outubro 28, 2007

São Paulo x Sport e Corinthians x Figueirense

Bom jogo. O desespero do Sport do Recife era enorme. Fazia muitas faltas e na cobrança de uma delas batida por Rogério Ceni foi linda. Que gol! Já o pênalti desperdiçado por ele, assim dizer, foi bom para ele deixar o time ter um artilheiro cuja função não seja a de goleiro...

Bem, o Corinthians ganhou... Dessa vez foi no Pacaembu, contra o Figueirense. O jogo começou mal, com a cobrança de pênalti do Figueirense que converteu em gol. Mas Finazzi virou a disputa. Um pouco de respiro para a equipe do Parque São Jorge, que esta perto de disputar o título que o Palmeiras tem, de campeão da segundona... Ou então de copiar o Palmeiras no campeonato de 2006, que ficou em décimo quinto... Com o mesmo número de pontos do décimo sexto, o Fluminense.

O Pinóquio me persegue!

Não é que ontem estava virando os canais e cheguei a ver um pedaço daquele programa da TV Cultura, “Viola Minha Viola”, e lá estava uma dupla, que não faço idéia, com um sanfoneiro chamado Pinóquio. O rosto do rapaz é engraçado. Um tanto quanto feliz, diria. Aí, agora a pouco, estava passando de novo e o rapaz estava fazendo um “desafio de sanfonas” no Domingão do Faustão. Ele acompanhava a dupla que estava lá, que, segundo Faustão, era o Pavarotti da música sertaneja! Cada uma... E esse Pinóquio me perseguindo...

Como tudo isso aconteceu? Tudo culpa do Rogério Ceni. Estava esperando para assistir o jogo do São Paulo x Sport Recife.

São Paulo: Primeiro Pentacampeão Brasileiro?

O Esporte Espetacular de hoje fez uma enquete sobre quem seria o primeiro pentacampeão do Campeonato Brasileiro de futebol. As alternativas eram São Paulo e Flamengo. O Flamengo ganhou. Bem, são cinco times tetracampeões: Palmeiras, Vasco da Gama, São Paulo, Flamengo e Corinthians. E um tricampeão, o Internacional. Não acho que por causa do rolo do campeonato de 1987 possa haver dúvida de que oficialmente o título de 1987 é do Sport Recife e não do Flamengo. O oficial é o da CBF. Então acho eu o São Paulo Futebol Clube o primeiro pentacampeão brasileiro - 1977, 1986, 1991, 2006 e já matematicamente campeão em 2007.

O primeiro time a ser tricampeão brasileiro foi o Internacional (1975, 1976 e 1979). Continua até hoje (teve o rolo do campeonato de 2005, com o Corinthians)... Depois o segundo time a ser tricampeão e o primeiro a ser tetracampeão foi o Flamengo (1980, 1982, 1983 e 1992 – mesmo com o rolo do campeonato de 1987). Interessante que o Palmeiras e o Corinthians foram tetracampeões antes do São Paulo:

Palmeiras: 1972, 1973, 1993 e 1994
Corinthians: 1990, 1998, 1999 e 2005
São Paulo: 1977, 1986, 1991 e 2006.
Fonte: CBF.

Mas o São Paulo foi tricampeão antes dos dois.

Atualmente não é difícil dizer que o São Paulo é o melhor time do campeonato brasileiro. É também o que tem melhor estrutura para preparo de atletas. Ou seja, não existe lá muito segredo de como ser campeão, basta saber investir o dinheiro direito, sem “meter a mão”.

outubro 27, 2007

A parte III da mesma porcaria

Nada mais comum do que ver notícias sobre uma eventual mudança na Constituição Federal para abrir caminho para um terceiro mandato de Lula, já que o PT nunca seguirá minha opinião de fazer de Eduardo Suplicy seu sucessor. Nenhum novo nome saiu desses quase já cinco anos de mandado. Quer dizer, saíram vários: Freud Godoy, Marcos Valério e outros todos envolvidos em algum escândalo. Já nem sei por que ganhou em 2006... Imagina ter que agüentar até 2014. Bem, votos eles devem ter, afinal sempre desponta com boa popularidade nas pesquisas. Para um populista nada mais normal que popularidade. Em sua base de apoio estão José Sarney, Paulo Maluf (será que já saiu do hospital?) e mais um monte de nomes conhecidos, aparentemente nunca associados ao PT. E, lógico, os partidos de oposição sempre em briga para saber quem é o líder da oposição sem líder. Realmente eu acho que só existe o DEM como oposição e está em processo de formação das novas lideranças. Não é páreo para um confronto com o PT e sua base de apoio abrangente.

O fato de existir esta possibilidade de terceiro mandato não é ilegal, basta se ter uma proposta de emenda constitucional aprovada pelo Congresso, mas é estranha a uma democracia. Mas como sabemos que este povo quer da democracia a forma de acabar com ela, nada mais normal um terceiro mandado consecutivo. Em algum momento alguém tinha esta dúvida? Era só ver em que pé estão seus amigos Fidel Castro e Hugo Chaves. Nunca mais saíram do poder, desde que entraram. Olhe só, nem o General João Figueiredo quis ficar mais um ano, idéia defendida por Leonel Brizola em 1984, na época das “Diretas Já”. George Bush deve fazer seu sucessor e vai para casa em 2008.

Em cinco anos não vejo progressos nesse governo. Nada parece ter mudado a não ser a falta de vergonha na cara dos defensores do petismo. E isso eu já sabia que ia acontecer, mas o que eu não sabia que ninguém teria coragem de falar sobre o assunto. Particularmente eu não creio na hipótese de uma piora maior na estrutura do país. Numa transformação para uma república populista, daquelas bem latino-americanas típicas. Não à toa creio que o Brasil seja muito melhor que qualquer outro país da América Latina (o que não é lá grande coisa) e que seja visto como o verdadeiro imperialista para a Bolívia, por exemplo. No caso do Mercosul, se o Brasil liberasse todas as barreiras de impostos com certeza o benefício seria brasileiro, mesmo se não ocorresse a contrapartida argentina, por exemplo. É até engraçado ver esse quadro. Acontece que ser grande com uma cabeça pequenina é o mesmo que ser pequenino com uma cabeça grande. Mas numa hipótese de prosperar essa idéia antidemocrática de terceiro mandato terei que fazer de novo minhas malas e fazer um final Scooby-Doo... É a vida. Antigamente dizia aos aficionados em Cuba que deveriam se mudar para lá e não transformar o Brasil numa Cuba.

outubro 26, 2007

Manowar

Há coisas na vida que me deixam cada vez mais pensativo. O difícil é ver que aquilo que achava oportunidade não é nada mais que ilusão. Não digo uma ilusão daqueles que simplesmente forjam na cabeça, que não existem, não falo de miragem. Mas uma daquelas que para se implantar é necessária o “mau senso”. Aquelas horas que não que não me arrependa das escolhas, pois elas não são tão importantes (aqui vale um parênteses: são importantes sim, mas as que eu fiz não eram irreversíveis, e não eram exatamente por não acreditar em 100% nelas e sim curti-las... É muito complexo...), mas o que é a base vive sendo explodida por uma vocação para o “mundo do menos”. Não é que vejo cada vez mais a nossa “fina elite” se empanturrando de “biscoito fino”? E achando que realmente aquilo é verdade. Não, não sou pessimista. Poderia até dizer que o pessimista é o que conhece a realidade e o otimista é um “bobo da corte”. Mas não é uma questão de pessimismo, mas sim de que a base para as coisas acontecerem simplesmente vem sumindo. Desaparecem porque se multiplicam os Mersault´s. A alegria da minha vida sempre me foi muito feliz... Não sei por que, mas coisas sempre me aconteceram da melhor forma. Claro, a avaliação é de tal modo semelhante a uma Poliana... Mas eram as bases...

Dinheiro não é importante. Nunca tive. E ele me faz falta para conseguir fazer as coisas. Mas a base de uma sociedade que o gasta o que ganha com celulares que tem internet... Nem consigo terminar a frase de tanta graça que vejo disso... Quem usa tanto assim o celular, com internet, profissionalmente? Acredita mesmo que essa “tecnologia” mudou sua vida? Viver sem micro para mim é uma tristeza enorme. Mas não uma impossibilidade. Existem coisas que vieram para ficar, como a televisão, o micro, o celular (a parte útil dele, claro). Não digo que no futuro seja mais útil essa ligação com a internet. Mas não vejo isso como o máximo que o mundo pode ser conectado, até porque tem coisas dessa conexão que simplesmente não me interessam. Mas esta conexão deixa mesmo as pessoas mais conectadas? Bem, é mais interessante ter alguma notícia do que notícia alguma de alguém que um dia foi importante para sua vida do que nada. Em termos do nada é uma ótima solução. Mas quem dela faz ser a única solução...

O engraçado que escrevi há uns dias uma postagem sobre Jimi Hendrix. Nem gosto dele. Praticamente comecei a escutá-lo quando comecei a tocar guitarra. E ele é bom. Bom músico. Mas não preciso gostar dele por esse motivo. Clapton sempre me foi mais interessante. Mas no fundo eu diria que gosto mesmo de outras bandas, e diria que Clapton e outros são partes que me ligam à “civilização”, digamos. Por que existe essa forma de ver a civilização? No fundo depois que se tem contato com assuntos da alta cultura inicia-se um processo de compreensão, só alcançado se existir autocrítica. Assim como não se pode mensurar o prazer, não se consegue mensurar a cultura. Não são questões de quantidade...

Gosto muito do programa do Artur da Távola, pois ele só fala de música. É daqueles retrógrados programas que passam um concerto, aqueles que as televisões usavam para ficar no ar na madrugada. Sei lá por que eu gosto de música erudita. Sempre gostei, desde criança. Claro, escutava outras coisas também, mas muito do que tinha relação àquele universo. Não é a toa que a guitarra me foi apresentada por uma questão de J. S. Bach. Nem cabe ficar falando aqui, mas foi o Mr. Bach que me despertou para a música erudita. Outro dia lendo uma crônica de Távola, ele falou da amizade. De como se pode ser amigo de alguém que viveu muitos séculos antes de você. Assim ele interpreta as músicas e faz um programa muito pertinente. Com os recursos que tem para gastar naquele tipo de programa, ele faz até milagre, diria. Agora, quando fala de política é duro, viu. Discordo dele sempre. Não que ele seja radical, muito pelo contrário, ele é até inconformado. Meio pessimista. Mas é conhecedor da cultura como poucos neste país infestado de delinqüentes intelectuais e loiras de salão de beleza que nem sabem que Beethoven fez óperas. É um paisinho mesmo. Não consigo dizer que é um grande país, a não ser em extensão de terras. Não dá para ir à Sala São Paulo ver um concerto sem ter que trombar com o subdesenvolvimento. O metrô chega perto de lá, e aí tem que andar um “pedaço”. Como se não fosse sombrio esse pedaço. Queria ver a tal “periferia” da Regina Case no Arco do Triunfo... Não é problema encontrar pessoas estranhas no caminho, mas o problema é que essas pessoas mal intencionadas estão lá porque pessoas bem intencionadas vão lá. Isso sem contar que fora a parte restaurada, o resto está caindo aos pedaços. Se estas pessoas pararem de ir lá? Fecham lá... E tudo volta ao caos que “eles” tanto gostam.

Tem gente que vive do caos. Não são os pessimistas estes. São aqueles palhaços que olham a falta de uma cultura a melhor hipótese de oportunidade. Ou seja, é muito diferente ser pessimista a ser o “oportunista do caos”. Tem gente que gosta. Acha bonito dizer que a miséria é culpa da “elite”... Como se não existisse elite seria melhor... Não faço parte de nenhum grupo, nenhuma ONG e nenhuma seja lá o que for que se possa chamar de elite. E nada disso me faz diferença. Simplesmente entender que as pessoas são diferentes é a primeira hipótese que uma pessoa precisa ter em mente. E a partir das diferenças que se fazem as opções. Assim as pessoas optam por um time de futebol (mesmo no fundo todos os times sendo meio iguais, fazendo uma troca constante de jogadores, que a cada tempo estão nos outros times...) e quem passa desse limite e não faz concessões tem problema psicológico. Por exemplo: se o Corinthians Futebol Clube for para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, continuarei torcendo por ele para que volte à primeira. Assim como fico feliz com a hipótese de a Portuguesa de Desportos voltar à primeira divisão. É uma concessão minha a de simpatizar com este outro time. Mas não deixo nunca, de jeito nenhum, de ser o mesmo corinthiano de sempre! Talvez aí faça parte de um grupo... Mas não é elite.
A minha crítica está na total falta de discernimento da realidade em que se vive hoje no Brasil. É de ficar irritado. Seria como encontrar uma água-viva na praia no seu mergulho no mar. Como podem os carros custar tudo isso aqui? Como pode haver tanta diferença entre os juros e os preços? Eu acho mesmo que se não tivesse tanta gente se dando bem nesse caos, o caos já teria acabado. Faz sentido manter a porcaria para esses palhaços. Ou seja, quem não faz parte do “mau senso”, nem é Mersault, fica como eu, em dois mundos distintos. Aquele real, onde as bases que são importantes para o desenvolvimento são solapadas, e aquele artístico, onde tudo poderia acontecer, se as bases não fossem minadas.
Por que Manowar?

Bem, Manowar é uma banda fantástica para se ouvir quando se está com raiva. Não só. E, além disso, tem toda uma cultura, que está longe de ser comum e civilizada. É a hora que tenho vontade mandar “certos” para o inferno. Battle Hymns é o primeiro álbum deles, de 1982, cuja capa é a imagem que está nessa postagem. Manowar é umas daquelas bandas que nunca mudaram com o tempo e continua tão bom quanto era para minha adolescência. Faz tempo que não escuto nada novo deles.

outubro 24, 2007

De A-ha a U2

Falei do Zeca Camargo a pouco, mas é interessante esclarecer. Ano passado, 2006, ele lançou um livro sobre entrevistas que fez junto a artistas do mundo da música. Lá havia bastidores desde a MTV até a Globo. Madonna, U2, A-ha, e inúmeras bandas e artistas. Logo escolheu para título dois dos maiores fenômenos musicais pops e coincidentemente deu o nome com A e outro com U, já que acho que nem entrevistou ZZ Top (hahahaha). Então começou a divulgar o livro: “De A-ha a U2”. Na ocasião chegou a dar inúmeras entrevistas, desde Jô Soares até um programa que assisti na TV Câmara – Sempre um Papo - e gostei muito das coisas que falou. Não cheguei a rever, sei que esta disponível no site da TV Câmara. Uma das coisas que falou foi sobre a música que se escuta e se gosta entre a adolescência e a juventude e o reflexo que trás durante a vida inteira. Mas também disse que quem realmente gosta de música acaba se abrindo a escutar qualquer ritmo e gostar de muita coisa.

Não tenho o livro, mas foi um registro bastante interessante. Na verdade o que se produz para uma rede de televisão é sempre muito maior do que é apresentado. E eu acho ótimo lançarem estes livros. Zeca Camargo tem já uma história dentro do jornalismo, principalmente ligado à música. Tem muito bom humor e é quilômetros de distância melhor que a Astrid Fontenele (para quem não lembra dela, era aquela chata que apresentava um programa de vídeo clips na Gazeta, depois virou VJ da MTV no Vídeo Music Brasil, Top 10, Barraco MTV, e mais tarde dupla do fofoqueiro Leão Lobo na Band... Eca!). Bem, hoje Zeca esta na Globo, depois de suar apresentando aquele lixo de Reality Show – No Limite (2000) – e está fazendo edição do Fantástico, quando Pedro Bial não está disponível... Mas teve uma entrevista famosa com Cazuza publicada na Folha, provavelmente no final dos anos 1980, que fala no programa.
Lançou também um livro sobre sua volta ao mundo, reportagem especial feita para o Fantástico. Também não tenho este livro... É interessante também um outro livro, de Geneton Moraes Neto - Dossiê Brasília – também narrando a série de reportagens para o Fantástico com os últimos quatro presidentes do Brasil após a redemocratização. Esta literatura de reportagem parece ser bem interessante...

On the Road

Será que alguém ainda lembra daquelas fitas K7 daquela série “On the Road - 100 Km de música”? Acabei de ouvir uma música de uma delas: Hair of the Dog, do Nazareth. Era uma fitinha que se não me engano chamava “Rock Hits II” dessa coleção. Ainda lembro que começava com uma versão ao vivo de 1977 de Cocaine, de Eric Clapton, depois Hey You!, de Bachman Turner Overdrive e a terceira faixa dessa fita era exatamente Hair of the Dog, que Guns n´Roses chegaram a gravar naquele famoso (e ruim) disco de covers: “The Spaghetti Incident?”.

Tinha escutado num churrasco outro dia. Muito engraçado para quem tinha 13 anos em 1989... Tem horas que começo a dar razão ao Zeca Camargo...

outubro 22, 2007

Kimi Raikkonen

Não deu nem Lewis Hamilton, nem Fernando Alonso... Nem Felipe Massa... Errei tudo. Só acertei que Lewis talvez não conseguisse ganhar, o que não quer dizer nada... Interlagos não é fácil... Kimi Raikkonen campeão da temporada 2007 de F1! Quem diria... Em outros campeonatos teve até melhor desempenho e não foi campeão. É. Tudo tem sua hora. Bom trabalho de time, o da Ferrari. Resolvi esperar até ver se a tal história da gasolina, dos carros da BMW e da Williams, para me certificar que Kimi era mesmo campeão. E este ano, o campeonato de construtores foi prejudicado pelas denúncias de espionagem. Mas a Ferrari não ficou tão atrás assim da McLaren, caso ela não tivesse perdido todos os pontos.
Mas lembrando uma gafe da transmissão da corrida de Interlagos, ano passado (2006), Galvão Bueno estava tão emocionado com a vitória de Massa que se esqueceu de dizer que Alonso era bicampeão e que a Renault era a campeã dos construtores. Acontece... Este ano estava menos emocionado. Existe algo no Galvão que detesto... Quando descobrir eu falo...

outubro 21, 2007

Rede Globo - Nem sempre...

Não é a toa que a Globo está sempre em primeiro lugar nos índices de audiência. A concorrência é tão ruim que nem adianta muito tentar comparar. Mas será que sua programação é tão boa mesmo? Vamos a alguns detalhes: Sua grade é a mesma há muitos anos, com três telenovelas inéditas e uma reprisada por dia, de segunda a sexta, e aos sábados somente as três inéditas. Os horários são basicamente os mesmos, não alterando muito a rotina de audiência de seus telespectadores. Tem uma série/novela/escola de atores no período da tarde que teoricamente atende ao público adolescente. Nas manhãs, acho que ainda hoje, é dedicada praticamente às crianças, após o programa de Ana Maria Braga. É, sem dúvida, uma televisão popular. São poucos os momentos de real programação com conteúdo de qualidade, no sentido cultural, da alta cultura. No geral é entretenimento. O jornalismo segue uma linha não muito crítica, com um jornal matinal, um jornal de variedades no meio do dia, o famoso Jornal Nacional, antes da famosa novela das oito (os dois reais maiores índices de audiência da emissora) e alguns programas variados, como seriados, sessão de filmes, futebol, finalizando o dia com o Programa do Jô.

O que acontece com outras emissoras? A grade é impossível de se identificar. Os horários não são lá muito respeitados, principalmente no SBT. Por ter sempre três novelas ao mesmo tempo, a quantidade de atores é enorme na Globo. Isso leva a uma lógica básica: se tem maior quantidade de gente, tem maior possibilidade de ter os maiores e melhores atores também. Porém, isso custa muito caro. O que faz a Globo ter custos muito elevados, assim tendo que ter enormes audiências para ser auto-sustentável. Isso em muitos casos é complicadíssimo. Não sobra muito espaço para experimentações e tudo acaba saindo muito igual. Por ter essa grade fixa e rígida, o que é um respeito ao telespectador, se complica ao transmitir, por exemplo, o futebol às quartas-feiras, ao vivo. Assim fazendo o jogo mudar de horário... Em outros lugares do mundo, se passaria um compacto ou gravação, não ao vivo... O que deixa muito brasileiro no exterior com saudades da transmissão completa ao vivo. Só para se ter uma idéia, no Japão sempre é transmitida, pela TV aberta, somente o compacto das corridas de F1. Isso ninguém fala...

Outra coisa. A Globo praticamente contratou todas as pessoas de talento das outras emissoras. Isso pode ser chamado de compra de concorrência, mas no fundo, é uma falta de aposta em inovação das outras redes de televisão. Existe uma tendência de copiar a Globo, ou de viver em função dela, como os múltiplos programas de fofocas das TV Band e Rede TV! Isso sim, é péssimo. A Globo sempre se renova, mas vive praticamente em função dos seus quadros, entendidos, muito diferentemente que outras redes de televisão brasileira, como valores individuais. Nunca a Globo fez de seus talentos ou dos comprados da concorrência, uma simples commodity, como já ocorreu com a Record e a Band.

Claro, não posso deixar de mencionar que existe sim uma história anterior da Rede Globo. História esta que esbarra sim no atual momento de revanchismo em que vive o Brasil. Não é normal mentir tanto em relação ao “monopólio” da Rede Globo. Sim, é uma empresa de mercado. Vive de dinheiro de anunciantes privados (e também estatais). Tiveram inúmeros momentos em que teve problemas financeiros, principalmente com sua TV a Cabo, a Net. Sua expansão para conseguir chegar aos locais mais distantes desse enorme Brasil foi sim uma estratégia de sobrevivência, mais do uma idéia de monopólio. Claro, deixa muita gente sem opção de outros canais. O mercado é aberto à entrada de capital novo em redes de televisão. Em suma, não há dinheiro em outras emissoras porque não há interesse em investir nesse mercado. (Aqui vale mencionar a Gol Linhas Aéreas. Num mercado extremamente fechado, entre Varig e TAM, entrou e conseguiu superar as concorrentes. E este também é um mercado que depende de concessão estatal). O que é incrível é ver que se pode fazer televisão regional, caso da MTV, que somente em São Paulo e Rio de Janeiro é transmitida em sinal aberto. É inacreditável que no Brasil, com tanta diversidade cultural, tudo, desde bancos como televisão, precisa ser de abrangência nacional. Nos Estados Unidos isso não acontece, levando em conta que lá se chega a ter horas de diferença de fuso-horário, o que inviabiliza esse tipo de programação. Mais: as novelas vendidas para outros paises geram uma receita interessante para a emissora, fazendo um novo tipo de mercado, que muito poderia ser copiado por produtoras independentes, da mesma forma como um estúdio de cinema. Idéias não faltam, o que falta talvez seja bom senso...

Agora, sobre a melhora da programação, é realmente uma exigência da população. Televisão não foi feita para educar (nem para deformar), assim como cinema, teatro, música. Escola serve para ampliar a cultura e educação de um povo, mas a presença e a atenção dos pais são, sem duvida nenhuma, essenciais. Não adianta pensar que a TV Pública trará uma solução. Soube de alguns índices de audiência da extinta RCTV. Tinha cerca de 30% da audiência e hoje a TV Pública que a substituiu não chega aos 5%. Sem contra que num Estado já bastante oneroso na vida do brasileiro, deixá-lo pagar mais esta conta se torna ridículo.

Bem, mas para se ter a noção de todo sempre é necessária ter uma concorrência. Hoje a única TV a Cabo que não pertence a Globo é a TVA, do Grupo Abril. Outra vítima de pessoas de má fé, que os acusam de “monopólio” da mídia, em relação à revista Veja, a mais lida e vendida revista brasileira. Mas esta concorrência tem que se impor por competência e não por “medida provisória”. Todo mundo sabe que se fosse possível o investimento internacional no mercado televiso, tudo seria bem diference, inclusive a Globo... Mas é proibido por lei, e admito, ainda bem. Nem sempre investimento internacional é bem vindo. Prefiro a Globo nacional a uma Globo internacionalizada. Ainda mais nesse país em que a pessoa ter opinião é como ser um extraterrestre. Instituições não podem ter “lado”. É uma cultura do “patrulhamento ideológico”. O detalhe que esse não ter “lado” tem sempre um lado...

Interlagos – Felipe Massa e Fernando Alonso

E hoje termina a temporada de F1. Eu não estou torcendo por ninguém em específico, mas eu acho que é possível ter um tri-campeão na parada. Alonso foi campeão em duas temporadas seguidas pela Renault (2005 e 2006), correndo junto com Schumacher. Lewis Hamilton está estreando agora em 2007, e tem a chance matemática de ser campeão até maior que a de Alonso, principalmente pela sua posição de saída na largada de hoje, em Interlagos. Mas, como nunca se sabe o resultado, acho que Alonso passará na frente. Vamos ter uma corrida competitiva. Fazia algum tempo que o campeonato de F1 não era assim tão equilibrado e competitivo ao mesmo tempo.

Interessante é que é a segunda temporada de Felipe Massa na Ferrari e o rapazinho já ganhou em Interlagos ano passado e este ano saí na pole position. É só emoção! Se tudo der certo vamos ter mais uma vez um brasileiro fazendo show em Interlagos hoje. Mas vamos aos fatos: ele teve um belo campeonato, tanto em 2006 quanto este ano. Enquanto que seu anterior, Rubens Barrichello, nunca conseguiu fazer um campeonato competitivo. Nunca entendi essa lógica, porém, num bate papo com Galvão Bueno, no Esporte Espetacular, hoje, domingo 21 de outubro, Rubens disse que se aposenta em 2008 e que lançará um livro contanto tudo que não fez dele um campeão. Deve ser complicado para ele estar na mesma equipe em que Michael Schumacher foi simplesmente sete vezes campeão... Ao seu lado... Mas o esporte é assim mesmo, não tem muita lógica.

Detalhe: a transmissão da Rede Globo está espetacular! Sou obrigado a dizer que os arquivos da emissora e a edição do Esporte Espetacular desde as 9:30 da manhã, demonstra além daquele meu já citado inúmeras vezes aqui profissionalismo, uma atenção especial ao evento de encerramento do campeonato mundial de F1.

outubro 20, 2007

Rápidas XII

Muito trabalho... Pouco tempo para me dedicar ao blog. Imaginei escrever algo assim:

Meu querido blog

Hoje estou muito ocupado para te dar atenção...

Mas não é bem isso. Tenho até mais uns pequenos textos iniciados, mas não tenho mesmo temo de terminá-los, acredito que só terei durante a semana. Essa coisa de trabalhar no final de semana está se tornando crônica. Quero muito escrever sobre esse tema que se iniciou com Clapton, de falar de rock´n roll. Falo com prazer. Não sou do tipo que leva rock como dogma. Simplesmente gosto. Espero fazer umas várias postagens sobre o tema.

Fora isso, estou preparando um novo projeto. Vou ter bastante coisa para falar aqui...

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...