Estava sentado lendo um texto que foi publicado em O País dos Petralhas quando me dei conta de que exatamente neste dia 07 de outubro fez um ano que eu peguei autógrafo e bati um papinho com o Reinaldo Azevedo – ele autografou tanto O País dos Petralhas quanto Contra o Consenso, este último assunto do nosso breve bate-papo. E não é que para minha surpresa em novembro chega às livrarias o terceiro livro dele: Máximas de um país mínimo. O engraçado é que quando comecei a ler seu blog tinha um pé atrás com ele, por ele ser “muito tucano”... O mais interessante não é discordar dele, como fazem petralhas a rodo mundo a fora, mas entender a complexidade de pensamentos por trás de suas palavras. Não à toa este livro foca exatamente nessas palavras. Um trabalho até inédito (nem tanto) e ainda mais interessante porque feito pelo próprio autor. Mas que a saudade de um crítico de literatura e de cultura geral ainda é maior que suas palavras sobre a política (talvez, a falta dela) no Brasil. (aqui)Caminhar é preciso. Três perguntas se tornam importantes: Quem é você? De onde você veio? Para onde você vai? Por todas elas existe um caminho. Nem sempre chegar é o mais importante.
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outubro 12, 2009
Para novembro...
Estava sentado lendo um texto que foi publicado em O País dos Petralhas quando me dei conta de que exatamente neste dia 07 de outubro fez um ano que eu peguei autógrafo e bati um papinho com o Reinaldo Azevedo – ele autografou tanto O País dos Petralhas quanto Contra o Consenso, este último assunto do nosso breve bate-papo. E não é que para minha surpresa em novembro chega às livrarias o terceiro livro dele: Máximas de um país mínimo. O engraçado é que quando comecei a ler seu blog tinha um pé atrás com ele, por ele ser “muito tucano”... O mais interessante não é discordar dele, como fazem petralhas a rodo mundo a fora, mas entender a complexidade de pensamentos por trás de suas palavras. Não à toa este livro foca exatamente nessas palavras. Um trabalho até inédito (nem tanto) e ainda mais interessante porque feito pelo próprio autor. Mas que a saudade de um crítico de literatura e de cultura geral ainda é maior que suas palavras sobre a política (talvez, a falta dela) no Brasil. (aqui)julho 14, 2009
Esgotados...
Esgotados na editora estão os livros de Bruna Lombardi e de Dalton Trevisan. Pode parecer estranho juntar pessoas tão diferentes numa mesma postagem, mas o fato é que pelo menos Trevisan deverá ter em breve a reedição de seu livro mais famoso. O Vampiro de Curitiba, cujo início do livro o jornalista Daniel Piza colocou em seu blog, causando-me enorme curiosidade. Já havia escutado algo a respeito da literatura de Trevisan e na edição especial da revista Bravo! tratando de 100 títulos mais importantes da literatura brasileira, Trevisan reaparece com seu Vampiro... E este se encontra “esgotado na editora”. Talvez seja na livraria on line, mas acredito que em breve esteja disponível.Agora a Bruna Lombardi escritora é algo praticamente underground. Acabo de ler um texto de Reinaldo Azevedo e ela aparece novamente. Agora como um fato histórico marcante. Conforme escreve: “Em 1991, fiz uma resenha de Estorvo, o primeiro romance de Thico. Quase ao mesmo tempo, Bruna Lombardi lançara Filmes Proibidos. Pediram-me uma resenha de ambos. Lembro que fiz uma piada mais ou menos assim: se é pelos belos olhos, o livro de Bruna é - e é mesmo! - muito melhor. Mas ela foi recebida com o ceticismo que se pode imaginar; ele, com o embevecimento costumeiro e a reverência injustificada da crítica. Estorvo é um livro chato e pretensioso. (...)” E olha que o texto tratava de Chico Buarque, recentemente astro da FLIP – Feira Literária Internacional de Paraty. Mas lembrar de Bruna Lombardi é sempre bom. Em dezembro escrevi aqui sobre meu breve encontro com a atriz. Que vontade de perguntar quando vou poder ler um de seus romances; aqueles que num universo paralelo são raridades e muito bem comentados...
junho 30, 2009
O século XX acabou mais um pouco
Desde o ano da “virada”, entre 1999 e 2000, falamos de um novo milênio, um novo século. Mas tudo ainda estava ainda preso ao período anterior: o século XX... Na música ainda se fazia um misto de recordações dos anos 1960 e 1970, e pouco tempo depois se iniciou aquele período que dura até agora, de recordações daqueles anos 1980. Foi deste período que atualmente ressurgem aquelas canções e bandas, daqueles “anos perdidos”. Tanto no Brasil quanto no exterior foi um momento de exagero, daquilo que já era exagerado nos anos 1970, piorado em muito nos anos 1980. E o principal ícone destes anos 1980 era Michael Jackson, morto na semana passada, aos 50 anos de idade.Fez carreira de sucesso nos anos 1970, com seus quatro irmãos no grupo Jackson 5, onde, inegavelmente, tinha maior carisma. Um talento que pode ser comprovado pelas inúmeras homenagens que ocorreram desde quinta-feira, 25 de junho, data de sua morte. Dentro de sua discografia, não numerosa, são dez álbuns desde seu primeiro em 1979, destacam-se os dois álbuns Off the Wall (1979) e Thriller (1982), este último simplesmente o álbum mais vendido de todos os tempos. E dificilmente algum outro artista conseguirá repetir este feito. Thriller também inicia uma nova fase, tanto na carreira de Michael, como na história da música ao fazer superproduções para seus videoclips. Ao inventar aquele passo, o Moonwalk, apresentado pela primeira vez em 1983, torna-se além da música uma personagem do mundo da dança, imitado e referenciado inúmeras vezes no cinema. Não à toa sendo considerado o Rei do Pop. Sobre sua vida após o final dos anos 1980, envolta a excentricidades, não tenho muito a acrescentar e ainda há muitos mistérios, talvez nunca revelados. E nunca mais ressurgiu aquela veia criativa daqueles primeiros anos, com uma carreira que se arrastava pelo menos nos dez últimos anos. Reinaldo Azevedo escreveu o melhor texto para retratar o que sentia Michael Jackson em seu interior. Foi mais um momento que terminou deste século XX que tantas personagens correram o mundo; na música, na política, na religião. Não sei se em algum momento trouxe uma mensagem ao mundo, mas a morte de Michael Jackson é mais uma vez um fim para século XX.
junho 28, 2009
Sem lógica; ou melhor, que medo!
Sempre quis falar sobre o Mackenzie. Mas nunca tive, como dizer, uma oportunidade, ou um tema, que não fosse tendencioso ou que não soasse um pouco de petulância. Mas recebi um comentário em que não entendi absolutamente nada. Comparava alhos com bugalhos numa falta total de lógica. Primeiro que o meu texto era um tanto quando polido, como todos que aqui posto; pois, pode não estar escrito na apresentação, mas a primeira questão aqui levada à máxima potencia é a polidez e o simples desprezo por mal educados. Comentários mil já foram jogados fora e não obtiveram resposta alguma de minha parte, principalmente por não entrar de forma alguma em debate algum de natureza nenhuma. Tem gente demais discutindo o mundo hoje... É simplesmente a minha opinião, se é contrario, escreva educadamente e não haverá nunca uma réplica ou resposta. Minha maior contribuição é justamente refletir e não debater. Mas este comentário que recebi é próximo do descabido. Leiam:
Prezado Fernando,
Você quer perder seu diploma de arquiteto e urbanista?
Á princípio, pelo prezado, parece ser polido. Mas ao tratar de comparar algo que encontra no meu próprio texto resposta, fiquei preocupado (pela primeira vez exponho aqui). A postagem que se refere o comentário é Adeus a obrigação do diploma! onde trato polidamente sobre o final da obrigação do diploma de jornalista para exercer a profissão, defendida na carta maior brasileira, a Constituição, que neste ano faz 21 anos de idade, e era ainda uma das heranças do Período Militar de Exceção, a chamada Ditadura. Artur da Távola, como deputado constituinte lutou para atender estes anseios da liberdade de imprensa, entre outros, além de que desde 2006 já não havia a obrigação, consolidada pelo STF recentemente, conforme link na mesma postagem. Esta tudo lá, com fontes e tudo, além de depoimentos que poderia ter sobre os jornalistas que leio. Aliás, aqui nem precisaria ir aos principais, mas só colocaria que não faço idéia da formação do Zeca Camargo, mas com certeza, com ou sem diploma de jornalista continuaria a ler o que escreve e o acompanharia da mesma forma no Fantástico e No Limite (quer dizer, este novo projeto talvez não por se tratar de reality show, que não sou lá muito amigo). Continuo a ler o Marcos Guterman, formado em Jornalismo talvez na melhor escola de jornalismo, a Cásper Líbero. Assim como também continuo a ler o Daniel Piza, formado em Direito, e trabalha desde o começo dos anos 1990 como jornalista, e também continuo a comprar seus livros. Continuo a ler também o Reinaldo Azevedo, que tem diploma de Jornalismo e de Letras, porque escreve muito bem. Nada mudou.
Talvez a birra esteja na possibilidade de um arquiteto escrevendo sobre a não obrigação de diploma de outra área. Área esta que posso dizer não contribui na divulgação e discussão da arquitetura brasileira. E isso posso cobrar dos caros jornalistas; dos com ou sem diploma da mesma forma.
Agora, a comparação com o diploma de Arquiteto e Urbanista é descabida demais, para qualquer que seja a formação do autor do comentário. No meu texto esclareço: “Não se podem confundir uma profissão orientada por uma Ética com uma profissão onde pode haver danos irreparáveis para a sociedade e ao ser humano, como os recentes exemplos das cirurgias plásticas em clínicas clandestinas ou sem médico especializado.” Ou seja, compara alhos com bugalhos. Mas, ao insistir nessa comparação, tendo a falar um pouco do Mackenzie. O Mackenzie foi fundado em 1870, e foi a segunda Faculdade de Arquitetura do Brasil. Tem uma tradição, como se pode notar no mercado de trabalho, muito além de outras faculdades. E teve durante o tempo em que as faculdades de arquitetura e engenharia eram juntas o diploma de engenheiro-arquiteto, que, com a divisão das faculdades em 1947, sendo a primeira faculdade de Arquitetura do estado de São Paulo, a dissolução deste diploma. Mas os formados com este diploma, nunca “perderam” seu diploma. Inclusive, se vivo ainda estiverem, trabalhariam da mesma forma. Este era o diploma de Oswaldo Arthur Bratke, um dos maiores arquitetos brasileiros, que se formou no Mackenzie nos anos 1930 e trabalhou até o final de sua vida nos anos 1990. Se o autor tivesse o mínimo conhecimento disso, saberia, que, por exemplo, o jornalista Cásper Líbero (1889-1945) conhecia de perto esta história tendo se formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco... Ou seja, ao falar de tradição universitária, posso dizer que o Mackenzie e sua Faculdade de Arquitetura parecem ter uma história um tanto quanto mais profunda do que qualquer curso de Jornalismo no país, inclusive o da própria Universidade Presbiteriana Mackenzie... Por isso já seriam alhos com bugalhos, e sem lógica alguma a comparação. Isso porque ainda poderia perguntar qual o papel da imprensa durante a idade média, ou no Império Romano, só para talvez colocar onde a categoria das artes e ofícios se coloca como real produtora da História Mundial. Entendo que é informação demais para quem defende um artigo da Ditadura Militar (1964-1985). Mas o pior de tudo é que parece não ter sequer lido meu polido texto até o final. Se o leu, o leu muito mal, o que me deixa preocupado. Preocupado porque em nenhum momento falei em perder o diploma. De onde poderia vir tal aberração? A não obrigação não afeta os cursos, conforme escrevi: “Agora dizer que o diploma de jornalista não é necessário, não quer dizer que o curso deva desaparecer, mas é necessária revisão educacional no curso.” Esta revisão é feita o tempo todo nas áreas de informática, administração e até mesmo (com certeza com menos dinamismo) nas áreas de engenharia, tecnologia e arquitetura. Agora pergunto: você leria um jornal feito por não jornalistas? Se fosse bem escrito, por que não? Agora você se consultaria num feiticeiro e marcaria uma cirurgia plástica com ele? Ou construiria um edifício de 111 andares com um arquiteto ou engenheiro sem formação? Uma categoria de artes e ofícios, assim como categorias superiores, tais como a Medicina e o Direito, tende a carregar consigo conhecimentos específicos demais para que um não iniciado possa revelar ter. E isso não é de hoje. Se possuísse o autor do comentário o conhecimento sobre as artes liberais do trivium e do quadrivium, e sobre as artes superiores, com as titulações de doutores em artes liberais, saberia de onde vem este atual sistema de titulações. Por sinal o mundo não foi criado no século XX e a tradição normalmente foi o maior incentivo a transgressão e a liberdade. Entendo que normalmente um curso acadêmico como o de arquitetura, onde há um ofício a ser aprendido, é de difícil entendimento aos não acostumados a pensar numa cultura um pouco maior que o século XX. E pela primeira vez respondo a um comentário em meu blog... Como dá trabalho... Poderia estar falando sobre cinema, televisão, arquitetura, matemática, filosofia e comportamento, ao invés de, plagiando Reinaldo Azevedo, dar aulas de Massinha I... E mais: acabei de lembrar que o arquiteto Zanine Caldas não tinha diploma de arquitetura, assim como, se não me engano, Tadao Ando também não. E quem falaria um “a” sobre isso?
Prezado Fernando,
Você quer perder seu diploma de arquiteto e urbanista?
Á princípio, pelo prezado, parece ser polido. Mas ao tratar de comparar algo que encontra no meu próprio texto resposta, fiquei preocupado (pela primeira vez exponho aqui). A postagem que se refere o comentário é Adeus a obrigação do diploma! onde trato polidamente sobre o final da obrigação do diploma de jornalista para exercer a profissão, defendida na carta maior brasileira, a Constituição, que neste ano faz 21 anos de idade, e era ainda uma das heranças do Período Militar de Exceção, a chamada Ditadura. Artur da Távola, como deputado constituinte lutou para atender estes anseios da liberdade de imprensa, entre outros, além de que desde 2006 já não havia a obrigação, consolidada pelo STF recentemente, conforme link na mesma postagem. Esta tudo lá, com fontes e tudo, além de depoimentos que poderia ter sobre os jornalistas que leio. Aliás, aqui nem precisaria ir aos principais, mas só colocaria que não faço idéia da formação do Zeca Camargo, mas com certeza, com ou sem diploma de jornalista continuaria a ler o que escreve e o acompanharia da mesma forma no Fantástico e No Limite (quer dizer, este novo projeto talvez não por se tratar de reality show, que não sou lá muito amigo). Continuo a ler o Marcos Guterman, formado em Jornalismo talvez na melhor escola de jornalismo, a Cásper Líbero. Assim como também continuo a ler o Daniel Piza, formado em Direito, e trabalha desde o começo dos anos 1990 como jornalista, e também continuo a comprar seus livros. Continuo a ler também o Reinaldo Azevedo, que tem diploma de Jornalismo e de Letras, porque escreve muito bem. Nada mudou.
Talvez a birra esteja na possibilidade de um arquiteto escrevendo sobre a não obrigação de diploma de outra área. Área esta que posso dizer não contribui na divulgação e discussão da arquitetura brasileira. E isso posso cobrar dos caros jornalistas; dos com ou sem diploma da mesma forma.
Agora, a comparação com o diploma de Arquiteto e Urbanista é descabida demais, para qualquer que seja a formação do autor do comentário. No meu texto esclareço: “Não se podem confundir uma profissão orientada por uma Ética com uma profissão onde pode haver danos irreparáveis para a sociedade e ao ser humano, como os recentes exemplos das cirurgias plásticas em clínicas clandestinas ou sem médico especializado.” Ou seja, compara alhos com bugalhos. Mas, ao insistir nessa comparação, tendo a falar um pouco do Mackenzie. O Mackenzie foi fundado em 1870, e foi a segunda Faculdade de Arquitetura do Brasil. Tem uma tradição, como se pode notar no mercado de trabalho, muito além de outras faculdades. E teve durante o tempo em que as faculdades de arquitetura e engenharia eram juntas o diploma de engenheiro-arquiteto, que, com a divisão das faculdades em 1947, sendo a primeira faculdade de Arquitetura do estado de São Paulo, a dissolução deste diploma. Mas os formados com este diploma, nunca “perderam” seu diploma. Inclusive, se vivo ainda estiverem, trabalhariam da mesma forma. Este era o diploma de Oswaldo Arthur Bratke, um dos maiores arquitetos brasileiros, que se formou no Mackenzie nos anos 1930 e trabalhou até o final de sua vida nos anos 1990. Se o autor tivesse o mínimo conhecimento disso, saberia, que, por exemplo, o jornalista Cásper Líbero (1889-1945) conhecia de perto esta história tendo se formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco... Ou seja, ao falar de tradição universitária, posso dizer que o Mackenzie e sua Faculdade de Arquitetura parecem ter uma história um tanto quanto mais profunda do que qualquer curso de Jornalismo no país, inclusive o da própria Universidade Presbiteriana Mackenzie... Por isso já seriam alhos com bugalhos, e sem lógica alguma a comparação. Isso porque ainda poderia perguntar qual o papel da imprensa durante a idade média, ou no Império Romano, só para talvez colocar onde a categoria das artes e ofícios se coloca como real produtora da História Mundial. Entendo que é informação demais para quem defende um artigo da Ditadura Militar (1964-1985). Mas o pior de tudo é que parece não ter sequer lido meu polido texto até o final. Se o leu, o leu muito mal, o que me deixa preocupado. Preocupado porque em nenhum momento falei em perder o diploma. De onde poderia vir tal aberração? A não obrigação não afeta os cursos, conforme escrevi: “Agora dizer que o diploma de jornalista não é necessário, não quer dizer que o curso deva desaparecer, mas é necessária revisão educacional no curso.” Esta revisão é feita o tempo todo nas áreas de informática, administração e até mesmo (com certeza com menos dinamismo) nas áreas de engenharia, tecnologia e arquitetura. Agora pergunto: você leria um jornal feito por não jornalistas? Se fosse bem escrito, por que não? Agora você se consultaria num feiticeiro e marcaria uma cirurgia plástica com ele? Ou construiria um edifício de 111 andares com um arquiteto ou engenheiro sem formação? Uma categoria de artes e ofícios, assim como categorias superiores, tais como a Medicina e o Direito, tende a carregar consigo conhecimentos específicos demais para que um não iniciado possa revelar ter. E isso não é de hoje. Se possuísse o autor do comentário o conhecimento sobre as artes liberais do trivium e do quadrivium, e sobre as artes superiores, com as titulações de doutores em artes liberais, saberia de onde vem este atual sistema de titulações. Por sinal o mundo não foi criado no século XX e a tradição normalmente foi o maior incentivo a transgressão e a liberdade. Entendo que normalmente um curso acadêmico como o de arquitetura, onde há um ofício a ser aprendido, é de difícil entendimento aos não acostumados a pensar numa cultura um pouco maior que o século XX. E pela primeira vez respondo a um comentário em meu blog... Como dá trabalho... Poderia estar falando sobre cinema, televisão, arquitetura, matemática, filosofia e comportamento, ao invés de, plagiando Reinaldo Azevedo, dar aulas de Massinha I... E mais: acabei de lembrar que o arquiteto Zanine Caldas não tinha diploma de arquitetura, assim como, se não me engano, Tadao Ando também não. E quem falaria um “a” sobre isso?
abril 17, 2009
dezembro 04, 2008
Jornalismo Cultural
Lendo uma breve crítica num blog qualquer, não lembro mesmo, mais para frente falo o porquê, lia que o “jornalismo cultural” no Brasil é muito ruim, principalmente ao tratar coberturas sobre bandas de rock e heavy metal. A crítica explorava a respeito da falta de qualidade até de se cobrir eventos, citando que basicamente eram noticiadas as datas e locais, sem maior opinião a respeito. E ainda citava que este jornalismo ao cobrir as bandas buscava no bizarro e não na música a notícia.O que penso a respeito que há, sim, um tanto de falta de cultura no jornalismo cultural. Falta ler o Daniel Piza – Jornalismo Cultural – e saber as origens desse jornalismo. Há muitos jornalistas culturais bons no Brasil. Como já citei aqui, o livro Contra o Consenso, de Reinaldo Azevedo, é um excelente exemplo. Fala de cinema, de televisão, sobre o Cazuza, o Marcelo Taz, além das letras, Graciliano Ramos, Monteiro Lobato, etc.
O problema da música, mais especificamente do heavy metal, esta mesmo na cultura paralela desde movimento. O pequeno texto daquele blog trazia palavras de Jotabê Medeiros, um excelente colunista musical do jornal “O Estado de São Paulo”, falando que o público de “metaleiros” era o mais fiel e estava lá para ouvir música, para curtir a banda e não como mero entretenimento. Pois, para um “metaleiro” (termo que detesto), a música está no “sangue” (expressão que também detesto).
Nesta “cultura paralela” que acabei de citar acima, nascida dos movimentos de contra-cultura lá nos anos 1960, há busca por questões esotéricas entre outras. Mas também muito de críticas de costumes, de visão de mundo, de história, como na letra de Alexander The Great – Iron Maiden:
“(...) Near to the east
In a part of ancient Greece
In an ancient land called Macedônia
Was born a son
To Philip of Macedon
The legend his name was Alexander
At the age of nineteen
He became the Macedon King
And he swore to free all of Asia Minor
By the aegian sea
In 334 b.c.
He utterly beat the armies of Pérsia
Alexander the great
His name struck fear into hearts of men
Alexander the great
Became a legend mongst mortal men (...)”
Seria falta completa de cultura ignorar o fenômeno que são as bandas de rock, que há décadas mantém seus fãs pelo mundo todo, assim como lotam shows, às vezes nem divulgados na grande mídia. Ninguém é obrigado a cobrir os shows, porém, quando se dão a este trabalho, o mínimo esperado é seja bem feito, e por quem entenda do assunto. Para os mais velhos, de gerações que “amavam os Beatles e os Rolling Stones”, cujo acesso aos discos era muito mais difícil, me falam das reportagens feitas por Nelson Motta na televisão (anos 1970). Pelo que contam, naquela época, as reportagens eram de melhor qualidade as feitas hoje em dia.
Há espaço para todos os gostos, porém acredito que há certo preconceito. Nunca senti nenhum tipo de preconceito quanto usava “cabelos longos”, mas uma coisa é certa: o público de heavy metal realmente é exigente, diferentemente de outros que preferem pular, não se importando se a cantora esta rouca ou não, nem sobre o que fala a letra, afinal, para eles o que importa é “a levada”.
Já li excelentes reportagens sobre músicas feitas por jornalistas desconhecidos da grande mídia, em sites perdidos na internet, como já vi péssimas entrevistas de apresentadores de TV, que são considerados “intelectuais”... Em especial um meio gordinho, que acha que todo cabeludo não sabe nada...
Como começou esse tópico
Estava na internet buscando algum site ou blog que falasse de música (mais especificamente estava me divertindo lendo uma menina que escreve mal pra chuchu, mas que sabe contar bem uma história) e me deparei com um que havia uma bela postagem (algumas belas postagens), mas o tal blog não era atualizado há tempos. Então fui buscando um que fosse mais novo e tivesse boas postagens. Nisso fui perdendo a quantidade de blogs que entrei e nem consegui depois encontrar aquele, que mesmo sem atualização, era o melhor de todos.
Para ser exato, muitos têm atualizações excelentes, falam bastante de bandas praticamente desconhecidas e tem agenda de show; muitas agendas de show, e mais nada. Nada de crítica, nada de falar de disco antigos, nada de dar opinião. Um vazio total. Em matéria de blog de música (heavy metal e rock´n roll) sou obrigado a dizer que nos 100 mil blogs brasileiros não há nenhum que seja bom o suficiente. Para dizer bem a verdade, se eu, que sou arquiteto, consigo fazer igual ou parecido, é porque não encontrei mesmo nada melhor. Eu, ao escrever sobre música, discos, cantoras, escrevo sobre impressões, sobre lembranças, não me importando muito em descrever uma crítica geral ao disco, em fazer uma resenha ou sinopse do mesmo (resenha só se usa para livros? E sinopse, só para cinema?). E o faço por intuição, tentando ao máximo escrever certo, em português. E nem isso encontrei.
Encontrei alguns blogs específicos, de rock progressivo, de música brasileira, mas nada que eu gostasse e me motivasse a voltar lá. Outro dia, pela rádio CBN, fiquei sabendo de um blog sobre discos de vinil que não foram lançados em cd. Bastante interessante, mas no blog simplesmente tem as músicas para serem baixadas, as capas dos discos, e mais nada; nenhuma sinopse, nenhuma crítica. Eis que se não quando, volto eu a ler a grande mídia, a internacional, atrás de alguma crítica a respeito do que gosto.
novembro 30, 2008
Em dezembro...
Eu me enganei. Em dezembro a televisão vai pegar fogo. Iniciando logo no primeiro dia com uma edição especial de o Aprendiz 6. Pode deixar que amanhã escrevo a respeito. Sempre tenho ansiedade pelo programa de Roberto Justus, mesmo sabendo que muito do que vai ali é um bom teatro, inclusive do Walter Longo, que é um cara muito chato!
Não sei qual dia, mas estreará ainda em dezembro a mini-série Capitu, trazendo o Machado de Assis que mais gosto para a televisão (Dom Casmurro). Já li a respeito e será uma das séries mais fieis ao texto, inclusive isso deu bastante trabalho aos atores. E vamos aguardar.
Fora da televisão, o blog do Reinaldo Azevedo vai migrar de plataforma, também amanhã. Além de novas ferramentas, tomara que seus textos fiquem de mais fácil acesso no arquivo, se não terá que publicar mais um País dos Petralhas – a continuação. Acredito que até 2010 o blog de Reinaldo Azevedo vai bater todos os recordes de um blog no mundo.
Não sei qual dia, mas estreará ainda em dezembro a mini-série Capitu, trazendo o Machado de Assis que mais gosto para a televisão (Dom Casmurro). Já li a respeito e será uma das séries mais fieis ao texto, inclusive isso deu bastante trabalho aos atores. E vamos aguardar.
Fora da televisão, o blog do Reinaldo Azevedo vai migrar de plataforma, também amanhã. Além de novas ferramentas, tomara que seus textos fiquem de mais fácil acesso no arquivo, se não terá que publicar mais um País dos Petralhas – a continuação. Acredito que até 2010 o blog de Reinaldo Azevedo vai bater todos os recordes de um blog no mundo.
outubro 12, 2008
Rápidas XIV
Nem comentei o dia da noite de autógrafos do livro de Reinaldo Azevedo, “O País dos Petralhas”, mas que foi bem legal falar com ele e pedir para autografar meu “Contra o Consenso” (claro, além do recém adquirido lançamento) e encontrar algumas pessoas por lá, assim como ver muitos com o chapéu de palha, dado pela editora. Além disso, vi, mas não falei, com o governador José Serra e o geógrafo Demétrio Magnoli... Soube depois que a professora de português de Reinaldo foi também. Ela deve ter muito orgulho dele, já que seu português é um dos melhores que leio na imprensa brasileira. Parece-me que Bárbara Gancia também lá esteve.
setembro 13, 2008
Nas livrarias...

Já está à venda nas livrarias o livro de Reinaldo Azevedo, e na Veja desta semana (aqui), ótima resenha feita pelo tradutor de Cidades Invisíveis para o português, Diogo Mainardi.
setembro 01, 2008
E setembro promete...
Previsto a ser lançado dia quinze de setembro, o segundo livro de Reinaldo Azevedo já tende a ser um novo best seller, não sei se igualado a “Lula é minha Anta”, de Diogo Mainardi, mas com certeza um dos livros mais aguardados para este segundo semestre.O que me intriga é que não será um novo “Contra o Consenso”, mas um livro de analise política e no máximo sociológica brasileira. Vou sentir falta do lado cultural de “Contra...” É difícil ler num mesmo livro literatura, televisão, cinema e música pop. É um livro que guardo com bastante cuidado e que consulto regulamente, além de ser muito bem editado. Fala um pouco mais que o esperado de Graciliano Ramos, porém é uma fonte de conceito e de estilo.
Infelizmente não acho que “País dos Petralhas” venha a ser tão bom quanto “Contra o Consenso”, mas com certeza é bom ver materializado muitos dos textos incríveis que navegam em meio a notícias, comentários de notícias e comentários de freqüentadores. O que acho mais divertido no blog do Reinaldo Azevedo é que nunca se sabe que horas vai aparecer uma pérola de boa escrita e conceito para nortear a falta de rumo de muitos blogs, que na falta do que escrever apela à exposição de um perfil. Não que seja ruim a exposição desses perfis, mas eu não sei se quero eu ler estes perfis naquele momento. Penso que a exposição de perfis seja mais direta que a citação de alguém em meio a exposição de um pensamento, como já li em artigos de Olavo de Carvalho uma citação direta a Von Mises, assim como um ótimo texto a respeito de Victor Frankl, um perfil direto, como este publicado em Primeira Leitura.
Aliás, bem lembrado, quanto mais tempo passa, textos de Primeira Leitura pedem uma compilação em livro. Eis aí mais um bom projeto a ser tocado daqui a alguns anos. Não a toa, falar de Reinaldo Azevedo e lembrar de Primeira Leitura, já que boa parte dos textos de “Contra...” são publicações originais de Bravo! e Primeira Leitura. Na área mais cultural do blog do Reinaldo Azevedo está a seção Avesso do Avesso, onde especula em muito bom texto aspectos de cultura e comportamento. Bem, começar setembro já com a expectativa de um lançamento já bastante aguardado é dizer que setembro promete.
Gosto muito de fazer a primeira postagem do mês falando de um livro, como foi em setembro do ano passado a postagem do lançamento do livro dos arquitetos Mário Biselli e Artur Katchborian. Bem, se conseguir voltar a escrever como antes já vou estar me sentindo muito melhor.
junho 03, 2008
Textos e mais textos...
Não sou adepto de publicar textos inteiros de outros autores, mas certos detalhes são bastante importantes (para mim). O interessante que não busco colocar um texto para simples discussão. Isso me irrita um bocado no blog do Ricardo Noblat. E bem por isso prefiro o blog do Reinaldo Azevedo. Fora o aspecto político, o que me faz ler os dois blogs está no fato de falarem além da política, com assuntos como arquitetura, música, literatura e o já famoso poema da noite, que Noblat sempre seleciona. Reinaldo Azevedo publicou “Contra o Consenso”, que utilizo muito como referencia em assuntos literários, principalmente as fontes que cita. Um bom agrupado de textos publicados nas páginas de Bravo! e Primeira Leitura. Espero meio ansioso o lançamento de “O país dos Petralhas”.
Não me sinto ainda um “blogueiro”, no sentido mais amplo. Mas sim um curioso dos assuntos culturais. Está bom, por enquanto. O futuro é ser mesmo um escritor, crítico, entusiasta e o que for possível pela cultura.
Outro dia falava sobre Viktor Frankel. O mais interessante que conheci a obra de Frankl por meio de um texto de Olavo de Carvalho, publicado nas páginas de Primeira Leitura, não faz muito tempo. E mais que isso, foi a leitura programada de um dos seus livros (“Em busca de Sentido”) no programa “Expedições pelo Mundo da Cultura”. Engraçado é achar que estes estudiosos são considerados somente críticos da política brasileira. Um debate bastante aquém daquilo que já existiu um dia (no Brasil). Aliás, quando escrevo assim é para um público interessado nesses assuntos. Sou um pouco chato a esse respeito. No geral começo a não mais falar sobre assuntos importantes (importantes de uma forma geral por tratar da alta cultura) quando a cultura das pessoas chega próxima a um vaso de porcelana.
Não me sinto ainda um “blogueiro”, no sentido mais amplo. Mas sim um curioso dos assuntos culturais. Está bom, por enquanto. O futuro é ser mesmo um escritor, crítico, entusiasta e o que for possível pela cultura.
Outro dia falava sobre Viktor Frankel. O mais interessante que conheci a obra de Frankl por meio de um texto de Olavo de Carvalho, publicado nas páginas de Primeira Leitura, não faz muito tempo. E mais que isso, foi a leitura programada de um dos seus livros (“Em busca de Sentido”) no programa “Expedições pelo Mundo da Cultura”. Engraçado é achar que estes estudiosos são considerados somente críticos da política brasileira. Um debate bastante aquém daquilo que já existiu um dia (no Brasil). Aliás, quando escrevo assim é para um público interessado nesses assuntos. Sou um pouco chato a esse respeito. No geral começo a não mais falar sobre assuntos importantes (importantes de uma forma geral por tratar da alta cultura) quando a cultura das pessoas chega próxima a um vaso de porcelana.
abril 05, 2008
Uma fila de livros...
Que tal dizer quais livros estão na fila das minhas próximas leituras?
Acontece sempre que ao terminar um livro, de ensaio, aparecem ao menos mais uma dezena de outros autores correlacionados. É uma seqüência sem fim...
Bem, mas atualmente estou me divertindo com um livro. “Exército de um homem só”, de Moacyr Scliar, é, como diz na orelha, “(...) uma das peças de ficção mais importantes produzidas na década de 70”. Conforme soube pelo próprio Moacyr, todos seus livros incorporam o humor na literatura. Já deveria ter terminado o livro, mas com minha atual atividade, ando lendo nem 10 páginas dele por dia. Mas o interessante é a capacidade do autor de colocar tantos detalhes em tão poucas páginas. Estou gostando muito e rindo também de várias das passagens.
Bem, na fila está uma coletânea de ensaios de George Orwell, “Por Dentro da Baleia”, que parei para ler um livro de Viktor Frankl, que acabei não lendo também por completo. Na fila tenho o livro do jornalista William Waack, “Camaradas – Nos arquivos de Moscou”, e o livro de Geneton Moraes Neto, “Dossiê Moscou”. Os dois têm uma raiz comum, mas as temáticas são de abordagens completamente diferentes.
Ainda na fila, tenho que terminar de fazer as notas de “Ideais Traídos”, de Sylvio Frota, além de tentar comprar em algum lugar o “Dossiê Geisel”, que anda esgotado nas livrarias. Mas se não consigo terminar os que estão ao meu alcance imagina falar dos livros que ainda não comprei. Para estes tenho já uma outra fila, ou melhor, planejamento para comprá-los. Entre eles estariam “Sobre o Islã”, de Ali Kamel, “A Lanterna na Popa”, de Roberto Campos, “Camus e Sartre – O fim de uma amizade no pós-guerra”, de Ronald Aronson, entre outros. Como sempre, temas variados.
Sobre a arquitetura, tenho tentado manter as leituras direcionadas ao meu tema de trabalho. Muitas coisas eu adoraria ter mais tempo para ler, como um livro de textos sobre o modernismo brasileiro que tenho aqui comigo, dos quais já li alguns. Tenho grande vontade de saber mais sobre os tratados de arquitetura de Vitruvius, além de um livro do arquiteto suíço Peter Zumthor.
O mais interessante que costumo encontrar muitas referencias a outros livros que não são de arquitetura nos livros de arquitetura. Isso é muito compreensível. A mais interessante de todas as referencia anda sendo Ortega y Gasset, que escreveu muitos ensaios sobre estética.
Ler costuma ser passa-tempo para alguns. Informação para outros e tudo isso e mais um pouco para uns poucos. E há ainda aqueles que se preocupam em não escutar música e não assistir TV para dizer que são “leitores”. Outro dia alguém me perguntou sobre o Big Brother. Não sabia o que dizer, já que não acompanhei em nada esta oitava edição do programa. Para ser mais exato, nunca acompanhei o programa. Vi muitos “paredões” e edições dos primeiros junto com amigos, mas nunca me interessei pelo programa. E não recrimino quem se interessou. Pode-se fazer uma boa análise dos participantes. Uma análise sociológica, psicológica e até sobre o marketing e a edição da TV Globo. Lembro de uma entrevista da apresentadora de televisão Márcia Goldschmidt, na qual dizia ser simplesmente uma janela, pois a paisagem que exibia em seu programa era existente. De certa forma o Big Brother tem muito disso. Se a tal edição valoriza ou desqualifica os personagens ali sendo apresentados aos poucos são outros aspectos a serem discutidos, mas em termos técnicos a edição do programa é bem feita.
Mas voltando aos livros, entendo muito bem que sem eles não há como realmente entender certos mecanismos do mundo atual. Mas a questão mais correta é quem realmente quer entender os mecanismos do mundo atual. Existe certo perfil, que li em texto de George Orwell, mas que não entendia até começar a questionar o tipo de leitura que as pessoas fazem de maneira geral. Este perfil é formado por pessoas que consomem os livros lançados no momento. Não se importam muito com o que lêem. Seja algum passa-tempo, o livro de fácil leitura; seria o “easy reading”, parafraseando o método musical (ou seria estilo?) do “easy listening”. Estão nesse meio muitos autores considerados de média qualidade, aqueles “vendedores de livros”. A dúvida é sempre se um leitor desses livros um dia chegará a ler os “clássicos”. E a resposta continua sendo não. Não existe uma “escada” a subir pela leitura. Ou seja, o incentivo a leitura tem também um lado mais específico. E existem horas e horas para ler certas coisas. Não adianta tentar ler um complexo e longo livro no metrô ou no ônibus, como “Ulisses”, de James Joyce, ou “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski. Assim como num momento mais propicio nada melhor que tentar encarar um dos clássicos, quando, por exemplo, em férias ou num final de semana de descanso.
São nessas horas que vejo que uma cultura não caminha. No Brasil do século XIX tenho a desconfiança que se liam muito mais os clássicos que atualmente. Isso levando em conta o número total de alfabetizados em relação à hoje. Mesmo nas escolas se tem a impressão que estudos dos clássicos são sempre chatos. Parece que o esforço está sendo substituído pela propaganda. Ou seja, agora que existem megastores, o acesso aos livros se torna cada vez mais fácil, se lê mais, mas a qualidade do que é lido é duvidosa.
Da mesma forma que a música passou a ser muito mais acessível, com o advento dos aparelhos de mp3 portáteis, a qualidade da música produzida também não mudou e ocorreu um novo problema: a forma anterior de se distribuir música parece fadada a desaparecer, enquanto o livro impresso parece ter uma longa sobrevida.
No período da faculdade lembro de colegas de outros cursos (pois os alunos do curso de arquitetura sempre tiveram muito gosto pela compra dos livros, que muitas vezes são extremamente caros, por serem importados e as publicações constarem de muitas fotos coloridas) da dúvida de comprar o livro ou tirar uma fotocópia. O livro é relativamente caro no Brasil, mas existe um perfil de estudante (nas faculdades) que prefere gastar noutro tipo de atividade ao invés de comprar os livros. E também existe um perfil de professor que pede o livro para uso de um único capítulo, o que demandaria talvez a confecção de uma apostila ou outra forma mais propícia didaticamente. Os dois erram. Mas fazer o que? Em muitas disciplinas das faculdades professores enganam que ensinam e alunos enganam que aprendem...
Garanto a você que pouca gente sente falta de uma biblioteca pública. Uma biblioteca onde se emprestam os livros. Isso parece hoje uma coisa do passado. Muito me agradava ficar na biblioteca da faculdade (na de arquitetura). No geral eu via pouca gente emprestando constantemente algum livro ou revista. As pessoas eram bem direcionadas. Pegavam exatamente o que era para um trabalho e mais nada. E depois reclamam que tinham poucos exemplares dos livros... Daqueles três que resolveram pegar na biblioteca durante todo o curso. O que mais eu gostava na biblioteca eram os livros importados. Isso sem dúvida nenhuma é uma das melhores coisas de uma biblioteca pública. E a pior coisa são os ácaros, já que poucas bibliotecas têm um bom projeto arquitetônico. Quando estava cursando o segundo grau passei muitas tardes no Centro Cultural de São Paulo, mas nenhuma vez fui à biblioteca Mário de Andrade. Existia algo de cult naqueles passeios, mas garanto que foram melhores que muitas outras formas de se “perder tempo”. Pode-se perder muito tempo lendo também. George Orwell dizia até que muitos livros não deveriam ter sido escritos e que outros poderiam ser bem menores. Para se concordar com isso basta ver quantos livros foram “ruins” de ler, mas eram “bons” de crítica...
Acontece sempre que ao terminar um livro, de ensaio, aparecem ao menos mais uma dezena de outros autores correlacionados. É uma seqüência sem fim...
Bem, mas atualmente estou me divertindo com um livro. “Exército de um homem só”, de Moacyr Scliar, é, como diz na orelha, “(...) uma das peças de ficção mais importantes produzidas na década de 70”. Conforme soube pelo próprio Moacyr, todos seus livros incorporam o humor na literatura. Já deveria ter terminado o livro, mas com minha atual atividade, ando lendo nem 10 páginas dele por dia. Mas o interessante é a capacidade do autor de colocar tantos detalhes em tão poucas páginas. Estou gostando muito e rindo também de várias das passagens.
Bem, na fila está uma coletânea de ensaios de George Orwell, “Por Dentro da Baleia”, que parei para ler um livro de Viktor Frankl, que acabei não lendo também por completo. Na fila tenho o livro do jornalista William Waack, “Camaradas – Nos arquivos de Moscou”, e o livro de Geneton Moraes Neto, “Dossiê Moscou”. Os dois têm uma raiz comum, mas as temáticas são de abordagens completamente diferentes.
Ainda na fila, tenho que terminar de fazer as notas de “Ideais Traídos”, de Sylvio Frota, além de tentar comprar em algum lugar o “Dossiê Geisel”, que anda esgotado nas livrarias. Mas se não consigo terminar os que estão ao meu alcance imagina falar dos livros que ainda não comprei. Para estes tenho já uma outra fila, ou melhor, planejamento para comprá-los. Entre eles estariam “Sobre o Islã”, de Ali Kamel, “A Lanterna na Popa”, de Roberto Campos, “Camus e Sartre – O fim de uma amizade no pós-guerra”, de Ronald Aronson, entre outros. Como sempre, temas variados.
Sobre a arquitetura, tenho tentado manter as leituras direcionadas ao meu tema de trabalho. Muitas coisas eu adoraria ter mais tempo para ler, como um livro de textos sobre o modernismo brasileiro que tenho aqui comigo, dos quais já li alguns. Tenho grande vontade de saber mais sobre os tratados de arquitetura de Vitruvius, além de um livro do arquiteto suíço Peter Zumthor.
O mais interessante que costumo encontrar muitas referencias a outros livros que não são de arquitetura nos livros de arquitetura. Isso é muito compreensível. A mais interessante de todas as referencia anda sendo Ortega y Gasset, que escreveu muitos ensaios sobre estética.
Ler costuma ser passa-tempo para alguns. Informação para outros e tudo isso e mais um pouco para uns poucos. E há ainda aqueles que se preocupam em não escutar música e não assistir TV para dizer que são “leitores”. Outro dia alguém me perguntou sobre o Big Brother. Não sabia o que dizer, já que não acompanhei em nada esta oitava edição do programa. Para ser mais exato, nunca acompanhei o programa. Vi muitos “paredões” e edições dos primeiros junto com amigos, mas nunca me interessei pelo programa. E não recrimino quem se interessou. Pode-se fazer uma boa análise dos participantes. Uma análise sociológica, psicológica e até sobre o marketing e a edição da TV Globo. Lembro de uma entrevista da apresentadora de televisão Márcia Goldschmidt, na qual dizia ser simplesmente uma janela, pois a paisagem que exibia em seu programa era existente. De certa forma o Big Brother tem muito disso. Se a tal edição valoriza ou desqualifica os personagens ali sendo apresentados aos poucos são outros aspectos a serem discutidos, mas em termos técnicos a edição do programa é bem feita.
Mas voltando aos livros, entendo muito bem que sem eles não há como realmente entender certos mecanismos do mundo atual. Mas a questão mais correta é quem realmente quer entender os mecanismos do mundo atual. Existe certo perfil, que li em texto de George Orwell, mas que não entendia até começar a questionar o tipo de leitura que as pessoas fazem de maneira geral. Este perfil é formado por pessoas que consomem os livros lançados no momento. Não se importam muito com o que lêem. Seja algum passa-tempo, o livro de fácil leitura; seria o “easy reading”, parafraseando o método musical (ou seria estilo?) do “easy listening”. Estão nesse meio muitos autores considerados de média qualidade, aqueles “vendedores de livros”. A dúvida é sempre se um leitor desses livros um dia chegará a ler os “clássicos”. E a resposta continua sendo não. Não existe uma “escada” a subir pela leitura. Ou seja, o incentivo a leitura tem também um lado mais específico. E existem horas e horas para ler certas coisas. Não adianta tentar ler um complexo e longo livro no metrô ou no ônibus, como “Ulisses”, de James Joyce, ou “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski. Assim como num momento mais propicio nada melhor que tentar encarar um dos clássicos, quando, por exemplo, em férias ou num final de semana de descanso.
São nessas horas que vejo que uma cultura não caminha. No Brasil do século XIX tenho a desconfiança que se liam muito mais os clássicos que atualmente. Isso levando em conta o número total de alfabetizados em relação à hoje. Mesmo nas escolas se tem a impressão que estudos dos clássicos são sempre chatos. Parece que o esforço está sendo substituído pela propaganda. Ou seja, agora que existem megastores, o acesso aos livros se torna cada vez mais fácil, se lê mais, mas a qualidade do que é lido é duvidosa.
Da mesma forma que a música passou a ser muito mais acessível, com o advento dos aparelhos de mp3 portáteis, a qualidade da música produzida também não mudou e ocorreu um novo problema: a forma anterior de se distribuir música parece fadada a desaparecer, enquanto o livro impresso parece ter uma longa sobrevida.
No período da faculdade lembro de colegas de outros cursos (pois os alunos do curso de arquitetura sempre tiveram muito gosto pela compra dos livros, que muitas vezes são extremamente caros, por serem importados e as publicações constarem de muitas fotos coloridas) da dúvida de comprar o livro ou tirar uma fotocópia. O livro é relativamente caro no Brasil, mas existe um perfil de estudante (nas faculdades) que prefere gastar noutro tipo de atividade ao invés de comprar os livros. E também existe um perfil de professor que pede o livro para uso de um único capítulo, o que demandaria talvez a confecção de uma apostila ou outra forma mais propícia didaticamente. Os dois erram. Mas fazer o que? Em muitas disciplinas das faculdades professores enganam que ensinam e alunos enganam que aprendem...
Garanto a você que pouca gente sente falta de uma biblioteca pública. Uma biblioteca onde se emprestam os livros. Isso parece hoje uma coisa do passado. Muito me agradava ficar na biblioteca da faculdade (na de arquitetura). No geral eu via pouca gente emprestando constantemente algum livro ou revista. As pessoas eram bem direcionadas. Pegavam exatamente o que era para um trabalho e mais nada. E depois reclamam que tinham poucos exemplares dos livros... Daqueles três que resolveram pegar na biblioteca durante todo o curso. O que mais eu gostava na biblioteca eram os livros importados. Isso sem dúvida nenhuma é uma das melhores coisas de uma biblioteca pública. E a pior coisa são os ácaros, já que poucas bibliotecas têm um bom projeto arquitetônico. Quando estava cursando o segundo grau passei muitas tardes no Centro Cultural de São Paulo, mas nenhuma vez fui à biblioteca Mário de Andrade. Existia algo de cult naqueles passeios, mas garanto que foram melhores que muitas outras formas de se “perder tempo”. Pode-se perder muito tempo lendo também. George Orwell dizia até que muitos livros não deveriam ter sido escritos e que outros poderiam ser bem menores. Para se concordar com isso basta ver quantos livros foram “ruins” de ler, mas eram “bons” de crítica...
Voltando a fila dos livros, eu costumo mesmo ler dois ou três títulos ao mesmo tempo. Para ser mais exato é começar um sem terminar o outro. Ultimamente venho constatando o fato de se lançarem muitas coletâneas de textos, o que não acho ruim, já que com o tempo tudo fica meio dispenso e essa reunião ajuda muito a trabalhar os textos de ensaio. Em suma, se estou lendo um romance que necessita de muita atenção, este fica para as noites ou para os finais de semana, enquanto no ônibus ou no metrô prefiro estas coletâneas de textos. Um que estou lendo no momento é “Lula é minha anta”, escrito por Diogo Mainardi, que não passa da reunião de textos de sua coluna semanal na revista Veja. Mas estes em especial tratam do momento político entre os anos de 2005 a 2007. Sua importância com o tempo será ainda maior. Fico no aguardo do lançamento de “O País dos Petralhas”, próximo livro de Reinaldo Azevedo. Pelo que adiantou em seu blog, trata-se de uma coletânea de textos também, assim como é “Contra o Consenso”, seu primeiro livro, por sinal muito bom. O que se pode avaliar pelas minhas atuais leituras é que tenho variado entre textos antigos e textos novos. Um equilíbrio bom sob este aspecto, mas tenho lido pouca ficção e muitos mais ensaios, o que não sei se é tão bom. Mais uma dúvida para meu longo caminho...
janeiro 17, 2008
Campeonato Paulista 2008
E hoje (ontem?) começou o Campeonato Paulista 2008. O primeiro jogo que vi foi Santos x Portuguesa. Adorei a pergunta do blog do Reinaldo Azevedo: “Cadê o Candinho?”... O que é a Portuguesa sem Candinho?
Mas vamos ao jogo. Não cheguei a ver a cara do técnico Emerson Leão após a derrota no jogo de hoje, mas sou obrigado a dizer que o Santos não é mais o mesmo... E tricampeonato, nem pensar...
Bem, amanhã tem mais jogos... Alguns importantes... Palmeiras x Sertãozinho... Imperdível!
Mas vamos ao jogo. Não cheguei a ver a cara do técnico Emerson Leão após a derrota no jogo de hoje, mas sou obrigado a dizer que o Santos não é mais o mesmo... E tricampeonato, nem pensar...
Bem, amanhã tem mais jogos... Alguns importantes... Palmeiras x Sertãozinho... Imperdível!
janeiro 05, 2008
Não falaram a Sarkozy
Muito provavelmente o presidente da França, Nicolas Sarkozy, não sabe da existência ou dos planos do Foro de São Paulo. Esqueceram de informá-lo. Se bem que tanta gente no Brasil não sabe do que se trata. Mas nem por isso estão menos sujeitas a padecer dos males que esta instituição, em minha opinião, a mais nefasta instituição política da América Latina. Ás vezes, alguém me pede para explicar o que é o Foro e eu, com minha pouca paciência, explico muito por alto e escuto quase sempre aquela velha expressão de que se passa uma teoria da conspiração. Não tenho vocação para explicações longas sobre assuntos que são (ou deveriam ser) de conhecimento geral, principalmente de quem pretende tratar do assunto da política internacional.Mas esse último episódio, onde figuras conhecidas do Foro de São Paulo estiveram frente a frente (FARC, Hugo Chaves e MAG – Marco Aurélio Garcia), para tentar fazer uma negociação de resgate de reféns das FARC, incluindo representantes franceses, me deu a impressão de não terem avisado a Nicolas Sarkozy do que se tratava. Torço muito para Álvaro Uribe prosseguir em seu caminho e tentar resolver esse problema que são as FARC em seu país. Todo colombiano que conheci, quando morei nos Estados Unidos, estava lá como num auto-exílio, sempre falando que as FARC ao dominar todo o tráfico de drogas são uma das piores organizações já existentes no mundo, em termos de violência (e por que não, atentando aos direitos humanos).
Essa postagem poderia ter quinze páginas e mesmo assim faltaria espaço para falar sobre os males do Foro de São Paulo e o erro do presidente Sarkozy em tentar fazer alguma negociação com essa turma. Imagino como não se fala do Foro de São Paulo na França. É inacreditável que até mesmo aqui no Brasil, falando de pessoas inteligentes, o fato do Foro não é nem sequer debatido. Fora Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho, nenhum outro jornalista fala a respeito com seriedade.
E para finalizar esse pequeno texto, vale a leitura de uma simples postagem, das várias onde Reinaldo Azevedo comenta sobre o Foro de São Paulo: aqui. Na verdade eu nem ia mais falar sobre política aqui no blog. É desgastante e não leva a nenhuma parte. Isso porque eu só me interesso em política internacional. Um tipo de política que não tem esse desprendimento de “metamorfose ambulante” do dia-a-dia. É mais uma postura, um firmamento. Não trata de conjunturas esporádicas. E o que me faz desistir também de falar de política é a Al Qaeda Eletrônica, da qual ainda não fui vítima, mas cedo ou tarde, acabaria sendo. Não me interesso por combate frente a frente, esse desgate; mas sim pela formação de uma cultura que faça pensar por si só. Coisas difíceis nesses tempos de polarização. Não existem mais pensadores libertários. De certa forma, a vontade é a de ir embora daqui. Arrumar as malas e se mandar. Vou pensar mais nisso se no futuro o céu não clarear e continuar a choverem espertalhões e gente ignorante.
dezembro 23, 2007
Fala que eu te escuto II
Já comentei aqui sobre como o programa melhorou em termos estéticos. Mas nunca tinha sequer me dado ao trabalho de me aprofundar no conteúdo. Outro dia estavam falando de pessoas ricas e apareceu o arquiteto Ricardo Julião que acabou de comprar um jatinho para melhorar seu deslocamento pelo Brasil, assim podendo atender melhor seus clientes em diversos lugares sem ter que passar por congestionamentos aéreos. E o pastor (ou será bispo?) tentava explicar que essas diferenças de quem tem mais ou menos dinheiro são naturais e tentava expor a diferença entre a inveja e a ambição. Num certo momento disse com todas as letras que a igualdade é um pecado, pois as pessoas que trabalharam mais, que lutaram mais, devem ser recompensadas por isso. E mesmo que eu tenha lá algumas divergências com a IURD – Igreja Universal do Reino de Deus – como o aborto, por exemplo, sou obrigado a dizer que o trabalho dos pastores na maioria das vezes esta sendo benéfico ao seu público.
É difícil ser liberal num país onde as forças políticas tentam interferir em todas as instituições, desde a religião aos costumes populares. Dizer que a IURD faz um trabalho para os seus fieis bem feito nada tem a ver com dizer que eu a defendo. Nada tem a ver com preconceito, muito pelo contrário. A maioria das pessoas tem preconceito em relação aos evangélicos e eu digo que prefiro a eles, pois eles acreditam numa moral cristã, a quem não segue moral alguma, assim como John Locke (1632-1704) já expressara séculos atrás em seu tratado... (lógico que isso tem um tanto de maneirismo). Assim como outras manifestações religiosas, a IURD nunca forçou ninguém a participar de seus cultos, ou seja, quem lá está, está por própria vontade. Como diz o jornalista Reinaldo Azevedo, cada um acredita no que quer, e ele acredita somente em igrejas que sejam mais velhas que o uísque que toma... Faz sentido... Muito sentido... O que não faz sentido é o governo dizer o que se deve ou não acreditar...
Mas voltando ao caso do programa, este é feito pela IURD e para seu próprio público, assim como o Papa Bento XVIII só fala aos fiéis da Igreja Católica. Confundir isso com a palavra da “verdade” é o mesmo que achar que o governo deve ser o condutor da moral do povo... Mas é interessante saber que no programa se fala algo interessante. Isso dá margem para especular até quando a bancada evangélica estará ao lado desse governo. Certo que nas tais estatísticas sobre corrupção esta tem a maioria dos envolvidos nos escândalos.
O interessante que as faculdades de sociologia brasileiras nem sequer estudam o fenômeno da evangelização no Brasil, para entender o que faz existir um crescimento das igrejas evangélicas, quanto mais entender o porquê de representantes dessa comunidade se envolveram nesses casos de corrupção. São dúvidas que a Universidade simplesmente ignora e a mídia de forma geral nem sequer põe na pauta de suas reportagens. Será que é tão irrelevante assim? Estudos americanos existem para essa área. O problema que as especificidades de cada país são distintas, não se podendo saber se aqueles resultados obtidos pelas pesquisas lá tem relevância com as particularidades de cultura brasileira. Aliás, a cultura brasileira é complicada de se entender e com a atual formação das faculdades, mais interessadas em politicagem que em encontrar soluções, deixa um vazio de informações. Isso gera um monte de interpretações erradas e um monte de posturas tão sólidas como uma gelatina. Basta ver com cuidado os dois livros do jornalista Ali Kamel – “Não Somos Racistas” e “Sobre o Islã” – que tentam colocar em debate estes temas. Bem, depois que Gilberto Freyre ficou por muito tempo simplesmente esquecido pela Universidade não se podia esperar que esta tivesse se modificado. Quem sabe, um dia, poderemos ver alguém da área acadêmica falando sobre Mario Ferreira dos Santos... Nesse aspecto é ótimo estudar noutra área do conhecimento, onde a politicagem não pode fazer tanto estrago.
O meu problema é identificar os fenômenos e não ter sequer opinião a respeito deles. E o pior de tudo é nem ter a quem recorrer. Era mais fácil, muito mais fácil, simplesmente sair por aí dizendo que a Record está ótima ou que está uma porcaria. O que eu expresso que tem coisas boas lá e não consigo identificar as coisas ruins, já que até hoje os temas discutidos nos poucos programas que assisti eram de forma geral noticias do cotidiano. O que é interessante é como a IURD está mais conectada com o cotidiano das pessoas que a Igreja Católica. Teve o Papa que vir ao Brasil para temas como o aborto entrassem na pauta dos jornalistas brasileiros... E o engraçado que o povo, de forma geral, estava mais próximo das palavras do Papa que da palavra dos jornalistas. Por que será?
É difícil ser liberal num país onde as forças políticas tentam interferir em todas as instituições, desde a religião aos costumes populares. Dizer que a IURD faz um trabalho para os seus fieis bem feito nada tem a ver com dizer que eu a defendo. Nada tem a ver com preconceito, muito pelo contrário. A maioria das pessoas tem preconceito em relação aos evangélicos e eu digo que prefiro a eles, pois eles acreditam numa moral cristã, a quem não segue moral alguma, assim como John Locke (1632-1704) já expressara séculos atrás em seu tratado... (lógico que isso tem um tanto de maneirismo). Assim como outras manifestações religiosas, a IURD nunca forçou ninguém a participar de seus cultos, ou seja, quem lá está, está por própria vontade. Como diz o jornalista Reinaldo Azevedo, cada um acredita no que quer, e ele acredita somente em igrejas que sejam mais velhas que o uísque que toma... Faz sentido... Muito sentido... O que não faz sentido é o governo dizer o que se deve ou não acreditar...
Mas voltando ao caso do programa, este é feito pela IURD e para seu próprio público, assim como o Papa Bento XVIII só fala aos fiéis da Igreja Católica. Confundir isso com a palavra da “verdade” é o mesmo que achar que o governo deve ser o condutor da moral do povo... Mas é interessante saber que no programa se fala algo interessante. Isso dá margem para especular até quando a bancada evangélica estará ao lado desse governo. Certo que nas tais estatísticas sobre corrupção esta tem a maioria dos envolvidos nos escândalos.
O interessante que as faculdades de sociologia brasileiras nem sequer estudam o fenômeno da evangelização no Brasil, para entender o que faz existir um crescimento das igrejas evangélicas, quanto mais entender o porquê de representantes dessa comunidade se envolveram nesses casos de corrupção. São dúvidas que a Universidade simplesmente ignora e a mídia de forma geral nem sequer põe na pauta de suas reportagens. Será que é tão irrelevante assim? Estudos americanos existem para essa área. O problema que as especificidades de cada país são distintas, não se podendo saber se aqueles resultados obtidos pelas pesquisas lá tem relevância com as particularidades de cultura brasileira. Aliás, a cultura brasileira é complicada de se entender e com a atual formação das faculdades, mais interessadas em politicagem que em encontrar soluções, deixa um vazio de informações. Isso gera um monte de interpretações erradas e um monte de posturas tão sólidas como uma gelatina. Basta ver com cuidado os dois livros do jornalista Ali Kamel – “Não Somos Racistas” e “Sobre o Islã” – que tentam colocar em debate estes temas. Bem, depois que Gilberto Freyre ficou por muito tempo simplesmente esquecido pela Universidade não se podia esperar que esta tivesse se modificado. Quem sabe, um dia, poderemos ver alguém da área acadêmica falando sobre Mario Ferreira dos Santos... Nesse aspecto é ótimo estudar noutra área do conhecimento, onde a politicagem não pode fazer tanto estrago.
O meu problema é identificar os fenômenos e não ter sequer opinião a respeito deles. E o pior de tudo é nem ter a quem recorrer. Era mais fácil, muito mais fácil, simplesmente sair por aí dizendo que a Record está ótima ou que está uma porcaria. O que eu expresso que tem coisas boas lá e não consigo identificar as coisas ruins, já que até hoje os temas discutidos nos poucos programas que assisti eram de forma geral noticias do cotidiano. O que é interessante é como a IURD está mais conectada com o cotidiano das pessoas que a Igreja Católica. Teve o Papa que vir ao Brasil para temas como o aborto entrassem na pauta dos jornalistas brasileiros... E o engraçado que o povo, de forma geral, estava mais próximo das palavras do Papa que da palavra dos jornalistas. Por que será?
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