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maio 20, 2009

Um ano sem Artur da Távola...

“Música é vida interior, e quem tiver vida interior, jamais padecerá de solidão!”
No dia 9 de maio de 2008 faleceu Artur da Távola. Já tinha falado dele outras tantas vezes neste blog, mas ao receber o newsletter de sua equipe, me deu uma saudade das suas crônicas. Espero um dia que elas sejam reunidas num livro. Variavam desde costumes, política, música, ou até mesmo sobre as telenovelas. Gostava muito do que escrevia e do que falava. Era também um grande contador de histórias.

novembro 02, 2008

Saudade...

Gostava muito de Artur da Távola, ex-senador e apresentador do programa da TV Senado “Quem tem medo da música clássica”, morto em maio deste ano. Este sábado, 1º de novembro, teve uma reprise de um de seus programas apresentando a sinfonia nº02 em Ré Maior, opus 73, de Johannes Brahms. Uma bela apresentação da orquestra Filarmônica de Israel, sob a regência de Zubin Mehta.

maio 10, 2008

Quem é amigo?

Em homenagem à Artur da Távola, reproduzo aqui uma de suas crônicas, publicada originalmente no site da Casa de Cultura Artur da Távola dia 17 de setembro de 2007.

Por Artur da Távola:

Amigo é quem, conhecido ou não, vivo ou morto, nos faz pensar, agir ou se comportar no melhor de nós mesmos. É quem potencializa esse material. Não digo que laboremos sempre no pior de nós mesmos (algumas pessoas, sim), mas nem sempre podemos ser integrais para operar no melhor de nós. Há que contar com algum elemento propiciador, uma afinidade, empatia, amor, um pouco de tudo isso. E sempre que agimos no melhor de nós mesmos, melhoramos, é a mais terapêutica das atitudes, a mais catártica e a mais recompensadora. Esta é a verdadeira amizade, a que transcende os encontros, os conhecimentos, o passado em comum, aventuras da juventude vividas junto. Um escritor ou compositor morto há mais de cem anos pode ser o seu maior amigo.
Esse conceito de amizade, transcende aquele outro mais comum: a de que amigo é alguém com quem temos afinidade, alguma forma de amor não sexual, alguém com quem podemos contar no infortúnio, na tristeza, pobreza, doença ou desconsolo. Claro que isso é também amizade, mas o sentido profundo desse sentimento desafiador chamado amizade é proveniente de pessoas, conhecidas ou não, distantes ou próximas, que nos levam ao melhor de nós. E o que é o melhor de nós? É algo que todos temos, em estado latente ou patente, desenvolvido ou atrofiado. Mas temos. E certas pessoas conseguem o milagre de potencializar esse melhor. Sentimo-nos, então, fundamente gratos e de certa maneira orgulhosos (no bom sentido da palavra), por poder exercitar o que temos de melhor. Este melhor de nós contém sentimentos, palavras, talentos guardados, bondades exercidas ou não.
Amar, ao contrário do que se pensa, não perturba a visão que se tem do outro. Ao contrário, aguça-a, aprofunda-a, aprimora-a. Faz-nos ver melhor. Também assim é a amizade, forma de especial de amor, capaz de ampliar a lucidez e os modos generosos e compreensivos de ver, sentir, perceber o outro e sobretudo - se possível- potencializar os seus melhores ângulos e sentimentos.
Somos todos seres carentes de ser vistos e considerados pelo melhor de nós. A trivialidade, a superficialidade, as disputas inconscientes, a inveja, a onipotência, a doença da auto-referência faz a maioria das pessoas transformar-se em vítimas do próprio olhar restritivo. E o olhar restritivo é sempre fruto da projeção que fazem (fazemos) nos demais, de problemas e partes que são nossas e não queremos ver. E quantas vezes isso acontece entre pessoas que se dizem amigas. Essas pessoas (que se dizem amigas), ignoram certas descobertas do velho Dr. Freud e através de chistes passam o tempo a gozar o “amigo”, alardeando intimidade (onde às vezes há inveja) como prova de amizade. O que não é. Mesmo quando é...
Se se quiser medir o tamanho de uma amizade, meça-se a capacidade de perceber, sentir e potencializar o melhor do outro, porque somente essa atitude fará dele uma pessoa cada vez melhor e por isso merecedora da amizade que se lhe dedica.

Paulo Alberto 1936-2008

Ontem, dia 9, faleceu no Rio de Janeiro, sua cidade natal, Artur da Távola. Seu verdadeiro nome era Paulo Alberto Monteiro de Barros. Atualmente dirigia a rádio Roquete Pinto, além de escrever crônicas e textos em seu blog. Gostava muito dele, era também apresentador do programa “Quem tem medo de música clássica”, exibido na TV Senado, aos sábados e domingos. Segue abaixo pequena biografia, disponível no site do PSDB:

“Carioca de Ipanema, ele iniciou sua atividade política em 1960, quando foi eleito o mais jovem deputado estadual do então estado da Guanabara. Cassado em 1964, partiu em exílio para a Bolívia e Chile, onde tornou-se professor universitário na área de Comunicação. Voltou ao Brasil em 1968 e começou a trabalhar com Samuel Wainer no jornal Última Hora, adotando, nesse ano, o pseudônimo - seu heterônimo profissional oficial - Artur da Távola.
A partir de 1987, retomou sua carreira política e foi eleito, consecutivamente, deputado federal por duas legislaturas e senador. Foram 16 anos em Brasília como parlamentar pelo estado do Rio de Janeiro. Participou da elaboração da Constituição de 1988 como um dos relatores e, depois, pautou sua atuação à frente das Comissões de Educação e Comunicação e da de Relações Exteriores. São de sua autoria os artigos que impedem a censura estatal na educação, na cultura e nos meios de comunicação.
Em 1994, defendeu que o PSDB lançasse a candidatura do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, cuja política de estabilização monetária e controle inflacionário desfrutava de grande popularidade. No ano seguinte, já senador, foi efetivado na presidência do PSDB, quando trabalhou pela coesão dos partidos da base governista. Em 2001, licenciou-se da Casa para assumir a Secretaria das Culturas do Município do Rio de Janeiro.”

dezembro 29, 2007

Uma prévia...

Fazer um balanço de 2007 é complicadíssimo. Passei por uns momentos mágicos e para mim parece que se passaram uns três anos. Mudanças de emprego, mudança de oportunidade e curiosidades além de ter deixado de fazer coisas por descuido com datas e prazos. Falta de planejamento. Mas como planejar o acaso? Uma busca por algo novo nunca parou, e não seria este 2007 diferente. Mas vou tentar limitar meus comentários mais ou menos à questão que mais trato aqui e que no fundo é a linha guia desse blog: a cultura.

Cultura é difícil de comentar já que em teoria são assuntos abstratos. Mas objetivamente a cultura se expressa na forma de filmes, álbuns, programas de televisão, textos, livros, pinturas, esculturas, fotografias, edifícios, jardins, praças e tudo que pode ser fruto do desenho urbano ou da arquitetura. É difícil comentar, principalmente que vários fatores concorrem juntos.

Fui de certa forma muito pouco a shows, cinemas e mostras este ano. E nas mostras que fui, como no caso da Bienal de Arquitetura, não fui aos fóruns de discussão, o que deixaria a mostra mais rica. Outra mostra, sobre Charles Darwin, diria interessante, mesmo eu não dando lá muita importância para ele. Mas o final do ano mostrou um MASP em plena decadência, com o roubo de dois famosos quadros de seu acervo.

E quanto aos álbuns que lançaram este ano, os que eu escutei logo ao lançamento, não me chamaram lá muito a atenção. Não consigo destacar grande coisa. No caso do álbum do Megadeth – United Abominations - a discussão sobre a capa foi maior ao trabalho propriamente dito. Do bom álbum que o Rush lançou sou obrigado a dizer que me deixou mais saudosista de seus trabalhos anteriores (o Megadeth também). Um bom trabalho foi o de Robert Plant com Alison Krauss. A tal volta do Led Zeppelin, que nem sequer comentei aqui, não achei nada além de uma boa forma de se colocarem na mídia, pois o show foi ruim pelo que pude ver pelos flashs nas redes de TV... Na música a melhor coisa foi mesmo ter aprendido muito com Artur da Távola em seu programa sobre música erudita. Um de seus programas não me sai da mente, e até o comentei aqui. No âmbito nacional digo que o trabalho de acústico continuado com novas músicas dos Engenheiros do Hawaii, intitulado “Novos Horizontes”, foi muito bom. Mereceria uma postagem dedicada a eles, mesmo que a eles dediquei muitas postagens ao longo do ano...

Da televisão não posso dizer que algo novo tenha acontecido. A Record tevês seus altos e baixos. Como entretenimento, um programa como o de Roberto Justos merece destaque e o que me faz ver que a rede ainda está longe de se comparar com o Globo é colocar o tal Simple Life na continuidade do programa de Justus, achando que o público é mesmo imbecil... A TV Globo teve seus momentos, mas está também em decadência. Fez duas mini-séries bem estranhas. Uma com a pseudo-autora Perez, falando sobre uma Amazônia de Chico Mendes e Galvez, muito mal feita e mal escrita... A outra baseada na obra de Ariano Suassuna, era para ser um estouro e não foi nada... Basta ver que para 2008 vão passar em janeiro uma série de filmes e não há projeto algum de novas mini-séries. Quando a Globo está em decadência, nem se espera encontrar em outra TV alguma coisa útil para ver. A Rede TV embarcou na onda de ter um seriado, uma versão nacional do Desperate Housewives, que já transmitia com certo sucesso. Nada de novo... Outra vez...
Bem, em suma, não posso dizer que 2007 foi lá grandioso. Não se discutiu os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro e o Brasil já ganhou uma Copa. O Campeonato Brasileiro foi péssimo, com um time ganhando com rodas à frente do restante e um minguando, acabando rebaixado à segunda divisão. Isso só mostrou a falta de continuidade e de investimento nos esportes, onde, novamente, quando o futebol está em decadência, o resto nem sequer pode ser comentado... Ou alguém viu por aí a final da Liga, Copa, qualquer coisa, dos times nacionais de vôlei? Ou seja, fora os campeonatos de futebol o resto do esporte no país é uma piada. De que adianta uma seleção brasileira de vôlei medalha de ouro se o vôlei nem sequer tem uma Liga Nacional, com algum time de expressão? Bem, que em 2008 algumas das minhas perguntas sejam respondidas, principalmente depois das derrotas nas competições olímpicas...

Na política algumas coisinhas começaram a mudar. Talvez em 2008 seja este uma dos temas mais interessantes do ano. Mas a cultura política está longe de melhorar. Quem sabe com mais coragem a oposição posso realmente existir... E isso é uma previa do que se passou em 2007.

dezembro 08, 2007

Voltei...

Voltei. Não ainda como gostaria. Não vou renovar tudo ainda por aqui. Vai demorar muito. Mas tenho que dizer: estou bastante ansioso. Isso é bom por um lado e péssimo por outro. Estas duas semanas foram bastante agitadas, além da pressão normal que já estou até acostumando. Foi fora do padrão. E paralelo a isso, ainda muita coisa aconteceu. Vai ser difícil colocar tudo por aqui. Pois, lembrando, isso aqui não é um diário. No fundo não gosto dessa coisa de diários. Já pensei muito nos diários; de como eles podem marcar momentos. Mas eu vejo de outra forma: um diário é uma novela da Rede Globo. Se perder três ou quatro capítulos, não faz a menor diferença; cenas que sozinhas talvez digam mais que capítulos inteiros.

Uma vez alguém me disse, já até comentei aqui no blog, que a vida é feita de dias de preparação para alguns dias especiais. E só esses dias fazem a vida ser muito melhor que todos os outros que foram de preparação. È um jeito meio estranho de se ver as coisas. Eu acho que me acontecem coisas boas todos os dias. O mais interessante é que nunca se sabe o que vai acontecer e em que momento.

Uma das coisas mais interessante se dá ao passo que a leitura se incorpora como hábito quase vicioso. Não sei dizer, mas tem horas que acredito naquela hipótese sobre a amizade entre pessoas que não se conhecem, que também já falei aqui. Essa hipótese surgiu numa crônica do ex-senador e apresentador do programa “Quem tem medo de música clássica?”, Artur da Távola. Ele escreve:

Artur da Távola em 17/09/2007

Quem é amigo?

“Amigo é quem, conhecido ou não, vivo ou morto, nos faz pensar, agir ou se comportar no melhor de nós mesmos. É quem potencializa esse material. Não digo que laboremos sempre no pior de nós mesmos (algumas pessoas, sim) mas nem sempre podemos ser integrais para operar no melhor de nós. Há que contar com algum elemento propiciador, uma afinidade, empatia, amor, um pouco de tudo isso. E sempre que agimos no melhor de nós mesmos, melhoramos, é a mais terapêutica das atitudes, a mais catártica e a mais recompensadora. Esta é a verdadeira amizade, a que transcende os encontros, os conhecimentos, o passado em comum, aventuras da juventude vividas junto. Um escritor ou compositor morto há mais de cem anos pode ser o seu maior amigo.
Esse conceito de amizade transcende aquele outro mais comum: a de que amigo é alguém com quem temos afinidade, alguma forma de amor não sexual, alguém com quem podemos contar no infortúnio, na tristeza, pobreza, doença ou desconsolo. Claro que isso é também amizade, mas o sentido profundo desse sentimento desafiador chamado amizade é proveniente de pessoas, conhecidas ou não, distantes ou próximas, que nos levam ao melhor de nós. E o que é o melhor de nós? É algo que todos temos, em estado latente ou patente, desenvolvido ou atrofiado. Mas temos. E certas pessoas conseguem o milagre de potencializar esse melhor. (...)
Somos todos seres carentes de ser vistos e considerados pelo melhor de nós. A trivialidade, a superficialidade, as disputas inconscientes, a inveja, a onipotência, a doença da auto-referência faz a maioria das pessoas transformar-se em vítimas do próprio olhar restritivo. E o olhar restritivo é sempre fruto da projeção que fazem (fazemos) nos demais, de problemas e partes que são nossas e não queremos ver. E quantas vezes isso acontece entre pessoas que se dizem amigas. Essas pessoas (que se dizem amigas), ignoram certas descobertas do velho Dr. Freud e através de chistes passam o tempo a gozar o “amigo”, alardeando intimidade (onde às vezes há inveja) como prova de amizade. O que não é. Mesmo quando é...(...)”

Bem, depois de todas estas palavras, fica até difícil voltar ao tema. Mas é uma verdade que os livros, os filmes, as músicas nos levam para algum lugar e nos fazem gostar e admirar outras pessoas pelo simples fato de conhecer algum escrito delas, algumas música ou sua atuação num filme. E é um tanto quanto atemporal. Assim como temos as lembranças daqueles momentos de certas amizades, temos a impressão igual de que um dia tudo foi melhor. Estava lendo dia destes uma crônica que falava exatamente em como nos prendemos a certas épocas (anos 1960, principalmente) e achamos todo o resto pior, ou melhor, tentamos esquecer um pouco do resto que foi feito depois.
Tudo parece ser tão estranho.

novembro 26, 2007

Gente da Música II

Faltou explicar porque Gente da Música. O newsletter semanal do programa “Quem tem medo de música clássica?”, apresentado pelo ex-senador Artur da Távola chama “Gente da Música”. E sempre vem com algum texto selecionado por ele sobre música.

Certo tempo atrás lia até bastante seu blog e sua crônica diária e me irritava com ele porque não fazia uma forma para ler as crônicas de outros dias. Mas sua casa de cultura, cujo link está ai do lado, tem bastante coisa interessante sobre música. Como já disse outras vezes aqui, ao falar de música ele é muito bom. Às vezes também escuto, via internet, seu programa na rádio Roquete Pinto, do Rio de Janeiro.

Gente da música!

Este final de semana o programa de Artur da Távola, sempre pela TV Senado, prepara um série de Allegros:

Wolfgang Amadeus Mozart (Sinfonia "Júpiter")
Joseph Haydn (Sinfonia em Ré Maior / "A Imperial")
Ludwig Van Beethoven (Sinfonia Nº 03 / "Heróica")
Antonín Dvorak (Sinfonia Nº 09 / "Do Novo Mundo")

São trechos selecionados de alguns programas já transmitidos.

maio 06, 2007

Novo Mundo

Belíssimo programa de Artur da Távola apresentando a obra “Do Novo Mundo” de Antonin Dvorák (1841 – 1904). Foi apresentada a segunda parte da Sinfonia nº 9 “Do Novo Mundo” op. 95, regida pelo maestro Lorin Maazel, na Bavarian Radio Symphony Orchestra. Esta obra foi composta por Dvorák, em 1893, segundo suas impressões dos Estados Unidos, por isso o nome “Do Novo Mundo”. Seria a impressão de um checo observando a metrópole americana (New York). Estou realmente muito impressionado com a qualidade técnica dos solistas. Ainda tenho muito a aprender sobre Dvorák, mas estou realmente bastante contente com a escolha deste tema para programa “Quem tem medo de música clássica?” apresentando por Artur da Távola, na TV Senado.

abril 08, 2007

Autodidata

“(...) A infância foi feliz em Ipanema. Eu diria que foi feliz e algo triste. Triste porque um traço que me acompanharia toda vida, ali se acentuou: o autodidatismo. Aliás ninguém perdoa o êxito de um autodidata. O autodidata não é o que aprende sozinho. Essa é a forma externa do autodidatismo. O autodidatismo é aquele que ensina a si próprio. Ensina a si próprio como? Com o que vai gradativamente a descobrir nos caminhos da existência. Se for atento a esses caminhos e a si próprio, o autodidata é sempre um limitado e um inseguro. Ao mesmo tempo alguém sempre capaz de continuar e de certa forma de crer em si, como dizia o poeta Rudyard Kipling, quando todos em de redor duvidam. (...)”

Artur da Távola

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...