Caminhar é preciso. Três perguntas se tornam importantes: Quem é você? De onde você veio? Para onde você vai? Por todas elas existe um caminho. Nem sempre chegar é o mais importante.
outubro 28, 2011
Por que a Europa continua sendo o centro do Mundo...
abril 11, 2010
As linhas tênues do entre e o então...
Também não sou de esquerda. Sou um tipo meio conservador, meio liberal, mas que antes de tudo segue alguns princípios que são inegociáveis, tais como liberdade de expressão, liberdade de opinião, liberdade, antes de tudo. Quando morei nos Estados Unidos entendi que a liberdade tem regras. E até hoje vivo um misto entre as regras para a liberdade e a impostura que temos no Brasil. Desde os tempos de faculdade via como alguns colegas tinham dificuldade em seguir regras. O curso de arquitetura é bem livre e infestado de idealismos e cada um deles tem regras, por mais incrível que possa parecer. E o pior de tudo é a total cegueira para se entender conceitos, diretrizes, o que chega a ser algo muito aborrecido. Para ser mais exato, não tenho lá muita paciência. Fico feliz por pessoas como a Norma Braga se dedicarem a explicar certos conceitos. Não sei nem se eu teria capacidade comunicativa para explicar o que me parece óbvio. Certa feita lembro de um texto do Reinaldo Azevedo, que falava algo mais ou menos no sentido de que só usando da lógica dá para desconstruir algumas “verdades”. Em suma, se algo lhe parece estranho, basta que some as partes, analise os fatos e tire alguma conclusão. Esse pequeno esforço chega a desmistificar várias questões que parecem complexas e chatas. Aliás, por ser chato, muita gente não enfrenta esse tipo de pensamento; se incomodam, mas não enfrentam.
Eu sempre passo por um fã do Fernando Henrique Cardoso toda vez que analiso alguma “mística” do governo Lula. Não entendo muito bem o fato, pois normalmente o ex-presidente nada tem a ver com o assunto. E quando digo que a política não me interessa, mas sim as ações dos governantes e, claro, seus conceitos utilizados para a tomada dessas decisões, me falam que eu só falo sobre política. Eu, como praticamente todo arquiteto, quando começo a escrever viro um misto de sociólogo e inconformado. O problema é que nos anos da juventude sempre se quer “mudar o mundo”. Se passa um tempo e simplesmente paramos de nadar contra a maré e passamos a ”integrar o sistema”. As críticas continuam, mas descobrimos que não se muda o mundo, só no máximo conseguimos melhorá-lo. E para esta melhora, as pequenas ações são mais importantes que as grandes. Por exemplo, ao separar o lixo reciclável, uma atitude fácil de fazer e oferece, partindo da pequena escala do indivíduo, uma melhoria muito grande no mundo, apresenta no Brasil certa resistência que não consigo entender. A lógica é simples: com o lixo separado se pode fazer um processo de reutilização que por sua vez polui muito menos. Olhando com a lógica capitalista, isso gera uma nova forma de empreendedorismo, um novo mercado, uma nova oportunidade a ser explorada, a da transformação de lixo novamente em matéria prima. Nada mais racional, nada mais óbvio. E porque há tanta resistência e tanta propaganda? E aí começam as pessoas de fé duvidosa a falar sobre “novos conceitos”, sobre “como fazer um novo mundo” e por aí vai. Mas no fundo há um aspecto econômico que faz desta pequena atitude politicamente correta um instrumento de engenharia social. Assim acaba por acontecer com um monte de outras coisas, criando novos mitos, novas místicas, que também não durariam a uma boa análise lógica.
Mas eu não vou falar aqui das atitudes politicamente corretas, mas do que faz as pessoas se entreterem muito mais com abstrações do que com ações reais. Ás vezes penso em como a realidade está à nossa frente e me falam algo que não faz sentido, baseado numa abstração qualquer.
Ando escrevendo um pouco de ficção. Gosto de escrever ficção. É um gosto que esteve adormecido por anos, que nem sabia que era capaz (não sei se sou bom, isso também não vem ao caso), mas que venho me dedicando, escrevendo, anotando e lendo. Lendo muito. Descobri que um escritor não pode não ter lido os clássicos. Dedico um tempo para esta minha “abstração”. Mas o conceito é justamente o mesmo que norteia a minha profissão: conhecer o que já se fez para poder trabalhar novos conceitos, superar novas exigências, sempre com muita criatividade. Nunca recebi um comentário negativo para os pequenos textos aqui postados. Mas ao falar da arquitetura já recebi de tudo. Descobri que escrever sobre Oscar Niemeyer dá ibope ao meu blog...
Fiz uma postagem em 2007 sobre uma profunda questão, que é o déficit habitacional brasileiro, onde criticava a saída de Niemeyer desta discussão (aqui), a partir dos anos 50 e 60, quando parou de projetar as mega-estruturas (não utilizo o conceito aqui, mas a idéia dos grandes complexos habitacionais, tais como o conjunto Pedregulho, de Reidy, e o Copan, alvo da tal postagem). Os comentários traziam questionamentos de outros conceitos, como sustentabilidade, críticas a pessoa do Niemeyer, críticas ao modernismo, porém, nenhuma questão focada no assunto que me preocupa: o déficit habitacional. Ok que o texto é prolixo. Eu sou meio prolixo, mas não há estudo nenhum a respeito desse desprendimento de Niemeyer sobre este tema. Em suma, fiz um questionamento inédito. E como é inédito, sempre tem alguém que pergunta de onde tirei isso. Oras, da minha cabeça. Se Artigas e Reidy trabalharam o tema, Paulo Mendes da Rocha e Lina Bo Bardi também, não consigo entender o porquê de Niemeyer não ser questionado. Me responderam que ele (Niemeyer) diz que pensar em conjunto habitacional é dividir as pessoas em classes sociais. Conforme escrevi acima, arquitetos quando escrevem viram sociólogos...
Mas, voltando às abstrações da realidade, o texto de Norma Braga, que abriu esta postagem, me alertou como temos que lutar o tempo todo para manter nossas liberdades. Até mesmo a liberdade de pensar em algo que até então ninguém pensou.
novembro 28, 2009
20 dias...
Bem, deixando de lado todas as outras coisas, estou escrevendo aqui para apontar um novo projeto, o qual ainda é secreto, não posso falar nada. Mas continuarei meio ausente aqui do blog, porém, não ausente das letras...
Diria que 2010 promete. Afinal, o mundo acabará em 2012 (sic)...
novembro 03, 2009
Para onde vamos?
Por Fernando Henrique Cardoso, no jornal o Estado de São Paulo de 1º de novembro de 2009.
Para onde vamos?
A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?
Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.
É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?
Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha Casa, Minha Vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.
Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU - contra a letra expressa da Constituição - vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: “L”État c”est moi.” Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.
Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam. Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas - com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde
novembro 02, 2009
Meus heróis morreram de overdose...*
“If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is, infinite.“
William Blake - The Marriage of Heaven and Hell.
Começar um texto que batizei com um trecho de uma música do Cazuza, já demanda certa dose de esforço fora do normal para ir em frente e pontuar alguns tópicos. Não tenho muita afinidade com as letras de Cazuza e sua música não teve para mim o mesmo impacto de outras bandas da mesma época, como até já me referi aqui neste mesmo blog. Mas algo dos meus 15 anos ainda permanece na minha mente e cada vez mais confuso. Não vou falar nada de Cazuza, mas de outras três personagens reais que me balançaram – e ainda balançam - em momentos diferentes e que acabaram por bater a minha porta por várias e várias vezes.Túmulo de Jim Morrison - Cemitério de Père-Lachaise, Paris.
O fator que me chama atenção na figura de Morrison está nas pequenas apresentações indiretas que me trouxe. Não poderia deixar de descrever a primeira apresentação indireta de uma música do Doors. Foi aos meus 10 anos de idade num disco, famoso à época, um LP da moda daqueles tempos, chamado Rádio Pirata ao Vivo, do RPM, onde Paulo Ricardo cantou incidentalmente Light my fire no meio de uma música. Isso data de 1986. Pouco tempo depois, em 1991, veio o filme de Stone. Mas Doors não parava ali a me apresentar novidades. Descobri o poeta William Blake através de Morrison. Depois, ao me interessar por ficção científica, acabo por descobrir Aldous Huxley, e o seu livro As Portas da Percepção – livro que dá nome à banda de Jim Morrison. De Huxley ainda acabei por ler Admirável Mundo Novo, e hoje é um dos autores que acabo por esbarrar na condução de uma busca intelectual e em muitos casos como simples citação – como a cerca de dois anos, citado explicitamente no texto de um arquiteto.
aordinário que ainda não consigo explicar em palavras, principalmente ao ouvir Over the mountain ou mesmo a pequena peça Dee. Por trás das guitarras ainda aparece a figura de Aleister Crowley. Rhoads continua a ser para mim uma das maiores incógnitas entre os guitarristas que aprecio.
Túmulo de Elvis Presley - Graceland, Tenesse. A terceira pessoa que vou comentar a respeito é a única que me deixa 100% confortável. Nestas poucas linhas a respeito de Elvis Aron Presley, gostaria de tentar explicar um dos maiores erros de interpretação que passam de geração a geração sobre sua morte: Dizer que Elvis era drogado. Naquele tempo, década de 1970, não se consideravam os efeitos dos comprimidos como um vício. Elvis tinha tido uma infância solitária e bastante pobre e em momento algum teve atos de revolução como outros astros que morreram naquela mesma década, como Jim Morrison, por exemplo. Elvis fazia pela música sua revolução. Não à toa, John Lennon, quando esteve pela primeira vez nos Estados Unidos, disse que conhecer Elvis foi o melhor de tudo desta viagem.Certa vez o jornalista Daniel Piza comentou sua inicial estranheza nos fãs de Elvis de sua fase final (gordo). Mas complementou que ao se descobrir o Elvis dos anos 50 dava para compreender a devoção. Elvis fez inúmeros filmes, mostrando até o Hawaii. Mas sua terra era mesmo Las Vegas. Até hoje, Las Vegas, com suas múltiplas transformações, ainda tem muito do espírito de Elvis. Era um super-astro e até hoje as peregrinações a sua casa e, conseqüentemente ao seu túmulo, atraem multidões. Um mito que se traduz numa música que marca gerações e que me foi apresentada ainda na infância. Se um dia alguém me perguntasse quais foram os primeiros discos que escutei, Elvis certamente estaria entre eles.
Nada mais impressionante do que falar dos mortos no dia de finados. Que estejam em paz e continuem a me guiar por estes caminhos que a vida me apresenta. Não estranho em falar de três personagens tão conhecidos e que influenciam até hoje inúmeras gerações. Eles com certeza ainda podem aparecer em mais outras tantas postagens.
outubro 01, 2009
Tecnologias...
Começo contando uma velha piada, cheia de pormenores ideológicos e carregada de um sentimento que a cada dia vejo se esvaziar das mentes pensantes:“Os engenheiros americanos da NASA desenvolveram uma caneta que possa escrever mesmo sem a força da gravidade. Uma caneta que pode funcionar na lua. Uma perfeição, uma esferográfica que independente da pressão atmosférica terrestre escreve. Já os cientistas do programa espacial russo adicionaram aos materiais de seus vôos um lápis...”
Essa história serve para ao mesmo tempo apresentar duas questões que passam dia sim, dia não, no meu cotidiano: certo nacionalismo bocó e a valorização de tecnologias inúteis.
Certa vez estava com um primo e este me disse que enquanto o celular dele funcionar ele estará a utilizá-lo. “Para quê celular com câmera, com música, com e-mail ou televisão? O importante é que se consiga ligar para as pessoas.” Por sinal há muito de verdade em seu pensamento. As tecnologias usadas de forma vulgar nada mais são do que meros brinquedos para adultos. Assim como muitas formas outras de tecnologia, simplesmente servem como passatempo e diversão sem praticamente nada adicionar a vida cotidiana. Hoje fico feliz com meu BlackBerry, onde posso ver e mandar e-mail praticamente o dia todo de qualquer lugar. Logicamente se este serviço me custasse muito caro eu o dispensaria. É mais uma questão de mercado do que de tecnologia. Diga-se de passagem, que desfazer esta associação entre mercado e tecnologia é condição para a “demência das ambições tecnológicas”.
Começando com a questão da caneta que escreve na lua, ela realmente existe. E hoje é algo até normal. São aquelas canetas com um refil de aço, normalmente da Parker ou outras cujo refil é um tubo vedado sob pressão. Claramente o lápis resolveria o problema, mas a caneta é de uma precisão incrível e hoje além de um sinal de tecnologia é um sinal de status. Essa questão do status ainda move muitas das relações humanas e é algo que move de certa forma a industria e assim o financiamento de novas tecnologias que podem ter utilidades muito mais amplas, entre elas, uma da moda, é o GPS. A principal questão da tecnologia é que ela sempre trás algo novo, que pode melhora a vida e uma desvantagem, muitas vezes imperceptível. No caso do GPS parece óbvio o benefício: encontrar as ruas e não se perder mais. A desvantagem, nesse caso, é moral. Com o GPS você pode ser rastreado, monitorado assim como a ficção mais absurda de George Orwell (não necessariamente, claro...).
A outra questão apresentada de forma ideológica na piadinha é a de tratar sempre de bobos os americanos, para valorizar as idéias soviéticas, aquela idéia marxista, predominante durante a Guerra Fria. Por sinal, bastante influente até mesmo no Brasil de hoje... Esse pseudo-nacionalismo demonstrado por meio de um antiamericanismo é de uma estupidez voraz. Certo que ainda existe um grande número de pessoas que ainda resistem em pensar como colonizado, simplesmente colocando o mundo sob duas visões: uma européia e outra americana. Como se fosse possível esquecer o oriente, ou mesmo a questão do Oriente Médio. E mesmo essa visão já naufraga levando em conta a diversidade cultural dos povos europeus... Ou seja, as duas questões que parecem desconexas – a tecnologia e o nacionalismo bocó – tem uma enorme conexão, principalmente ao se falar que hoje as tecnologias não são mais monopólio de americanos, ingleses ou alemães, mas também disputam os mercados os japoneses e mais recentemente os chineses e indianos. E hoje se falar em nacionalismo em termos tecnológicos é como se falar em parar de comer hambúrguer e tomar coca-cola por ser “coisa de americano”.
Mas ainda ao se falar de tecnologia existem certas questões cuja tecnologia ainda é a mesma de muitos séculos atrás. Principalmente ao se cogitar o conceito de sustentabilidade, como na construção civil, onde hoje há a valorização de materiais naturais, como as pedras e as madeiras, por sua menor agressão ao meio ambiente. Mas pedras e madeiras nada mais são que os materiais utilizados à séculos nas construções... Como numa letra do primeiro disco dos Engenheiros do Hawaii (achou que eu não citaria nada deles, sempre surpreendo em encontrar nas letras do Humberto alguma pertinência...) “Você/ que tem idéias tão modernas / é o mesmo homem / que vivia nas cavernas (...)” (Crônica – 1986), como também não podemos esquecer que nem toda a tecnologia pode substituir a presença humana. De que adianta um edifício finamente projetado na mais alta precisão tecnológica se ainda hoje muito do trabalho é feito de forma artesanal? Sabe-se que a industrialização teve suas fases, como as descritas nos trabalho de CIRIBINI, dos anos 1960, assim como a tecnologia, hoje são indiscutíveis seus benefícios na vida atual. Mas dizer que hoje se vive muito melhor que em séculos passados não é de jeito nenhum dizer que se evoluiu. Simplesmente há descobertas que se traduziram em conforto, o que só vai ser avaliado nos próximos séculos, onde alarmistas como Al Gore e outros serão lembrados (se forem lembrados) como mais alguns malucos que se recusavam a aceitar a lógica de que “não há ganho sem dor” (esta frase data de uma palestra que assisti em 1993, do inglês No pain, no gain). E a cada vez que entro nessa questão tenho em mente o que certa vez Zeca Camargo comentou sobre qual a diferença entre nascer aqui no Brasil ou num lugar como aqueles que visitou em suas duas voltas ao mundo. São estas pequenas sementes que me fazem pensar que ainda existe algo por entender além desses clichês todos, e que há vida sem essa parafernália tecnológica que parece aprisionar as pessoas, ou fazer delas pessoas como Mersault, de O Estrangeiro de Albert Camus.
setembro 20, 2009
O Preço...
Um carro: Chevrolet Kadett, ano 1996. Completamente original e em fase de restauro. Faltavam os estofamentos, alguns itens de parte elétrica e alguns detalhes de puxadores. A lataria brilhava do polimento. Estava em perfeito estado e mostrando os defeitos constatados por donos de Kadett, tais como problemas com a bomba de combustível, as travessas dos bancos entre outros. Um motor de 1.8 l e uma potência de motor de mais de 100 CV, a álcool, era um carro e tanto, ainda mais levando em conta que estava com a família desde sempre. Único dono.Foram treze anos com o carro que desapareceu na porta do hospital Beneficência Portuguesa na noite de sábado. A sensação estranha de passar no local onde havia estacionado pelo menos mais umas cinco vezes e não entendendo o que havia acontecido. Afinal, tinha estacionado ali fazia pouco mais de uma hora. Parar na “via pública” é uma condição aparentemente normal em qualquer cidade do mundo. Parava na rua sempre, durante os anos de faculdade, ao redor do Mackenzie. Sempre parei na rua durante as aulas na pós-graduação, também em volta do Mackenzie, já que o curso de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo fica a cerca de 100 metros do Mackenzie. Também estacionava na “via pública” (assim que é identificado no boletim de ocorrência da Polícia Civil) nos meus trabalhos, tanto no Itaim Bibi, quanto na Vila Olímpia. Não tinha toca-cds, não tinha nada que fosse interessante para um ladrãozinho a não ser o próprio carro.
Não achava que o carro fosse um “objeto de desejo” dos ladrões de automóveis. Se o é, é por causa das peças de reposição e do comercio “espertalhão” das peças usadas. Mais uma mostra de subdesenvolvimento brasileiro. Subdesenvolvimento também cultural, não apenas econômico. Ter uma “caranga” velha para trabalhar e mesmo assim o carro sumir é o fim da picada. Certo que o carro estava bonito, mas era velho e estava com vários defeitinhos. Sei que isso acontece o tempo todo, o que é pior ainda. E esse meu desabafo é mais uma vez uma história que será somada a outras tantas e nada vai mudar.
Como dizia o Humberto em 1987, “nossos sonhos são os mesmos/ há muito tempo/ mas não há mais muito tempo pra sonhar” e não adianta nada falar sobre por que não parou no estacionamento. Por que não fui embora antes. Por que e mais porquês. E lembrar de um amigo que perdeu o carro, sem seguro, por conta de dez minutos entre sua descida do carro e volta ao lugar onde havia estacionado. Teriam os mesmo porquês? São cousas dadas pelo Fortuna, como diriam o gregos antigos (ou seriam os romanos?). Claro que sempre trabalhei nos limites, de sempre estacionar na rua. Talvez um pouco mais de investimento em cuidado, eu não tivesse que passar por este transtorno.
Por fim o que mais incomoda são os pneus Michelin de pouco mais de seis meses, o que me arrependo agora de não ter “ralado” mais, os fazendo cantar com graça (coisa que donos de Kadett sabem ser comum em saídas um pouco mais bruscas). Era uma parte da história da minha vida de motorista aquele carrinho, que agora deve estar sendo despedaçado em algum ferro-velho. Os sentimentos se vão; ficam as histórias. E como no final de “E o Vento Levou”, amanhã será um novo dia.
agosto 15, 2009
1996
junho 28, 2009
Sem lógica; ou melhor, que medo!
Prezado Fernando,
Você quer perder seu diploma de arquiteto e urbanista?
Á princípio, pelo prezado, parece ser polido. Mas ao tratar de comparar algo que encontra no meu próprio texto resposta, fiquei preocupado (pela primeira vez exponho aqui). A postagem que se refere o comentário é Adeus a obrigação do diploma! onde trato polidamente sobre o final da obrigação do diploma de jornalista para exercer a profissão, defendida na carta maior brasileira, a Constituição, que neste ano faz 21 anos de idade, e era ainda uma das heranças do Período Militar de Exceção, a chamada Ditadura. Artur da Távola, como deputado constituinte lutou para atender estes anseios da liberdade de imprensa, entre outros, além de que desde 2006 já não havia a obrigação, consolidada pelo STF recentemente, conforme link na mesma postagem. Esta tudo lá, com fontes e tudo, além de depoimentos que poderia ter sobre os jornalistas que leio. Aliás, aqui nem precisaria ir aos principais, mas só colocaria que não faço idéia da formação do Zeca Camargo, mas com certeza, com ou sem diploma de jornalista continuaria a ler o que escreve e o acompanharia da mesma forma no Fantástico e No Limite (quer dizer, este novo projeto talvez não por se tratar de reality show, que não sou lá muito amigo). Continuo a ler o Marcos Guterman, formado em Jornalismo talvez na melhor escola de jornalismo, a Cásper Líbero. Assim como também continuo a ler o Daniel Piza, formado em Direito, e trabalha desde o começo dos anos 1990 como jornalista, e também continuo a comprar seus livros. Continuo a ler também o Reinaldo Azevedo, que tem diploma de Jornalismo e de Letras, porque escreve muito bem. Nada mudou.
Talvez a birra esteja na possibilidade de um arquiteto escrevendo sobre a não obrigação de diploma de outra área. Área esta que posso dizer não contribui na divulgação e discussão da arquitetura brasileira. E isso posso cobrar dos caros jornalistas; dos com ou sem diploma da mesma forma.
Agora, a comparação com o diploma de Arquiteto e Urbanista é descabida demais, para qualquer que seja a formação do autor do comentário. No meu texto esclareço: “Não se podem confundir uma profissão orientada por uma Ética com uma profissão onde pode haver danos irreparáveis para a sociedade e ao ser humano, como os recentes exemplos das cirurgias plásticas em clínicas clandestinas ou sem médico especializado.” Ou seja, compara alhos com bugalhos. Mas, ao insistir nessa comparação, tendo a falar um pouco do Mackenzie. O Mackenzie foi fundado em 1870, e foi a segunda Faculdade de Arquitetura do Brasil. Tem uma tradição, como se pode notar no mercado de trabalho, muito além de outras faculdades. E teve durante o tempo em que as faculdades de arquitetura e engenharia eram juntas o diploma de engenheiro-arquiteto, que, com a divisão das faculdades em 1947, sendo a primeira faculdade de Arquitetura do estado de São Paulo, a dissolução deste diploma. Mas os formados com este diploma, nunca “perderam” seu diploma. Inclusive, se vivo ainda estiverem, trabalhariam da mesma forma. Este era o diploma de Oswaldo Arthur Bratke, um dos maiores arquitetos brasileiros, que se formou no Mackenzie nos anos 1930 e trabalhou até o final de sua vida nos anos 1990. Se o autor tivesse o mínimo conhecimento disso, saberia, que, por exemplo, o jornalista Cásper Líbero (1889-1945) conhecia de perto esta história tendo se formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco... Ou seja, ao falar de tradição universitária, posso dizer que o Mackenzie e sua Faculdade de Arquitetura parecem ter uma história um tanto quanto mais profunda do que qualquer curso de Jornalismo no país, inclusive o da própria Universidade Presbiteriana Mackenzie... Por isso já seriam alhos com bugalhos, e sem lógica alguma a comparação. Isso porque ainda poderia perguntar qual o papel da imprensa durante a idade média, ou no Império Romano, só para talvez colocar onde a categoria das artes e ofícios se coloca como real produtora da História Mundial. Entendo que é informação demais para quem defende um artigo da Ditadura Militar (1964-1985). Mas o pior de tudo é que parece não ter sequer lido meu polido texto até o final. Se o leu, o leu muito mal, o que me deixa preocupado. Preocupado porque em nenhum momento falei em perder o diploma. De onde poderia vir tal aberração? A não obrigação não afeta os cursos, conforme escrevi: “Agora dizer que o diploma de jornalista não é necessário, não quer dizer que o curso deva desaparecer, mas é necessária revisão educacional no curso.” Esta revisão é feita o tempo todo nas áreas de informática, administração e até mesmo (com certeza com menos dinamismo) nas áreas de engenharia, tecnologia e arquitetura. Agora pergunto: você leria um jornal feito por não jornalistas? Se fosse bem escrito, por que não? Agora você se consultaria num feiticeiro e marcaria uma cirurgia plástica com ele? Ou construiria um edifício de 111 andares com um arquiteto ou engenheiro sem formação? Uma categoria de artes e ofícios, assim como categorias superiores, tais como a Medicina e o Direito, tende a carregar consigo conhecimentos específicos demais para que um não iniciado possa revelar ter. E isso não é de hoje. Se possuísse o autor do comentário o conhecimento sobre as artes liberais do trivium e do quadrivium, e sobre as artes superiores, com as titulações de doutores em artes liberais, saberia de onde vem este atual sistema de titulações. Por sinal o mundo não foi criado no século XX e a tradição normalmente foi o maior incentivo a transgressão e a liberdade. Entendo que normalmente um curso acadêmico como o de arquitetura, onde há um ofício a ser aprendido, é de difícil entendimento aos não acostumados a pensar numa cultura um pouco maior que o século XX. E pela primeira vez respondo a um comentário em meu blog... Como dá trabalho... Poderia estar falando sobre cinema, televisão, arquitetura, matemática, filosofia e comportamento, ao invés de, plagiando Reinaldo Azevedo, dar aulas de Massinha I... E mais: acabei de lembrar que o arquiteto Zanine Caldas não tinha diploma de arquitetura, assim como, se não me engano, Tadao Ando também não. E quem falaria um “a” sobre isso?
junho 23, 2009
A praga das equações
Minha ira aos profissionais dos recursos humanos veio de uma matéria da revista Você S. A. em que se afirmava categoricamente que nunca eles poderiam ser seus amigos! E, claro, por causa da arrogância de uma dita “psicóloga” que tentava avaliar os nomes dos escritórios em que trabalhei como se fossem “amigos” meus... E os cursos então? Ela deve ter imaginado que Aldo Rossi era um colega meu de faculdade... Ou como certa vez, numa entrevista, a psicóloga não tinha idéia de quem era Jack Kerouac, de On the Road – Pé na Estrada; Então, para quê pediu para falar de um livro marcante? Achou que ia falar de Onze Minutos? Certo que fiquei impressionado quando uma concorrente citou Ensaio sobre a Cegueira. Não por causa do livro, que é duro, triste e tem um argumento realmente marcante, mas em que ele modificou a vida dela? Eu posso dizer que fiquei talvez mais inconseqüente com a minha escolha, o que é péssimo do ponto de vista profissional, mas maravilhoso do ponto de vista criativo (caso específico da vaga). Mas com o livro de Saramago como a menina pode ter mudado a vida? É uma equação que não fecha para mim. Não há como somar as partes e chegar a um todo. Não há como ter um delta diferenciado. Ela enxergou melhor a vida? Seria isso? Bem, ela foi embora antes de mim do processo seletivo... O que não me diz grande coisa... Nem sobre a concorrente e nem sobre a psicóloga.
Mas voltando as equações, tive uma emoção sem limites com certa psicóloga. Era uma avaliação em grupo em que tinha que expor minha vida em cinco minutos. Fui tão prolixo que ao término tive ainda que falar mais cinco... Depois fui para uma avaliação individual em que minha resposta a uma determinada questão foi tão verdadeira que em menos de dois minutos estava falando que deveria vestir um terno para a próxima etapa... Etapa esta que acabei por passar no último minuto. Se fosse num jogo de futebol diria que fiz um golden gol no segundo tempo da prorrogação... Para ser eliminado na quarta etapa, por um excelente candidato, que continha uma experiência imbatível no ramo específico daquela empresa. Uma equação que fechava.
Fico feliz quando as equações fecham. Nem que sejam pelos mais absurdos motivos. Certa vez achei que um colega de trabalho estava a falar de algo um tanto quanto sem valor, uma ironia, uma brincadeira. Mas não: falou com certa postura e de forma simples e clara, que poucas vezes talvez tenha oportunidade de ouvir novamente. De tão simples desconfiei. Um erro. Mas era outra equação que fechava em todos os graus possíveis. Talvez tenha eu que perder certa emoção e tentar ser mais racional possível. Talvez enxergue melhor as equações, essas pragas que nos cercam de tantos lados...
junho 20, 2009
Comer mal em São Paulo...
Agora a arte de servir mal é coisa realmente especializada. Servir mal e algo com gosto discutível é a marca de certa rede de cafés de São Paulo. Um atendimento que tende a ser pior do que outra rede, agora de especialidades árabes (um tanto quanto suspeitas), que tem já como especialidade a arte de servir mal, mas pelo menos o preço vale o serviço. Agora, pagar caro por algo ruim e ser mal servido? Só nesta rede de cafés mesmo...
Titulação, certificação e diplomas
Existem áreas como a de informática onde os cursos superiores não conseguem suprir a demanda de novas tecnologias. Mas isso não significa o fim destes cursos; novamente, muito ao contrário: o curso tende a reforçar questões profissionais, tais como Ética, organização, administração, língua portuguesa, inglês (língua estrangeira) e tenta (muitas vezes mal sucedidamente) colocar questões de educação, metodologia e tudo aquilo que se pode dizer complementar as tecnologias de aplicação, estas conseguidas com cursos específicos.
O curso de Jornalismo tem igual valor neste sentido, assim como o curso de Administração. Agora, as inúmeras certificações, titulações, etc. de que valem sem o conhecimento comprovado destas? É o que sempre digo a respeito dos cursos de MBA, onde o conhecimento adquirido faz muita diferença nas aulas, onde o questionamento pessoal e a experiência administrativa dentro de corporações, a troca destas entre os colegas, faz mais diferença que o aspecto acadêmico e a titulação, certificação, etc. Hoje existe um momento em que praticamente virou um modismo cursar uma pós-graduação. Isso só mostra mais as deficiências dos cursos de graduação do que uma “evolução” na educação superior. Ao mesmo passo, os cursos livres vêm ganhando cada vez mais adeptos. Estes sim são os cursos de quem realmente tem interesse nos assuntos estudados e onde se encontra o verdadeiro ganho cultural, cada vez mais valorizado neste nosso tempo. Ou seja, não é a titulação que faz diferença – e nunca fez – mas o conhecimento adquirido e a experiência. Lógico que estudar nas instituições de elite pode fazer diferença. Lá, não muito estranhamente, também vão se encontrar os melhores professores e provavelmente os melhores recursos, assim como os alunos mais interessados... Isso só prova que de onde não se espera nada, nada poderá vir mesmo... Contrariando certas expectativas desses tempos atuais...
Adeus à obrigação ao Diploma!
Estou a dias pensando na questão principal que envolvia a defesa do diploma do curso de Jornalismo. Não sabia quem era favorável e quem era desfavorável, dentre os jornalistas que leio. Só sabia quais eram suas formações acadêmicas. O que dava uma pista que a minha opinião não seria nenhuma ofensa a eles.
Não acho que o diploma de jornalista é importante para o bom desempenho dos profissionais da comunicação. Para ser mais exato, acho o curso “genérico” demais e um abuso para dar resposta a certas questões técnicas. Textos jornalísticos sobre arquitetura são, em muitos casos fracos, rasos e pobres de conceito e de repertório. Assim como certos arquitetos quando escrevem acabam por se tornar sociólogos, muitos jornalistas acabam por entender conceitos bastante amplos de forma genérica. Não é o caso do arquiteto Sérgio Teperman que escreve mensalmente nas páginas de AU. Tenho colegas que não gostam de seu texto, mas nunca vi ninguém falar que ele escrevia mal. Há outros arquitetos que escrevem muito bem, mas acho que as palavras de Daniel Piza colocam a questão de forma mais abrangente: “(...) Pode ver que temos arquitetos de projeção internacional, a começar por Oscar Niemeyer, mas não temos críticos de arquitetura de porte equivalente. A culpa não é do trabalho de pessoas como Lauro Cavalcanti, Hugo Segawa ou Fernando Serapião, mas da falta de interesse da sociedade em geral, da mídia e das editoras em particular. Não temos Kenneth Frampton, Giulio Carlo Argan, Lewis Mumford – não temos um pensamento sobre arquitetura e seu papel na vida urbana e no desenvolvimento humano. (...)“ (texto completo)
Agora dizer que o diploma de jornalista não é necessário, não quer dizer que o curso deva desaparecer, mas é necessária revisão educacional no curso. Como Marcos Guterman escreveu, “(...) um semestre na História tem uma bibliografia básica mais extensa do que quatro anos de Jornalismo, de longe.” (texto completo). Ele é formado em Jornalismo e em História. Agora, confundir isso com a eliminação de diplomas de outros cursos é uma aberração. Não se podem confundir uma profissão orientada por uma Ética com uma profissão onde pode haver danos irreparáveis para a sociedade e ao ser humano, como os recentes exemplos das cirurgias plásticas em clínicas clandestinas ou sem médico especializado. Falar que um arquiteto ou um médico possam informar melhor os leitores de um jornal sobre medicina ou arquitetura, ou até mesmo sobre cinema, não é nenhuma barbaridade. Isso me lembra a introdução de Stephen King, em Sombras da Noite, que sempre escuta de leitores a grande vontade de serem escritores; e que responde dizendo que sempre quis ser neurocirurgião... E vai além: diz que para ser escritor é só começar a escrever; porém, não recomenda o mesmo caminho a quem deseja ser neurocirurgião...
O melhor de toda esta liberdade é que muita gente incompetente vai perder seus empregos... Muita gente que “assina” textos dos até então “não permitidos” a escrever nos veículos de comunicação. E muita gente vai poder mostrar o rosto. A minha esperança é que a cultura continue a ganhar com a liberdade de expressão. Já havia escrito sobre este tema antes (aqui) e fico feliz com a decisão tomada esta semana pelo STF que derrubou a obrigatoriedade do diploma de Jornalista.
fevereiro 26, 2009
Achei... "ditabranda"... de C# é R*&%
Achei o tal editorial. Mas o pior de tudo que não tenho certeza ser ele, já que não tenho acesso aos arquivos da Folha. Gostaria que os (des)informadores antes de darem suas milhares de opiniões tivessem antes de mais nada ter colocado o editorial completo. Agora fico eu tendo que acreditar num blog, um dos poucos que resolveu colocar o editorial completo. E pelo que trata no editorial é da ascensão da ditadura na Venezuela e numa infeliz passagem chama de “ditabranda” o período militar brasileiro.
O mais interessante e mais importante do editorial, ninguém prestou atenção: de acabar com a democracia por meio da democracia. Isso sim é que é importante. O “relativismo” da ditadura é uma infelicidade que no fundo é culpa de todos os “relativistas”, os colocadores de “contextos”, que por sinal estão no poder hoje no Brasil. Esta expressão é o lado negativo de dizer que no Brasil toda a “política é corrupta”, que é “culpa do sistema”, “por a mão na merda”. Infelizmente a culpa disso é da classe intelectual. Pois, em suas alegações, Fidel Castro consegue ter “ótimas” participações nas Olimpíadas, mesmo sendo um país pobre, enfrentando as grandes potencias! É até poético, se fosse verdade. O que querem que se diga sobre a ditadura? Se o Brasil, um país à época com pouco mais (ou menos) de 90 milhões de pessoas e nem sequer tiveram mais do que 500 mortos diretos (da esquerda)? E durou “só” vinte anos... Há quantos anos Cuba está sob uma ditadura? E, claro, não é muito bom “relativizar” esses dados, não é? Relativismo só serve quando tem um lado, não é?
O problema dessa discussão não está no termo utilizado, mas sim de se confrontar a realidade das coisas. A ditadura foi sim execrável. Foi um período terrível para as liberdades individuais e até mesmo para o progresso do país. Não saberia dizer se preferiria um país pobre e miserável que não tivesse tido a ditadura de 1964 a 1985, ou um país pobre e miserável que se orgulha de ser “o país do futuro” que nunca chega. Até os atuais governantes não existiriam se não tivesse existido uma “ditadura”. Tudo de ruim no Brasil se deve a ditadura. Até mesmo aqueles que acham que a infra-estrutura do Brasil foi conseguida pelos militares (foi mesmo, mas até aí qual era o palno? Valeu a pena?) e por isso o Brasil é um “gigante”. Tudo leva a crer que a idéia de ”imperialismo”, coisa que abomino com todas as letras, faz parte desse pensamento. A idéia de ver o Brasil como o “imperialista” da América do Sul, nasce dessa idéia de “um Brasil grande”. Felizmente eu não vejo motivos para o Brasil ser motivo de ódio de nossos vizinhos, mas se as idéias de “Brasil Grande” continuassem... Não sei não. Será isso que os brasileiros querem? No geral eu acho que não. Mas se continuarem insistindo nisso, de que o Brasil deve ser “importante” no conflito do Oriente Médio; que o Brasil deve ser “importante” no comércio mundial; que o Brasil deve ser “importante” além das Copas do Mundo, essa realidade tende a piorar e muito.
Eu sou favorável à abertura completa do comércio com o Mercosul. Tirar todas as restrições, até para trabalho, mesmo que isso não seja bilateral. Abrir o Brasil para comércio mundial. Fazer o Brasil importante pólo de comércio, e se a indústria prosperar com a importação de tecnologia, muito bem. Liberar os jogos e os cassinos, como entretenimento e fomentar o turismo. Ter segurança nacional contra ladrões, evitar ser também o pólo de comercio de drogas, e fazer o que mais o BRASIL sabe fazer: se divertir! Enquanto os outros fazem guerra, nós nos divertimos. Seria realmente o melhor lugar do mundo: tudo de melhor entraria aqui. Bastaria aos brasileiros deixar de ter o espírito de vira-lata e começar a pensar em se divertir em vez de fazer o que o mundo quer. Se o Brasil fosse realmente o país do Futebol, todo político prometeria uma estádio novo e pólos de treinamento de atletas. Se existissem dez centros de treinamento igual ao do São Paulo Futebol Clube, metade dos jogadores na Itália e na Inglaterra seria brasileiro. Todos se divertindo... E a pobreza aqui seria muito menor. Mas como sempre, aqui a prioridade é “ser o país do futuro”... Que as idéias imperialistas e as idéias de relativismo morram todas no mesmo lugar: no inferno!
fevereiro 19, 2009
Ronnie Von é o mestre!
No papo entre os dois, Nina falou que pertence à geração que nasceu nos anos 1970 (mais especificamente nasceu em 1970), da qual Ronnie disse que seu filho também faz parte, e que é uma geração “sem ideologias”. Ela disse que seus pais eram comunistas e que quando ela observa o trabalho com a moda, algo que nenhum comunista acreditaria nos anos 1970 que tivesse a importância que tem hoje, se formaram algumas das idéias para escrever o romance. Ronnie disse que ele fazia parte da esquerda francesa, a que tomava champagne francesa, pois existia a esquerda escocesa, que tomava uísque escocês e assim por diante...
É fantástico existir um Ronnie Von, que depois dessa passa ser odiado pelas esquerdas por simplesmente dizer a verdade de como era a verdadeira cara dos “estudantes de esquerda”. Uma elite, com um bom dinheiro no bolso, que pretendia “mudar o mundo”. Na minha época eram os “comunistas de boteco”. Esse povo não muda mesmo... Certa vez um amigo da minha família falou que na sua juventude se discutia a seca no nordeste bebendo uísque doze anos com pedras de gelo de água de côco. Talvez este fosse da esquerda escocesa já mais “tropicalizada”...
O interessante que este tipo de comentário dá margem a aquelas situações “mas quem é o Ronnie Von para falar sobre isso?” O mais interessante é que ele é o Ronnie Von, que foi um cantor, segundo o Almanaque do Rock, escrito pelo Kid Vinil, um dos principais cantores psicodélicos nacionais. Acho que nem o Ronnie Von sabe disso... Há de se dizer uma boa coisa de Ronni Von: sempre trabalhou e nunca pediu dinheiro para governo nenhum...
Como disse na postagem de A Ditadura da Moda, só o fato do livro existir já é uma boa noticia. Alguém já refletiu! Em tempos de aceitação de absurdos (nada mais incrível que aquele comercial da Oi), existir alguém refletindo é sempre boa notícia. Logo na primeira vez que escuto falar do livro já tenho uma grata surpresa: Ronni Von! Adorei!
fevereiro 09, 2009
Superstitious...
Poderia dizer que aquela trilha sonora do filme La Bamba fez parte da minha puberdade, aquele momento pouco antes da adolescência. O filme em si não me marcou muito, diria que somente pelo fim trágico dos três e bela ótima Summertime Blues de Eddie Cochran. Pouco menos de uma década depois do filme, Alan Jackson regravou Summertime Blues numa das melhores versões que ouvi até hoje (aqui). Este clip é um dos meus prediletos até hoje...
Bem, e o que a quinta-feira 12 tem a ver com o outro assunto? Nada... Quem disse que algo precisa fazer sentido? O importante é curtir Summertime Blues...
janeiro 16, 2009
Fico a pensar e não entendo...
Dentro do ambiente musical algo sempre chama muito a atenção: a veneração ao ídolo. Parece até comum falar nisso, mas me incomoda o fato de como são tratados os tais “fãs”. Em muitos casos como perfeitas aberrações da natureza. Como se fosse um escândalo fazer alguma loucura para ver o ídolo querido. Bem, até eu achei certo absurdo o que fizeram alguns para ver Madonna, no mês passado, tanto em São Paulo como Rio de Janeiro.E é exatamente isso que fico a pensar e não entendo. Fazer uma loucura aos dezesseis anos, aos vinte, até mesmo aos trinta tem sempre aquele tom de recordações da juventude. Mas até agora não entendi a “filosofia” de Madonna, por exemplo, para empolgar tantas platéias ao redor do mundo. Já me falaram que é uma estratégia de marketing, que ela tem uma superprodução de show, que empolga com sua sensualidade no palco, entre outros mil atributos. Mas para mim não passa de uma cantora pop dos anos 1980. Não precisaria escrever mais para notar que não sou fã de sua música, mesmo gostando de um de seus discos, True Blue, de 1986. Eram naqueles anos que Madonna despontava e lembro de ouvir até que consideravelmente bem este LP... E gostar.
Não sei por que depois tive um completo desinteresse na sua arte. Após este LP seguiram-se vários, com vários momentos, inclusive com a vinda dela pela primeira vez ao Brasil em 1993. Nesta época se consolidava uma opinião a respeito de certos artistas pop, a que só vinham ao Brasil quando em completa decadência artística. Ainda em 1991, tentavam buscar uma substituta para Madonna, ou algo que se assemelhava tanto em sonoridade como também em beleza e sensualidade. Paula Abdul era uma das cotadas, assim como Janet Jackson e Cyndi Lauper. Como se vê nenhuma delas substituiu o mito Madonna. Um dia quem sabe vão parar de tentar achar “genérico” de artistas...
Mas saindo de Madonna para os fãs de Madonna, estes lotaram os estádios. Tudo bem que poderia haver uma quantidade de pessoas curiosas para assistir ao show, como um passa-tempo ou uma “baladinha”, mas o que lotou os estádios foram mesmo os fãs. Isso não se pode ter nenhuma dúvida. Como ela fez para ter fãs novos não faço idéia, pois não creio que o show foi de pessoas com quarenta anos, os que tinham vinte e poucos nos anos 1980, ou por adolescentes do início dos anos 1990, agora com trinta e poucos. Isso gera o mito. O que não entendo é fascínio que ela trás, com uma bagagem um tanto quanto vazia. Sensualidade e música pop (algumas de boa qualidade) não é nenhum mérito dela. Certas cantoras dos fins dos 1990 e início dos 2000, como Faith Hill e Shania Twain, tem muito mais a oferecer musicalmente do que Madonna. Claro, tirando o fato de que estas cantoras têm uma pitada muito mais country do que pop (meio eletrônico), mas que um show ao vivo delas é música verdadeira, de instrumentos e voz, não um espetáculo teatral. Talvez seja este espetáculo teatral o que esperam seus fãs.
Quanto à formação do mito, não vejo hoje novos ícones para empolgar a juventude. Por pior que possam ter sido aqueles anos 1990, ainda havia muito dos anos 1980 nacional, como Titãs, Paralamas, Engenheiros do Hawaii, Capital Inicial e Legião Urbana, e existia uma quantidade incontável de bandas de hard rock com seus discos ainda quentes e com grandes shows acontecendo. Num breve histórico sem muita profundidade colocaria a edição do Rock in Rio II, as edições do Hollywood Rock, os shows do Guns n`roses de 1992, o AC/DC de 1996 e as edições de Philips Monsters of Rock. Sem contar outros como Skol Rock, transmutado nos anos 2000 para Skol Beats.
As opções eram muito maiores de grandes eventos, com grandes nomes do momento, dando a impressão da opinião que emiti acima (...só vinham ao Brasil quando em completa decadência artística) para aqueles que não estavam em evidencia naquele momento. Hoje praticamente inexistem as grandes bandas novas. Logo show de bandas em atividade com grande histórico e fãs, claro, são os grandes eventos de show no Brasil. Nisso estão Ozzy Osbourne, Madonna, Elton John, Iron Madein e aqueles nacionais todos dos anos 1980, ainda em atividade, como Capital Inicial, Titãs e Paralamas.
E como a mídia não tem o dever da reflexão, resta a este blogueiro aqui tentar colocar no papel (num blog) alguma idéia a respeito disso. Onde estão os críticos culturais para explicar a inexistência de novas bandas e novos álbuns que mostrem a história da música pop dos anos 2000? É um sofrimento, já que vender discos não representa mais nada num mundo onde a mídia pode flutuar gratuitamente em milhares de iPods pelo mundo...
Ao final da biografia de Eric Clapton, ele toca neste assunto da indústria fonográfica. Ele afirma não fazer idéia de como serão as gravadoras que hoje atuam no mercado, mas tem certeza que tudo será completamente diferente do que é hoje. Suas palavras parecem proféticas... Uma coisa é indubitável: Clapton entende mais de música e de gravadoras do eu e muitos críticos juntos...
dezembro 29, 2008
2 - Duas músicas: Let It Ride
Don't Cry Would you let it ride?
Good Bye, Hard Life
Don't Cry Would you let it ride? You can't see the mornin', but I can see the Light
Ride ride ride let it ride
While you've been out runnin' I've been waitin' half the night
Ride ride ride let it ride
And would you cry
if I told you that I lied
and would you say goodbye
or would you let it ride? (…)”
Let It Ride – Bachman-Turner Overdrive (1973)
Estava lendo o edital de uma revista, normalmente onde se pode notar a opinião geral da linha editorial seguida, e lá estava o editor falando sobre objetos que mudaram a vida. Ele, claro, falava de dois objetos em especial: uma guitarra e uma motocicleta. Estava já bastante satisfeito que ali iria encontrar uma linha editorial de alguém que tinha uma experiência de “deixar rolar as coisas”. Interessante que é deixar rolar com um objetivo, no fundo: o de ter novas emoções. Mas, como bem colocou no edital, com responsabilidade. Disse ele que seu pai havia dado a moto e isso era a maior prova a qual deveria passar.São certas etapas que se deve passar na vida. Eu já tive vontade de possuir uma motocicleta, mas não tenho a mesma emoção que teria com outros veículos. Desde a infância existe um carro que não sei explicar, sempre me emocionou: um Opala duas portas 1974, com capota de vinil. De preferência na cor vinho. Até hoje lembro de um comercial de muitos anos atrás falando que o coração bate mais forte dentro de um Chevrolet...
Naquele edital falava que muitas vezes na vida somos ligados a objetos. Diria que sim. Emoções e objetos. O importante que estas emoções nunca fizeram dirigir a minha vida. Fico sempre pensando que tudo que eu escrevo sobre música seria completamente diferente se fosse músico (profissional). O ato de criar tem outra responsabilidade, diferente do ato de prazer puro e simples.
Quando penso em como é a vida de músico, fico pensando em quando começou o processo de criação e a diferença entre os que fazem sucesso e os que não fazem. Imaginei alguém leigo em música lendo este texto sobre estas músicas. Primeiro, sem conhecê-las, já que diferentemente de outros textos que fiz (aqui, aqui e aqui) são músicas e artistas pouco conhecidas do grande público (menos populares).
Quando morei nos Estados Unidos, assistia num canal de televisão um seriado antigo, que assistia na minha infância: The Dukes of Hazzard. Era incrível lembrar daquele Dodge laranja. Nada melhor do que as tramas, as meninas e o carro. A trilha sonora que não me é familiar. São destes detalhes, como na postagem anterior, os fatores que montam esse universo. E disso não pode falar em “filosofia de vida”. Pode-se falar de curtir um momento, como já escrevi aqui. São histórias da juventude, muitas delas que permanecem por toda uma vida.
1 - Duas Músicas: Ebony Eyes
I'd like to take her out of her chains.
'Cause if I had my way with you, baby,
I would be changing your life today.
Your eyes got me blind.
Your eyes got me doping
That I'll be holding you close tonight.
Your eyes got me dreaming.
Your eyes got me blind.
Your eyes got me doping
That I'll be holding you close tonight.
But when my eyes looked at her, I learned
That she was keeping a secret fire,
And if I got too close I'd burn.
So it looked like I had to move slowly
Just like a cat at night in the trees,
'Cause I was waiting for her to show me
The way that she'd like the love to feel (...)”
Ebony Eyes – Bob Welch (1977)
Já tentei compreender o que a música trás de prazer para o ouvinte em muitos aspectos. Uma vez lembro de ter colocado uma música num momento especial e lembrar dela sempre. Era uma música do Whitesnake e essa história fica para uma outra postagem. Esta música do Bob Welch não era uma música que estava entre preferidas da adolescência, onde normalmente fazemos uma seleção musical que acaba por nos acompanhar por toda a vida. Não conhecia a carreira de Welch fora do Fleetwood Mac. Para ser mais exato, não conhecia quase nada sobre o Fleetwood Mac.Logo, é uma música relativamente nova na minha vida. Marcou certo momento, a fase de fazer downloads. Não peguei o começo disso, com o Napster, mas foi logo depois, logo no início dessa década. O fato de baixar uma música nova, completamente desconhecida para mim, e sem nenhuma indicação, a não ser o fato de saber um pouco sobre o Fleetwood Mac (o que não era praticamente nada) foi uma nova descoberta, que tem muito a ver com o que escutava na adolescência, claro. Mas até hoje ainda fico a pensar em como certas músicas, inicialmente por sua sonoridade, depois por uma letra que não me trazia uma mensagem direta é ainda algo que não compreendo e me surpreende.
Existe um universo “montado” com certa dose de imagens dos inúmeros filmes, das inúmeras bandas, inúmeras histórias daquela década de 1970. Até outro dia lia uma crônica de Mário Prata a respeito de um amigo (dele) que havia falecido na juventude. Era o único que não tinha cabelos brancos, sem rugas. Sua imagem jovem é a que esta no imaginário da turma. Com os “astros” do rock isso também acaba por acontecer. Fato atual completamente distinto de tudo que aconteceu antes: vários músicos daquela época com idades avançadas, acima dos cinqüenta anos de idade. E todos, com raras exceções, bastante perdidos em o que fazer com a idade que tem. A música apresenta muitas lições, mas a mais complicada é saber envelhecer. Este “culto” das músicas e certas “lendas” da década de 1970 vem ficando mais fácil de entender, principalmente com a distância de tempo. Existe certa mitologia nos discursos. Existe certo exagero no “mau exemplo”. Tudo isso passa e o que fica são momentos. E nestes momentos estavam lá mais coisas escondidas que uma simples ”liberdade”. A responsabilidade que está liberdade trás é mais importante. No limite entre o prazer e a responsabilidade está aquilo tudo que serve para aprender e “deixar rolar”.
dezembro 22, 2008
Insônia
O pior quando se está com o sono atrapalhado, quando se dormiu exausto logo ao entardecer e lá pelas tantas da madrugada o sono some. Lá está a televisão outra vez. O pior que naquele horário não existe nenhuma programação “inteligente”. Não há reprises de programas de entrevistas. Só filmes, e normalmente alguns deles que nunca mais gostaria de rever.
O lado engraçado de certos filmes está justamente por estar acordado nestes horários. Muitos filmes que nem imaginava ver assisti nas madrugadas acordado, sem sono. Outras vezes tentei, e com certo sucesso, o rádio. São impressionantes as entrevistas ruins durante a madrugada na CBN; no entanto, naquele período por volta das dezenove horas, o horário do sono “marginal”, as entrevistas são incríveis. Até o programa do Juca Kfouri é legal. Mas o interessante que o sono neste horário é absurdamente maior. Nem as boas entrevistas sustentam tamanha “siesta”.
O que também é interessante que muita gente faz cursos de inglês, espanhol, pós-graduação ou até mesmo faculdade nesse belo horário de sonolência. Não à toa o desempenho de cursos noturnos é afetado. Bem, o que se pode fazer, só sobra este horário. O dia em que se puder ter uma maior liberdade nas leis trabalhistas, sem prejuízo dos funcionários (pois hoje se pode trabalhar um dia por semana, como informal...) talvez se possa pensar no melhor desempenho para estudo, trabalho e ócio.
Realmente sempre me pergunto como se consegue adaptar rapidamente horários para não ser aprisionado no rodízio de automóveis, em São Paulo, tendo as chegadas antecipadas para antes das sete da manhã e saídas por volta das dezesseis horas. Para ser mais exato: quando se é chefe se chega após as dez da manhã e encerra o expediente por volta das dezesseis; quando se é funcionário, antes das sete da manhã e depois das oito da noite...
Prefiro voltar aos filmes e deixar para lá essas pessoas presas a horários, momentos e leitoras de best sellers de motivação. Acabo por entender que inspiração, projeto, detalhamento, requer mais que disciplina de horários. Os prazos são importantes. Acertos são importantes. Horários nem tanto.
Os três textos
Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...
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Acabo de saber dos ganhadores do prêmio Pritzker deste ano, os japoneses do SANAA, Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, dos quais não conheço nen...
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Andava pelo saguão do aeroporto puxando aquela pequena mala. Rabo de cavalo, uniforme vermelho e branco, lenço no pescoço. Sapatos pontudos ...
