Caminhar é preciso. Três perguntas se tornam importantes: Quem é você? De onde você veio? Para onde você vai? Por todas elas existe um caminho. Nem sempre chegar é o mais importante.
setembro 01, 2014
Os caminhos e a vida, ou, a vida e os caminhos...
agosto 15, 2009
Diary of a Madman VI
Toda vez que se fala em música sempre há a diferença de ter visto um show de determinada banda ou artista. A apresentação de um artista é sempre algo surpreendente. Há sempre aquela idade de empolgação de querer ver todos os shows e sempre ocorre um festival de música. Passei por essa idade e ainda hoje assisto a alguns shows, até mesmo em estádios ou experiências sinistras como o Autódromo de Interlagos. Este ano assisti ao Jeff Scott Sotto, John Lord e Iron Madein, este num show histórico.
Numa outra época assisti a uma boa quantidade de shows e uma enorme quantidade de festivais, entre eles Philips Monsters of Rock e Skoll Rock. O maior arrependimento até hoje foi não ter visto os festivais Hollywood Rock, do início dos anos 1990, principalmente o que teve num único dia, Dr. Sin, Engenheiros do Hawaii, L7 e Nirvana (descrito por Zeca Camargo como um dos mais incríveis que assistiu). Festivais são famosos justamente por apresentar bandas completamente diferentes num mesmo dia, e bem por isso cansativo demais. De shows e bandas que não tive o prazer de ver está o Mr. Big, daquele início dos anos 1990, e o Van Halen com Sammy Hagar. E, claro, o mais de todos, Aerosmith - este que por três vezes não consegui assistir. Poderia dizer que o Kiss estaria numa lista um pouco maior, mas eu era criança demais para ter visto o Kiss de Creatures of the Nigth.Meu primeiro show, de uma banda grande, foi aos 15 anos de idade, em 1991. Mas hoje vou me deter em somente três shows históricos que tive o prazer de assistir. Incrivelmente não vou falar de Yngwie Malmsteen, talvez o artista internacional que mais assisti até hoje. Vou falar do Monsters of Rock de 1995, mais precisamente 2 de setembro de 1995, com a presença de Megadeth, Faith No More, Alice Cooper e Ozzy Osbourne. Mais precisamente do show do Ozzy, o primeiro em São Paulo. Já havia tocado no Rock in Rio, em 1985 e este show de 1995 era o retorno de Ozzy aos palcos depois da suspeita de que Ozzy estaria doente.
Para mim não importava que o guitarrista fosse um desconhecido, ex-aluno de Randy Rhoads, mas era Ozzy ali no palco. Cantou inúmeras músicas do Black Sabbath e foi pela primeira vez que fiquei em êxtase com uma banda. Já havia ficado emocionado no mesmo dia com a apresentação do Megadeth, que a partir dali se tornou uma das minhas bandas prediletas, assistido-os mais outras vezes e comprando praticamente todos os álbuns. Mas Ozzy ao vivo foi incrível. Estava como sempre, doido, andando de um lado para outro e tocando um clássico atrás do outro. O Pacaembu tremia. Estava ali, pela primeira vez, vendo um ícone do mundo do rock. Uma lenda viva. Aquele palco foi pequeno para o grande Ozzy.Pouco menos de um ano depois estava de volta ao Pacaembu, em 1996, para assistir ao, até hoje, melhor show da minha vida: AC/DC! A temporada de shows era em função do lançamento do álbum Ballbreaker e também o AC/DC havia tocado anteriormente naquele Rock in Rio de 1985. Já gostava de AC/DC logo aos primeiros clipes que assisti na MTV, ainda da temporada de The Razor´s Edge. Até hoje não faço idéia de onde surgiu Angus Young depois da queda do muro com aquela bola gigante de ferro. Não tenho palavras para descrever os tiros de canhões durante a execução de For Those About Rock e do sino gigantesco durante Hell´s Bells. Sem dúvida um show histórico. Não tenho mais palavras para descrever este show que foi emoção atrás de emoção.
Naquele emocionante 1996 também assisti a outra lenda do rock: Ritchie Blackmore. Foi uma formação incrível do Rainbow e um dos shows mais incríveis que já assisti. Se tivesse que escolher um show para assistir novamente, se isso fosse possível, este seria com certeza o escolhido. Aquele show foi a somatória que qualquer fã de Blackmore se emocionaria. Foram tocadas músicas do Deep Purple, tanto de Daved Coverdale quanto de Ian Gilan, assim como as já clássicas melodias do Rainbow, da fase com Ronnie James Dio. Também histórica foi a participação de Candice Night em Ariel, além de ter tocado uma versão alucinada de Anya do álbum The Battle Rages On, de 1993, do Deep Purple. Sem contar que a quase totalidade do álbum Stranger In Us All, álbum que apresentava Doogie White, foi executada. Após este show consegui entender o que era ver ao vivo um verdadeiro mestre da guitarra. Agora sonho em assistir Blackmore´s Night ao vivo, de preferência no solo do Velho Mundo... A emoção ainda não acabou.Numa outra oportunidade ainda volto a falar dos shows que assisti no Hard Rock Arena, na reserva dos Seminoles, na Florida. Entre eles, o que até hoje me balança e me emociona só de lembrar: as meninas do Heart!
junho 11, 2009
Diary of a Madman V
Sempre fui um leitor, desde criança. Mas tinha o mal hábito de não ler por obrigação. Até hoje tenho problemas com isso. Acho que o prazer em ler veio muitos anos depois. Na infância (sei lá como chamar esta fase) havia aqueles livros da Editora Ática, da coleção Vaga-lume. Acho que todos da minha idade lembram-se dessa coleção. Livros como A Ilha Perdida, Os Barcos de Papel, A Serra dos Dois Meninos... O que me deixava curioso era um determinado título: Um Cadáver Ouve Rádio, de Marcos Rey. Talvez este seja o primeiro livro que comprei por conta própria. Foi numa feira do livro, no ano que estudei no Colégio Barão do Cerro Azul. Tanto que Marcos Rey é até hoje um dos autores que mais aprecio. Li depois O Mistério do Cinco Estrelas e Sozinha no Mundo. Sem contar que há bem pouco tempo vi uma citação sobre um texto chamado Quatro Bares, onde Marcos Rey relembrava suas andanças pelos bares Paribar, Nick bar, Brahma e Clube dos Artistas. Houve outros da coleção, como A Primeira Reportagem, de Sylvio Pereira, e Açúcar Amargo, de Luiz Puntel, este indicação de uma bibliotecária. Fora da coleção Vaga-lume, teve o famoso O Gênio do Crime, de João Carlos Marinho. Este talvez tenha sido o primeiro livro obrigado a ler que tive enorme prazer. E à época falávamos da então recente continuação com Berenice Detetive, que nunca li.
Uma das questões mais esquisitas naquele chamado “primeiro grau” – hoje ensino fundamental – foi uma professora repreender uma aluna por estar lendo um Jorge Amado. Na opinião da professora, teria que ler muito até chegar a um Jorge Amado. Sempre tive ao meu lado, na biblioteca, inúmeros Amados. Todos de meu pai. Destacaria Tocaia Grande como meu predileto. Pouco mais de um ano após esta professora fazer todo este escândalo, outra professora de português, já na Escola Técnica Federal de São Paulo, indicava como leitura obrigatória A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água. Em 2001 conheci Zélia Gattai, numa noite de autógrafos. Guardo comigo o livro Códigos de Família autografado. Foi uma dos meus episódios mais engraçados até hoje. Disse a Zélia que enviaria o manuscrito do primeiro livro para que ela avaliasse. Não deu tempo. Ainda no técnico (em 1994) tive aula com o professor Valério Arcary. Com ele estudamos O Príncipe, de Maquiavel. Numa outra disciplina estudávamos o livro de Ricardo Semler, Virando a Própria Mesa. Diria que nos anos 1990 quem me influenciou mesmo foi o cronista Mário Prata. Ler suas crônicas no Estadão era minha alegria das quartas-feiras. Aliás, o próprio Estadão foi o veículo para descobrir vários livros e autores. Diria que até hoje. Por ser assinante, o Estadão enviou o livro Cem Crônicas de Mário Prata e uma coleção com 20 títulos de clássicos como O Primo Basílio e Dom Casmurro. No próprio Estadão ainda acompanhei as crônicas do escritor Ignácio de Loyola Brandão. Mas estava mais afastado das leituras de ficção. Nos tempos de faculdade ainda lia com certa freqüência uma porção de coisas diferentes, grande parte relacionada à arquitetura. Já até contei por aqui sobre o livro de Vilanova Artigas, Caminhos da Arquitetura, que de certa forma é a obra que me fez batizar este blog.Tempos depois, quase no final da faculdade (2001/2002), comecei a acompanhar a coluna Sinopse, também no Estadão, escrita pelo jornalista Daniel Piza. Com esta coluna comecei a revisitar alguns clássicos, como Machado de Assis e Eça de Queirós, e encarar alguns textos como os de Shakespeare, sem contar nas outras inúmeras indicações, como o livro organizado pelo próprio Piza dos textos de George Orwell. Além de Piza ser um dos poucos jornalistas a falar sobre arquitetura. Mas foi mesmo com o método do filósofo Mortimer Adler que tive um novo impulso nas leituras. O método e a orientação do filósofo e professor Olavo de Carvalho. O que acho absurdo é enxergar Olavo de Carvalho somente como o autor de O Imbecil Coletivo (que é muito bom também). Bastaria ler dois textos recentes (de 2006) onde trata de falar a respeito do problema do estudante sério no Brasil. Além também das questões levantadas por Ítalo Calvino em Por Que Ler os Clássicos? e o livro de Reinaldo Azevedo, Contra o Consenso, fonte sobre as letras e as leituras. Talvez a leitura posterior destes tenha sido tão interessante por uma base anterior.
O que às vezes fico a pensar é quando vejo escritores falando de Julio Verne e Monteiro Lobato, dois escritores que conheço bem superficialmente. Ainda Lobato tive a leitura de alguns contos durante as aulas de literatura da escola. Eram os contos adultos e não a famosa literatura infantil. De Julio Verne me interessei e muito quando do relançamento de alguns títulos com a tradução feita por Walcyr Carrasco.
Caricaturas de Belmonte Ainda quando criança me interessava muita pelo tema da Segunda Guerra Mundial. Tinha um livro de caricaturas de Belmonte, com sátiras sobre a guerra. Mais velho perdi muito meu interesse pelo tema. Não sei dizer por quê. Lia aquele livro com muita vontade. Talvez sejam as duas coisas que mais gosto: desenhos e humor. O mais legal é que eram todos desenhos em preto e branco. O livro tratava de fazer um breve diário das batalhas com datas e depois seguia com inúmeras sátiras em formas de tiras. As leituras que apresentei aqui brevemente mostram mais um caminho que fiz pela vida. Meio sem rumo, meio sem jeito. Lembro de quando era criança escrevia longas páginas em cadernos, dizendo que um dia seria escritor. Talvez um dia... janeiro 21, 2009
Diary of a Madman IV
“(...) Desde os primórdios
Até hoje em dia
O homem ainda faz
O que o macaco fazia
Eu não trabalhava, eu não sabia
Que o homem criava e também destruía (...)”
Homem Primata – Cabeça Dinossauro – Titãs (1986)
Não à toa eram os anos pré-históricos. Talvez se me perguntassem qual é a primeira vez que escutei rock, eu com certeza iria dizer que era Kiss me Quick, de Elvis Presley, o maior! Certas lembranças da infância são as melhores de toda uma vida. Depois um álbum dos Beatles, Help! Mas na verdade, acho que ouvir e gostar, já entendendo um pouco do que seria rock foi o Cabeça Dinossauro dos Titãs.Sobre o disco não tenho muito a dizer. Seria talvez o álbum mais famoso do grupo. As músicas mais conhecidas como Polícia, Família, Bichos Escrotos e Homem Primata são até hoje tocadas nos shows e suas letras atemporais, que fez deste disco um “clássico” do rock nacional. Escutar este disco naqueles anos, no começo da minha adolescência foi marcante. Naqueles anos escutava também o Rádio Pirata ao Vivo do RPM. Bons momentos.
O disco seguinte dos Titãs foi Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987), eu já tinha mudado de escola, de colegas, e mantinha até certa “distância” desses “novos” colegas. Mas as músicas Comida, Lugar Nenhum e Desordem tocavam nas rádios, fazendo com que este e Cabeça Dinossauro fossem os meus dois discos prediletos naqueles anos. E, detalhe, até hoje só escuto estes dois dos Titãs. Outras músicas foram acrescentadas ao repertório deles, mas, como eu já havia escrito, meus interesses acabaram me levando a conhecer outras bandas nos anos seguintes e deles só esses dois álbuns restauram na minha memória.O lado interessante de se ter um disco nas mãos é manusear a capa, ler os créditos e acompanhar as letras das músicas pelo encarte. Hoje quando escuto em MP3 algum álbum novo sinto falta de algo. Aquela arte da capas, que no caso destes dois álbuns é algo incompreensível para mim. Aqueles fósseis e as colunas gregas devem fazer algum sentido. Algo não faz sentido com as músicas.
Nos anos seguintes nada mais me caiu nas mãos e nunca mais procurei saber sobre os Titãs. Hoje em dia acabo lendo alguma coisa que o Tony Belloto posta em sua seção no site da revista Veja. Não li seus livros. Escuto os sons de Nando Reis e até tive um momento, na faculdade, que falavam bastante do álbum de estréia do Arnaldo Antunes. Lembro do ultimo disco sendo vendido em bancas de jornal, daquela forma que o Lobão resolveu distribuir seus discos. Fora isso, na minha vida os Titãs marcaram este momento, os anos “pré” alguma coisa... Nunca ficaram claras as influencias musicais dos Titãs, não como são as dos Engenheiros do Hawaii, que passa a ser algo até chato, de tão evidente.
“(...) Quem quer manter a ordem?
Quem quer criar desordem?
É seu dever manter a ordem,
É seu dever de cidadão,
Mas o que é criar desordem,
Quem é que diz o que é ou não? (...)”
Desordem – Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas – Titãs (1987)
Diary of a Madman III
Os anos dourados do ócio criativo Outro dia li que aos vinte e poucos anos de idade os maiores ingredientes para a vida era tempo para sonhar, estudar e namorar. Como não concordar com esta afirmação? Queria eu ter escrito isso! Na verdade tive nesses dois anos de escrita nesse blog, além de marcar inúmeros tópicos, inúmeros assuntos, a possibilidade de um pouco de saudosismo. É estranho aos trinta e poucos pensar na adolescência, a autora da frase citada está com quase sessenta anos de idade.Eu tinha a plena convicção que a intensidade de transformações e a velocidade das mudanças que vivi neste período eram únicas e tinham que estar registradas. Não que a velocidade não foi elevada, basta ver que às vezes certas mudanças não entram na cabeça das pessoas dos vinte e poucos de hoje.
Mas o que quero registrar aqui tem a ver com um outro texto que escrevi em 2008. É interessante escrever, registrar o que estou pensando. Ás vezes não consigo lembrar o que pensava a respeito de certos temas naquele tempo. Lembro de ter lido livros e não faço a menor idéia do que lá está escrito neles. Sei lá eu se por falta de treinar o assunto, ou se o assunto era chato, mas o fato é que simplesmente tirei da memória. O texto está separado na seção Diary of a Madman, chama-se Flying in a blue Dream.
O texto é um somatório de tantas situações e de tempos distintos, que fico aqui a pensar se alguém entendeu uma parte daquilo tudo ali escrito. Pois até os amigos de muito tempo não viveram todas aquelas situações ao meu lado. Tinha tanta gente naquele texto que só para falar delas daria para escrever mais umas quinze páginas.
Time Odyssey - Vinnie Moore (1988) Quando estava fazendo a apresentação de Diary of a Madman, consegui me perder no texto, falando sobre Randy Rhoads. Depois dei uma pequena limpada e guardei o texto, por ter mais outras lembranças interessantes e muito provavelmente vou disponibilizar neste espaço. O fato que a apresentação ficou corrida e não coloquei de forma clara que o que nesta seção seria escrita, mais que tudo, opinião e lembranças. Era necessário ter mais material para fazer isso. E esta hora chegou. Sei lá de novo onde vai dar isso...Numa aula da faculdade lembro de uma menina falando que não sabia desenhar. Ela perguntava por um curso de desenho que a ajudasse. O professor, no entanto, disse que aprender a desenhar só tinha um único caminho: desenhar. Desenhar para mim não é problema, mesmo que atualmente esteja muito menos treinado que nos anos de faculdade, porém escrever era algo que definitivamente não se faz muito numa faculdade de arquitetura. Este blog foi excelente na hora de soltar as palavras, assim como da mesma forma o programa “Expedições pelo Mundo da Cultura” a me fornecer material além dos escritos arquitetônicos. Nos anos de faculdade uns poucos professores sugeriram leitura de alguma outra coisa além da arquitetura, como O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, A Vida Digital, Nicholas Negroponte, e Carne e Pedra, de Richard Sennett.
O interessante é que nesses anos todos, do o curso técnico, do trabalho e da faculdade, existia tempo livre para escutar música, tocar e fazer mais um monte de outras coisas. Foi num desses momentos que descobri o livro de Domenico de Masi, O Ócio Criativo. Já escrevi sobre ele, não lembro em qual texto. Era interessante saber suas teorias para o tempo livre. Foi uma loucura de conceitos, mas a lição principal foi preencher os meus tempos livres com atividades interessantes.
Uma atitude foi além de escutar as músicas, prestar atenção às letras, desde a construção das rimas e os significados e contextos das frases (ou seriam versos?). No caso das músicas (finalmente falando do texto Flying... até agora era só introdução) elas estavam associadas a momentos. Imagine você na praia, dentro de casa, com uma chuva do lado de fora, comum no verão chuvoso e úmido brasileiro. O que fazer se não assistir TV ou escutar um música. Quando criança levava meus carrinhos. Depois a caixa de carrinhos deu lugar para uma de fitas K7. Mais tarde os cds começaram a me acompanhar, mas sempre com uma ressalva: tinha tanto cuidado que ficava furioso de ver um deles fora das devidas caixas. Estas situações acontecem ao se viver em sociedade...
janeiro 20, 2009
Diary of a Madman II
por ter acreditado que só se vive uma vez
pensei que era liberdade
mas, na verdade, eram as grades da prisão
eu pago os meus pecados
por ter acreditado que só se vive uma vez
pensei que era liberdade
mas, na verdade era só solidão”
O Preço – Humberto Gessinger Trio (1996)
Foto: Randy Rhoads (1956 - 1982).
Lembranças. Muitas delas dão aqueles diários loucos que fazem muitos “mudarem suas vidas”. Nem de perto tenho esta pretensão. Quem me dera escrever algo como On the Road e ter, tantos e tantos anos depois, edições comemorativas. Certo que se me perguntassem qual livro gostaria de ter escrito, aquele que retornamos de tempos e tempo para reler, eu diria que o “fininho” O Estrangeiro, de Albert Camus, me deixa ainda sem fôlego com aquele início, o ritmo e com a falta de acabamento. É muito desafiador. E pensar que passei anos sem conhecer Camus e lendo Sartre...
O fato que quando tive a idéia de escrever um álbum de memórias, mais do um diário, já que nem é escrito diariamente, era justamente falar de como vivia antes de conhecer coisas que agora são parte de mim; algo inseparável.
Logo que entrei na faculdade meio que perambulava em busca do que fazer, do que ler, do que estudar, do que os músicos, os artistas, as personalidades que gostava estudavam, em suma, o que eram as influencias deles. Um dos primeiros a me deixar intrigado era Ozzy Osbourne, não à toa esta parte do blog eu “batizei” com o nome de uma de seus discos; uma de suas músicas. E tinha que ser dessa fase, junto a Randy Rhoads. Como já contei na primeira parte, havia escutado Ozzy a primeira vez em 1991, e até 1994 tinha praticamente todos os discos. Mas existia um momento anterior.
Desde os treze anos de idade algo me chamava atenção nos Engenheiros do Hawaii. À época, em 1989, tocava muito no rádio a música Terra de Gigantes e não lembro ao certo se alguns colegas de classe foram ao show ou não, mas eles estavam numa fase bastante ascendente. Logo em 1990 lançaram o, acredito eu, mais famoso álbum da banda: O Papa é Pop. Foi um estouro de músicas nos rádios e a novidade dos clipes na MTV recém inaugurada, aos fins de 1990. Foram as músicas para o rádio: O Papa é Pop, Era um garoto... e Perfeita Simetria (esta só disponível no cd, não no vinil), os clipes de Exército de um Homem Só, Pra ser Sincero e uma música do segundo álbum, de 1987, Refrão de Bolero. Tudo isso tocava sem parar no rádio e na MTV.
Foi em 1991 que assisti a primeira vez os Engenheiros do Hawaii ao vivo. Era no antigo Palace, em São Paulo. Até hoje não sei dizer se lá cabem quatro mil pessoas ou mais ou menos. Sei que era bastante gente e um show com uma banda de pouco mais de cinco anos de estrada. Nos anos seguintes acompanhei todas as temporadas de shows. Um dia um rapaz me vendeu os quatro primeiros discos dos engenheiros, em vinil, por um preço bem camarada (algo como o preço de um cd). Foi a primeira vez que tinha a discografia completa de uma banda. Isso já era no final de 1991. O incrível disso é que naqueles anos também estava conhecendo tantas outras bandas e músicos que num certo momento a banda de Gessinger ficou um tanto quanto de lado. Acho que em 1994 nem sequer sabia dos projetos e dos discos lançados. Mas, como sempre, algo fica guardado.
Em 1996 entrei na faculdade. O curso de arquitetura tinha tudo de desafiador. Não conhecia ninguém do meio, e tinha uma única idéia totalmente cumprida ao término do curso. Nada foi tão interessante como saber o que queria antes mesmo de entrar no curso. Não sabia ao certo as etapas que tinha que passar, mas sabia que ia aprender aquilo que queria aprender, aquilo que tinha vontade de saber e ninguém ensinava. Só tive sensação igual há poucos anos, quando uma busca interminável por questões achou um novo caminho, onde também sei onde quero chegar, mas as etapas são um pouco mais longas. Quando falo que muito acontece ao mesmo tempo e tenho a total sensação de “estar pagando os pecados por acreditar que só se vive uma vez”.
Mas foi exatamente na faculdade, numa solidão maravilhosa, pois uma das melhores situações da faculdade de arquitetura é o ato de projetar totalmente sozinho e individualmente, onde a criatividade, um conceito e uma meta são exigidos ao mesmo tempo. Um conceito aprendido durante o curso técnico era o de buscar a informação com o professor. Nisso eu acho que aprendi mais no corredor falando com os mestres do que em aulas que praticamente ninguém estava interessado. Foram ali que surgiram as muitas indicações bibliográficas. Depois foi só passar na biblioteca e ler pelo menos um livro por mês. É... Existe sempre um esforço invisível.
Um dia achei um livro para vender numa livraria em frente ao Mackenzie do arquiteto Vilanova Artigas: Caminhos da Arquitetura. Li em alguns dias praticamente o livro todo. Sem entender lá muita coisa, estava no segundo semestre. Mas o livro foi me acompanhando durante o curso, afinal era uma coletânea de textos com temas variados, deste o Frank Lloyd Wright, Corbusier, até temas políticos e conceituais. Até hoje tento achar algumas respostas lá no livrinho, já meio velinho. Não à toa também este blog chama Arquitetando Caminhos...
Humberto Gessinger Trio (1996)
O que é mais interessante desse início de faculdade esta justamente na “volta” dos Engenheiros do Hawaii na minha “lista” de bandas. Sempre fiquei intrigado com as letras de Gessinger. Sempre alguma delas fazia sentido para mim em algum momento. E aquele ano de 1996 ele havia lançado um projeto chamado Humberto Gessinger Trio. Tinha de tudo naquele disco. Era uma fase que meus “caros colegas” estavam fazendo um monte de coisas que não me interessavam à mínima. Era uma solidão fantástica escutar Engenheiros novamente e estudar a história das artes, as arquiteturas e criar. O mais interessante era ver que tinha lido muita coisa por conta daquelas músicas. O próprio Sartre estava entre essas coisas. Mas só muito tempo depois fui ler o Moacyr Scliar de O Exército de Um Nomem Só...
Uma parte negativa disso é que estava lá, ao lado dos colegas, e ao mesmo tempo afastado e sem compartilhar praticamente nada daquilo que estava estudando e nem sequer sei o que pensavam ou o que estudavam. Hoje enxergo muito melhor isso, principalmente quando encontro algum colega num desses eventos “arquitetônicos”. A infinidade de arquiteturas que faço hoje, não tem definição quando me perguntam mais especificamente o que ando fazendo. Um dia talvez possa só responder “estou dando aulas”... Isso facilita muito o trabalho de ter de explicar. (Será que sou tão impaciente assim?) Mas a lição principal é que no fundo sempre estará sozinho em seus projetos. Uma ou outra pessoa te acompanhará, mas a decisão final será sempre sua. E no tempo certo. É um pouco duro aprender isso, mas é bem melhor do que o “brasileiríssimo” deixar a vida te levar... Num certo momento é aquela idéia inicial que te movimenta.
PS: Este texto esta escrito numa língua que acredito ser português. Não esta de acordo com muitas regras, não. Principalmente esta nova que unifica o português de Portugal com o brasileiro. Gosto tanto da grafia portuguesa... Fazer o que, um dia eu me adapto...
janeiro 01, 2009
Diary of a Madman
Estava pensando em fazer um novo blog, com questões mais específicas que tenho postado pouco, por ter temáticas completamente diferentes dos assuntos tratados. Mas se o tempo já é escasso a este, que diria alimentar dois blogs? Então o que resolvi fazer foi uma nova “seção”. Na verdade é uma tag específica para cada postagem com tema extremamente variado, mas contínuo. Pensei num nome e Diary of a Madman, inspirado no segundo álbum da carreira solo de Ozzy Osbourne, lançado em 1981, que me leva a escrever aquilo que eu ache que é loucura, ou seja, o “diário de um louco”.Obviamente este álbum tem toda uma história. Foi um dos últimos álbuns que comprei do Ozzy. No início dos anos 1990, o rock`n roll estourou nas “paradas de sucesso” (termo horroroso) com bandas como Guns n`Roses, Faith No More e Skid Row. Ozzy Osbourne lançou o álbum No More Tears (1991) que foi a primeira vez que tive contato com Ozzy, sendo ele um dos meus artistas prediletos até hoje. Ao tomar contato em 1991, até 1994 tinha praticamente todos os álbuns de Ozzy. Sem contar vídeos e entrevistas de revistas. Bem longe de um fanatismo, pois as revistas eram as normais de banca de jornal. Esse hábito de guardar entrevistas muito me ajudou, principalmente em trabalhos na faculdade, assim como é boa fonte de indicações.
Além de escutar a carreira de Ozzy, escutei e conheci nestes anos o Black Sabbath, a banda que fez enorme diferença no cenário musical. O primeiro contato também foi em 1991, com uma coletânea chamada We Sold our Soul for Rock`n Roll (1976). Porém, do Black Sabbath não tenho sequer uma mísera parte da discografia. O interessante que falar em ter tudo do Ozzy e não ter quase nada do Sabbath parece um “atentado ao mito” dos anos 1970. Eu, no fundo, não ligo à mínima... Exatamente esta é a tarefa dessa seção: acabar com os mitos e gostar de algo por prazer.
Os três textos
Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...
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Acabo de saber dos ganhadores do prêmio Pritzker deste ano, os japoneses do SANAA, Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, dos quais não conheço nen...
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Andava pelo saguão do aeroporto puxando aquela pequena mala. Rabo de cavalo, uniforme vermelho e branco, lenço no pescoço. Sapatos pontudos ...
