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junho 01, 2011

Eu sou Ozzy...

Nada melhor do que voltar ao meu blog com uma postagem da, como poderia chamar, lenda da minha adolescência.

Dia destes, estava eu na livraria e olhei para o livro Eu Sou Ozzy e me alegrei de tal maneira a poder saber a vida desta lenda contada por ele mesmo. Ao menos o que ele lembra, segundo ele mesmo no prefácio do livro. A vida de Ozzy Osbourne é sem dúvida algo de muito interessante. Ainda não escutei seu último álbum – Scream -, mas se seguir a linha de Black Rain tenho a ligeira impressão que não me impressionarei... Tanto o novo álbum quanto a autobiografia são lançamentos de 2010. Porém, como nada havia pronunciado até então, para mim ainda é novidade.

Poderia divagar a respeito falando da grande quantidade de informação e tudo mais, mas não; o que ocorreu mesmo foi total falta de tempo. Estou só agora em 2011 retomando projetos que estavam simplesmente parados. Um dos projetos é arquitetar um caminho para o blog. Sinto de muitos leitores discretos que não tem nada sobre arquitetura neste blog. Pois bem, a ideia era mesmo ter de tudo e um dia encontrar um caminho. Comecei a escrever em 2007 e em quatro anos ainda não encontrei o eixo e acho que eu gosto de ter este espaço para escrever sobre tudo, sobre o que é o amor, sobre o que nem sei quem sou... (não, não, chega!!!).

Voltando ao Ozzy, quero lembrar aqui que ao me dedicar a escrever minhas lembranças (pseudoauto biografia) dei o nome de um álbum de Ozzy Osbourne (aqui). Naqueles anos, o que mais me chamava atenção – e até os dias atuais – é o guitarrista Randy Rhoads. No livro Ozzy dedica praticamente um capítulo a este episódio. Por sinal o único que li naquele dia na livraria. Passei por partes da infância de Ozzy e do reality show The Osbournes, o que eu acho – minha opinião – acabou com o mito Ozzy Osbourne e o deixou com uma popularidade um tanto quanto distante das letras que houvera escrito. Como falar de Ozzy do The Osbournes e pensar em um Ozzy que conhece Aleister Crowley (isso mesmo: da música Mr. Crowley)? Bem, agora me resta à dúvida se há citações a respeito das leituras que Ozzy teve. Quando li a autobiografia de Eric Clapton, ele citou escritores, como Kurt Vonnegut. Bem, logo que eu comprar e ler o livro voltarei a falar mais dele.

novembro 02, 2009

Meus heróis morreram de overdose...*


“If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is, infinite.“

William Blake - The Marriage of Heaven and Hell.

Começar um texto que batizei com um trecho de uma música do Cazuza, já demanda certa dose de esforço fora do normal para ir em frente e pontuar alguns tópicos. Não tenho muita afinidade com as letras de Cazuza e sua música não teve para mim o mesmo impacto de outras bandas da mesma época, como até já me referi aqui neste mesmo blog. Mas algo dos meus 15 anos ainda permanece na minha mente e cada vez mais confuso. Não vou falar nada de Cazuza, mas de outras três personagens reais que me balançaram – e ainda balançam - em momentos diferentes e que acabaram por bater a minha porta por várias e várias vezes.

Túmulo de Jim Morrison - Cemitério de Père-Lachaise, Paris.

A primeira personalidade que vou falar é do sempre jovem Jim Morrison – uma das duas coisas boas de se morrer jovem é que nunca envelhecem; a outra é a não revisão do legado deixado, deixando sempre uma lacuna aberta para um infinito de interpretações. Quando assisti pela primeira vez o filme Doors, de Oliver Stone, não entendi nem a metade daquilo que viria a ser uma das bandas mais comentadas entre meus colegas de colegial. Pouco tempo atrás assisti novamente ao filme e a cada vez observo novos detalhes que me haviam passado despercebido. Quanto mais tempo se passa mais identifico o poder artístico distante daquela busca das novas emoções da juventude. O mais impressionante é o poder das letras atrás das músicas que ainda hoje tem o poder de embalar momentos marcantes da minha vida. Quanto mais o tempo passa mais informações vamos acumulando.

O fator que me chama atenção na figura de Morrison está nas pequenas apresentações indiretas que me trouxe. Não poderia deixar de descrever a primeira apresentação indireta de uma música do Doors. Foi aos meus 10 anos de idade num disco, famoso à época, um LP da moda daqueles tempos, chamado Rádio Pirata ao Vivo, do RPM, onde Paulo Ricardo cantou incidentalmente Light my fire no meio de uma música. Isso data de 1986. Pouco tempo depois, em 1991, veio o filme de Stone. Mas Doors não parava ali a me apresentar novidades. Descobri o poeta William Blake através de Morrison. Depois, ao me interessar por ficção científica, acabo por descobrir Aldous Huxley, e o seu livro As Portas da Percepção – livro que dá nome à banda de Jim Morrison. De Huxley ainda acabei por ler Admirável Mundo Novo, e hoje é um dos autores que acabo por esbarrar na condução de uma busca intelectual e em muitos casos como simples citação – como a cerca de dois anos, citado explicitamente no texto de um arquiteto.

Mas, além de suas letras que ainda trazem algumas reflexões, a música do Doors acaba por embalar algumas “trilhas sonoras” das viagens de fim de semana ou de férias junto aos amigos e namorada. Não somente Doors, mas talvez seja a única banda que marcou a todos em momentos diferentes. Ontem mesmo, ao ouvir Riders on the storm, acabai por escutar várias vezes seguidas...

Túmulo de Randy Rhoads - Cemitério de San Bernardino, California.


Aos quinze anos fui apresentado ao Ozzy e ao Black Sabbath, como já contei por aqui, nas minhas recordações em forma de blog, cujo nome não poderia ser mais do que significativo. Falar de Randy Rhoads, morto em 1982, é para mim como falar de um dos guitarristas que mais curiosidade me desperta. Sua morte, prematura, decorrente de um acidente, tendo somente gravado dois álbuns ao lado de Ozzy (Blizzard of Ozz e Diary of a Madman), era como se algo muito maior não tivesse se concretizado. Ozzy estava numa péssima fase quando Rhoads chegou, e praticamente colocou o primeiro álbum de Ozzy entre um dos mais vendidos no mundo (num livro sobre os 100 álbuns mais vendidos no mundo ocupa a 100ª posição – se não me engano - e é o único disco de Ozzy nesta lista) tendo impulsionado sua carreira a parir de então.
Mas Randy Rhoads tem para mim algo de extrCor do textoaordinário que ainda não consigo explicar em palavras, principalmente ao ouvir Over the mountain ou mesmo a pequena peça Dee. Por trás das guitarras ainda aparece a figura de Aleister Crowley. Rhoads continua a ser para mim uma das maiores incógnitas entre os guitarristas que aprecio.


Túmulo de Elvis Presley - Graceland, Tenesse.
A terceira pessoa que vou comentar a respeito é a única que me deixa 100% confortável. Nestas poucas linhas a respeito de Elvis Aron Presley, gostaria de tentar explicar um dos maiores erros de interpretação que passam de geração a geração sobre sua morte: Dizer que Elvis era drogado. Naquele tempo, década de 1970, não se consideravam os efeitos dos comprimidos como um vício. Elvis tinha tido uma infância solitária e bastante pobre e em momento algum teve atos de revolução como outros astros que morreram naquela mesma década, como Jim Morrison, por exemplo. Elvis fazia pela música sua revolução. Não à toa, John Lennon, quando esteve pela primeira vez nos Estados Unidos, disse que conhecer Elvis foi o melhor de tudo desta viagem.

Certa vez o jornalista Daniel Piza comentou sua inicial estranheza nos fãs de Elvis de sua fase final (gordo). Mas complementou que ao se descobrir o Elvis dos anos 50 dava para compreender a devoção. Elvis fez inúmeros filmes, mostrando até o Hawaii. Mas sua terra era mesmo Las Vegas. Até hoje, Las Vegas, com suas múltiplas transformações, ainda tem muito do espírito de Elvis. Era um super-astro e até hoje as peregrinações a sua casa e, conseqüentemente ao seu túmulo, atraem multidões. Um mito que se traduz numa música que marca gerações e que me foi apresentada ainda na infância. Se um dia alguém me perguntasse quais foram os primeiros discos que escutei, Elvis certamente estaria entre eles.

Nada mais impressionante do que falar dos mortos no dia de finados. Que estejam em paz e continuem a me guiar por estes caminhos que a vida me apresenta. Não estranho em falar de três personagens tão conhecidos e que influenciam até hoje inúmeras gerações. Eles com certeza ainda podem aparecer em mais outras tantas postagens.
* Da música Ideologia, de Cazuza.

janeiro 20, 2009

Diary of a Madman II

“(...) eu pago os meus pecados
por ter acreditado que só se vive uma vez
pensei que era liberdade
mas, na verdade, eram as grades da prisão


eu pago os meus pecados
por ter acreditado que só se vive uma vez
pensei que era liberdade
mas, na verdade era só solidão”


O Preço – Humberto Gessinger Trio (1996)

Foto: Randy Rhoads (1956 - 1982).

Lembranças. Muitas delas dão aqueles diários loucos que fazem muitos “mudarem suas vidas”. Nem de perto tenho esta pretensão. Quem me dera escrever algo como On the Road e ter, tantos e tantos anos depois, edições comemorativas. Certo que se me perguntassem qual livro gostaria de ter escrito, aquele que retornamos de tempos e tempo para reler, eu diria que o “fininho” O Estrangeiro, de Albert Camus, me deixa ainda sem fôlego com aquele início, o ritmo e com a falta de acabamento. É muito desafiador. E pensar que passei anos sem conhecer Camus e lendo Sartre...

O fato que quando tive a idéia de escrever um álbum de memórias, mais do um diário, já que nem é escrito diariamente, era justamente falar de como vivia antes de conhecer coisas que agora são parte de mim; algo inseparável.

Logo que entrei na faculdade meio que perambulava em busca do que fazer, do que ler, do que estudar, do que os músicos, os artistas, as personalidades que gostava estudavam, em suma, o que eram as influencias deles. Um dos primeiros a me deixar intrigado era Ozzy Osbourne, não à toa esta parte do blog eu “batizei” com o nome de uma de seus discos; uma de suas músicas. E tinha que ser dessa fase, junto a Randy Rhoads. Como já contei na primeira parte, havia escutado Ozzy a primeira vez em 1991, e até 1994 tinha praticamente todos os discos. Mas existia um momento anterior.

Desde os treze anos de idade algo me chamava atenção nos Engenheiros do Hawaii. À época, em 1989, tocava muito no rádio a música Terra de Gigantes e não lembro ao certo se alguns colegas de classe foram ao show ou não, mas eles estavam numa fase bastante ascendente. Logo em 1990 lançaram o, acredito eu, mais famoso álbum da banda: O Papa é Pop. Foi um estouro de músicas nos rádios e a novidade dos clipes na MTV recém inaugurada, aos fins de 1990. Foram as músicas para o rádio: O Papa é Pop, Era um garoto... e Perfeita Simetria (esta só disponível no cd, não no vinil), os clipes de Exército de um Homem Só, Pra ser Sincero e uma música do segundo álbum, de 1987, Refrão de Bolero. Tudo isso tocava sem parar no rádio e na MTV.

Foi em 1991 que assisti a primeira vez os Engenheiros do Hawaii ao vivo. Era no antigo Palace, em São Paulo. Até hoje não sei dizer se lá cabem quatro mil pessoas ou mais ou menos. Sei que era bastante gente e um show com uma banda de pouco mais de cinco anos de estrada. Nos anos seguintes acompanhei todas as temporadas de shows. Um dia um rapaz me vendeu os quatro primeiros discos dos engenheiros, em vinil, por um preço bem camarada (algo como o preço de um cd). Foi a primeira vez que tinha a discografia completa de uma banda. Isso já era no final de 1991. O incrível disso é que naqueles anos também estava conhecendo tantas outras bandas e músicos que num certo momento a banda de Gessinger ficou um tanto quanto de lado. Acho que em 1994 nem sequer sabia dos projetos e dos discos lançados. Mas, como sempre, algo fica guardado.

Em 1996 entrei na faculdade. O curso de arquitetura tinha tudo de desafiador. Não conhecia ninguém do meio, e tinha uma única idéia totalmente cumprida ao término do curso. Nada foi tão interessante como saber o que queria antes mesmo de entrar no curso. Não sabia ao certo as etapas que tinha que passar, mas sabia que ia aprender aquilo que queria aprender, aquilo que tinha vontade de saber e ninguém ensinava. Só tive sensação igual há poucos anos, quando uma busca interminável por questões achou um novo caminho, onde também sei onde quero chegar, mas as etapas são um pouco mais longas. Quando falo que muito acontece ao mesmo tempo e tenho a total sensação de “estar pagando os pecados por acreditar que só se vive uma vez”.

Mas foi exatamente na faculdade, numa solidão maravilhosa, pois uma das melhores situações da faculdade de arquitetura é o ato de projetar totalmente sozinho e individualmente, onde a criatividade, um conceito e uma meta são exigidos ao mesmo tempo. Um conceito aprendido durante o curso técnico era o de buscar a informação com o professor. Nisso eu acho que aprendi mais no corredor falando com os mestres do que em aulas que praticamente ninguém estava interessado. Foram ali que surgiram as muitas indicações bibliográficas. Depois foi só passar na biblioteca e ler pelo menos um livro por mês. É... Existe sempre um esforço invisível.

Um dia achei um livro para vender numa livraria em frente ao Mackenzie do arquiteto Vilanova Artigas: Caminhos da Arquitetura. Li em alguns dias praticamente o livro todo. Sem entender lá muita coisa, estava no segundo semestre. Mas o livro foi me acompanhando durante o curso, afinal era uma coletânea de textos com temas variados, deste o Frank Lloyd Wright, Corbusier, até temas políticos e conceituais. Até hoje tento achar algumas respostas lá no livrinho, já meio velinho. Não à toa também este blog chama Arquitetando Caminhos...

Humberto Gessinger Trio (1996)

O que é mais interessante desse início de faculdade esta justamente na “volta” dos Engenheiros do Hawaii na minha “lista” de bandas. Sempre fiquei intrigado com as letras de Gessinger. Sempre alguma delas fazia sentido para mim em algum momento. E aquele ano de 1996 ele havia lançado um projeto chamado Humberto Gessinger Trio. Tinha de tudo naquele disco. Era uma fase que meus “caros colegas” estavam fazendo um monte de coisas que não me interessavam à mínima. Era uma solidão fantástica escutar Engenheiros novamente e estudar a história das artes, as arquiteturas e criar. O mais interessante era ver que tinha lido muita coisa por conta daquelas músicas. O próprio Sartre estava entre essas coisas. Mas só muito tempo depois fui ler o Moacyr Scliar de O Exército de Um Nomem Só...

Uma parte negativa disso é que estava lá, ao lado dos colegas, e ao mesmo tempo afastado e sem compartilhar praticamente nada daquilo que estava estudando e nem sequer sei o que pensavam ou o que estudavam. Hoje enxergo muito melhor isso, principalmente quando encontro algum colega num desses eventos “arquitetônicos”. A infinidade de arquiteturas que faço hoje, não tem definição quando me perguntam mais especificamente o que ando fazendo. Um dia talvez possa só responder “estou dando aulas”... Isso facilita muito o trabalho de ter de explicar. (Será que sou tão impaciente assim?) Mas a lição principal é que no fundo sempre estará sozinho em seus projetos. Uma ou outra pessoa te acompanhará, mas a decisão final será sempre sua. E no tempo certo. É um pouco duro aprender isso, mas é bem melhor do que o “brasileiríssimo” deixar a vida te levar... Num certo momento é aquela idéia inicial que te movimenta.

PS: Este texto esta escrito numa língua que acredito ser português. Não esta de acordo com muitas regras, não. Principalmente esta nova que unifica o português de Portugal com o brasileiro. Gosto tanto da grafia portuguesa... Fazer o que, um dia eu me adapto...

janeiro 01, 2009

Diary of a Madman

Estava pensando em fazer um novo blog, com questões mais específicas que tenho postado pouco, por ter temáticas completamente diferentes dos assuntos tratados. Mas se o tempo já é escasso a este, que diria alimentar dois blogs? Então o que resolvi fazer foi uma nova “seção”. Na verdade é uma tag específica para cada postagem com tema extremamente variado, mas contínuo. Pensei num nome e Diary of a Madman, inspirado no segundo álbum da carreira solo de Ozzy Osbourne, lançado em 1981, que me leva a escrever aquilo que eu ache que é loucura, ou seja, o “diário de um louco”.

Obviamente este álbum tem toda uma história. Foi um dos últimos álbuns que comprei do Ozzy. No início dos anos 1990, o rock`n roll estourou nas “paradas de sucesso” (termo horroroso) com bandas como Guns n`Roses, Faith No More e Skid Row. Ozzy Osbourne lançou o álbum No More Tears (1991) que foi a primeira vez que tive contato com Ozzy, sendo ele um dos meus artistas prediletos até hoje. Ao tomar contato em 1991, até 1994 tinha praticamente todos os álbuns de Ozzy. Sem contar vídeos e entrevistas de revistas. Bem longe de um fanatismo, pois as revistas eram as normais de banca de jornal. Esse hábito de guardar entrevistas muito me ajudou, principalmente em trabalhos na faculdade, assim como é boa fonte de indicações.

Além de escutar a carreira de Ozzy, escutei e conheci nestes anos o Black Sabbath, a banda que fez enorme diferença no cenário musical. O primeiro contato também foi em 1991, com uma coletânea chamada We Sold our Soul for Rock`n Roll (1976). Porém, do Black Sabbath não tenho sequer uma mísera parte da discografia. O interessante que falar em ter tudo do Ozzy e não ter quase nada do Sabbath parece um “atentado ao mito” dos anos 1970. Eu, no fundo, não ligo à mínima... Exatamente esta é a tarefa dessa seção: acabar com os mitos e gostar de algo por prazer.

novembro 12, 2007

Hippies malditos

Nada contra ao visual, os discos, as danças, as modas, mas nada mais interessante de reconhecer quando algo acabou... Vamos pensar na Bossa Nova, acabou. Era boa. Boa produção musical, mesmo às vezes tendo algumas rimas ruins, mais tudo ali tinha uma história. Diga-se de passagem, era uma parte da música brasileira, talvez uma das boas coisas feitas na música brasileira. Mas não sei dizer se motivavam jovens, como a Jovem Guarda. Alias em recente biografia de Tim Maia, escrita por Nelson Motta, há alguns comentários sobre a Jovem Guarda. Tem algumas figuras da música brasileira que mereceriam melhores estudos e muito menos emoção. Acho que essa biografia de Tim Maia inicia isso, muito melhor que a não autorizada biografia emocionada de Roberto Carlos.

Mas voltando a Bossa Nova, um belo livro sobre o período é Chega de Saudade, de Ruy Castro. Começa contando a história de João Gilberto, passando por inúmeras pequenas histórias. Muito boa leitura. Muito melhor que ver os hippies malditos invadirem a cena, perturbando os bons moços da Jovem Guarda e iniciando a peregrinação à Meca brasileira dos anos 1970: Salvador. De lá saíram novidades, a tal “tropicalia”, movimento tropicalista ou qualquer outro nome que foi dado a esta coisa hippie brasileira. Nesse ponto sou totalmente favorável ao que Ozzy dizia em 1970, quando do lançamento de seu primeiro disco com o Black Sabbath, onde lembrava que o mundo não é de paz e nem muito menos de amor... É engraçado como se misturou muito essa idéia hippie em meio ao nascimento do heavy metal e é tão nítida sua diferença. Ta bom que muita coisa estava mesmo misturada, mas depois de algum tempo, principalmente no final dos anos 1970, a diferença era gritante. E no Brasil, nada... Essas coisas de adaptar ao “jeitinho” brasileiro as tendências internacionais sempre saem alguma coisa boa e alguma coisa medonha... O movimento punk me parece ter sido muito bem sucedido no Brasil. O New Wave também, mesmo sabendo que as bandas que eu acho que foram os “brasilians new waves” pedem distância deste rótulo...

O pior é ainda hoje, passados tantas outras tendências e pensamentos, é existir gente que ainda vive num movimento hippie eterno, misturando a natureza com a vida e achando o paradigma de um mundo diferente... Tenho verdadeira aversão a pessoas que querem mudar o mundo. Uma vez, num Globo Repórter, apareceu uma família que mora numa pipa (grande barril de envelhecimento de vinho) em meio a uma enorme área verde, cuja esposa declarava que todos deveriam viver daquela forma. É uma estupidez sem tamanho. Se todos vivessem em pipas em meio a enormes áreas verdes, seria o mesmo de destruir todas as reservas indígenas, todas as reservas florestais e ainda assim teria muita gente morando no meio do gelo... Uma das primeiras questões a serem abordadas está obviamente na questão que o “eremita” nunca desenvolveu nada e que muito do se conhece hoje por tecnologia só foi possível pelo advento das cidades. Como se faria um teatro com todos morando no meio do mato? Ou melhor ainda, uma escola? Existem certas condições que a cidade cria que são inigualáveis.

Não é a toa que hoje o campo é um espaço com cada vez menos gente (tendência mundial) e que as cidades vivem um momento de extrema mudança, onde os pólos industriais se distanciam dos centros urbanos e existe uma onda de novos serviços. Durante o Império Romano, Roma chegou a ter quase um milhão de habitantes. Durante a idade média o povo voltou ao campo, e o sistema feudal mantinha pequenos agrupamentos que hoje poderia declarar como “auto-sustentáveis”. E isso era bom ou ruim? Tinha lados bons e lados ruins, oras. Basta conhecer a história e avaliar. Mas hoje quem tem em mente voltar ao feudalismo deveria rever suas críticas ao capitalismo, única alternativa ao feudalismo, lembrando que o socialismo nada mais é, segundo Karl Marx (que lixo, usei o nome desse infeliz no meu blog, eca!), que a “evolução do capitalismo”.

Garanto que os “brasilians hippies” nunca leram nada e nem sequer entendem os princípios que fez com que existisse um movimento do “não faça guerra, faça amor”, mas nunca, e isso tenho certeza, se preocuparam em saber quais os danos do “não guerra” causou depois. Reflexão só existe sempre de um único lado, impressionante isso... Bem, é fácil de saber, basta pesquisar sobre Pol Pot... E o Ozzy que tinha razão, isso sim!

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...