junho 30, 2009

O século XX acabou mais um pouco

Desde o ano da “virada”, entre 1999 e 2000, falamos de um novo milênio, um novo século. Mas tudo ainda estava ainda preso ao período anterior: o século XX... Na música ainda se fazia um misto de recordações dos anos 1960 e 1970, e pouco tempo depois se iniciou aquele período que dura até agora, de recordações daqueles anos 1980. Foi deste período que atualmente ressurgem aquelas canções e bandas, daqueles “anos perdidos”. Tanto no Brasil quanto no exterior foi um momento de exagero, daquilo que já era exagerado nos anos 1970, piorado em muito nos anos 1980. E o principal ícone destes anos 1980 era Michael Jackson, morto na semana passada, aos 50 anos de idade.

Fez carreira de sucesso nos anos 1970, com seus quatro irmãos no grupo Jackson 5, onde, inegavelmente, tinha maior carisma. Um talento que pode ser comprovado pelas inúmeras homenagens que ocorreram desde quinta-feira, 25 de junho, data de sua morte. Dentro de sua discografia, não numerosa, são dez álbuns desde seu primeiro em 1979, destacam-se os dois álbuns Off the Wall (1979) e Thriller (1982), este último simplesmente o álbum mais vendido de todos os tempos. E dificilmente algum outro artista conseguirá repetir este feito. Thriller também inicia uma nova fase, tanto na carreira de Michael, como na história da música ao fazer superproduções para seus videoclips. Ao inventar aquele passo, o Moonwalk, apresentado pela primeira vez em 1983, torna-se além da música uma personagem do mundo da dança, imitado e referenciado inúmeras vezes no cinema. Não à toa sendo considerado o Rei do Pop. Sobre sua vida após o final dos anos 1980, envolta a excentricidades, não tenho muito a acrescentar e ainda há muitos mistérios, talvez nunca revelados. E nunca mais ressurgiu aquela veia criativa daqueles primeiros anos, com uma carreira que se arrastava pelo menos nos dez últimos anos. Reinaldo Azevedo escreveu o melhor texto para retratar o que sentia Michael Jackson em seu interior. Foi mais um momento que terminou deste século XX que tantas personagens correram o mundo; na música, na política, na religião. Não sei se em algum momento trouxe uma mensagem ao mundo, mas a morte de Michael Jackson é mais uma vez um fim para século XX.

A Enigmática não é ficção...

A segunda vez agente nunca esquece...

Cabelos negros e curtos. Nem tão curtos. Uma postura incrível, ereta, corpo perfeito. Dançava a noite inteira, em movimentos discretos. Aquela saia cumprida, pouco além dos joelhos, tão negra quando a blusa que vestia. A pele branca, muito branca; delicada e bem tratada. Um contraste incrível, que até o mais desavisado prestaria atenção. Não sabia que já a havia visto antes. Fora em seu trabalho e a sua simpatia e beleza teriam que ter sido inesquecíveis. Mas foi naquele dia que soube seu nome. Na segunda vez. Inicialmente achei que falava francês... Será o nome francês? Não lembro. As visões daquele diz parecem estar confusas. Mas seu sorriso e o convite meio truncado não saem da memória. Conforme nos conta o bruxo, nem sempre o que deveria ser é. Ou melhor, foi. Talvez seja um dia. Mas a segunda vez agente nunca esquece... Os olhos castanho-escuros e o convite para seu aniversario naquele bar de motivos temáticos dos anos 50 não saem da minha mente. Nem o fato de não ter ido. Naquele dia todos pareciam ter somente olhos para ela. Mas eu fui o único a conversar e ouvir aquela voz. Tudo na esperança de uma terceira vez.

junho 29, 2009

Micro Ondas

Mais um micro conto.
*
Nas ondas daquela lagoa eu me arrastei. Eram enormes, maior do eu. Estava sempre ali na beira prestes a entrar, mas algo me dizia para primeiro aprender a nadar. As ondas sempre batiam nos barcos ancorados. Eram enormes os barcos ancorados. Do outro lado da ilha as ondas eram maiores ainda. As dunas de areia e a cor verde do mar eram diferentes da lagoa do centro da ilha. Tudo era tão grande. As dunas eram gigantescas, tal qual o Everest. Eu tentava me equilibrar e caia muitas vezes naquela partezinha de areia entre os barcos. Detestava. Era meio suja. Não era mole tanto quanto as areias das dunas e do mar verde, onde o vento também me derrubava. Mas lá parecia que a mulher de Zeus pousava suas mãos a me segurar; sentia-me protegido, como se aquela presença feminina estaria lá para todo o sempre.

Certa vez rolei pela duna. Eu e aquela mulher. Ela conduziu aquela pequena prancha verde, preta e amarela, com aquela imagem gravada; uma imagem masculina, porem de cabelos longos encaracolados. Era um dia de muito sol e havia em meu rosto uma pasta branca. Meus braços e minhas pernas eram roliços. Dormi outra vez envolto em seus braços, ao zumbido daqueles ventos. As lembranças são poucas desse tempo, não passando da mulher, dos barcos e do mar verde.

Hoje, vinte anos depois, já com vinte e dois anos de idade, olho para os barcos e eles são tão pequenos. As ondas hoje não passam da minha perna magra, mas continuam verdes, assim como a brisa ainda sopra com força. E nunca soube quem era aquela mulher, que parecia ter vindo de Atenas. De pele branca como as areias das dunas, era também macia e quente. Agora havia mais pranchas lá, nas mesmas dunas, que se mexem e parecem me perseguir. São verdes, pretas e amarelas, com a bela imagem gravada, que para mim não passa do primeiro a ter vida saindo de uma prancha, ainda a cantar Get up, Stand up... Stand up for your rights... Mas a mulher permanece misteriosa. Um mistério, assim como o que transformou em micro ondas aquele maremoto da minha infância. Um dia reapareça e dirá seu nome...

junho 28, 2009

Um sonhador

Hoje vou falar de algo totalmente inusitado. Certa vez estava falando sobre músicas no geral e alguém chegou ao tema da música sertaneja. Não sei nem ao certo como foi que escutei este disco, provavelmente não foi em casa, mas algumas estruturas musicais chamavam atenção. As letras também diziam algumas coisas, outras nem tanto, mas as rimas pareciam muito boas. Depois soube que se tornou um “clássico” do universo sertanejo, justamente por ser o último disco da dupla Leandro & Leonardo, que ao contrario de João Paulo & Daniel, fizeram enorme sucesso em praticamente todas as classes sociais no começo dos anos 1990. A carreira de Leonardo posterior a morte de seu irmão Leandro nunca chegou ao mesmo sucesso. Este disco possui algumas músicas que o cantor Leonardo diz que não podem faltar em seus shows. No caso de João Paulo & Daniel, a carreira posterior de Daniel é de um sucesso muito maior, hoje ele “substituindo” Sérgio Reis em papéis na televisão e no cinema, em suas novas versões.

Não tenho nenhuma simpatia pelo ritmo e nem muito menos pela moda que o consagrou na década de 1990 como um dos mais populares, mas em muitos casos, principalmente no interior é música de sucesso, ou simplesmente a música dominante. São daqueles regionalismos do qual não se tem noção sendo morador do maior centro urbano do Brasil. Assim como também já me falaram que no nordeste há bandas e músicos de enorme sucesso que são desconhecidos por aqui, no sudeste. Tenho que falar do meu ponto de vista, já que não posso supor o sucesso de algo que não tenho contato e nem muito menos tenho simpatia. Ou seja, este é um pequeno e despretensioso texto pautado na produção musical e nas letras que o disco disponibiliza, já que não consigo mensurar o sucesso que este disco possa ter.

“Eu não sei pra onde vou
Pode até não dar em nada
Minha vida segue o sol
No horizonte dessa estrada
Eu nem sei mesmo quem sou
Nessa falta de carinho
Por não ter um grande amor
Aprendi a ser sozinho”

Um Sonhador – Leandro e Leonardo (1998)
A faixa título já dá o ar das letras que mesmo sendo bastante abstrata trata bem do tema. Já certa vez falei aqui sobre as palavras, que nem sempre se consegue dizer o que quer com elas. Talvez seja este o grande mistério da poesia, que pode dizer tudo ou nada, dependendo de todos os sentimentos que cercam aquele universo. Quando musicadas, às vezes, as palavras ganham uma dimensão muito interessante, e, este disco em especial, acaba por ser um daqueles casos em que a seqüência das músicas e a repetição dos refrões parecem se comunicar. De certa forma a música sertaneja tem seu sucesso nos refrões simples e na perfeita mistura entre temas cotidianos de observação assim como certas amarguras de amor, como no caso da faixa título que tenta trazer um universo solitário, onde na cadencia da melodia e no trabalho de vozes tornam esta música muito maior do que até mesmo os autores imaginavam. Não sei quem produziu o disco, mas fez um trabalho muito bem feito, com timbres bons dos instrumentos, além de trabalhar sonoridades para que o fundo do disco não ficasse seco, dois fatores comuns nos discos tanto de axé quanto de sertanejos. Realmente se um dia tiver o leitor de escolher um disco de música sertaneja, opte por este. Existem outros trabalhos muito bem produzidos, caso recorrente da dupla Zezé Di Camargo & Luciano, que também não tenho nenhuma simpatia. Obviamente eu já escrevi aqui sobre o que me conduz em minhas opções musicais e normalmente tenho que recorrer a ele.

Sem lógica; ou melhor, que medo!

Sempre quis falar sobre o Mackenzie. Mas nunca tive, como dizer, uma oportunidade, ou um tema, que não fosse tendencioso ou que não soasse um pouco de petulância. Mas recebi um comentário em que não entendi absolutamente nada. Comparava alhos com bugalhos numa falta total de lógica. Primeiro que o meu texto era um tanto quando polido, como todos que aqui posto; pois, pode não estar escrito na apresentação, mas a primeira questão aqui levada à máxima potencia é a polidez e o simples desprezo por mal educados. Comentários mil já foram jogados fora e não obtiveram resposta alguma de minha parte, principalmente por não entrar de forma alguma em debate algum de natureza nenhuma. Tem gente demais discutindo o mundo hoje... É simplesmente a minha opinião, se é contrario, escreva educadamente e não haverá nunca uma réplica ou resposta. Minha maior contribuição é justamente refletir e não debater. Mas este comentário que recebi é próximo do descabido. Leiam:

Prezado Fernando,
Você quer perder seu diploma de arquiteto e urbanista?

Á princípio, pelo prezado, parece ser polido. Mas ao tratar de comparar algo que encontra no meu próprio texto resposta, fiquei preocupado (pela primeira vez exponho aqui). A postagem que se refere o comentário é Adeus a obrigação do diploma! onde trato polidamente sobre o final da obrigação do diploma de jornalista para exercer a profissão, defendida na carta maior brasileira, a Constituição, que neste ano faz 21 anos de idade, e era ainda uma das heranças do Período Militar de Exceção, a chamada Ditadura. Artur da Távola, como deputado constituinte lutou para atender estes anseios da liberdade de imprensa, entre outros, além de que desde 2006 já não havia a obrigação, consolidada pelo STF recentemente, conforme link na mesma postagem. Esta tudo lá, com fontes e tudo, além de depoimentos que poderia ter sobre os jornalistas que leio. Aliás, aqui nem precisaria ir aos principais, mas só colocaria que não faço idéia da formação do Zeca Camargo, mas com certeza, com ou sem diploma de jornalista continuaria a ler o que escreve e o acompanharia da mesma forma no Fantástico e No Limite (quer dizer, este novo projeto talvez não por se tratar de reality show, que não sou lá muito amigo). Continuo a ler o Marcos Guterman, formado em Jornalismo talvez na melhor escola de jornalismo, a Cásper Líbero. Assim como também continuo a ler o Daniel Piza, formado em Direito, e trabalha desde o começo dos anos 1990 como jornalista, e também continuo a comprar seus livros. Continuo a ler também o Reinaldo Azevedo, que tem diploma de Jornalismo e de Letras, porque escreve muito bem. Nada mudou.

Talvez a birra esteja na possibilidade de um arquiteto escrevendo sobre a não obrigação de diploma de outra área. Área esta que posso dizer não contribui na divulgação e discussão da arquitetura brasileira. E isso posso cobrar dos caros jornalistas; dos com ou sem diploma da mesma forma.

Agora, a comparação com o diploma de Arquiteto e Urbanista é descabida demais, para qualquer que seja a formação do autor do comentário. No meu texto esclareço: “Não se podem confundir uma profissão orientada por uma Ética com uma profissão onde pode haver danos irreparáveis para a sociedade e ao ser humano, como os recentes exemplos das cirurgias plásticas em clínicas clandestinas ou sem médico especializado.” Ou seja, compara alhos com bugalhos. Mas, ao insistir nessa comparação, tendo a falar um pouco do Mackenzie. O Mackenzie foi fundado em 1870, e foi a segunda Faculdade de Arquitetura do Brasil. Tem uma tradição, como se pode notar no mercado de trabalho, muito além de outras faculdades. E teve durante o tempo em que as faculdades de arquitetura e engenharia eram juntas o diploma de engenheiro-arquiteto, que, com a divisão das faculdades em 1947, sendo a primeira faculdade de Arquitetura do estado de São Paulo, a dissolução deste diploma. Mas os formados com este diploma, nunca “perderam” seu diploma. Inclusive, se vivo ainda estiverem, trabalhariam da mesma forma. Este era o diploma de Oswaldo Arthur Bratke, um dos maiores arquitetos brasileiros, que se formou no Mackenzie nos anos 1930 e trabalhou até o final de sua vida nos anos 1990. Se o autor tivesse o mínimo conhecimento disso, saberia, que, por exemplo, o jornalista Cásper Líbero (1889-1945) conhecia de perto esta história tendo se formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco... Ou seja, ao falar de tradição universitária, posso dizer que o Mackenzie e sua Faculdade de Arquitetura parecem ter uma história um tanto quanto mais profunda do que qualquer curso de Jornalismo no país, inclusive o da própria Universidade Presbiteriana Mackenzie... Por isso já seriam alhos com bugalhos, e sem lógica alguma a comparação. Isso porque ainda poderia perguntar qual o papel da imprensa durante a idade média, ou no Império Romano, só para talvez colocar onde a categoria das artes e ofícios se coloca como real produtora da História Mundial. Entendo que é informação demais para quem defende um artigo da Ditadura Militar (1964-1985).
Mas o pior de tudo é que parece não ter sequer lido meu polido texto até o final. Se o leu, o leu muito mal, o que me deixa preocupado. Preocupado porque em nenhum momento falei em perder o diploma. De onde poderia vir tal aberração? A não obrigação não afeta os cursos, conforme escrevi: “Agora dizer que o diploma de jornalista não é necessário, não quer dizer que o curso deva desaparecer, mas é necessária revisão educacional no curso.” Esta revisão é feita o tempo todo nas áreas de informática, administração e até mesmo (com certeza com menos dinamismo) nas áreas de engenharia, tecnologia e arquitetura. Agora pergunto: você leria um jornal feito por não jornalistas? Se fosse bem escrito, por que não? Agora você se consultaria num feiticeiro e marcaria uma cirurgia plástica com ele? Ou construiria um edifício de 111 andares com um arquiteto ou engenheiro sem formação? Uma categoria de artes e ofícios, assim como categorias superiores, tais como a Medicina e o Direito, tende a carregar consigo conhecimentos específicos demais para que um não iniciado possa revelar ter. E isso não é de hoje. Se possuísse o autor do comentário o conhecimento sobre as artes liberais do trivium e do quadrivium, e sobre as artes superiores, com as titulações de doutores em artes liberais, saberia de onde vem este atual sistema de titulações. Por sinal o mundo não foi criado no século XX e a tradição normalmente foi o maior incentivo a transgressão e a liberdade. Entendo que normalmente um curso acadêmico como o de arquitetura, onde há um ofício a ser aprendido, é de difícil entendimento aos não acostumados a pensar numa cultura um pouco maior que o século XX.
E pela primeira vez respondo a um comentário em meu blog... Como dá trabalho... Poderia estar falando sobre cinema, televisão, arquitetura, matemática, filosofia e comportamento, ao invés de, plagiando Reinaldo Azevedo, dar aulas de Massinha I... E mais: acabei de lembrar que o arquiteto Zanine Caldas não tinha diploma de arquitetura, assim como, se não me engano, Tadao Ando também não. E quem falaria um “a” sobre isso?

Brasil tricampeão da Copa das Confederações

Numa partida que poderiam ser duas, pois no primeiro tempo perdia por 2 x 0 e no segundo tempo se consagra campeão com 2 x 3, sendo dois gols de Luís Fabiano e um de Lúcio, terceiro título da Copa das Confederações. O ponto mais inacreditável é que Dunga, tetracampeão de 1994, se mantém no cargo com mais um título. Acompanhei por aqui a partida, postando quatro vezes sobre esta final de hoje (1, 2, 3 e 4). Estava preocupado com uma derrota tal qual a de 1999, em que o então técnico Emerson Leão perdeu seu cargo com a derrota na final para o México. Não foi um jogo fácil, mas ao passo do gol de Luís Fabiano, aos 39 segundos do segundo tempo, o Brasil retoma a confiança para a vitória. A participação de Robinho em todos os jogos que assisti foi abaixo do esperado. Por incrível que possa parecer, a seleção brasileira parece estar mal justamente por falta de ataques.

Bem, parece uma nova época mesmo no futebol. Uma época em que goleiros começam a ser estrelas, como Julio Cesar; os Estados Unidos chega a uma final de campeonato no futebol; Dunga, grande jogador e capitão da seleção de 1994, sem nenhuma experiência anterior como técnico já conseguiu mais títulos na seleção brasileira que Wanderlei Luxemburgo, um dos técnicos com mais títulos no futebol brasileiro (aqui)...

Luis Fabiano: o nome do jogo!

Aos 39 segundos fez o primeiro gol. Acaba de fazer o segundo, aos 28 minutos do segundo tempo, depois da entrada de Daniel Alves e Elano, depois de um gol não considerado...

39 segundos...

Luis Fabiano diminui... 2 x 1 até o momento... E dizer que a Copa das confederações não emociona...

Boca Maldita!

Até agora os Estados Unidos vencem de 2 x 0... Mais uma vez o Brasil se deixa levar por uma seleção menor (a outra vez foi contra o México em 1999).

Copa das Confederações: a final...

Hoje é a final da Copa das Confederações, onde Brasil e Estados Unidos farão a final. Deste campeonato todo, do qual assisti mais jogos da seleção dos Estados Unidos que até mesmo do Brasil, acabou por dar uma zebra na final: os Estados Unidos! Passaram na semifinal pela Espanha, considerada a melhor seleção do momento, ganhando ainda de 2 x 0. África do Sul, na mesma semifinal, perdeu para o Brasil num gol emocionante de Daniel Alves aos 43 minutos do segundo tempo, e o técnico Joel Santana não conseguiu a superação... O detalhe: Daniel tinha entrado em campo fazia 5 min. Dos outros times nada tenho a falar, além do Egito, que jogou razoavelmente bem, porem não se classificando. As duas grandes zebras foram a África do Sul e os Estados Unidos, se classificando junto com o Brasil e a Espanha para as semifinais. O Iraque, assim como a Nova Zelândia, nem sequer assisti aos jogos, para saber se poderiam ser melhores ou piores que o time da casa. Foi uma surpresa os Estados Unidos se classificarem, tendo no mesmo grupo Itália e Egito. Porém, depois do jogo com a Espanha, o Brasil que se cuida na final... Será a primeira vez que os Estados Unidos podem ganhar qualquer coisa no futebol...

junho 25, 2009

Na livraria...

Ao passar pela Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, acabei por me deter em uma porção enorme de livros. O principal lançamento destes últimos tempos foi o livro de João Pereira Coutinho, Av. Paulista. Ainda não posso dizer nada do livro que é a reunião de crônicas escritas para o jornal Folha de São Paulo. É a reunião em forma de livro daqueles textos que passaram pelas páginas do jornal nestes últimos anos. Já tinha saído em Portugal e agora chega ao Brasil. Não é uma fórmula nova, já que este tipo de reunião, organizada pelo próprio autor, é bastante recorrente nestes últimos tempos. No passado se esperava pela morte do autor e faziam aquelas antologias enormes, em volumes. Acho esta fórmula muito mais interessante, já que trata de organizar também o pensamento do autor. Quando acabo por destacar este livro primeiramente, o trato por minha vontade em ler mais sobre o João, que já escrevi alguma coisa por aqui. No terceiro volume da revista Dicta & Contradicta também tem um artigo de sua autoria. Quando nos interessamos por um autor, acabamos por conhecer tantos e tantos veículos em que este se apresenta...

Continuando meu passeio pela loja, não poderia deixar de citar os vários livros de Philip Roth, como Indignação, recém lançado no Brasil. São tantos títulos que nem saberia por onde começar a lê-lo.

Há também os relançamentos: Lygia Fagundes Teles com As Meninas e Antes do Baile Verde. Tenho enorme vontade de ler a obra de Lygia. As meninas fez parte da minha bibliografia para a FUVEST. Há também relançamentos da obra de Zelia Gattai, com Anarquistas, Graças a Deus. Ao contrário de Lygia não tenho muita vontade em conhecer toda a obra de Zelia. Tem horas que temos que escolher o que não ler. Assim como o relançamento de O Capital, algumas leituras vão demorar muito para me interessar. Como certa vez João Pereira Coutinho disse, como pode ago de 150 anos ainda ser “vanguarda”? Só entendo essa “vanguarda” quando penso no livro de Diego Casagrande, A Vanguarda do Atraso.

Fora destes embates políticos, que sangram na literatura brasileira, a literatura estrangeira tem seus best sellers de outras tendências. O caso mais espetacular do momento é justamente o de Stephenie Meyer e sua Twilight Saga. O quarto livro acaba de chegar às livrarias. Estive pensando justamente nesta demora para este lançamento. Não acompanho há muito tempo a série, mas em dezembro consegui os dois primeiros volumes, Crepúsculo e Lua Nova, a um preço bem interessante. Em janeiro foi o lançamento de Eclipse, ao mesmo passo em que Crepúsculo estava nos cinemas. Não assisti ao filme. E agora em junho lançam Amanhecer. Sempre gostei de histórias de vampiros, mas a de Stephenie tem um ritmo interessante, mas como Zeca Camargo escreveu certa vez sobre outro livro, mas que se aplica bem neste caso, a série poderia ter livros menores, mais compactos, cortando certas partes da história. Mas quem sou eu para falar de Stephenie Meyer? Conseguiu ela vender suas histórias por todo mundo. Tenho curiosidade em ler seu livro e ficção científica The Host. E por seu site parece ter uma visão do vampiro Edward num quinto volume sugerido chamado Midnight Sun. Basta esperar.

Quando se fala em Meyer sempre fica alguma comparação com o mestre do terror Stephen King. E sobre outra campeã de vendas J. K. Rowling. E ainda vou mais longe: Anne Rice. King ao falar de Meyer simplesmente parece deixar claro que não se interessou muito pela saga. Compará-lo com ela seria uma besteira, pois os livros de Meyer nada têm de mistério ou de terror; são livros de ação e de um romance que só poderia estar na ficção, mas com pitadas de outros autores, até com certa tendência a uma análise metafísica de Bella Swan. Já a escritora de já clássico Harry Potter, o menino mágico, é carregada de pequenos mistérios e de ação, de uma criatividade impressionante. Não acompanhei todos os livros e nem os filmes, mas é nítido que a inspiração da autora está nos contos lendários de origem celta e outras abstrações da idade média. Agora Anne Rice. Uma escritora que venho desde 2002 conhecendo pouco a pouco. Quando seu livro da década de 1970 foi transformado em filme nos anos 1990 – Entrevista com Vampiro – a legião de fãs de todas as histórias de vampiros se mobilizou para iniciar uma verdadeira cultura sobre o tema, que tem variações musicais, visuais e de comportamento, além das literárias. Neste caso Meyer seria uma extensão desta cultura; uma parte dela, um produto.

Talvez eu seja um grande entusiasta de culturas novas (o termo seria sub-cultura pop urbana). Pois da mesma forma que acho interessante, sem, no entanto, tomar partido além da leitura, existem outras sub-culturas que praticamente tenho pouco conhecimento, mas cada vez mais vem tomando conta das produções atuais. Os quadrinhos talvez sejam as que têm maior vertente, com os lançamentos da Marvel nos cinema, tais como X-Men, Homem de Ferro, Homem Aranha, ou mesmo no caso dos quadrinhos adaptados ao cinema como Watchmen e Sin City. Existe ali mais do que a simples especulação de uma ficção científica, há quase a criação de universos completos.

Voltando ao passeio pela livraria, parece que hoje os livros voltaram a ocupar lugar de destaque, não importando a temática. A área de DVD´s e CD´s parece estarem perdendo parte de sua presença, tão marcante nos anos 1990 quando surgiram no Brasil estas grandes livrarias, cujo termo em inglês parece ainda sem tradução: megastore. E o efeito disso é multiplicador. Não há quem hoje não saiba do valor da informação e da cultura, pelo menos dentro das classes que tiveram acesso mínimo. Inclusive, acho esta vertente dos HQ´s uma fonte incrível de propagação de cultura.

Pelé e Andy Warhol em 1977.
Daria para também iniciar um breve debate se esta facilidade de acesso acabou por banalizar a cultura e por baixar a o nível médio. Mas escapando disso e colocando como pré-condição que toda a vanguarda influencia um pequeno número de agentes, existe para mim ainda uma questão maior não resolvida: se algo que é elitizado e de vanguarda consegue ser popular e campeão de vendas? Esta pergunta me consome não somente quando faço um breve ensaio sem maiores pretensões como este, mas também quando busco questões profissionais ligadas a arquitetura. Logo nos primeiros anos de faculdade me impressionei muito com a obra de artistas da classificada vertente pop art, entre eles em especial com a obra de Andy Warhol, quando de sua obra exposta na XXIII Bienal de São Paulo, em 1996. Desde então já passei por fases em que gostava mais e em fases que gostava menos dessa vertente. Nos últimos tempos venho tentando ler a parte “acadêmica” desta vertente, como sempre, num trabalho entre curiosidade e busca de um caminho. Mas ainda não consegui chegar a uma conclusão. E ficam as questões.

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...