abril 27, 2007

A ponte do Ibirapuera - Sérgio Bernardes

Pavilhão da CSN, no Parque do Ibirapuera - 1954.
Ao falar de arquitetura carioca, rapidamente, dois grandes nomes podem ser lembrados: Oscar Niemeyer e Sérgio Bernardes. Entre outros muitos arquitetos, como Affonso Eduardo Reidy e Lúcio Costa, a escola carioca é talvez a mais representativa do movimento moderno brasileiro. Mas aqui vou falar um pouquinho sobre Sérgio Bernardes. Afinal, Oscar Niemeyer dispensa comentários. Fará 100 anos de vida em dezembro próximo. Reidy, morto em 1965, tem sua obra reconhecida pelo Parque do Flamengo, o MAM, o conjunto habitacional do Pedregulho e até uma proposta de um museu de artes, em formato triangular, para o local onde hoje é MASP. Lúcio Costa, morto em 1998, autor do plano piloto de Brasília, do Parque Guinle e criador de institutos de preservação do patrimônio histórico brasileiro, entre outras atividades. O Dr. Lúcio Costa!

Mas falar de Bernardes é muito interessante. Seu escritório ainda atuante, hoje coordenado por seu neto, Thiago Bernardes, tem em seu currículo mais de 1500 residências. Sérgio Bernardes (1919-2002) mesmo com 80 anos de idade, trabalhava mais de 12 horas por dia e ainda afirmava frases como esta: "Na verdade, sou um vagabundo e só não mato alguém por preguiça de esconder o corpo.” Muito bem humorado criava com certa facilidade e conseguia incorporar em sua arquitetura elementos caracteristicamente brasileiros.

Em 1954, a cidade de São Paulo comemorava seu quarto centenário de fundação. Para a comemoração do evento fora construído o Parque do Ibirapuera, sob a coordenação de Oscar Niemeyer. Niemeyer constituiu uma equipe mista, de arquitetos cariocas e paulistas. A cargo de Bernardes ficou o pavilhão da CSN – Pavilhão Volta Redonda. Construído sobre o lago do parque, foi desmontado após a comemoração, restando lá, somente o esqueleto da passarela. Sim, a ponte metálica que atravessa o lago. Quem já passeou pelo Parque do Ibirapuera sabe a que ponte faço referencia. Desde a infância freqüento o parque e passo por aquela ponte. Muitos anos depois vim a saber que esta tinha uma cobertura e se podem notar, observando bem o resto que lá esta, que eram duas pontes com o pavilhão ao meio. Na foto acima, dá para ter uma pequena idéia de como era. Quero agradecer a Lauro Cavalcanti por ter impresso o catalogo de arquitetura “Quando o Brasil Era Moderno – Guia de Arquitetura 1928-1960”, onde vi pela primeira vez este projeto publicado. Um pequeno detalhe no meio do parque, de autoria de um dos grandes arquitetos brasileiros.
Leia mais sobre Sérgio Bernardes aqui.

abril 26, 2007

Sobre Milk Shake (ainda)

Ainda lembrando sobre o milk shake, eu sempre tive dúvida se gostava mais de morango ou de chocolate. Até hoje ainda tenho essa dúvida, assim como no Mc Donald´s ainda não sei se gosto mais da tortinha de maça ou de banana. Mas, para não ter dúvidas, basta ir ao Bob´s. Não existem dúvidas diante do milk shake de Ovomaltine! Bem, gostaria se saber se o Bob´s tem mais alguma coisa além de milk shake... Ahh, claro, para comer! Pois aqueles lanches plásticos medonhos não são para comer. Nem com fome e nem sob tortura. Não adianta nada ser “mais natural” que o Mc Donald´s. Gosto de plástico não pode ser “mais natural” a nada. Lembrando, eu falo de hambúrguer. Mas o milk shake é bom.

A agenda de papel

Aguém ainda tem uma agendinha de papel? Nada pior que perder o celular. A sensação é de perder o contato com o mundo. Ou então imagine formatar o hard disc? Perder o e-mail de todos! Num passado recente a agenda eletrônica era a culpada da perda dos contatos, pois estavam lá, gravados, até que sua bateria acabava. Nada melhor que uma agendinha de papel com os números de telefone! Muitas idéias prosperam atualmente. O chip do celular resolveu o problema de substituição dos aparelhos, mas não resolveu a perda ou roubo do aparelho. Uma idéia de se fazer uma agenda virtual, guardada num provedor parece algo bastante interessante. Só não vai funcionar se o sistema cair. Vamos ver se um dia o papelzinho será substituído. Duvido muito... Aqueles recadinhos com o telefone, e-mail, etc. Teve uma época em minha vida que não saia de casa se não tivesse uma caneta. O mais interessante era pegar os telefone e nunca telefonar. Nunca fiz isso propositadamente, mas a minha preocupação com isso nunca foi, digamos, organizada. Minha agenda é organizada. Meus e-mails idem. Mas não posso dizer o mesmo de meus contatos. Realmente gostaria de dar mais atenção a isso, mas, em muitos casos, para mim parece o tempo ser algo inexistente. Quando noto isso, percebo que se passou um longo intervalo, mas minha sensação inicial não era esta. Tudo parece passar rápido demais. A única coisa que fica é a agendinha. Uma prova da passagem do tempo.

abril 25, 2007

abril 24, 2007

Santos a contra gosto e um pouco sobre futebol

Sim, eu torci para o Bragantino! Não torci tanto quanto para o São Caetano, mas eu queria uma final de campeonato com dois times sem lá muita tradição. Já que o meu ilustre timão nem técnico tinha certo tempo atrás. Mas como diria Lula, a luta continua, companheiros! Tanto Santos, como São Caetano não faz a menor diferença, assim como se fosse São Paulo ou Bragantino. Essa noção de torcer para desgraça do outro time é para aficionados por vôlei ou tênis, onde o erro tem o mesmo valor do acerto. Para o Santos a vitória trairá mais reputação ao técnico Wanderley Luxemburgo e ao São Caetano a motivação que ele tanto perdeu nas últimas competições. Tinha eu a desconfiança de um Palmeiras na final, pouco antes da decisão para as semi-finais. Mas era só desconfiança.
Bem, por que nesse blog só falo de futebol (aliás, bem pouco, diga-se de passagem esta é a primeira vez) e de nenhum outro esporte? A resposta esta na condição individual dos jogadores dentro de um esporte coletivo. Tênis é muito óbvio. Não há time. O legal do futebol é exatamente saber valorizar as individualidades dos times e as estratégias. Está bem, também a violência em forma de arte, ou a arte da violência... Ou como diria o clichê: “futebol arte”. Mas isso não é importante. O importante é o Banco Real...

Sorvetes

Um dia um amigo disse que isso não era normal, um desvio de caráter. Onde e quando alguém no mundo não poderia apreciar uma das maravilhas da humanidade gastronômica inventou. Parece que não teve infância. E outras coisas do gênero. Porém, realmente eu não gosto de sorvete. Não vejo lá muita graça na maçaroca gelada e doce. Gosto do Chicabon, para não ser, assim tão chato. Viveria tranquilamente sem. Porém, como tudo na vida tem uma exceção, eu adoro aquele sorvete de iogurte do América. Tem até um especial, com Nutella. Os Frozen Yogurt, como são conhecidos os sorvetes de iogurte, são fascinantes. Com calda de caramelo, chocolate ou morango. Todos maravilhosos. Junto com a farofa de castanhas, uma das especialidades da casa, ficam ainda mais saborosos. Ou mesmo os de frutas, com exceção clara ao maracujá (horrível, como tudo que tem maracujá). Na verdade não são sorvetes, mas parecem com um. Visitem o América. Comam um bom hambúrguer, eu aconselho o de gorgonzola, (Hot America), e ao final Frozen Yogurt! Realmente, algumas boas coisas da vida podem responder pelo mesmo nome, mas nunca são a mesma coisa.

Chamando Dr. Hans Chucrutes

Nada melhor que assistir Pica-pau. Se há algo que acredito pertencer a praticamente todas as gerações de pelo menos 35 anos para cá, são os desenhos do Pica-Pau. Frases como “em vinte anos nessa companhia vital, esta é a primeira vez que isto acontece”, “Voodoo é pra jacu...” ou ver o Pica-pau descendo as cataratas num barril, são, além de fascinantes, marcantes. Ou mesmo aquele episódio do duelo no piano entre Pica-pau e Andy Panda. Entre outros episódios marcantes, como o que dá título a esta postagem. Aquela enfermeira chamando o Dr. Hans Chucrutes é algo de abrir um sorriso já pela lembrança.

Como não poderia deixar de ser, eu tenho uma história de Pica-pai para contar. Em 2000, quando voltava de Miami, comprei um pica-pau gigante (nem era tão grande assim) para minha sobrinha. Este não cabia na minha mala. Logo pus numa sacola e levei na mão. A cabeça vermelha aparecendo e eu andando sozinho pelo aeroporto com aquela sacola e um pica-pau dentro, até a sala de embarque. Na sala de embarque, sentado num banco, lendo um livro (marcante também, Notas Autobiográficas de Albert Einstein) e as crianças olhavam para o pica-pau. Diziam aos pais que queriam um pica-pau igual. E eu ali, com aquela cara de nem tenho filhos, não gosto de crianças e tenho um pica-pau na sacola. Era presente encomendado pela minha sobrinha, na época com 3 anos.

Lembro que dei uma penada para comprar aquele pica-pau. Não era tão fácil como um Mickey Mouse ou um Pluto. Ou mesmo qualquer um da Warner. Pica-pau era difícil. Fui encontrar um na Universal, e olha que mesmo assim não foi fácil. Mas foi um presente de que até hoje se recorda. Junto ao o pica-pau tinha também um Scooby Doo, comprado em Las Vegas. Esta, outra história fantástica. Fui na loja da Warner no Cassino e Hotel Caesar´s. Tudo lá tem aspecto romano. Piazzas recriadas e até uma réplica de David de Michelangelo. Nada melhor que comprar um “Roman Scooby Doo”. Ou seja, além do Pica-pau estava eu com outra raridade. Diga-se de passagem, dois personagens que fizeram parte da minha infância e agora faziam parte, 24 anos depois, da infância da minha sobrinha. O pior foi passar na alfândega brasileira. Já para o raio-x! Não acreditavam que eu realmente só tinha de “muamba” um pica-pau. Esses guardas, esses guardas! Só faltava nos alto-falantes do aeroporto exclamar: Chamando Dr. Hans Chucrutes, chamando Dr. Hans Chucrutes!

abril 23, 2007

Metal Heart

Nada mais emocionante do que ver uma banda tocando com vontade. Em 2004 assisti uma das bandas que tinham feito parte da minha puberdade/adolescência. Não efetivamente a banda original, mas sim o conteúdo musical. O Accept foi uma banda alemã que marcou aquele momento do meio dos anos 80 para mim. Ao lado de outras, o Accept era mais pesado que as bandas de hard rock e tinha um vocalista com voz rouca: Udo Dirkschneider. Atualmente sua banda chama U.D.O. e toca muita coisa do repertório do Accept.
Em sua apresentação no Direct TV Music Hall, atual Citbank Hall e antigo Palace, o momento em que claramente Udo ficou impressionado com o público brasileiro foi quando executou a terceira música do show: “Metal Heart”. Na verdade, para mim, aquilo que aconteceu era o sonho de qualquer banda no mundo. Cantarem sua música em detalhes, depois de mais de 20 anos. Senti-me de volta à adolescência, aos passeios no Vale do Anhangabaú, indo na lojinha de discos Woodstock ou nas Grandes Galerias, vestindo camisetas negras. O mais importante é saber que curti bastante aquela fase e que só guardo as boas recordações. O que é difícil de expressar em palavras. É bom sempre lembrar qual era a música incidental que ocorre no meio do solo de guitarra de “Metal Heart”. Nada mais que “Pour Elise” de Ludwig Van Beethoven. O coro feito pelas vozes brasileiras naquele dia emocionou muito o vocalista que finalizou o show com um de seus clássicos: “Fast as a Shark”. Um show inesquecível. Momentos assim ficam para sempre.

A Porta

A porta de entrada da igreja de Santa Maria, em Marco dos Canavezes, Portugal, é fantástica! A muito tempo atrás tinha reparado em seu tamanho. Uma enorme porta, estreita e alta. A igreja é projeto do arquiteto português Álvaro Siza Vieira. O que acho muito envolvente é que mesmo com a sensação da enorme porta, aparenta a construção uma proporção incrível. Os volumes brancos me fazem pensar na hipótese de uma arquitetura influenciada ao mesmo tempo por Le Corbusier e Frank Lloyd Wright. Nesse caso a influencia de Wright não esta tão explicita a exemplo de seus projetos do início de sua carreira. De Siza, atualmente, aguardo ansioso a obra do Museu Iberê Camargo, em Porto Alegre.
Leia aqui mais sobre Álvaro Siza.

abril 22, 2007

Café da manhã saudável

Diz a lenda, que o café da manhã deve ser a melhor refeição do dia. Algo como tomar um suco, comer um sanduíche e tomar uma xícara de café com leite e alguma fruta. Talvez um iogurte. Mas, entre a possibilidade de se ter tempo para comer tranqüilo de manhã e a falta de tempo, o acordar atrasado, existem milhões de histórias, como de simplesmente comer algo entre a descida do elevador à garagem do prédio, comer no carro, ou mesmo não comer, só tomar um cafezinho. Tem o famoso pedaço de pizza do dia anterior. Gelado. Porém, em viagens, às vezes fazemos algumas extravagâncias. Uma das lendas de café da manhã é o pacote de bolachas Bono e coca-cola. Aliás, o “saudável” em qualquer escolha de café da manhã é exatamente qualquer coisa com coca-cola. Não importa, existindo coca-cola no café da manhã não será nunca saudável.

Porém para decepção de muitos, nos Estados Unidos vão lançar a Diet Coke Plus. Será enriquecida de vitaminas e sais minerais. Uma coca-cola saudável!
Always coca-cola
!

abril 21, 2007

Always Heavy Metal

Se me perguntam qual estilo musical mais aprecio, minha resposta imediata é Heavy Metal. Mas isso não quer dizer lá muita coisa. Ou melhor, a interpretação é totalmente errada. Dizer que gosto mais de uma coisa, não exclui outras. Tudo tem um momento.

Atualmente diria que tenho escutado muito mais músicos eruditos como J. S. Bach e Mozart a bandas de heavy metal. Tenho também gostado muito de relaxar escutando Diana Krall. Tudo tem seu tempo e sua hora. Mas não tenho paciência para músicas de protesto, ou certas chatices transformadas em ícones da música. Nessas horas é HEAVY METAL neles! Always Heavy Metal! Para gente chata, não tem solução, somente sendo radical. Por exemplo: sempre gostei de Lulu Santos. Não posso dizer que sou fã, pois nunca comprei nenhum disco seu, mas algumas de suas músicas, como “A Cura”, “Como uma Onda no Mar” e “SOS Solidão” escuto. Da mesma forma que gosto de músicas de bandas como Dimmu Borgir, Annihilator. Não escuto uma após a outra, claro.

Para chegar a esse “estado das coisas” foram muitos anos tentando entender por que alguém acha estranho ouvir duas coisas conflitantes. Acredito ser a resposta muito simples: tentam encontrar na música que escuta saber quem é você. Na verdade quando se é radical, a pessoa não se abre a escutar outros ritmos, a não ser aqueles incorporados ao cânone radical. E esta é a forma mais fácil de se conferir um rótulo à pessoa. Em suma, ser rotulado de radical a tentar dialogar com gente pouco instruída e sem conhecimentos musicais, ter a opinião fechada a não entrar nas discussões sem fim, baseadas naqueles clichês que só existem para serem contestados, é uma forma de não se perder tempo com algo que não interessa a ninguém. É nítido que alguém que um dia tocou algum instrumento musical, por livre e espontânea vontade, é aberta a diálogos sobre vários ritmos e nunca se limita a radicalismos bocós.

A falta de diversidade faz com que a cultura fique forjada a certos critérios e assim firmando os clichês ao longo do tempo. Aos que fogem disso, sobram duas alternativas: ser alternativo ou ter seu próprio estilo. Essa questão de “estilo” nada mais é que o acumulo de preferências e a defesa delas. Não se entra no mérito se são clichês ou não, somente se opta por qual lado se está. Porém, não é objeto deste texto explanar sobre estilos, que vão desde o “surfista” ao “mauricinho”, todos eles baseados nas preferências de certas regras pré-estabelecidas, e nem sobre o que seria ser alternativo. É simplesmente mostrar que a prévia concepção de um critério é a forma mais fácil de não precisar perder tempo com quem não entende a dimensão e, como diria Robert Venturi, a “complexidade e contradição” dos vários fragmentos que somos formados.

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...