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dezembro 03, 2014

Novos Horizontes

“(...) chuva de containers, entertaines no ar
eu presto atenção no circo que nos cerca
chuva de containers, entertainers no ar
começo a achar normal algum boçal detonar

se tudo passa, talvez você passe por aqui
e me faça esquecer tudo que eu vi
se tudo passa, talvez você passe por aqui
e me faça esquecer que...

… falta pão, o pão nosso de cada dia
sobra pão, o pão que o diabo amassou (…)'

Toda Forma de Poder
e música incidental: Chuva de Containers
Engenheiros do Hawaii - Novos Horizontes (2007)

Toda vez que escuto esta música, nesta versão acústica, do segundo (terceiro) álbum acústico dos Engenheiros do Hawaii eu consigo ver finalmente a reinvenção de Toda Forma de Poder. Sempre esperei por uma versão melhor que a gravada ao vivo em 1989, no álbum Alívio Imediato. E em Novos Horizontes foi possível. O estranho é esperar sete anos para escrever isso...

Lembro de ter escrito algo a respeito em 2007... Mas não tinha escrito o quanto me agradou esta versão. Eu já citei mais de uma vez alguma parte de Toda Forma de Poder, mas sempre algo na versão original me deixava com uma sensação de querer algo mais, uma versão diferente, não sei dizer se esta foi a materialização plena desse desejo, mas com certeza a mistura com Chuva de Containers, do álbum GLM (1992), foi tão interessante, tão densa. Lógico, só para quem é fã. Não sendo fã de Engenheiros nem sequer dará conta que houve a música incidental... Eu mesmo tenho consciência disso e nem me importo. Continuo gostando muito da versão.

De certa forma, acho que falar de Engenheiros e lembrar de pelo menos dois momentos marcantes na minha vida que os escutava muito e que parecia encontrar nas letras algo que me tocava profundamente. Não sei dizer porque eles estavam lá, mas estavam e esta é a história. Poderiam ser outras bandas, outras composições, outras histórias. Mas não, lá estava o Humberto e os músicos, fazendo um som...

Falar dos nossos momentos é sempre interessante. E essa postagem de hoje fala mais de mim mesmo. Um pouco autobiográfica, mesmo sem ser. Um pouco daquilo que é e que não sei dizer porquê. Um pouco de nada que diz tudo...

O disco é mais uma experiência interessante. Músicas novas gravadas ao vivo ao lado de versões acústicas de músicas consagradas. Novamente, deve ser interessante para um pouco além dos fãs, mas não muito. Minha opinião.

Foi praticamente o último disco antes de Humberto começar a se dedicar a literatura. Depois se dedicou ao projeto Pouca Vogal e ao atual Insular, seu primeiro disco solo. E foi por enquanto o último disco dos Engenheiros do Hawaii. Já era hora de abandonar este nome...

setembro 06, 2014

Seis segundos de atenção

Humberto Gessinger, o eterno baixista do Engenheiros do Hawaii (para que escrever está apresentação? Todo mundo sabe quem é o Humberto Gessinger), lançou em 2013 mais um livro, Seis Segundos de Atenção. São crônicas e letras de músicas, princialmente de seu último disco Insular. Bem que gostaria de falar de Insular, mas nunca escutei... (Que tipo de fã é este que lê o livro, mas não escuta o novo cd?)

O livro mescla crônicas sem uma organização temática, aliás como também é Nas Entrelinhas do Horizonte, seu livro de 2012, e são de forma geral provenientes de seu blog, que atualiza sempre que a segunda-feira se transforma em terça-feira.

Mas falar de um Gessinger escritor é para mim mais que uma alegria. O Gessinger músico conheci em 1989, quando escutava no rádio suas músicas - de já alguns anos, porém, novas para mim naquele momento. E imaginava o que ele lia para conseguir escrever aquelas letras. Mas na entrada dos anos 1990 que ele se tornou uma referência para mim. Era ouvir Rush, Pink Floyd e, claro, Beatles e Rolling Stones por culpa de Gessinger. Hoje em dia acho que só Rush permanece na minha trilha sonora (aliás, nunca saiu). E na época dos álbuns Várias Variáveis e GLM tive o prazer de assistir vários shows e até tentar participar de um Programa Livre – na época com Serginho Groisman.

Agora, o Gessinger escritor eu não acompanhei o comecinho, com o Meu Pequeno Gremista, livro infantil de uma série, cujo Meu Pequeno Corintiano foi escrito por Serginho Groisman e Meu Pequeno São-Paulino por Nando Reis. Depois vieram os autobiográficos Pra ser Sincero, de 2010 e Mapas do Acaso, de 2011. Todos trazem muitos assuntos variados e dá para dizer que há um escritor ali, e eu aqui, esperando mais um livro. Só o que realmente me irrita é a repetição – mas como diz Luiz Felipe Pondé em A Filosofia da Adultera, que sem se repetir, sou um nada – e a organização temática. Mas isso não é problema do Humberto; é meu mesmo.

abril 24, 2009

Paralamas, Titãs e Engenheiros...

Não poderia colocar outras bandas para falar do que hoje ainda gosto daquele rock nacional dos anos 1980. Poderia abrir uma exceção ao Ultraje a Rigor, mas somente pelo bom humor de suas letras a atualidade. Até mesmo Titãs poderia retirar desse tópico sendo bastante crítico. E já escrevi aqui sobre meus dias de Titãs e deles não acrescentaria mais nada, talvez a minha fase atual de gostar cada vez mais de Nando Reis. Mas eles são ao lado dos Paralamas do Sucesso e RPM foi o meu começo na música. Mas neste texto meu objetivo será o detalhar o que até hoje me faz separar Paralamas e Engenheiros de um universo que poderia acrescentar outras tantas bandas e, mais, quero fugir um pouco da idéia de recordação daqueles anos, o que pretendo retomar noutro texto, e ver o que ainda hoje me faz pensar sobre essas duas bandas em especial.

Neste outro tópico posso voltar a falar desse começo e de bandas como Legião Urbana, Capital Inicial, Irá!, RPM, Kid Abelha, Blitz, Lulu Santos e Camisa de Vênus, bandas que escutava naqueles anos e de bandas como Skank e Cidade Negra que acrescentei a partir dos anos 1990. Mas o que hoje quero falar é justamente do que ainda me influencia nos Paralamas do Sucesso e Engenheiros do Hawaii.

Nunca escondi aqui, muito pelo contrário, o quanto ainda gosto das composições – principalmente das letras – de Humberto Gessinger. Diria que é uma das bandas que mais conheço e tenho identificação com certas leituras de Gessinger, como Albert Camus e Jean-Paul Sartre. Diria ser uma das bandas que ainda escuto o material novo com entusiasmo. E Paralamas a banda cuja sonoridade até hoje me encanta. Com simplicidade, acho que as melodias dos Paralamas geniais. Quanto às letras, não sou um fã convicto, mas algumas tenho grande identificação. Mas a questão maior são as boas formações melódicas com as letras e os arranjos. Muitas vezes simples, mas de um bom gosto incrível. O que tiro então dessas três bandas até hoje é a rebeldia e inovação dos discos dos Titãs, a melodia dos Paralamas e as letras de Gessinger.

Outro dia alguém me perguntou se eu gostava das letras de Renato Russo na Legião Urbana, tentando fazer um paralelo pelo meu gosto por Engenheiros. Muitas delas são interessantes, mas, como algumas dos Paralamas, música de protesto não me interessa. Se uma música de protesto é conceitual, como Desordem e Polícia dos Titãs, ou que tenha uma questão “metafísica” (fui longe demais com esse termo) como Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas, ou Balada do Louco, dos Mutantes, há uma completa diferença. E também melódica. Mas músicas como Faroeste Caboclo, não nada tem além de uma boa letra. E isso só não me basta. Assim como num livro, a música tem que conceber uma imagem.

Certa vez comecei um texto dizendo que: O fascismo é fascinante, pois deixa gente ignorante fascinada, ao mesmo tempo em que Fidel e Pinochet tiram sarro de você, que não faz nada além de ficar aí parado olhando. E mesmo prestando atenção no que eles dizem, eles não dizem nada além de coisas abstratas, das quais você começa a achar normal que algum boçal atire bombas na embaixada... Mostrando o quanto uma música do primeiro disco dos Engenheiros do Hawaii continha um texto que pode ter um desdobramento incrível. Via isso também na música da Legião, mas não com a mesma profundidade, e talvez por não me convencer pela música. Sem contar que certos versos, assim como alguns de Cazuza, nunca me empolgaram. Talvez esteja na temática, não sei. Já músicas dos Paralamas conseguem passar sentimentos mesmo numa letra simples como a de Romance Ideal, além de uma melodia incrível. São estes detalhes que até hoje me fazem “prestar atenção no que eles (continuam) a dizer”. Mais ainda, acho que os Paralamas continuaram a experimentar e Humberto a escrever, mesmo depois de suas fases de maior fama. E Titãs não fica fora disso justamente por terem feito incrível projeto junto aos Paralamas, onde claramente dá para perceber que com conceitos semelhantes pode-se produzir música diferente.

Eis o porquê nunca gostei de dar a este rock em português uma característica única, como se fosse uma expressão massificada. Na simplicidade dessas três bandas estão contidos pormenores que as diferenciam em muito, mais importantes aos que aparecem nas bandas atuais, que são pura “atitude” e quase nenhum conceito. E isso em tempos onde há uma mídia e um sistema de divulgação muito maior. São escolhas que estas bandas fizeram e que conseguiram superar com suas opções coisa que outros só gritaram sem conseguir ser ouvidos. Como em Além dos Outdoors, (...) você sabe o que eu quero dizer / não ta escrito nos outdoors / por mais que a gente grite / o silêncio é sempre maior (...).

janeiro 20, 2009

Diary of a Madman II

“(...) eu pago os meus pecados
por ter acreditado que só se vive uma vez
pensei que era liberdade
mas, na verdade, eram as grades da prisão


eu pago os meus pecados
por ter acreditado que só se vive uma vez
pensei que era liberdade
mas, na verdade era só solidão”


O Preço – Humberto Gessinger Trio (1996)

Foto: Randy Rhoads (1956 - 1982).

Lembranças. Muitas delas dão aqueles diários loucos que fazem muitos “mudarem suas vidas”. Nem de perto tenho esta pretensão. Quem me dera escrever algo como On the Road e ter, tantos e tantos anos depois, edições comemorativas. Certo que se me perguntassem qual livro gostaria de ter escrito, aquele que retornamos de tempos e tempo para reler, eu diria que o “fininho” O Estrangeiro, de Albert Camus, me deixa ainda sem fôlego com aquele início, o ritmo e com a falta de acabamento. É muito desafiador. E pensar que passei anos sem conhecer Camus e lendo Sartre...

O fato que quando tive a idéia de escrever um álbum de memórias, mais do um diário, já que nem é escrito diariamente, era justamente falar de como vivia antes de conhecer coisas que agora são parte de mim; algo inseparável.

Logo que entrei na faculdade meio que perambulava em busca do que fazer, do que ler, do que estudar, do que os músicos, os artistas, as personalidades que gostava estudavam, em suma, o que eram as influencias deles. Um dos primeiros a me deixar intrigado era Ozzy Osbourne, não à toa esta parte do blog eu “batizei” com o nome de uma de seus discos; uma de suas músicas. E tinha que ser dessa fase, junto a Randy Rhoads. Como já contei na primeira parte, havia escutado Ozzy a primeira vez em 1991, e até 1994 tinha praticamente todos os discos. Mas existia um momento anterior.

Desde os treze anos de idade algo me chamava atenção nos Engenheiros do Hawaii. À época, em 1989, tocava muito no rádio a música Terra de Gigantes e não lembro ao certo se alguns colegas de classe foram ao show ou não, mas eles estavam numa fase bastante ascendente. Logo em 1990 lançaram o, acredito eu, mais famoso álbum da banda: O Papa é Pop. Foi um estouro de músicas nos rádios e a novidade dos clipes na MTV recém inaugurada, aos fins de 1990. Foram as músicas para o rádio: O Papa é Pop, Era um garoto... e Perfeita Simetria (esta só disponível no cd, não no vinil), os clipes de Exército de um Homem Só, Pra ser Sincero e uma música do segundo álbum, de 1987, Refrão de Bolero. Tudo isso tocava sem parar no rádio e na MTV.

Foi em 1991 que assisti a primeira vez os Engenheiros do Hawaii ao vivo. Era no antigo Palace, em São Paulo. Até hoje não sei dizer se lá cabem quatro mil pessoas ou mais ou menos. Sei que era bastante gente e um show com uma banda de pouco mais de cinco anos de estrada. Nos anos seguintes acompanhei todas as temporadas de shows. Um dia um rapaz me vendeu os quatro primeiros discos dos engenheiros, em vinil, por um preço bem camarada (algo como o preço de um cd). Foi a primeira vez que tinha a discografia completa de uma banda. Isso já era no final de 1991. O incrível disso é que naqueles anos também estava conhecendo tantas outras bandas e músicos que num certo momento a banda de Gessinger ficou um tanto quanto de lado. Acho que em 1994 nem sequer sabia dos projetos e dos discos lançados. Mas, como sempre, algo fica guardado.

Em 1996 entrei na faculdade. O curso de arquitetura tinha tudo de desafiador. Não conhecia ninguém do meio, e tinha uma única idéia totalmente cumprida ao término do curso. Nada foi tão interessante como saber o que queria antes mesmo de entrar no curso. Não sabia ao certo as etapas que tinha que passar, mas sabia que ia aprender aquilo que queria aprender, aquilo que tinha vontade de saber e ninguém ensinava. Só tive sensação igual há poucos anos, quando uma busca interminável por questões achou um novo caminho, onde também sei onde quero chegar, mas as etapas são um pouco mais longas. Quando falo que muito acontece ao mesmo tempo e tenho a total sensação de “estar pagando os pecados por acreditar que só se vive uma vez”.

Mas foi exatamente na faculdade, numa solidão maravilhosa, pois uma das melhores situações da faculdade de arquitetura é o ato de projetar totalmente sozinho e individualmente, onde a criatividade, um conceito e uma meta são exigidos ao mesmo tempo. Um conceito aprendido durante o curso técnico era o de buscar a informação com o professor. Nisso eu acho que aprendi mais no corredor falando com os mestres do que em aulas que praticamente ninguém estava interessado. Foram ali que surgiram as muitas indicações bibliográficas. Depois foi só passar na biblioteca e ler pelo menos um livro por mês. É... Existe sempre um esforço invisível.

Um dia achei um livro para vender numa livraria em frente ao Mackenzie do arquiteto Vilanova Artigas: Caminhos da Arquitetura. Li em alguns dias praticamente o livro todo. Sem entender lá muita coisa, estava no segundo semestre. Mas o livro foi me acompanhando durante o curso, afinal era uma coletânea de textos com temas variados, deste o Frank Lloyd Wright, Corbusier, até temas políticos e conceituais. Até hoje tento achar algumas respostas lá no livrinho, já meio velinho. Não à toa também este blog chama Arquitetando Caminhos...

Humberto Gessinger Trio (1996)

O que é mais interessante desse início de faculdade esta justamente na “volta” dos Engenheiros do Hawaii na minha “lista” de bandas. Sempre fiquei intrigado com as letras de Gessinger. Sempre alguma delas fazia sentido para mim em algum momento. E aquele ano de 1996 ele havia lançado um projeto chamado Humberto Gessinger Trio. Tinha de tudo naquele disco. Era uma fase que meus “caros colegas” estavam fazendo um monte de coisas que não me interessavam à mínima. Era uma solidão fantástica escutar Engenheiros novamente e estudar a história das artes, as arquiteturas e criar. O mais interessante era ver que tinha lido muita coisa por conta daquelas músicas. O próprio Sartre estava entre essas coisas. Mas só muito tempo depois fui ler o Moacyr Scliar de O Exército de Um Nomem Só...

Uma parte negativa disso é que estava lá, ao lado dos colegas, e ao mesmo tempo afastado e sem compartilhar praticamente nada daquilo que estava estudando e nem sequer sei o que pensavam ou o que estudavam. Hoje enxergo muito melhor isso, principalmente quando encontro algum colega num desses eventos “arquitetônicos”. A infinidade de arquiteturas que faço hoje, não tem definição quando me perguntam mais especificamente o que ando fazendo. Um dia talvez possa só responder “estou dando aulas”... Isso facilita muito o trabalho de ter de explicar. (Será que sou tão impaciente assim?) Mas a lição principal é que no fundo sempre estará sozinho em seus projetos. Uma ou outra pessoa te acompanhará, mas a decisão final será sempre sua. E no tempo certo. É um pouco duro aprender isso, mas é bem melhor do que o “brasileiríssimo” deixar a vida te levar... Num certo momento é aquela idéia inicial que te movimenta.

PS: Este texto esta escrito numa língua que acredito ser português. Não esta de acordo com muitas regras, não. Principalmente esta nova que unifica o português de Portugal com o brasileiro. Gosto tanto da grafia portuguesa... Fazer o que, um dia eu me adapto...

novembro 29, 2008

Pouca Vogal

Cidadão Quem e Engenheiros do Hawaii são duas bandas de Porto Alegre. O Pouca Vogal é um projeto do vocalista do Cidadão Quem com o vocalista (baixista, guitarrista, tecladista?) dos Engenheiros do Hawaii. É um projeto puramente artístico de vozes e violões e alguns outros arranjos. Gostei. Pena que hoje não estou nos dias de escutar algo assim, tão artístico.

O detalhe é que as músicas estão disponíveis em MP3 no site do projeto e não vão lançar um cd do trabalho. Quer dizer, não há nada escrito se vão ou não... Preciso fazer uma audição noutro dia, mais apurada para falar a respeito do projeto, mas a principio nada me chamou muito a atenção.

Praticamente desconheço a banda Cidadão Quem. E ela já tem certa história.

abril 13, 2008

Decepção...

Ontem à noite resolvi assistir ao programa de Serginho Groisman. O motivo: Engenheiros do Hawaii. Sim; fazia um bom tempo que não sabia o que o Humberto falava. Para ser mais exato acho que desde os tempos que eu fui ao “Programa Livre”, com meus 16, 17 anos, eu não escutava uma entrevista do Humberto. Ler alguma coisa até li nesse período, mas nem conseguiria fazer um perfil dele a mais de doze anos. E não é que para minha total decepção ele não disse praticamente nada...

Não sei o que acontece com Serginho, mas ele não deixou ninguém falar dos quatro convidados - Engenheiros do Hawaii, Fernanda Young, Caio Blat e Olodum. O que mais falou foi Caio Blat, que é o que menos tem a falar sobre qualquer assunto... Ou seja, acho que perdi meu tempo assistindo ao programa; um programa que tinha tudo para ser bom.

Uma curiosidade: em algum momento, um jovem da platéia, angolano, fez uma pergunta ao Olodum extremamente pertinente. De tão pertinente o rapaz do Olodum não entendeu... Ou se entendeu desconversou. Perfeita a pergunta! Quem sabe com esses convidados o Groisman podia fazer muito mais e fez muito menos. Em suma, ele está um jornalista perfeito, segundo alguém que não lembro o nome, que diz que o jornalismo separa o joio do trigo e fica com o joio...

março 29, 2008

Revista Veja e a Rede Globo...

Não sei dizer, mas a Veja vem se mostrando uma revista de qualidades diferenciadas nos últimos anos, fazendo jornalismo e informando de forma muito mais interessante que no passado (recente). Eu tinha enorme “bico” em relação à revista Veja nos anos 1990. Ainda hoje não aceitaria ser assinante, pois para assinar algo é querer conhecer em profundidade seu conteúdo e sua linha editorial, o que não sei se aprovaria no contexto geral. Não sou lá fã de muitas seções de Veja. Gosto mesmo é do Diogo Mainardi e do Reinaldo Azevedo. De vez em quando encontro ótimas matérias em Veja, mas outras vezes vejo algumas que não tenho o menor interesse, como uma sobre Charles Darwin.

Não vou falar aqui do meu total desinteresse por Darwin, pois não é bem sobre ele, mas sobre seus entusiastas. Surge no meu horizonte que muitos entusiastas apelam a pontos de vista baseados na idéia original, mas que da idéia original só tiram uma particularidade para provar o ponto de vista, sem ter por causa a verdadeira opinião do autor. E esses tipinhos vêm surgindo aos montes. Comento um pouco mais sobre isso num próximo tópico sobre José Saramago.

Voltando à revista Veja, hoje ela não tem concorrentes. Não vejo a Isto É com a mesma multiplicidade de fatos, até mesmo de anos atrás. A revista Carta Capital não passa de uma revista de curiosidades e política, não chegando a ser concorrente, mas sim tentando pegar um público divergente de uma parcela da multiplicidade de Veja. A revista Época sim, pode ser dita como uma concorrente em termos de diversidade de conteúdo, mas não da qualidade. É bastante superficial. Nesse aspecto prefiro a revista do Fantástico.

E exatamente ai que entra a Rede Globo. O Fantástico produz muito material e a revista vem a ser um prolongamento do programa. Um prolongamento que qualquer pessoa consegue enxergar com bons olhos, pois é um programa que passa há décadas no ar produzindo muito conteúdo de qualidade indiscutível. E isso já gerou livros. Poderia citar pelo menos três ou quatro, mas poderiam ser muitos. Acredito ser a revista um enorme acerto editorial. Só acho que o site globo.com também poderia ser muito melhor. Chegou depois de muitos outros como UOL e Estadão e acredito que tem um conteúdo muito protegido demais (pouco disponível) a quem não é assinante. Mas é isso. Líder em televisão aberta, não consegue ter uma estrutura rentável para ser líder no espaço virtual. Acho também pouco acertada a parceria entre Folha e Editora Abril, mas já passa de década e quem seria eu para dizer que detesto a Folha e gosto muito da Abril; até dos álbuns de figurinhas eu gostava mais dos da Abril.

Mais que tudo, gosto muito do Estadão. Mas o que importa aqui não é o meu gosto pessoal, mas a liderança destes dois veículos de comunicação. É fácil se fazer líder? É fácil manter os índices? É fácil inovar tendo um público acostumado a sua grade e seu “estilo” de fazer televisão? Nesse aspecto acho que a Veja consegue ser mais dinâmica. Não tem uma responsabilidade com um formato estético tão grande como a Globo, mais ainda tem a possibilidade de ser mais pragmática, já que cada matéria tem um viés muito mais amplo que a teledramaturgia da Rede Globo, por exemplo. A Rede Globo poderia inovar trazendo novos formatos à televisão, como fez a MTV de outros tempos. Falta talvez um pouco de ousadia; mas também diria que falta um momento democrático e cultural melhor. Não é culpa da Globo. Outras redes de televisão inovam menos ainda. Um programa como “Pânico na TV” parece ser um das poucas novidades trazidas pela televisão aberta nos últimos anos. E não seria de estranhar que os componentes desse grupo fossem se separando com o tempo, já que nada os liga, entre si, diferentemente de um programa como Zorra Total, que deixa lá uma grande parte dos humoristas em quadros muitas vezes sem a menor graça, onde talentos são simplesmente colocados lado a lado com “novidades”; e se de lá sair algo interessante ganha sobrevida na emissora, de acordo com a possibilidade de se anexar à grade rígida da emissora.

Isso é fazer um trabalho sério e com estrutura. Nenhum dos dois veículos conta com estruturas mínimas e despreparadas. São muitos anos investindo na qualificação e num conceito subjetivo de qualidade, indisponível no restante das concorrentes. Como fazer qualidade se de certa forma esta qualidade não está presente no discurso geral. É como uma frase que escrevi dia desses noutro local: “não há como tentar oferecer caviar para o que mal consegue tomar tubaina.”

Eu exijo qualidade. Eu gosto de cultura pop. Mas nunca em nenhum momento desprezo a alta cultura. A cultura formadora do ocidente, que dá forma a abstração da cultura pop atual. É fácil para falar dos 1001 melhores discos ou das 100 músicas que mais gosto; assim como é fantástico discutir sobre a qualidade literária da obra de José Saramago. A verdade é que busco em tudo isso o que mais me satisfaz. Não há aí um trabalho de busca centrada, como no meu trabalho acadêmico, onde as hipóteses são múltiplas e dificultadas por encontrar problemas de derivadas ordens, seguindo uma metodologia de trabalho. Muita das minhas leituras atuais tem sentido de aprimorar as metodologias de trabalho cientifico, como o encontrado em Karl Popper ou Umberto Eco. E com certeza muito do que leio indica caminhos contraditórios. E quem disse que a contradição não é uma das ações humanas mais complicadas de se explanar? Eu quero ver um real pensador sem nenhuma contradição, todo coerente em seu caminho intelectual... E, claro, tenho que deixar claro que não passo de um estudante. Não busquem em mim as respostas de suas dúvidas e não tendem debater comigo, pois o melhor caminho do debate de fé cega é o silêncio; mesmo porque de idiossincrasias o mundo está repleto.

Ainda a respeito do tema da TV Globo e da Editora Abril, muita gente tenta dizer que eram veículos omissos durante o período do Regime Militar de Exceção. O que ninguém esclarece é qual era o grau de liberdade que existia naquele momento. Só há ataques políticos; nunca são debatidos os temas concretos da apologia e nem da crítica. Os fatos são todos esfumaçados. Pois quem deveria dar rumo ao debate são aqueles que se dizem derrotados pelo Regime, não os que lá estavam defendendo seus pontos de vista. Fácil, novamente, dizer que não se fez sem ter o menor senso crítico com a verdade daqueles anos. E o mais estranho que aqueles grupos que faziam críticas contra a “ditadura” brasileira se calam a respeito das outras ditaduras da América Latina, consolidada e em curso. O “silêncio da fé cega”...

Realidade Virtual – Engenheiros do Hawaii (1993)

”É preciso fé cega e pé atrás
Olho vivo, faro fino e... tanto faz...
É preciso saber de tudo e esquecer de tudo:
Fé cega e pé atrás

Tá legal, eu desisto: tudo já foi visto
Olhos atentos a qualquer momento: é preciso acreditar
Tudo bem, eu acredito: tudo já foi dito
Olhos atentos a todo movimento: é preciso duvidar
Viver não é preciso e nem sempre faz sentido
É preciso muito mais fé cega e pé atrás

A neblina encobre o cristo e a lagoa se ilumina
Com edifícios de cabeça pra baixo e refletores do jockey club
Na outra janela o sol sempre brilha
O risco é calculado: videoguerra,
Vídeoreinodoscéus

É preciso fé cega e pé atrás
Olho vivo, faro fino e... tanto faz...
É preciso saber de tudo e não pensar em nada
Fé cega e pé atrás”

março 20, 2008

Onde estão eles?

“Vamos falar a verdade pra vocês
Ei, ei, estamos aí (pro que der e vier)
Ei, ei, estamos aí (pro que der e vier)
A fim de saber a verdadeira verdade
Estamos a fim de saber, a fim de saber
Estamos a fim de saber, a fim de saber (...)”

Falar a verdade – Cidade Negra (1991)

E onde estão eles para falar a verdade? Possivelmente mentindo por aí... Se não me engano acho que o Cidade Negra de hoje nada tem a ver com aquela banda de radicais do inicio dos anos 1990. Mas fazer o que... É a música deles que queria “dizer a verdade”. Se bem que deveria ser algum recalque de 1989, o ano que nunca termina... Até hoje tem gente que não entendeu que em 2002, 1989 já tinha terminado (infelizmente, por mim agüentaria mais 20 anos de 1989...).

Agora, a tal “verdade” já era dita naqueles anos e com mais letras do que o normal, mas uma onda, de atitudes que não consigo nem saber se era “politicamente corretos”, “militantes engajados” e “questionadores do status quo alheio”, tornavam qualquer debate sério e o acesso às informações mais complicados, criando meios de distanciar as realidades dos discursos, descrevendo “dias de glória” que nenhum ficcionista conseguiria criar.

Em muitas horas entendo porque as pessoas no começo dos anos 1990 torciam o nariz para os Engenheiros do Hawaii... Eles, em 1986, já mostravam que a “face oculta” não era mais que mais uma “mentira repetida” e mais: mostram o que é a “verdadeira verdade”:

“(...) Fidel e Pinochet tiram sarro de você
Que não faz nada
Começo a achar normal que algum boçal
Atire bombas na embaixada (...)
(...) Toda forma de poder
É uma forma de morrer por nada
Toda forma de conduta
Se transforma numa luta armada
A história se repete
Mas a força deixa a estória mal contada (...)
(...) O fascismo é fascinante
Deixa a gente ignorante e fascinada (...)”

Toda Forma de Poder – Engenheiros do Hawaii (1986)

Obs: Outro dia um amigo, muito próximo, me perguntou o que quero dizer com as palavras das músicas. Nada além do que as palavras das músicas dizem. É leitura... Sei que parece óbvio, mas é que nos tempos atuais alguém “dizer” algo que está escrito parece um pouco fora do normal... Falar sem meias palavras é algo raro num momento em que se tem medo de “forças ocultas”. Brasileiro, de uma forma geral, gosta de achar que tudo está errado, até mesmo quando está certo...

fevereiro 10, 2008

Odeio Odiar

“Odeio Odiar” é praticamente uma categoria do pensamento politicamente correto. Na verdade o que difere os bárbaros da civilização reside em muito no fato de barrar os ódios. Ódios de todo tipo, desde aqueles nacionalistas (o que é bem diferente de patrióticos) até aqueles em que se há uma categoria ou até mesmo uma pessoa para ser odiada. Agora tem certas coisas que mereceriam ser odiadas. Mas, como na música de Humberto Gessinger, “eu não consigo odiar ninguém” (*).

Cada dia que passa vejo que pessoas que nunca simpatizei justamente por parecerem cães raivosos com o tal “status quo”, quando lá chegam parecem piores ainda dos que lá estavam. Parece uma inversão histórica e quando alguém fala nessas “verdades” logo vem essa mesma corja acusa-lo de cão raivoso. O que eu acho estranho que na hora que existia a hipótese de um debate, a corja sumiu. O tal cão raivoso deles é para mim um professor e não por sua raiva a estes infelizes, mas por sua inteligência mesmo. Sua inteligência real. À corja nunca sequer dei atenção a suas lamentações, talvez seja o ponto de hoje não ter ódio deles; nunca lhes dei ouvido. Nunca acreditei no seu preço por um outro mundo possível. Passei até por um “alienado”, mas nunca sequer entrei no seu pequeno debate forjado. Muitas dúvidas ainda tenho hoje, mas as certezas são luzes que só foram acesas pela busca de respostas e não pela aceitação das “verdades forjadas” da corja.

Não acredito em bem coletivo, mas em idéias individuais que formatam padrões do que se espera ser coletivo. O que me faz escrever este texto sem nomes e com breves pausas pode residir na hipótese de existir pessoas mal intencionadas que, segundo Robert Musil, podem usar qualquer coisa contra você. Falando em bem coletivo, um parque não é um bem coletivo. São agrupamentos individuais que só são possíveis graças ao espaço projetado para ele. Não acho que um atleta ou casal de namorados tendem a ser “coletivos”, mas sim individuais. O próprio agrupamento urbano é de certa forma individual. São muitas as questões acerca de como se pode ou não ser pejorativo o termo “individualista”. De certa forma, muitas pessoas preferem deixar o destino de suas vidas nas mãos de outras pessoas. E muitas delas acreditam que com isso fazem a melhor escolha e não acreditam na hipótese que outros possam não compartilhar disso. Sem contar aqueles que em seu pensamento conseguem ver vantagens nessas trocas.

Como gostaria de só falar de música, acho que algo novo está nascendo nas minhas convicções. Não diria que seja como naqueles músicos de jazz dos anos 1930, 1940, que compunham temas e saiam pela vida a tocá-los e dividir suas graças com outros sem um destino. Isso levou a muitos a se perder pelo caminho. Talvez uma nova etapa que se compõe de idéias mais antigas, que em certas horas foram completamente esquecidas.

Somente uma vez não segui aquele meu lema adolescente que é “retroceder nunca, desistir jamais”. Tive que voltar atrás. Bem, uma vez só e porque era na verdade um passo mal dado. Tinha dado outros passos mal dados antes, mas esse foi o que chamam de “maior”. E de tão maior só tive que retroceder. Nem esse foi digamos “prejudicial”. Mas preciso dar outros passos e estou numa sinuca. Como é difícil estar motivado a isso. E o pior que talvez tenha que estar próximo a corja... Urg! Isso não é nada animador...

(*) “Não quero seduzir teu coração turista
Não quero te vender o meu ponto de vista
Eu tive um sonho e há muito não sonhava
Lembranças do futuro que a gente imaginava
Nem sempre foi assim, outro mundo é possível
Pode até ser o fim mas será que é inevitável

Não vá dizer que eu estou ficando louco
Só por que não consigo odiar ninguém
Do goleiro ao centroavante
Do juiz ao presidente
Eu não consigo odiar ninguém


Não consigo odiar ninguém – Humberto Gessinger - 2007

janeiro 05, 2008

Ouça o que eu digo: não ouça ninguém

Outro dia lia algum blog cujo título era “Não acreditem em mim”, numa referencia que muito da opinião dele, blogueiro, era baseada em muitos indícios e muitas outras opiniões de pessoas que são, por assim dizer, “alguém”. Isso me lembrou um pouco o que escrevi agora pouco do Foro de São Paulo e um pouco sobre um artigo que João Mellão escreveu ano passado (aqui). Mas dei ao título dessa postagem, o nome de música e disco dos Engenheiros do Hawaii. É um pouco por aí que penso. Eu crio minha opinião baseado em questões abordadas por outras pessoas e muita reflexão minha. Está reflexão é muito maior do que a que emito aqui no blog. E assim que deve ser (diferente de muita gente que escreve uma coisa e pensa outra... ou pior: escreve para agradar quem quer que seja). Tudo que eu escrevi aqui eu assinei, claro, assim como muitas opiniões de outras pessoas. E sobre outros temas dos quais não tratei aqui, muito provavelmente por não ter tido tempo nem interesse, não significa que não tenha opinião. Mas o importante é escrever e deixar disponível para alguém ler. Se for de utilidade para alguém, já fiz minha parte. Estou mais preocupado com o crescimento cultural e isso é individual. No máximo sou uma vela nesse caminho escuro. Por isso corrigiria a frase do título por “ouça tudo e tire suas próprias conclusões”. Mas aí tem que ter paciência de um professor de primário, onde o aluno toma contato com o mundo. Mas não, minha paciência é a de um professor universitário: estou aqui para te orientar em seu próprio caminho e te avaliar depois. O único fato é que eu não farei a avaliação. Esta será feita pela sua própria vida.

dezembro 29, 2007

Uma prévia...

Fazer um balanço de 2007 é complicadíssimo. Passei por uns momentos mágicos e para mim parece que se passaram uns três anos. Mudanças de emprego, mudança de oportunidade e curiosidades além de ter deixado de fazer coisas por descuido com datas e prazos. Falta de planejamento. Mas como planejar o acaso? Uma busca por algo novo nunca parou, e não seria este 2007 diferente. Mas vou tentar limitar meus comentários mais ou menos à questão que mais trato aqui e que no fundo é a linha guia desse blog: a cultura.

Cultura é difícil de comentar já que em teoria são assuntos abstratos. Mas objetivamente a cultura se expressa na forma de filmes, álbuns, programas de televisão, textos, livros, pinturas, esculturas, fotografias, edifícios, jardins, praças e tudo que pode ser fruto do desenho urbano ou da arquitetura. É difícil comentar, principalmente que vários fatores concorrem juntos.

Fui de certa forma muito pouco a shows, cinemas e mostras este ano. E nas mostras que fui, como no caso da Bienal de Arquitetura, não fui aos fóruns de discussão, o que deixaria a mostra mais rica. Outra mostra, sobre Charles Darwin, diria interessante, mesmo eu não dando lá muita importância para ele. Mas o final do ano mostrou um MASP em plena decadência, com o roubo de dois famosos quadros de seu acervo.

E quanto aos álbuns que lançaram este ano, os que eu escutei logo ao lançamento, não me chamaram lá muito a atenção. Não consigo destacar grande coisa. No caso do álbum do Megadeth – United Abominations - a discussão sobre a capa foi maior ao trabalho propriamente dito. Do bom álbum que o Rush lançou sou obrigado a dizer que me deixou mais saudosista de seus trabalhos anteriores (o Megadeth também). Um bom trabalho foi o de Robert Plant com Alison Krauss. A tal volta do Led Zeppelin, que nem sequer comentei aqui, não achei nada além de uma boa forma de se colocarem na mídia, pois o show foi ruim pelo que pude ver pelos flashs nas redes de TV... Na música a melhor coisa foi mesmo ter aprendido muito com Artur da Távola em seu programa sobre música erudita. Um de seus programas não me sai da mente, e até o comentei aqui. No âmbito nacional digo que o trabalho de acústico continuado com novas músicas dos Engenheiros do Hawaii, intitulado “Novos Horizontes”, foi muito bom. Mereceria uma postagem dedicada a eles, mesmo que a eles dediquei muitas postagens ao longo do ano...

Da televisão não posso dizer que algo novo tenha acontecido. A Record tevês seus altos e baixos. Como entretenimento, um programa como o de Roberto Justos merece destaque e o que me faz ver que a rede ainda está longe de se comparar com o Globo é colocar o tal Simple Life na continuidade do programa de Justus, achando que o público é mesmo imbecil... A TV Globo teve seus momentos, mas está também em decadência. Fez duas mini-séries bem estranhas. Uma com a pseudo-autora Perez, falando sobre uma Amazônia de Chico Mendes e Galvez, muito mal feita e mal escrita... A outra baseada na obra de Ariano Suassuna, era para ser um estouro e não foi nada... Basta ver que para 2008 vão passar em janeiro uma série de filmes e não há projeto algum de novas mini-séries. Quando a Globo está em decadência, nem se espera encontrar em outra TV alguma coisa útil para ver. A Rede TV embarcou na onda de ter um seriado, uma versão nacional do Desperate Housewives, que já transmitia com certo sucesso. Nada de novo... Outra vez...
Bem, em suma, não posso dizer que 2007 foi lá grandioso. Não se discutiu os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro e o Brasil já ganhou uma Copa. O Campeonato Brasileiro foi péssimo, com um time ganhando com rodas à frente do restante e um minguando, acabando rebaixado à segunda divisão. Isso só mostrou a falta de continuidade e de investimento nos esportes, onde, novamente, quando o futebol está em decadência, o resto nem sequer pode ser comentado... Ou alguém viu por aí a final da Liga, Copa, qualquer coisa, dos times nacionais de vôlei? Ou seja, fora os campeonatos de futebol o resto do esporte no país é uma piada. De que adianta uma seleção brasileira de vôlei medalha de ouro se o vôlei nem sequer tem uma Liga Nacional, com algum time de expressão? Bem, que em 2008 algumas das minhas perguntas sejam respondidas, principalmente depois das derrotas nas competições olímpicas...

Na política algumas coisinhas começaram a mudar. Talvez em 2008 seja este uma dos temas mais interessantes do ano. Mas a cultura política está longe de melhorar. Quem sabe com mais coragem a oposição posso realmente existir... E isso é uma previa do que se passou em 2007.

abril 07, 2007

Sweet Gardênia

Um das curiosidades de encartes de discos sempre foi para mim as “Sweet Gardênia” I e II, do encarte de “Revolta dos Dândis” (Engenheiros do Hawaii, 1987). Vale também conferir que havia neste disco uma subliminar citação à Albert Camus. Entre as linhas dos caminhos...

Sweet Gardênia I

“Ele trabalhava num posto de gasolina
Ela era a filha mais bela
Da família mais fina
Um dia eles se encontraram
Numa dessas esquinas
E nada aconteceu
(Nada aconteceu)”

Sweet Gardênia II

“Ele trabalhava o dia inteiro na oficina
Ela ficava em casa
(Casa com piscina)
Um dia eles se encontraram
(Um dia de neblina)
E nada aconteceu
(Nada aconteceu)”

Não é só esta a curiosidade desse encarte. Tem uma foto de Leonel Brizola logo após a de José Sarney, numa seqüência de fotos de ex-presidentes brasileiros desde Juscelino Kubitschek. A foto de Tancredo Neves exibe uma santa imagem sob sua cabeça. Uma foto do edifício do Ministério da Educação e Cultura, projeto da equipe de Lúcio Costa com consultoria de Le Corbusier, de 1930, uma gravura do “Sr. Jeca Tatu”, de Monteiro Lobato, um desenho do “Eddie” (o mostro das capas dos discos do Iron Maiden) entre outras.

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...