desde blog fui descobrindo e apresentando. Não é ainda algo autoral, tudo ao seu tempo Como sempre dizia Mies van der Rohe, “Deus está nos detalhes”.

Lembrando da minha primeira postagem, em 6 de abril de 2007:

“Do ponto de partida ao ponto final se traça um caminho. Este pode ser curto, longo, sofrido ou mesmo tranqüilo. Nunca saberemos qual caminho realmente tomamos à não ser no ponto de chegada. Assim inicio esse blog, timidamente e sem saber aonde vou chegar. Aqui vou falar de tudo um pouco: da arquitetura, do urbanismo, da literatura, da arte, da vida, da cultura, da música, do cinema e até do futebol. “Tudo ao mesmo tempo”, ou quase tudo, em tempos diferentes. Mas o importante é o caminho, sempre. Caminhar é preciso.” (aqui)

Quase trezentas postagens depois minha avaliação é que se melhora muito com o exercício da escrita. Ter o que dizer eu até tenho. Seguindo uma linha que seria de não falar que sei o que não sei e nem muito menos dizer que não sei o que sei. Que difícil...

Dessa primeira postagem queria complementar que a única coisa difícil de entender e que com o tempo pude comprovar é que não existe ponto de chegada. Ponto de chegada existe para coisas e não para o pensamento. Essa é a parte mais legal de se fazer coisas. Por exemplo, um livro é uma coisa. Um álbum de fotos é uma coisa. Todos têm começo e fim. Mas um álbum de fotos de toda sua vida será sempre sem fim, sem ponto de chegada. Assim como os pensamentos. Hoje gosto de muitas coisas e muitas me desagradam. Tudo pode mudar. Digo, as coisas mudam. O pensamento não muda, ele se amplia e se renova. É o que eu posso chamar de reflexão. Por isso eu chamo de engano aquilo que não sabemos que estava por trás daquele pensamento e que descoberto por reflexão faz mudar um pensamento. Engano nada mais é que um pensamento sem a devida reflexão. Enganos acontecem muito. Faz parte de quem pensa. Quem não pensa não erra e não se engana, mas também não tem opinião.

Outra questão que aprendi a melhorar muito é a pressa. Caminhando e não correndo os tropeços são menores e menos doloridos. Sem contar que hoje quando vejo a quantidade de textos produzida fico feliz de ter tudo isso para compilar no futuro. Quem sabe daqui uns dez anos, como fez o Daniel Piza com sua coluna Sinopse, lançando o livro “Contemporâneo de mim”. Livro este de mais de 400 páginas com textos extremamente variados. Não sei se é a minha cara, mas talvez um dia captar tudo sobre um determinado tema e compilar, como arquitetura que ando um pouco ausente de comentar. Normalmente tenho que ter certa distância para conseguir comentar o que faço atualmente e ainda mais distância para sair da condição do olhar de aluno para o olhar do crítico. Nesse ponto que sinto mais facilidade de escrever sobre música e televisão principalmente, já que tudo o que faço faz parte da minha vida, mas a música e a televisão não são atividades profissionais. Praticamente tudo que escrevo está contido dentro do meu universo, não fazendo apologias maiores e nem muito menos pensando em escala universal. Aliás, isso é extremamente importante. Deve-se conhecer a si mesmo profundamente para depois pensar em algo maior. E é isso que faço. E o mais interessante desse caminho que tomei, em fazer um blog, esta na seriedade em que trato dos temas, mesmo com certas pequeninas pitadas de humor e raiva, coisas naturais de momento.

Estava lendo um texto de Daniel Piza, “Os bésti-sélers” (18/12/98) e pensando em como é bem verdade quando escreve que “(...) grandes escritores (...) só surgem em literaturas que já tenham uma tradição média consolidada e volumosa, “best-sellers” que enraízem o hábito de ler na população e criem pontos de referência para os grandes saltos” (PIZA, Daniel. Contemporâneo de Mim, 2007). E nesse texto fala também de uma questão importante: onde autores brasileiros querem ser “(...) um Mann, um Dostoieviski – o que explica a infinidade de subautores que temos, cada um emulando mal dissimuladamente o ídolo particular.” (PIZA, Daniel. Contemporâneo de Mim, 2007). Essa coisa de autores se esconderem embaixo de um grande autor internacional é a forma que sempre me desestimulou a escrever. Conhecia já alguns livros “clássicos” internacionais, mas era um leitor básico da literatura brasileira e portuguesa, ainda sem muita paciência para certos livros. Não tinha um “ídolo” escritor. Isso me desestimulou a escrever, na época de 1997, 1998, quando montei um site num daqueles provedores gratuitos, onde guardei muitas crônicas e outros textos de outros autores. Esta época que comecei, digamos assim, correr atrás daquilo que não tinha lido. E me dividia entre ler os textos sobre arquitetura moderna ou literatura. A arquitetura acabou ganhando muito mais espaço, pois todo dia era estimulado a ler algo, durante o período de faculdade.

Já a literatura, muito pelo contrário, somente um amigo meu, que muito me apoiou quando comecei a me interessar em fazer sites na internet, me deu apoio a escrever, dizendo que meia dúzia de palavras suas (minhas) valia mais que um livro todo de outra pessoa. Não é a toa que ele mora já quase há uma década em New York, pois aqui no Brasil não tinha espaço para suas idéias mesmo. É uma pena ter perdido seu contato. Mesmo ele sendo fã do guitarrista Zakk Wylde e tendo inventado uma ótima frase (que detestei) a respeito do guitarrista Yngwie Malmsteen - “Malmsteen é o guitarrista mais ecológico do mundo. Reciclou seus dois primeiros discos inúmeras vezes” – foi o único a me estimular a dar minha opinião aos fatos. Claro, não segui seus conselhos... E lembro tão bem que tinha uma visão bastante crítica daquela eleição de 1998, em que o tempo tratou de apresentar a todos que me cercavam os fatos que eu havia exposto. Assim como da mesma forma tive a oportunidade de ver um conhecido mudar de opinião de uma eleição para outra, simplesmente fugindo da questão. Era a farsa de moldar o debate, que hoje, devido ao estudo junto aos apontamentos do filósofo Olavo de Carvalho, venho me distanciando absurdamente. Agora quem foge (para deixar de perder tempo) de discutir esses assuntos sou eu... Mas bem que gostaria de ler meus pensamentos daqueles anos. Morro de rir de minha poesia inacabada – Sombras da Noite – que comecei a escrever em 1993.
Contradição: é um dos efeitos do leitor não muito atendo ao que escrevo. Tudo tem uma lógica, mas conforme já escrevi aqui não estou ainda apto a detalhar e nem muito menos acho que está devidamente exposta (E por que não? Pode existir sim contradição no que escrevo... Nada que um recado não nos obrigue a falar a respeito, por isso existe a área de comentários).

Uma graça com o futebol

Renata Fan - Apresentadora da TV Bandeirantes
Certa vez lembro da frase que um amigo usava no MSN. Na época eu até usava o MSN Messenger... Era a época da Copa de 2006 e aquelas mesas redondas sem imagens dos jogos eram intermináveis (pois só a Globo tinha as imagens). Era gente torcendo contra o Brasil, dizendo que era a pior copa de todos os tempos, etc. A frase desse meu amigo, que não sei se é dele ou copiada de algum lugar, definia bem essa época:

“O futebol no Brasil é geométrico. Discutido em mesas redondas por bestas quadradas.”

Eu nunca discuto futebol. Para tal seria necessário um monte de dados, estatísticas, etc. que costumo ignorar (já que na prática cada jogo tem suas particularidades). Não por ignorância, mas por purismo mesmo. Eu gosto de ver qualquer jogo, por pior que seja. Mas minha ordem para as coisas são mais ou menos estas: seleção brasileira, seleção alemã e jogos do Corinthians. O resto é resto. De mesas redondas, gosto particularmente do Milton Neves. Não tanto por ele em si, mas é a que dá a cara à tapa. O programa da Renata Fan é chato, só ela tem graça (e que graça). Agora, como eu disse do Milton Neves, ela tem time: O Inter de Porto Alegre. Da mesma forma, a Renata Cordeiro que trabalha com Milton neves, é uma flamenguista. Até hoje não sei se o Milton Neves é santista ou torce pelo Atlético Mineiro... E isso que acho válido. Ter lado. Detesto isenção sem isenção. Prefiro quem assume em que lado está.

Fora isso, as histórias das mesas redondas são muitas vezes chatíssimas. Remontam a passados que nada dizem do presente. Futebol no Brasil não está nas mãos de pessoas que entendem de esporte. O jornalismo de futebol (e esportes em geral) é muito, mas muito melhor que os líderes dos clubes. Os atletas são bons, isso não tenha dúvidas, mas a organização e alguns técnicos, que de técnicos não tem nada (falando tecnicamente, são quase uns bárbaros – parecem lutadores de boxe – eye of the tiger, man!), sem contar os dirigentes de clube... Sem palavras para descrevê-los. Mesmo com tudo isso, o futebol brasileiro ainda é alguma coisa... Clubes como São Paulo (acho que só tem ele mesmo) é exemplo de boa administração (em nível mundial) e acho natural pleitearem a abertura da Copa de 2014 para seu estádio (já que é inevitável que o Maracanã, palco da final da Copa de 1950, seja também o local para a decisão final da Copa de 2014). Agora, falta no Brasil mais uns dez clubes iguais ao São Paulo. Teve época que achei eu que o Inter, o Vasco e o Cruzeiro poderiam ser os prováveis próximos times a se profissionalizar, mas estava enganado... Não adianta ser campeão do mundo para isso. Um timinho aqui do Estado de São Paulo já foi muito mais profissional: o São Caetano. Hoje esta na segunda divisão... Nada novo acontece no futebol e isso dá até receio de ter uma copa aqui. Volto a falar disso noutra postagem.

Voltando às mesas redondas, nada se discute sobre os rumos do futebol brasileiro. Tudo permanece sempre sem rumo. Novas direções, novos jogadores, times de base, convocações para seleção, vendas de atletas e a picaretagem impera. Pelo menos vamos concordar que os campeonatos já estão mais organizados e honestos. E que a loteria esportiva precisa ser urgentemente renovada. É lógico que sou a favor da liberação do jogo e nada mais justo de melhorar a loteria esportiva para que todos ganhem - o Estado, este que nunca vai perder mesmo, times e apostadores. Mas é lógico, o Estado prefere dar um “troquinho” patrocinando atletas pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, do que fazer com que surjam estruturas esportivas comparáveis aos clubes de times de futebol. Além de claramente ganhar uma ótima verba pela Megasena sem ter que reverter nenhuma parte para nenhum clube ou entidade esportiva. Os clubes conseguem viver sozinhos, na área de futebol. Mas para ter outros esportes é ainda necessário algum subsídio estatal, até que estes novos esportes se profissionalizem e se tornem negócios auto-sustentáveis e, por que não, lucrativos? E esse subsídio já existe, só não é eficiente. O dinheiro não toma o rumo desejado e nem muito menos os clubes trabalham por melhores resultados. Para quem joga dá na mesma se o dinheiro vai para os bolsos dos políticos (ops, governo) ou não (até por isso nem acho grande coisa ficar jogando). Mas para os clubes seria uma ótima medida, se, lógico, tivesse contrapartida. Vejam quantos jogadores brasileiros conseguiram dinheiro com seu talento (praticamente nato) e foram parar em times estrangeiros. Mas não, o governo prefere é falar sobre sua “bondade” com os patrocínios das estatais, tanto o do esporte com BB e Caixa, quanto o da cultura com a Petrobrás, mesmo nenhum deles se desenvolvendo para não necessitar dessa verba futuramnete. Isso até faz sentido, afinal, são mesmo uns socialistas, devem estar se baseando nos critérios esportivos de Cuba... Nesse aspecto, dizem eles, Cuba é um “exemplo”... Gastam uma grana em atletas que nunca podem curtir as glórias individuais de suas conquistas, já que nada mais são do que meros instrumentos para a ditadura da revolução socialista. Prefiro um Pelé, conhecido mundialmente, a qualquer timinho ou atleta cubano... Quero ver Cuba produzir meio Pelé! Ou quem sabe, 10% de um Ayrton Senna. Imagina então ter ao mesmo tempo (não exatamente ao mesmo tempo) Senna, Pelé, Fitipaldi, Garrincha, Guga, Gustavo Borges, Fernando Scherer, Daiane dos Santos, etc... De resto, a principal vitória do esporte é a liberdade, coisa impossível para um cubano... É, acho que Karl Marx esqueceu de escrever o manualzinho do esporte para socialistas... Sem contar que esqueceu também o manual sobre o turismo, sobre a música, sobre os meios de comunicação, sobre a liberdade então...

Bem, ficamos assim: eu assisto às mesas redondas até a primeira besteira falada, depois mudo de canal, de preferência para a Globo! De volta a questão central, um dos poucos estilos de programas que a Rede Globo nunca teve, pelo menos que eu me lembre, foi o de mesa redonda de futebol. Lembro que depois do Fantástico tinha “Os gols do Fantástico”, atualmente dentro do próprio programa, o que faz as pessoas assistir o programa todo para ver todos os gols... Ou esperar o Globo Esporte de segunda-feira (muito melhor – se você tem um vídeo cassete ou se sua TV grava a programação não existe desculpa para não assistir ao Globo Esporte de segunda-feira... Isso era coisa de tempos pré-históricos de ficar vendo os programas no dia e na hora que passam... A tecnologia serve para isso. E nem precisa ser grande tecnologia, vídeo cassete, VHS, já resolve).

One night in Bourbon Street...

Diretamente de New Orleans, tive o prazer de assistir o cantor e saxofonista Gary Brown esta semana, no Bourbon Street. Estava cansado. Mas foi uma noite inesquecível de um dia duro (parece até Beatles)*. Era aniversário de uma grande amiga também. Ou seja, além de ver um ótimo show estava junto com ótimos amigos fazendo a noite ser ótima também. Parece até fórmula perfeita, mas que algo de mágico houve, houve. Estava cansado e sem animo e lá dentro tudo mudou com o show... Não sei dizer, mas até o dia seguinte estava médio rouco, mas bem, muito bem. Sempre perco a voz. Até hoje não sei por quê.

Mas voltando ao show. Gary Brown é anunciado e o palco se acende, sem ninguém. Ele vem da parte de cima do bar, tocando saxofone, passando pelos camarotes e meses, praticamente conversando com o saxofone. O verdadeiro músico fala com seu instrumento. Estava ele de terno e gravata, normalmente como um músico de jazz se apresenta. A banda de apoio era muito boa, não vou entrar em detalhes, se não terei que falar do baixista egípcio...

O repertório, nem te conto! Iniciou-se depois da breve apresentação com uma música de Gilberto Gil, passando por Djavan, Bob Marley e músicas como “Just a Gigolo” e “I feel good” e finalizando o show com uma surpresa incrível: “Love Generation”, de Bob Sinclar! Impossível não se mexer. O detalhe é ver Gary Brown cantando em português com sotaque inglês. Demais!

Sempre é bom ver um bom show. O Bourbon continua o mesmo. Não sou assíduo freqüentador, mesmo morando muito perto. Desde abril desde ano que não assistia nada lá e na mesma semana passei duas vezes. Para ver a cantora Graça Cunha e esta noite com Gary Brown. Fui também à festa de rua, o Bourbon Street Fest deste ano. Mas, como disse, não sou assíduo... O serviço deles continua o mesmo: atrapalhado. Podiam ser um pouco melhores para que eu possa elogiá-los alguma vez na vida...

“It's been a hard day's night
And I've been working like a dog
It's been a hard day's night
I should be sleeping like a log (...)”

*Beatles - A hard day´s night

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...