Mostrando postagens com marcador BTO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador BTO. Mostrar todas as postagens

fevereiro 17, 2010

Passeando por algumas bandas dos anos 1970...

Quem viveu os anos 1990 lembra que havia muita celebração em torno de bandas dos anos 1970. E muita música boa foi produzida naquela década... Para ser exato vou falar aqui de algumas bandas que não são destaques, ou melhor, não são as bandas mais comentadas daqueles tempos. São bandas conhecidas, óbvio, nunca fui um “caçador de raridades”. Mas, as músicas que falo abaixo, acabei por conhecer sem querer.

Vou começar com o Nazareth. Não tenho grandes coisas a falar deles, mas que muitas de suas músicas até hoje me fazem “ouvir música de uma forma diferente” (citando Zeca Camargo de memória).

“(...) Mama, mama, please no more jaguars
I don't want to be a pop star
Mama, mama, please no more deckhands
I don't wanna be a sailor man
Mama, mama, please no more facelifts
I just don't know which one you is
Mama, mama, please no more husbands
(I don't know who my daddy is)


It's a holiday, it's a holiday”

Holiday – Nazareth (1980)

Na verdade, começo com uma faixa de 1980, do álbum Malice in Wonderland, mas é incrível como soa igual ao Nazareth dos anos 1970. Esta música não fazia parte do “vinil” (isso, no começo dos anos 1990 ainda havia muitas lojas de vinil usado) Greatest Hits, o primeiro registro que ouvi do Nazareth. Era um disco comum nas lojas e acabei por emprestar de um amigo, gravando numa fita K7 o álbum todo.

Existia um precedente, que já comentei aqui, de uma fita K7 com a música Hair of the Dog. Mas o primeiro registro mesmo foi aquele vinil. Com as músicas (baladas) Love Hurts e Sunshine, ao lado de Hair of the Dog, o disco era muito bom. Nunca li e nem ouvi ninguém falando que Nazareth é a banda preferida, ou algo parecido, mas é uma banda competente e que tem muita música boa em muitos discos... Poderia dizer que é um tanto irregular sua produção musical. Talvez seja este o motivo da banda nunca ter sido colocada entre as grandes bandas dos anos 1970.

O Bachman-Turner Overdrive foi também daquelas bandas que quem viveu os anos 1970 conhecia bem, mas nos anos 1990 pouca gente falava a respeito. Hey You! era a música mais conhecida, por sinal também estava naquela fita K7, ao lado de Hair of the Dog. Mas a música que quero registrar aqui é Rock is my life, and this is my song, do álbum Not Fragile, de 1974.

“(...) When we come into a new town
Everybody's there
When we play our music
Hand are in the air
When the musics over
You wonder where we are
I'm standing in the silence
With my old guitar (...)”

Rock is my life, and this is my song – Bachman- Turner Overdrive (1974)

Com esta música que minha falta de percepção em entender o que é uma música lenta começou... Para mim, era esta uma música lenta...

Não é este um texto com profunda vocação ao passeio pelos anos 1970, mas é sim um texto sobre como desenvolvi um gosto musical praticamente isolado dos padrões daqueles anos 1990. Uma tentativa por palavras para descrever um tipo de música que nunca li ou soube que alguém mais gosta, além de mim. Não deixo de gostar de outras tantas bandas, como já falei neste espaço. Nem por isso deixo de expressar que há muita música de boa qualidade no mundo, que em momentos passa como “desconhecida”.

dezembro 29, 2008

2 - Duas músicas: Let It Ride

“Good Bye, Hard Life
Don't Cry Would you let it ride?
Good Bye, Hard Life
Don't Cry Would you let it ride?
You can't see the mornin', but I can see the Light
Ride ride ride let it ride
While you've been out runnin' I've been waitin' half the night
Ride ride ride let it ride

And would you cry
if I told you that I lied
and would you say goodbye
or would you let it ride? (…)”

Let It Ride – Bachman-Turner Overdrive (1973)
Estava lendo o edital de uma revista, normalmente onde se pode notar a opinião geral da linha editorial seguida, e lá estava o editor falando sobre objetos que mudaram a vida. Ele, claro, falava de dois objetos em especial: uma guitarra e uma motocicleta. Estava já bastante satisfeito que ali iria encontrar uma linha editorial de alguém que tinha uma experiência de “deixar rolar as coisas”. Interessante que é deixar rolar com um objetivo, no fundo: o de ter novas emoções. Mas, como bem colocou no edital, com responsabilidade. Disse ele que seu pai havia dado a moto e isso era a maior prova a qual deveria passar.

São certas etapas que se deve passar na vida. Eu já tive vontade de possuir uma motocicleta, mas não tenho a mesma emoção que teria com outros veículos. Desde a infância existe um carro que não sei explicar, sempre me emocionou: um Opala duas portas 1974, com capota de vinil. De preferência na cor vinho. Até hoje lembro de um comercial de muitos anos atrás falando que o coração bate mais forte dentro de um Chevrolet...

Naquele edital falava que muitas vezes na vida somos ligados a objetos. Diria que sim. Emoções e objetos. O importante que estas emoções nunca fizeram dirigir a minha vida. Fico sempre pensando que tudo que eu escrevo sobre música seria completamente diferente se fosse músico (profissional). O ato de criar tem outra responsabilidade, diferente do ato de prazer puro e simples.

Quando penso em como é a vida de músico, fico pensando em quando começou o processo de criação e a diferença entre os que fazem sucesso e os que não fazem. Imaginei alguém leigo em música lendo este texto sobre estas músicas. Primeiro, sem conhecê-las, já que diferentemente de outros textos que fiz (aqui, aqui e aqui) são músicas e artistas pouco conhecidas do grande público (menos populares).

Quando morei nos Estados Unidos, assistia num canal de televisão um seriado antigo, que assistia na minha infância: The Dukes of Hazzard. Era incrível lembrar daquele Dodge laranja. Nada melhor do que as tramas, as meninas e o carro. A trilha sonora que não me é familiar. São destes detalhes, como na postagem anterior, os fatores que montam esse universo. E disso não pode falar em “filosofia de vida”. Pode-se falar de curtir um momento, como já escrevi aqui. São histórias da juventude, muitas delas que permanecem por toda uma vida.

abril 06, 2008

Hey You

“Hey you, you say you wanna change the world
It's alright, with me there's no regret
It's my turn, the circle game has brought me here
And I won't let down 'till every song is set

You realize now
You should have tried now, oooh
The music's gone now
You lost it somehow
Hey you, sha lalala
Hey you, sha lalala
Wooo, sha la la
Wooo, sha la la (...)”


Hey You – Bachman-Turner Overdrive (1975)

Ontem, pela primeira vez, ouvi esta música sendo executada ao vivo. Escutei esta música pela primeira vez numa fita K7, como já contei aqui. Tinha 13 anos de idade e já tinha enorme tendência a gostar de rock’n roll, mas passados mais de 15 anos, nunca havia visto nenhuma banda tocar “Hey You”. E não poderia ser ainda mais incrível, ser no mesmo bar que eu fiz meu primeiro show como músico amador. Este mesmo bar que funcionou por cerca de 14 anos ao lado da minha casa e hoje está a poucas quadras; mudança ocorrida no ano de 1999. Nada mal para comemora o aniversário de um grande amigo e por tabela, o aniversário do blog.

fevereiro 04, 2008

“Flying in a blue dream”

O mais legal das praias, de Santa Catarina, Rio de Janeiro como do Guarujá ou litoral norte de São Paulo, é que cada pedacinho de areia parece sempre diferente. Desde a praia do Tombo, até Laranjeiras, tudo parece flutuar... E nada melhor que escutar o meu disco predileto do Sr. Satriani...
Lá no começo dos anos 1990, quando ia constantemente para a Vila Caiçara, na Praia Grande, costumava fazer este disco ecoar na quadra da minha casa. Se não era Satriani, era Steve Morse e suas “Tumeni Notes”... Em dias menos inspirados, fazia uma seleção de fitinhas K7 com sons variados, entre clássicos como “Born to be Wild” de Steppenwolf, “Cocaine” de Eric Clapton, principalmente uma versão ao vivo de 1977, “Hey You” de Bachman-Turner Overdrive e “My Generation” do Who, ou baladas como “Hotel California” dos Eagles, “Behind Blue Eyes” do Who ou “Love Hurts” do Nazareth.

O engraçado que muita coisa que ouvia no final dos anos 1980, como Manowar, Metallica e Slayer, naqueles anos de praia, quase todos os finais de semana, não rolavam muito bem... Lembro, em 1993, de fazer meus pais, tios e convidados implorarem para trocar uma fitinha K7 com a gravação do novo disco do Deep Purple, “The Battle Rages on...”. Bom lembrar desses anos... O mais interessante que tinha uma enorme quantidade de fitas K7 de cantores como Dio e Ozzy Osbourne, e bandas como Whitesnake e Van Halen, e não lembro de nenhuma vez escuta-los na praia. Lembro de escutar o “Balls to Picasso” de Bruce Dickinson, mais nada...

Se um dia escrever um diário de memórias, com certeza ele será regado de músicas e momentos, como o de ouvir “Sinner” do Judas Priest durante a aula de desenho técnico na Escola Técnica Federal. Era de uma fitinha gravada por uma amiga minha que era fã de Judas Priest. Eu não conhecia praticamente nada da banda. Ela gravou a fita para me apresentar a banda, e logo muitas das músicas que selecionou eu não parava de ouvir, como “Hell Bent for Leather”, “Exciter”, “Painkiller” e “Breaking the Law”.

Um momento mágico para mim foi assistir ao filme “Alta Fidelidade”. Não lembro nem quando foi direito, se não me engano em 2004. O filme já era, digamos, “velho”, como sempre eu vejo os filmes muito tempo depois de lançados. É um filme que o personagem principal fazia uma seleção de músicas e gravava numa fita K7 e entregava para sua “amada” da época. O interessante que ele fazia sempre um Top 5 de tudo, inclusive de suas ex-namoradas. Uma maravilha de filme! O que me identifiquei muito foi o fato de também fazer fitas K7 para presentear. Não à toa ganhei aquela do Judas Priest. Presenteei uma vez uma fita K7 com músicas selecionadas de três álbuns do Mr. Big. Foi um bom resultado! E a última fita que fiz foi em 2003, o que já estava defasado, pois os cd´s já dominavam praticamente tudo... Era uma gravação do lado A com músicas de Dave Lee Roth e o lado B com Sammy Hagar, incluindo uma única música de sua carreira fora do Van Halen: “Red Voodoo”. O pior que foi num momento que cismei em não cortar mais o cabelo até que me formasse na faculdade... Seis meses de “cachinhos castanhos”... Estava com a cara do Sammy Hagar em OU812... O pior foi um amigo que mora nos Estados Unidos de passagem por aqui disse que meu cabelo parecia o do Eric Marmo na novela “Mulheres Apaixonadas” (que passava na Rede Globo à época). Foi a fase Sammy Hagar II...

O interessante de gostar muito de música que em certo ponto se tenta começar a tocar. Descobri logo de cara que tinha certa tendência para tocar blues, mesmo gostando muito mais de rock´n roll. Até hoje, quando toco, por puro hobbie, acabo indo para um formato blues. Tentei em três momentos formar uma banda. No terceiro fiz três shows e descobri que não era o que eu queria. Compor e tocar são coisas interessantes, mas fazer show nem tanto. Um tanto de nervosismo e outro tanto de insegurança, mas o que mais eu não gostei foi da exposição. No primeiro show, fiquei sentado num banquinho o tempo todo. Nos poucos momentos que meus solos apareceram eu queria era me esconder. Só havia amigos vendo, o que foi ótimo. Nos outros dois shows foram numa feira de artesanato chamada Festart. Onde havia mais gente e muito menos gente prestando atenção no que tocávamos. Chegamos a tocar a mesma música por quatorze minutos, entre solos e improvisos. E no segundo show da Festart tocamos uma música da Legião Urbana. Foi ali que comecei a pensar em quanto estava fugindo do que eu imaginava tocar. Eu detesto Legião Urbana e tocar “Será” estava sendo estranho, ainda mais porque a versão ficou péssima. Depois disso resolvi que não teria banda, pelo menos por um tempo. Imaginava eu tendo uma banda e tocando “Flying in a blue dream”...

O que achei maravilhoso de tocar no Festart que era uma local ao ar livre, numa praça, e o meu amplificador Fender ecoava no meio daquele cenário. Uma sensação incrível! Toquei de chinelos, como sempre sonhei. Acredito que por ter visto em 1999 um show de Gilberto Gil (show fechado, em homenagem por ter ganhado o Grammy) fiquei impressionado com todos os músicos tocando descalços e todos vestidos de branco. Desde então acho que tenho que tocar sempre de chinelo ou descalço. Ano passado, ao assistir o “Altas Horas”, a cantora Luiza Possi também tocou descalça. Não vou dizer que é 100% original, mas me agrada muito a idéia.

Bem, passada a idéia de ser músico, tive também a oportunidade de fazer um teste para ser apresentador de televisão. Nem deveria ter ido em frente para fazer o teste. Duas outras oportunidades que tive de aparecer na TV foram péssimas. Uma foi uma entrevista para MTV em 1998, no workshop do guitarrista Yngwie Malmsteen e a outra foi uma participação num programa de mesa redonda na AllTV, onde fiz o teste. Na entrevista travei e não conseguia falar coisa com coisa, além disso, estava emocionado por ter visto o Malmsteen tocar “Too Young To Die Too Drunk To Live” minutos antes, música da época em que tocava na banda Alcatraz, que para um fã como eu tinha sido um momento mágico. A mesa redonda eu simplesmente fiquei quieto. O coração batia desesperadamente e não conseguia emitir nenhuma frase com mais de três palavras, algo como “muito bem”, “é, eu gosto” e “ta bom”. O teste foi interessante. Gostei muito de fazê-lo, na verdade. Fiz uma pauta interessante sobre política, mas com os três minutos que tinha, falei tudo em 45 segundos, muito rápido e sem técnica alguma, ainda mais que não estava nem um pouco acostumado a ouvir minha própria voz no fone de ouvidos, o que dá uma sensação de ser extraterrestre ou estar participando de um filme de ficção científica. Logicamente eu não passei, mas a história entra para minha lenda pessoal.

Após estas duas experiências que foram muito próximas até, eu resolvi que se um dia fosse trabalhar com algo diferente que a arquitetura seria a escrita. Pensei no rádio, mas quando me dei conta que nunca escuto rádio, a não ser quando o jogo do Corinthians não vai passar na televisão (mesmo assim, às vezes só assisto aos gols no Jornal da Globo) ou quando vou escutar rádio, posiciono na CBN... Logo, eu não escuto a tão falada rádio Kiss FM que é um das poucas rádios segmentadas (em classic rock) de São Paulo e nenhuma outra. O que da margem aquela cara de “não sei do que está falando” quando me falam de uma música nova, que “toca direto no rádio”. Já a escrita me dá margem de escrever só dependendo de mim. Não existe a idéia de uma banda. Mas na verdade o meu erro é não ter estudado música num conservatório. Ter estudado algum instrumento de orquestra, como violino ou piano. Esta seria uma base muito melhor para mim que o estudo dos violões e das guitarras. Mostra disciplina e trabalha o que mais eu tenho problemas que é fazer atividades coletivas. Quando jogava futebol era goleiro. Detestava jogar basquete na escola e o vôlei só é interessante por não haver contato físico entre os jogadores. No fundo prefiro muito mais assistir a jogar. Gostava mesmo de natação e agora estou na minha fase de “atletismo”. Já passei pela de ciclismo, e quem sabe um dia ainda não faço triatlo. Como sempre digo, felizmente sou arquiteto... Não sei se conseguiria ser um atleta profissional ou um músico profissional. Não vou dizer como às vezes é chato demais compatibilizar o forro com o ar condicionado ou mesmo adequar os montes de quadros de energia, relógios de água e luz, tomadas, etc. Mas faço com um prazer que não sei da onde vem. Se todo mundo trabalhasse assim... Seria escutar “Flying in a Blue Dream” o tempo todo...

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...