abril 11, 2010

As linhas tênues do entre e o então...

Leio o blog da Norma Braga. Não a conheço, nem sei direito o que faz. Sei que é evangélica e que escreve um pouco sobre isso. Já li seus textos sobre Beatles, mais especificamente sobre Paul McCartney, e outro dia estava lendo um texto que foi publicado numa revista. Falava sobre porque ela não é de esquerda. Bem, me parece óbvio e até achei a leitura repetitiva. Mas pensei em quantas pessoas não fazem idéia do que ela esta falando. Falar sobre os reinos de Deus e de Cesar e falar a respeito de quanto a ideologia de esquerda esta impregnada nas formas de pensamento atuais é de fato algo que só é entendido quando nos damos ao trabalho de entender. Sim, requer esforço.

Também não sou de esquerda. Sou um tipo meio conservador, meio liberal, mas que antes de tudo segue alguns princípios que são inegociáveis, tais como liberdade de expressão, liberdade de opinião, liberdade, antes de tudo. Quando morei nos Estados Unidos entendi que a liberdade tem regras. E até hoje vivo um misto entre as regras para a liberdade e a impostura que temos no Brasil. Desde os tempos de faculdade via como alguns colegas tinham dificuldade em seguir regras. O curso de arquitetura é bem livre e infestado de idealismos e cada um deles tem regras, por mais incrível que possa parecer. E o pior de tudo é a total cegueira para se entender conceitos, diretrizes, o que chega a ser algo muito aborrecido. Para ser mais exato, não tenho lá muita paciência. Fico feliz por pessoas como a Norma Braga se dedicarem a explicar certos conceitos. Não sei nem se eu teria capacidade comunicativa para explicar o que me parece óbvio. Certa feita lembro de um texto do Reinaldo Azevedo, que falava algo mais ou menos no sentido de que só usando da lógica dá para desconstruir algumas “verdades”. Em suma, se algo lhe parece estranho, basta que some as partes, analise os fatos e tire alguma conclusão. Esse pequeno esforço chega a desmistificar várias questões que parecem complexas e chatas. Aliás, por ser chato, muita gente não enfrenta esse tipo de pensamento; se incomodam, mas não enfrentam.

Eu sempre passo por um fã do Fernando Henrique Cardoso toda vez que analiso alguma “mística” do governo Lula. Não entendo muito bem o fato, pois normalmente o ex-presidente nada tem a ver com o assunto. E quando digo que a política não me interessa, mas sim as ações dos governantes e, claro, seus conceitos utilizados para a tomada dessas decisões, me falam que eu só falo sobre política. Eu, como praticamente todo arquiteto, quando começo a escrever viro um misto de sociólogo e inconformado. O problema é que nos anos da juventude sempre se quer “mudar o mundo”. Se passa um tempo e simplesmente paramos de nadar contra a maré e passamos a ”integrar o sistema”. As críticas continuam, mas descobrimos que não se muda o mundo, só no máximo conseguimos melhorá-lo. E para esta melhora, as pequenas ações são mais importantes que as grandes. Por exemplo, ao separar o lixo reciclável, uma atitude fácil de fazer e oferece, partindo da pequena escala do indivíduo, uma melhoria muito grande no mundo, apresenta no Brasil certa resistência que não consigo entender. A lógica é simples: com o lixo separado se pode fazer um processo de reutilização que por sua vez polui muito menos. Olhando com a lógica capitalista, isso gera uma nova forma de empreendedorismo, um novo mercado, uma nova oportunidade a ser explorada, a da transformação de lixo novamente em matéria prima. Nada mais racional, nada mais óbvio. E porque há tanta resistência e tanta propaganda? E aí começam as pessoas de fé duvidosa a falar sobre “novos conceitos”, sobre “como fazer um novo mundo” e por aí vai. Mas no fundo há um aspecto econômico que faz desta pequena atitude politicamente correta um instrumento de engenharia social. Assim acaba por acontecer com um monte de outras coisas, criando novos mitos, novas místicas, que também não durariam a uma boa análise lógica.

Mas eu não vou falar aqui das atitudes politicamente corretas, mas do que faz as pessoas se entreterem muito mais com abstrações do que com ações reais. Ás vezes penso em como a realidade está à nossa frente e me falam algo que não faz sentido, baseado numa abstração qualquer.

Ando escrevendo um pouco de ficção. Gosto de escrever ficção. É um gosto que esteve adormecido por anos, que nem sabia que era capaz (não sei se sou bom, isso também não vem ao caso), mas que venho me dedicando, escrevendo, anotando e lendo. Lendo muito. Descobri que um escritor não pode não ter lido os clássicos. Dedico um tempo para esta minha “abstração”. Mas o conceito é justamente o mesmo que norteia a minha profissão: conhecer o que já se fez para poder trabalhar novos conceitos, superar novas exigências, sempre com muita criatividade. Nunca recebi um comentário negativo para os pequenos textos aqui postados. Mas ao falar da arquitetura já recebi de tudo. Descobri que escrever sobre Oscar Niemeyer dá ibope ao meu blog...

Fiz uma postagem em 2007 sobre uma profunda questão, que é o déficit habitacional brasileiro, onde criticava a saída de Niemeyer desta discussão (aqui), a partir dos anos 50 e 60, quando parou de projetar as mega-estruturas (não utilizo o conceito aqui, mas a idéia dos grandes complexos habitacionais, tais como o conjunto Pedregulho, de Reidy, e o Copan, alvo da tal postagem). Os comentários traziam questionamentos de outros conceitos, como sustentabilidade, críticas a pessoa do Niemeyer, críticas ao modernismo, porém, nenhuma questão focada no assunto que me preocupa: o déficit habitacional. Ok que o texto é prolixo. Eu sou meio prolixo, mas não há estudo nenhum a respeito desse desprendimento de Niemeyer sobre este tema. Em suma, fiz um questionamento inédito. E como é inédito, sempre tem alguém que pergunta de onde tirei isso. Oras, da minha cabeça. Se Artigas e Reidy trabalharam o tema, Paulo Mendes da Rocha e Lina Bo Bardi também, não consigo entender o porquê de Niemeyer não ser questionado. Me responderam que ele (Niemeyer) diz que pensar em conjunto habitacional é dividir as pessoas em classes sociais. Conforme escrevi acima, arquitetos quando escrevem viram sociólogos...

Mas, voltando às abstrações da realidade, o texto de Norma Braga, que abriu esta postagem, me alertou como temos que lutar o tempo todo para manter nossas liberdades. Até mesmo a liberdade de pensar em algo que até então ninguém pensou.

abril 02, 2010

Jovem demais para morrer...


Num dia nada especial, numa noite sombria, resolveu que não mais deveria pertencer a este mundo. Sua resolução era reflexiva; pensava nos amigos, na tia, cuja casa dividia, na ex-esposa e na musa inspiradora de suas plácidas obras de arte, que produzia de forma quase incessante. Os quadros revelavam a verdadeira veia do artista, principalmente ao trabalhar os tons de vermelho sob o fundo branco. Seus traços eram jovens; muito mais jovens que sua verdadeira idade. Assim como o senhor Gray, sua face parece não padecer das ações do tempo.

Havia escolhido a noite para realizar o feito; o mal feito. A noite para ele era um momento mágico e ao mesmo tempo algo terrível. Mágico, pois conseguia produzir sem parar, sem atender ao telefone, sem falar com as pessoas. E terrível justamente por não perguntar para as pessoas como está indo sua produção. Sua vontade em dividir o processo criativo o amargava demais durante a noite. Como não perguntar à tia e aos amigos se gostam das cores, dos traços e se estes estão próximos ao rosto e corpo da musa, cuja inspiração não parava. Mas já havia decidido: sua vida não fazia mais sentido. Pensou em tudo, atualizou sua agenda, resolveu pendências e deixou tudo em ordem para aqueles que herdariam seu patrimônio sem valor material. Tinha seu rico dinheiro, oriundo de um marchand amigo, que vendia seus quadros. Claro, somente os que não achava perfeitos. É talvez o único artista que só vendia o que não gostava em sua produção. Sua vida era uma propaganda enganosa ambulante.

Não achava que as artes plásticas eram importantes para além do próprio artista. Mas sua maior vontade era fazer com que seus desenhos vivessem para sempre. Sempre lembrava das memórias póstumas, escritos centenários de seu autor de cabeceira, principalmente de sua dedicatória primeira. Pensava em como a matéria é imperfeita e que a condição de não poder compartilhar do mesmo solo sagrado de outros tantos não o afligia. Pensava sempre em Nicolò, proibido pelo bispo de Nice de se deitar eternamente, por conta de sua exibição de virtuosismo, como se fosse possível virtuosismo sem sua exibição.

Uma luz se acendeu no terraço com piso de pedras recobertas de uma pequena camada de musgo. Pensava em que o escuro completo não iluminaria seu caminho por entre as barcas. O tempo foi passando e ele ali parado, roendo as unhas. Já ao final da noite, próximo ao nascer do sol, decidiu que deveria mudar tudo. Não poderia ir embora antes de sua musa. Virgilio talvez o acompanhasse nas primeiras barcas, mas a principal delas somente poderia ir com Beatriz. E, num discurso semelhante ao proferido por Scarlett O’Hara, manifestou seu desejo de se livrar de seus desenhos todos e buscar a felicidade numa nova fase. Uma fase em que se sentia novamente jovem, com seu fôlego igual ao de um atleta olímpico. E no pequeno rádio tocava uma velha música conhecida...

Let's dance in style, let's dance for a while
Heaven can wait we're only watching the skies
Hoping for the best but expecting the worst
Are you going to drop the bomb or not?

Let us die young or let us live forever
We don't have the power but we never say never
Sitting in a sandpit, life is a short trip
The music's for the sad men

Can you imagine when this race is won
Turn our golden faces into the Sun
Praising our leaders we're getting in tune
The music's played by the mad men

Forever young, I want to be forever Young
Do you really want to live forever?
Forever, or never 

Forever young, I want to be forever Young
Do you really want to live forever?
Forever Young (...)


Forever Young - Alphaville (1984)

abril 01, 2010

Oh! Dúvida cruel...

Escrevi a pouco que a arquitetura dos japoneses do SANAA, ganhadores do prêmio Pritzker deste ano, parece ter uma influência de Mies van der Rohe. Mas acabo de pensar na obviedade de que Mies teve uma grande influencia da arquitetura tradicional japonesa. E agora? Oh! dúvida cruel! O óbvio é que tanto a tradição japonesa como sua leitura utilizada por Mies dão a resposta a esta produção. Isso parece óbvio demais... Acho que estou sem ritmo para escrever – e principalmente sobre a arquitetura.

Na verdade, eu não sou um profundo conhecedor da obra de Mies van der Rohe. Acho que passei tempo demais com Frank Lloyd Wright... ou Alvar Aalto. Na verdade esta arquitetura não me seduz tanto, mas, sou obrigado a dizer que a transparência e quase diluição do confinamento entre o interno e externo me faz ter várias idéias até hoje.

Tempos atrás soube que havia certa ligação entre a arquitetura de Fernando Távora e os escandinavos, tendo em Aalto uma das influências. Escrevi por aqui a respeito. Estas pequenas confluências arquitetônicas são mais do que normais e, acima de tudo, demonstram a liberdade expressiva da criatividade. Nestas horas não há dúvida alguma. A liberdade de se poder utilizar de conceitos para criar algo novo é simplesmente maravilhoso.

março 31, 2010

Pritzker Prize 2010

Acabo de saber dos ganhadores do prêmio Pritzker deste ano, os japoneses do SANAA, Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, dos quais não conheço nenhuma obra. Para ser mais exato, nos últimos tempos ando muito ocidental e, com a distância da faculdade, onde adorava folhar as revistas japonesas, fui ficando cada vez mais distante do que se faz do outro lado do mundo.

Mas, para serem ganhadores do Pritzker, sua obra ou é de uma forma bastante singular, como a de Zumthor, vencedor do prêmio ano passado, Paulo Mendes da Rocha, ganhador de 2006, ou Glenn Murcutt, ganhador de 2002, ou é de conhecimento mundial, como a de Renzo Piano, ganhador de 1998, ou Jean Nouvel, ganhador de 2008 (lista aqui).

Ao olhar as fotos no site oficial do Pritzker, notei que a produção do SANAA é bastante recente. Lembrou-me referências de Mies van der Rohe. Bem, Mies é uma grande referência para qualquer arquiteto que trabalhe com a transparência dos vidros, por sinal muito bem trabalhado pelos arquitetos. Como sempre o Pritzker apresenta uma produção arquitetônica de qualidade única.

março 24, 2010

Este ano tem Copa do Mundo...

Este ano teremos eleições e Copa do Mundo. Será que vou me encher dos dois? Muito provavelmente. Já ando meio entediado com a política e sem muitas emoções nos esportes. Se não fossem os livros e a música, mais perenes que qualquer outra atividade intelectual, estaria eu no cotidiano assunto de botequim: futebol, política e televisão. Cinema já algo elitizado demais...

Mas Copas são sempre Copas. Há emoção sempre em “ganhar”. Afinal o tal do “Hexa” é realmente importante para “a nação brasileira”... Curtir é uma coisa; usar de politicagem mixuruca para dizer que a próxima Copa será no governo do Serra é outra. Opa, falei do Serra? Pois é... Para o Lula, ganhar o Hexa é mais importante que ganhar a Copa no Brasil; ou melhor, fazer com que a Copa e a Olimpíada aconteçam no Brasil.

Lendo outro dia uma coluna do Sergio Teperman na AU, ele comentava sobre a impossibilidade de se fazer uma Olimpíada no Brasil. Mas exatamente, ele falava da força que terá que arrumar a cidade do Rio de Janeiro. Pois, Olimpíada não é bem no Brasil, mas no Rio de Janeiro. A Copa não; serão construídos elefantes brancos em vários estados brasileiros... Bem, que venha a Copa. Os problemas também virão. E as vantagens? Sim, as vantagens de sediar um evento dessa magnitude! São tantas que até hoje o Rio de Janeiro não fez o balanço do Pan-americano de 2007...

março 23, 2010

Ainda me acostumando...

Não ando tendo tempo para apreciar as novas mudanças do site e do jornal impresso do Estadão. Ainda estou me acostumando. Acho que não gostei muito do novo desenho, mas com o tempo nós nos acostumamos, não é? Acho que as coisas duram muito pouco tempo hoje. Não faz tanto tempo que o mesmo site fora remodelado. Não entendo isso. Muda, muda e sempre tem gente insatisfeita... Quem me dera ser somente um insatisfeito... Mas pelo menos os links não mudaram. Detesto quando tenho que atualizar os meus favoritos... E os meus links dentro dos textos do blog. Bem, atualmente eu já me perdi todo por aqui. Nem sei o que está ou não atualizado. Só sei que sites que lia muito antes, depois das reformulações, simplesmente deixei de ler. Com o Estadão será difícil. Tenho o jornal como referência desde há muito tempo. Bem, que o Estadão continue trazendo boa informação cultural. É, tem que se levar em conta que somente leio o Caderno 2 e o caderno de Esportes... Se o jornal fosse vendido aos pedaços eu só compraria estes dois. (Mas tem a página 2 do Primeiro Caderno! Aquela que a cada duas semanas tem um artigo do Fernando Henrique Cardoso, aos domingos... é, pelo visto o jornal é como um garimpo: você vai descobrindo uma pepita aqui, outra ali; mas no geral é muita terra e areia...).

Expedições pelo Mundo da Cultura 2010

Estava escrevendo na outra postagem falando sobre a ansiedade de ler Moby Dick, justamente por ter sido o primeiro livro do curso Expedições pelo Mundo da Cultura deste ano. O primeiro encontro foi dia 13 de março, e por um monte de motivos não pude comparecer. Bem, estarei lá para o próximo encontro. Os outros nove encontros serão:

Prometeu Acorrentado, de Ésquilo;
Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister, de Goethe;
Ilusões Perdidas, de Balzac;
O Mercador de Veneza, de Shakespeare;
Terra Desolada, de T. S. Elliot;
Eumênides, de Ésquilo;
Um inimigo do Povo, de Henrik Ibsen;
O Rinoceronte, de Ionesco; e
Tristão e Isolda, com inserção da ópera de Wagner.

Bons livros na banca...

A Editora Abril lançou uma série de livros contendo títulos clássicos de várias épocas, com uma capa luxuosa e boa impressão, além de boas traduções. O primeiro da série são os dois volumes de Crime e Castigo, de Dostoievski. Ao todo são trinta livros, contendo as maiores obras da literatura mundial. Alguns títulos são repetições de outras coleções, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Já estão nas bancas até o quarto volume, o já citado Memórias... Estes vão me acompanhar nos próximos anos, já que é muito difícil ler em uma semana alguns dos títulos. Estou ansioso por começar, e ainda não sei por qual. Já dei uma boa lida em O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Mas estou mesmo esperando Mody Dick, de Herman Melville. Faltariam a esta coleção as outras duas partes da Divina Comédia, de Dante; Eça de Queiroz, com O Crime do Padre Amaro; Dom Casmurro, de Machado de Assis, e, claro, Ilíada, de Homero, pois está contemplada a Odisséia. Sempre faltará algum livro... Deve ser a maldição das listas, coleções, etc.

fevereiro 18, 2010

Encontrando algum caminho...

Já era de se esperar que neste quarto ano de blog (isto mesmo, iniciei em 2007 as postagens neste espaço) eu já tivesse um caminho arquitetado. Mas não. Ainda não tenho nada. O trabalho me impediu por vezes de levar a idéia de um mestrado mais a fundo e passei por inúmeras disciplinas na FAU-USP como aluno especial, sem nunca conseguir finalizar os projetos de pesquisa. Por um lado foi muito bom. Hoje meu projeto parece mais maduro e mais que tudo, tenho um monte de informações adicionais. E mais uma vez o trabalho toma mais tempo, me impedindo de expandir ainda mais minhas pretensões intelectuais. O lado bom, outra vez, é que a cada tempo tenho firmado mais idéias e descrito mais histórias e temas por aqui. O que me leva pensar a cada tempo em o que este blog ainda pode se tornar.

Não tenho pretensões exageradas e muitas vezes fico feliz de não ter “um milhão de leitores”. Já pensou, todos eles analisando as minhas contradições existenciais? E claro, sei que muita gente não entende e nem vai entender o que faz um arquiteto gostar de literatura, de música e escrever tão pouco sobre arquitetura. O mais importante é que a “área de formação” não é a dedução fácil da “condição humana”. Ter e fazer muitas coisas ao mesmo tempo é ótimo. Se as pessoas não entendem, problema delas... Uma hora as coisas se alinham e acaba por apresentar as qualidades intrínsecas dos muitos estudos que tenho feito. É logicamente um trabalho sem começo, meio ou fim, mas de uma forma sincera e fácil de perceber que se trata de um único tema: cultura. Cultura pop, cultura arquitetônica, cultura filosófica, cultura literária... Nada melhor do ler algo e colocar um pequeno registro. Dividir com quem me conhece ou me lê um pouco do meu dia-a-dia, das minhas aflições, dos meus credos. Este meu “jardim de aflições” é o resultado de muitos anos de estudo, e que representam só um começo, um início. Muito há de se estudar e de se conhecer...

Deveria eu entrar numa luta? Não sei... Até hoje fico a pensar que devo estar muito mais fortalecido para entrar num combate de “idéias”. Vejo muitas “idéias revolucionárias” circulando nas mentes das pessoas que me dão calafrios. Mas como entrar numa guerra sozinho? Cada vez que me lembro disso penso imediatamente no escritor (e médico) Moacyr Scliar e seu já clássico livro O Exército de um homem só. O ideal daquele homem (o personagem do livro), que dá calafrios em qualquer leitor, passa a ser o “grupo dominante” (ou seria grupo ruminante?). Pois bem, eu não entrarei em batalha alguma, mesmo tendo já uma boa base e uma bibliografia muito superior ao “inimigo”. Afinal este é um blog de cultura, como escrevi acima, e não mais um palco de batalhas ideológicas, principalmente quando estas idéias estão do “lado esquerdo da força”...

fevereiro 17, 2010

Passeando por algumas bandas dos anos 1970...

Quem viveu os anos 1990 lembra que havia muita celebração em torno de bandas dos anos 1970. E muita música boa foi produzida naquela década... Para ser exato vou falar aqui de algumas bandas que não são destaques, ou melhor, não são as bandas mais comentadas daqueles tempos. São bandas conhecidas, óbvio, nunca fui um “caçador de raridades”. Mas, as músicas que falo abaixo, acabei por conhecer sem querer.

Vou começar com o Nazareth. Não tenho grandes coisas a falar deles, mas que muitas de suas músicas até hoje me fazem “ouvir música de uma forma diferente” (citando Zeca Camargo de memória).

“(...) Mama, mama, please no more jaguars
I don't want to be a pop star
Mama, mama, please no more deckhands
I don't wanna be a sailor man
Mama, mama, please no more facelifts
I just don't know which one you is
Mama, mama, please no more husbands
(I don't know who my daddy is)


It's a holiday, it's a holiday”

Holiday – Nazareth (1980)

Na verdade, começo com uma faixa de 1980, do álbum Malice in Wonderland, mas é incrível como soa igual ao Nazareth dos anos 1970. Esta música não fazia parte do “vinil” (isso, no começo dos anos 1990 ainda havia muitas lojas de vinil usado) Greatest Hits, o primeiro registro que ouvi do Nazareth. Era um disco comum nas lojas e acabei por emprestar de um amigo, gravando numa fita K7 o álbum todo.

Existia um precedente, que já comentei aqui, de uma fita K7 com a música Hair of the Dog. Mas o primeiro registro mesmo foi aquele vinil. Com as músicas (baladas) Love Hurts e Sunshine, ao lado de Hair of the Dog, o disco era muito bom. Nunca li e nem ouvi ninguém falando que Nazareth é a banda preferida, ou algo parecido, mas é uma banda competente e que tem muita música boa em muitos discos... Poderia dizer que é um tanto irregular sua produção musical. Talvez seja este o motivo da banda nunca ter sido colocada entre as grandes bandas dos anos 1970.

O Bachman-Turner Overdrive foi também daquelas bandas que quem viveu os anos 1970 conhecia bem, mas nos anos 1990 pouca gente falava a respeito. Hey You! era a música mais conhecida, por sinal também estava naquela fita K7, ao lado de Hair of the Dog. Mas a música que quero registrar aqui é Rock is my life, and this is my song, do álbum Not Fragile, de 1974.

“(...) When we come into a new town
Everybody's there
When we play our music
Hand are in the air
When the musics over
You wonder where we are
I'm standing in the silence
With my old guitar (...)”

Rock is my life, and this is my song – Bachman- Turner Overdrive (1974)

Com esta música que minha falta de percepção em entender o que é uma música lenta começou... Para mim, era esta uma música lenta...

Não é este um texto com profunda vocação ao passeio pelos anos 1970, mas é sim um texto sobre como desenvolvi um gosto musical praticamente isolado dos padrões daqueles anos 1990. Uma tentativa por palavras para descrever um tipo de música que nunca li ou soube que alguém mais gosta, além de mim. Não deixo de gostar de outras tantas bandas, como já falei neste espaço. Nem por isso deixo de expressar que há muita música de boa qualidade no mundo, que em momentos passa como “desconhecida”.

fevereiro 11, 2010

Deutscher ist meine Sprache!

Na verdade nem sei se a frase acima está certa, gramaticamente. Até agora tive duas aulas de alemão e uma de francês e inglês. Mas estou gostando muito das aulas de alemão. Não sei dizer, mas me parece tão familiar... Acho que sou um alemão...

A cultura alemã, aquela que pouca gente conhece, me fascina um bocado. Mais ainda em saber que um de meus bisavôs veio daquelas “terras médias”. Gosto de cerveja. Gosto de vinho (branco). Gosto de salsichas e de um monte de coisas alemãs deliciosas, cuja lista seria realmente grande. Muitos autores alemães me interessam muito. Mas (sempre tem um “mas”), há sempre um idiota para falar de Hitler, sem lembrar que ele era austríaco.

No livro de Eric Voegelin - Hitler e os Alemães - há uma grande exposição de idéias que mostram que o povo alemão e Hitler nada tem a ver. E Voegelin era austríaco, o que, no fundo, também não tem nada a ver. Não é um livro que conheço profundamente para poder falar mais sobre ele. Está na minha lista de estudos... e vai demorar para lê-lo (é a vida).

A Alemanha que eu admiro é a Alemanha moderna, pós-Muro de Berlin, unificada. Como sempre me falam que “há coisas horríveis lá”, eu também sei que há “coisas horríveis” em qualquer lugar do mundo. Entre olhar do copo com água pela metade, eu prefiro dizer que está metade cheio a metade vazio.

Bem, o que importa é apreender os princípios de novos idiomas. E vou eu escrevendo mais sobre quase nada...

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...