setembro 02, 2007

Biselli e Katchborian

Nesta terça-feira, dia 4 de setembro, ocorrerá no Museu da Casa Brasileira o lançamento do livro sobre os arquitetos Mário Biselli e Artur Katchborian, com mesa redonda, com a presença dos arquitetos Mario Biselli, Abílio Guerra e Alessandro Castroviejo.

Museu da Casa Brasileira
Avenida Faria Lima, 2705
Jardim Paulistano
São Paulo SP
Das 19:30 às 21:00h. (mais informações: aqui)

agosto 30, 2007

Vou contar uma história...

Era uma vez... (Que bela maneira de começar uma história...)

Uma menina, que sentia que era diferente de seus pares. Resolveu buscar “caminhos alternativos” e outros pares, para evitar a solidão. Nesses caminhos foi encorajada a ser diferente mesmo, que sendo diferente se pode mudar o mundo. Esse mundo cruel onde o “capitalismo” é selvagem e o conhecimento é para privilegiados. Sendo assim, seguiu seus pares, chegando ao “ativismo” das idéias de igualdade. Não eram momentos bons na França, onde a igualdade, a fraternidade e a liberdade não andavam muito entrosadas. Uma praticamente convergia com a outra.
A liberdade dava aos pares a mesma chance de aprender, de trabalhar e também de dormir, de viver de vadiagem, se perdendo em aventuras no Moulin Rouge. E seu preço era dado em uma vida plena de entretenimento ou uma bela construção de um futuro sólido, moldado sob os alicerces do trabalho suado. E tanto um como outro poderiam ser vizinhos.

A igualdade dizia que ela tinha a mesma chance de ser bela como a primeira dama do Moulin Rouge. De usar as mesmas lingeries das damas da corte, mesmo elas sendo cinco vezes menores que as carnes gordas que a envolvem. Mas nem tudo é possível, principalmente que a igualdade não esclarece quem é o professor e quem é o aluno. São todos iguais. “Uns mais iguais que os outros”. Na igualdade não existiam “classes dominantes”. A não ser que você seja detentora dos “conhecimentos obscuros” que fazem ser a “líder espiritual” do caminho para o paraíso. Se só você sabe que tudo não passa de um estágio para chegar ao paraíso, que toda a sua “luta” não é uma simples ideologia, mas sim o Valhalla!

Foi ficando mais velha e caindo nas conversas de ex-igualitários que tentavam alcançar o poder para assim fazer a fraternidade com os que necessitavam dela. Fazer com que o Estado não seja igualitário para quem “não merece” e sim fazer justiça com os aparelhos do Estado. Fazer uma nova sociedade superior.

Não muito mais velha foi aprisionada por este Estado fraterno que ajudou a criar e foi parar num “centro educacional regenerador”, onde passou o fim dos seus dias rezando escondida, pois lá todos eram de outra religião...

Enquanto isto na Revista Playboy...

Não é engraçado que muitas grandes boas entrevistas estejam justamente na Revista Playboy? Teve em 2006 se não me engano, infelizmente não sou leitor da Playboy, (e se o fosse garanto que ler seria secundário, hahahahaha) Fernando Henrique Cardoso e até artigo de Olavo de Carvalho.

Quando era moleque lembro que fazíamos listinhas para ver quem seria musa da Playboy naquele ano. Ana Paula Arósio nunca fora fotografada e nem Luana Piovani... Lembro de uma, cuja capa era Kátia Pedrosa, e dentro havia um ensaio maravilhoso com a modelo Cindy Crawford. Anos depois somente a Carla Perez e a loira e a morena do “Tchan” apareciam disputando com tiazinhas e feiticeiras...

É lógico que esta postagem quer dizer mais do que está escrito, mas se você não entendeu, não se preocupe, é porque você é normal. E se entendeu, é exatamente sobre este assunto mesmo.

Nada melhor que...

Nem tudo esta perdido. Este final de semana terá no programa do ex-senador Artur da Távola, Antonio Vivaldi! Interpretando “as Quatro Estações”, a Orquestra de Câmara de Hanover, sob a regência de Adam Kostecki.

A Orquestra de Câmara de Hanover é formada por músicos que também atuam como solistas e fora criada em 1964, tendo nos últimos anos se apresentado com outros solistas internacionais de grande envergadura.

O Programa “Quem tem medo de música clássica?” é apresentado pela TV Senado aos sábados, ás 10 e 18h e aos domingos, às 10h, 18 e 00h.

Fora algumas de suas interrupções, os programas costumam ser ótimos.

Pato Fu: Kid Abelha e Blitz

Uma das bandas que nunca dei atenção é Pato Fu. Uma menina como vocalista e um som pop. Nada de mais. Diga-se, das bandas novas (nem tão novas), principalmente de Minas Gerais, como Skank, Jota Quest e Patu Fu, acredito ser a mais criativa como pop e um tipo de fusão até razoável. Não me atrai. Prefiro dentre as três o Skank. Soa mais original, um som mais próximo ao que eu espero ouvir, mesmo.

Ouvindo discos antigos do Kid Abelha, algumas passagens me lembraram o Pato Fu. Ou melhor, é nítida certa influencia desses discos e dos discos da Blitz. Para mim, que aos seis anos de idade lembro de gostar de certa música da Blitz – “Você não soube me amar” - e que logo depois conheci Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, com duas músicas inesquecíveis – “Como eu quero” e “Fixação” – Patu Fu soa como algo daqueles anos. Um pouco de peso em algumas horas, como no caso da música “Eu”, mas aquela proposta dos instrumentos japoneses não passa de discurso. Melhor mesmo é ouvir uma banda madura, como o próprio Kid Abelha, que não perdeu a identidade mesmo num momento em que quase todas as bandas de sua geração se perderam, caso de Titãs em “Titanomaquia”, a saída de Dinho Ouro Preto para formar o Vertigo. Na época nem achava tão ruim essa falta de personalidade das bandas, mas hoje olho até um pouco com desconfiança. Após o momento rock´n roll parecem ter mergulhado na MPB, como Nando Reis e o pior exemplo: Paulinho Mosca.

Agora dizer que eu escuto isso tudo ai em cima é brincadeira... Muita coisa me chega pela televisão e outro tanto de amigos, mas eu no fundo no máximo escuto aqueles mesmos dos anos 80 e alguma coisa nova como o disco da Paula Toller. Muita coisa que tem até certo sucesso (hoje em dia me pergunto se o sucesso é tal, por que falam tanto da mídia?) como Marisa Monte, Ana Carolina e Zélia Duncan, não conheço nada. Praticamente não escutei. Assim como bandas como Detonaltas, o Rappa, Charlie Brown e mais uma monte que simplesmente sei que existe, mas não escutei e não conheço os integrantes. E como sempre me diz um amigo, acha que nada perdi em não ouvi-las.

Das cantoras atuais me chamam atenção Adriana Calcanhoto, Na Ozzetti e Céu (Maria do Céu). Vanessa da Mata e Maria Rita (faz tempo) ainda não escutei para ter uma opinião formada. Dos cantores e bandas não tenho nada que realmente possa destacar. Como disse no começo do texto, acho Skank interessante, mas não é algo novo, assim dizer. O que é ruim avaliar que nos anos 80 se fazia já um tipo de música sem compromissos, algo chamado grosseiramente como “comercial” e atualmente está pior ainda. Certas letras simplesmente não dizem nada de coisa nenhuma. E o pior disso tudo que alguns picaretas se auto-intitulam “intelectuais” fazendo uma música que simplesmente não deixa espaço para dizer que é muito ruim, pois se você a acha ruim é que não entendeu... Um tipo de música que busca um público interessado em ter “cara de conteúdo”. Como diz certo amigo meu essa gente só se reúne para ficar pior, para ampliar sua ignorância. É a ignorância coletiva... Imbecil coletivo...

O pior são os “medalhões” da MPB. Estes sempre com pompa, com cachês altíssimos e considerados intocáveis, mesmo com versos como Eta, Eta, Eta / é a lua / é o sol / é a luz de Tieta... A crítica de música esta cada vez pior. Vale ainda dizer que não sou contra sons ditos “comerciais”, é entretenimento. Mas fazer deles “grandes compositores” é triste demais.

Ensaio sobre a cegueira

Certa vez lembro de ter lido uma crônica de Mário Prata em que tomava sol olhando para as garotas na piscina fingindo que lia um Saramago. Lembro em 1997, quando Jose Saramago foi ao Mackenzie, junto com Sebastião Salgado e Buarque de Holanda (que ficou por uns 30 minutos na palestra). Lembro também de uma vez questionado sobre o que estava lendo e falei sobre “Ensaio sobre a Cegueira”. Acredito ter entre meus amigos poucos que gostam de Saramago. Lógico, dentro do número de pessoas que lêem.

Não me importo muito com o que se fala sobre Saramago, mas gostei de “Ensaio sobre a Cegueira”. O livro tem uma dinâmica muito boa, com aqueles parágrafos intermináveis, e é um livro bastante duro, triste. Os personagens não têm nome, sendo descritos por suas atitudes, como o ladrão do carro, a mulher de óculos escuros, a mulher do médico, etc. Certa hora acreditava que me perderia, mas não. Bastante denso e com uma mensagem muito curta, o livro é bom. Não presto atenção no que Saramago diz a respeito de política, é melhor preservar meus ouvidos... Aliás, isso sempre me intrigou: por que alguém famoso por ser escritor insiste em mostrar sua opinião sobre política e ainda de forma tão desastrosa? Felizmente sabe como separar sua literatura de sua posição política. O próximo livro dele será “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, muito provavelmente. Sempre tive curiosidade por ele.
De Saramago aprendi uma coisa bastante importante sobre escrever: quando perguntado como escreve tantos livros, simplesmente disse que escreve duas a três páginas por dia. Mas todos os dias. Isso demonstra que uma obra se começa com duas ou três páginas diárias. Não talvez só com o talento. Esse caminho é talvez o mais importante ensinamento que ele pode dar.

agosto 28, 2007

Hora da diversão

Eu nem tinha idéia do assunto até um amigo me falar. Mas até ai ter um campeonato mundial... O Air Guitar é a arte de tocar uma guitarra imaginária, mais ou menos. Pareceu interessante... Mais aqui.

agosto 27, 2007

Um pouco sobre os Clássicos

Um tempo atrás soube de um estudo de T.S. Eliot sobre os Clássicos. Vou citar a passagem do livro de Reinaldo Azevedo que o contém:

“Num magnífico ensaio chamado “O que é um Clássico?”, T. S. Eliot ilumina, como quase sempre, a inteligência: “(...) um clássico só pode aparecer quando uma civilização estiver madura, quando uma língua e uma literatura estiverem maduras; e deve constituir a obra de uma mente madura. É a importância dessa civilização e dessa língua, bem como a abrangência da mente do poeta individual, que proporcionam a universalidade. (...) A maturidade de uma literatura é um reflexo da sociedade dentro da qual ela se manifesta: um autor individual – especialmente Shakespeare e Virgílio – pode fazer muito para desenvolver sua língua, mas não pode conduzir essa língua à maturidade a menos que a obra de seus antecessores a tenha preparado para seu retoque final. Por conseguinte, uma literatura amadurecida tem uma história atrás de si. (...) Dentro de suas limitações formais, o clássico deve expressar o máximo possível da gama total de sentimento que representa o caráter do povo que fala essa língua.” (De Poesia e Poetas, T.S. Eliot apud Azevedo, Reinaldo. Contra o Consenso. São Paulo: Editora Barracuda, 2005.)
Após este texto li outro de Daniel Piza que tratava de compor o porquê ler os Clássicos (aqui). Ele acredita que os clássicos devem ser lidos também por prazer. E tudo isso serve mais especificamente para entender que o que é chamado por “alta cultura” é mais accessível do que parece. Os fatos que levam muita gente a não ler os Clássicos esta na preguiça, na total falta de tempo ou mesmo numa falta de prioridade de valor. Este terceiro também poderia relacionar com uma falta de crítica literária no Brasil, o que também poderia melhorar o caminho para valorizar certos clássicos.
Não creio que seja o único caminho de um escritor, o de conhecer primeiro os clássicos para depois escrever, mas não acho que a literatura que não passa por um caminho assim pode amadurecer tardiamente. Talvez seja este o motivo que eu não leia autores recentes...

Tinta preta na arquitetura

Um dos três edifícios que formam o complexo Tomie Ohtake.
Centro Educacional - Guarulhos
Concreto pintado de preto - Hotel Unique
Perspectiva do Hotel Unique

Vou falar sobre um aspecto específico da obra recente do arquiteto Ruy Ohtake: pintura preta em algumas de suas obras recentes. Duas de suas obras – Instituto Tomie Ohtake e Hotel Unique – trazem ao debate a arquitetura contemporânea produzida na cidade de São Paulo. Normalmente a forma surpreende os transeuntes, trazendo muitos tipos de comentários. No começo se dizia que o Hotel Unique era um barco, depois uma melancia, assim como falam dos pilares em forma e carambola do Instituto Tomie Ohtake. Isso não traz nada novo para o debate, mas o que chamo a atenção é especificamente a pintura preta nas pareces de concreto retorcidas do Hotel Unique e outra obra de Ruy Ohtake em Guarulhos, que trazem a cor preta para o ambiente urbano.

A forma da arquitetura de Ohtake traz essa polêmica por não se tratar na verdade de uma forma preestabelecida. Um semicírculo não é uma forma por si só já definida. Não é a mesma coisa das casas pós-modernistas, cuja lembrança de uma remete a um binóculo estilizado. O pluralismo da pós-modernidade não deixa um “cânone” para ser seguido e trás inúmeras interpretações distintas sobre como classifica-lo, ou melhor, tentar classificar por pontos específicos comuns, trabalho feito com grande empenho e não divulgado pela professora Eunice Abascal, dentro do curso de arquitetura da Universidade Mackenzie. Assim como outro trabalho relevante para entendimento de algumas teorias da arquitetura, o trabalho desenvolvido sobre os modelos arquiteturais, desenvolvido pelo professor Candi Hirano, também na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie. Estes trabalhos nasceram do empenho do professor Jun Okamoto, autor do livro “Percepção Ambiental e Comportamento” (aqui), que introduziu o estudo de teoria da arquitetura dentro da já referida faculdade. Não é um conteúdo fácil de assimilar, tendo em vista que é necessária maior pesquisa do que somente os apontamentos em sala de aula.

Mas voltando ao Ruy Ohtake, o debate teve alguma relevância graças a suas novas obras e fez também desapertar no púbico leigo algum interesse no que estaria acontecendo, assim como também despertou desafetos múltiplos. Normalmente a pintura em preto de uma parede ou fachada estava vinculada a um tipo de arquitetura transitória. Algo que estaria no estudo de Cândi Hirano dentro do modelo arquitetural ativista (só aqui daria para escrever muito mais, mas sem exageros). Estaria ligado a uma casa noturna, um restaurante, uma loja, algo que teria uma dada pré-determinada para ser mudada. Seria algo como uma atração momentânea, que após certo período de tempo perde a força de marco referencial. Já na obra de Ohtake, vemos que a essência do projeto pede essa cor. Seja por estar dentro de uma estrutura que trabalharia o sentido da visão ou de certa forma como melhor opção ao vandalismo (pichação). Mas sua interpretação no meio urbano é algo que estamos vendo cada dia sedimentando na mente, fazendo um desenho mental da cidade.

Mais sobre Ruy Ohtake aqui.

agosto 26, 2007

A diferença entre...

Sempre me perguntei qual a diferença entre crônica, conto, novela e romance. Uma crônica é um pequeno texto escrito para jornal, não por um jornalista, mas por um escritor que pela crônica criticava questões cotidianas. O conto, a novela e o romance não são a mesma coisa só que com diferença de tamanho, sendo o conto mais curto, a novela nem tanto e o romance longo, o que não realmente corresponde à verdade. O conto tem na sua estrutura apenas, resumidamente, um único drama. A novela, muito confundida com a questão da telenovela, é uma sucessão de dramas, de certa forma infinita. O romance já é esta sucessão conectada, formando um círculo. Dando um final não sendo possível prosseguir a sucessão dos dramas. Nesse aspecto, a telenovela é mais um romance do que propriamente uma novela.
Estou sendo bem resumido, mas é um começo para analisar essa questão de estrutura.

Sempre um Papo

Busquei no site da Câmara Federal e descobri que todos os programas da TV Câmara estão disponíveis para assistir. Acabei de assistir o “Sempre um Papo” com o arquiteto Isay Weinfeld, que trata de seu livro, com texto escrito por Daniel Piza. Sem contar que fala também sobre seu início de carreira e sobre sua passagem no cinema, onde produziu alguns curtas-metragens. Muito bom mesmo, o papo...

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...