dezembro 21, 2007

Educação no final do ano...

Ouço sempre falar em educação no trânsito, educação no atendimento e coisas semelhantes. Só não vejo nenhuma das referidas educações acontecendo. Resolvi em parte comprando presentes via internet. Não entendo o que passa com os vendedores. Fui tão mal tratado em tantas lojas e, detalhe, era logo no começo de dezembro. Aí desisti de ir a qualquer loja. O que acho estranho é que naqueles quadros de “Missão da Empresa” tem sempre um item como “melhor atendimento” ou “atendimento em primeiro lugar”. Tudo balela, como sempre.

E o pior são aqueles pseudo-ativistas ateístas que dizem ser o Natal um momento de compras para o comércio. È tão chato isso. Nada melhor que comemorar o nascimento de Jesus Cristo comprando e recebendo presentes de quem se gosta (mesmo aqueles que são ateus devem saber que o feriado é em homenagem ao nascimento de Cristo, uma pessoa que existiu, e não sobre a fé em qualquer que seja o Deus que estes dizem não existir).

Mas voltando às pessoas, não entendo o por que de algumas delas, principalmente mulheres, de parecer ser o que não são. Compram-se presentes nessa época, e elas não são as únicas que fazem isso. Logo, para que aquela cara de sou “a” compradora?

O pior é o comportamento politicamente correto. Recebi dia desses a revista do Shopping Ibirapuera, muito boa por sinal, volto a ela numa outra postagem, onde numa parte atores falam sobre o que dariam se fossem papai Noel. Tudo, sem uma vírgula de exceção, pautado pelo pensamento politicamente correto. Depois eu digo que cada vez mais gosto do programa “fala que eu te escuto” e ninguém entende o por que... (outro dia, assistindo ao tal programa, mostrava que a igualdade é um pecado... volto a isso noutra postagem... Muito engraçado!)

Em suma, o que sempre me irritou desde a infância continua a me irritar: multidões! Só um Roberto Carlos para piorar tudo:

“(...) Olho no céu e vejo
Uma nuvem branca
Que vai passando
Olho na terra e vejo
Uma multidão
Que vai caminhando...
Como essa nuvem branca
Essa gente não
Sabe aonde vai
Quem poderá dizer
O caminho certo
É você meu Pai... (...)”


Roberto Carlos – Jesus Cristo (1970)

dezembro 16, 2007

Voltei de novo...

Bem, eu voltei de viagem na semana passada, mas o tempo continuou escasso, ou seja, continuei sem escrever aqui. Tanta coisa a falar, nem sei por onde começar. O pior que não começarei ainda hoje, mas como tem bastante material para ser lido aqui, não fico tão preocupado com material novo.

Vamos começar a falar da CPMF... Certo que a minha alegria de não ter mais o tributo não quer dizer nada, pois não creio que o tributo realmente não seja alterado ou até mesmo reeditado ano que vem. Ou seja, nada muda e não sei por que o debate é tão calculado para ser tão dramática a atitude de partidários do governo. Se a saúde pública ainda não melhorou não será com o dinheirinho dos próximos anos que irá melhorar. O problema está na falta de vontade de melhorar e na completa incompetência das pessoas responsáveis por ela.

O governo tinha a maioria dos votos, que se perdeu sabe-se lá como... Ou melhor, por quanto. A negociação não foi produtiva e o dinheiro da máquina não conseguiu convencer seus pares. Bons tempos (nem eram, na verdade) em que as oposições que botavam a boca no mundo por causa de compra de votos... São mesmo uns babacas.

Acho que a CPMF é um problema de falta de consciência. Muita gente incluindo-se aí Arnaldo Jabor e outros não davam atenção à importância do valor cobrado pelo tributo. De como a arrecadação desse tributo prejudicava muito mais os mais pobres e de como o preço indireto disso acarretava uma piora no poder de compra. Mas fazer o que... A idéia era melhorar a saúde pública... Pelo visto acho que não deu certo...

Aliás, as coisas que dão certo no Brasil normalmente nada têm a ver com o governo. Agora vamos por partes: educação e saúde pública estão uma boa porcaria. E a habitação de interesse social? Nem debate existe... Ninguém sabe de quantas casas o Brasil precisa. Ninguém faz idéia de qual seja o déficit habitacional brasileiro. Mas sabem que a construção civil está em crescimento... As exportações? Será que o Brasil têm por acaso a estrutura necessária para exportar mais? E o setor elétrico? Em suma, desde 2004 falo constantemente que a infra-estrutura brasileira é a mesma desde os tão falados “anos de chumbo”. Ninguém investe nela.

Na hora que se tenta fazer alguma obra, se escolhe logo a mais duvidosa de todas: a transposição do Rio São Francisco. E o tal padre, cujo nome não lembro, está fazendo greve de fome para paralisar a obra. Nesta hora, digo que se torna extremamente necessária a leitura de um breve texto de Rodrigo Constantino. È uma primeira leitura de como o mundo não é assim tão belo. Para ser mais exato, deve haver outras leituras muito mais profundas, mas esta é rápida e vai quase ao ponto. Não vai ao ponto exato porque este texto foi escrito em março passado, noutro contexto. Leia aqui.

dezembro 08, 2007

Voltei...

Voltei. Não ainda como gostaria. Não vou renovar tudo ainda por aqui. Vai demorar muito. Mas tenho que dizer: estou bastante ansioso. Isso é bom por um lado e péssimo por outro. Estas duas semanas foram bastante agitadas, além da pressão normal que já estou até acostumando. Foi fora do padrão. E paralelo a isso, ainda muita coisa aconteceu. Vai ser difícil colocar tudo por aqui. Pois, lembrando, isso aqui não é um diário. No fundo não gosto dessa coisa de diários. Já pensei muito nos diários; de como eles podem marcar momentos. Mas eu vejo de outra forma: um diário é uma novela da Rede Globo. Se perder três ou quatro capítulos, não faz a menor diferença; cenas que sozinhas talvez digam mais que capítulos inteiros.

Uma vez alguém me disse, já até comentei aqui no blog, que a vida é feita de dias de preparação para alguns dias especiais. E só esses dias fazem a vida ser muito melhor que todos os outros que foram de preparação. È um jeito meio estranho de se ver as coisas. Eu acho que me acontecem coisas boas todos os dias. O mais interessante é que nunca se sabe o que vai acontecer e em que momento.

Uma das coisas mais interessante se dá ao passo que a leitura se incorpora como hábito quase vicioso. Não sei dizer, mas tem horas que acredito naquela hipótese sobre a amizade entre pessoas que não se conhecem, que também já falei aqui. Essa hipótese surgiu numa crônica do ex-senador e apresentador do programa “Quem tem medo de música clássica?”, Artur da Távola. Ele escreve:

Artur da Távola em 17/09/2007

Quem é amigo?

“Amigo é quem, conhecido ou não, vivo ou morto, nos faz pensar, agir ou se comportar no melhor de nós mesmos. É quem potencializa esse material. Não digo que laboremos sempre no pior de nós mesmos (algumas pessoas, sim) mas nem sempre podemos ser integrais para operar no melhor de nós. Há que contar com algum elemento propiciador, uma afinidade, empatia, amor, um pouco de tudo isso. E sempre que agimos no melhor de nós mesmos, melhoramos, é a mais terapêutica das atitudes, a mais catártica e a mais recompensadora. Esta é a verdadeira amizade, a que transcende os encontros, os conhecimentos, o passado em comum, aventuras da juventude vividas junto. Um escritor ou compositor morto há mais de cem anos pode ser o seu maior amigo.
Esse conceito de amizade transcende aquele outro mais comum: a de que amigo é alguém com quem temos afinidade, alguma forma de amor não sexual, alguém com quem podemos contar no infortúnio, na tristeza, pobreza, doença ou desconsolo. Claro que isso é também amizade, mas o sentido profundo desse sentimento desafiador chamado amizade é proveniente de pessoas, conhecidas ou não, distantes ou próximas, que nos levam ao melhor de nós. E o que é o melhor de nós? É algo que todos temos, em estado latente ou patente, desenvolvido ou atrofiado. Mas temos. E certas pessoas conseguem o milagre de potencializar esse melhor. (...)
Somos todos seres carentes de ser vistos e considerados pelo melhor de nós. A trivialidade, a superficialidade, as disputas inconscientes, a inveja, a onipotência, a doença da auto-referência faz a maioria das pessoas transformar-se em vítimas do próprio olhar restritivo. E o olhar restritivo é sempre fruto da projeção que fazem (fazemos) nos demais, de problemas e partes que são nossas e não queremos ver. E quantas vezes isso acontece entre pessoas que se dizem amigas. Essas pessoas (que se dizem amigas), ignoram certas descobertas do velho Dr. Freud e através de chistes passam o tempo a gozar o “amigo”, alardeando intimidade (onde às vezes há inveja) como prova de amizade. O que não é. Mesmo quando é...(...)”

Bem, depois de todas estas palavras, fica até difícil voltar ao tema. Mas é uma verdade que os livros, os filmes, as músicas nos levam para algum lugar e nos fazem gostar e admirar outras pessoas pelo simples fato de conhecer algum escrito delas, algumas música ou sua atuação num filme. E é um tanto quanto atemporal. Assim como temos as lembranças daqueles momentos de certas amizades, temos a impressão igual de que um dia tudo foi melhor. Estava lendo dia destes uma crônica que falava exatamente em como nos prendemos a certas épocas (anos 1960, principalmente) e achamos todo o resto pior, ou melhor, tentamos esquecer um pouco do resto que foi feito depois.
Tudo parece ser tão estranho.

dezembro 05, 2007

Pequenas férias

Pequenas férias... volto sábado...

Mas para não deixar em branco, segue notícia do ex-blog do futuro ex-prefeito do Rio de Janeiro:
"A TORCIDA DO FLAMENGO SERÁ TOMBADA!
No Diário Oficial de quarta-feira, a Prefeitura do Rio publicará decreto Tombando a Torcida do Flamengo como Bem Cultural da Cidade. "
Ai, ai... Nem tenho comentários a fazer...

dezembro 02, 2007

E lá se foi a esperança...

Não dá nem pra confiar no Internacional de Porto Alegre. Como pode perder para o 17º colocado no campeonato? Assim, mesmo com o empate com o Grêmio, o Corinthians disputará o título que, entre os times da capital paulista, só o Palmeiras possui. O Goiás teve uma vitória, fazer o que... O Inter falhou... O fato que depender do Inter para que o Corinthians não caísse para a segunda divisão significava que os limites já estavam mais que estourados. Para ser mais exato era a dependência, de novo, da derrota do Goiás, como na rodada anterior...

Como corintiano sinto em dizer que a única vantagem é poder ver jogos disputados agora na Fazendinha...

Os Palmeirenses estavam felizes hoje à tarde no metrô. A polícia do metrô, aquele bando de homens de negro, estava lá para controlá-los. Não assisti a nenhum dos jogos, estava numa avaliação, por sinal, muito chata... Mais chato ainda que me senti num filme, daqueles dos anos 1970, onde o rapaz anda pela Barra Funda (no meu caso, estava muito próximo ao Memorial da América Latina) e escuta o rádio de uma daquela barracas anunciando o Corinthians na segunda divisão do campeonato brasileiro.

Mas é isso. Agora é levantar a cabeça e torcer para ser campeão da segundona em 2008. Iniciando ano que vem com força para um bom campeonato paulista (para não cair lá também) e ser campeão no desfile de escolas de samba com a Gaviões da Fiel! Isso que é torcedor! Logo que o hino estiver pronto publicarei aqui!

Sou contra!

Sou contra a CPMF. Já expliquei os motivos pessoais em outra postagem e os motivos de “ordem coletiva” são referentes que o mesmo dinheiro é tributado várias vezes e quem paga a conta final é o consumidor final. A idéia inicial do “imposto único” concebida pelo ex-deputado do PL Marcos Cintra (depois do PFL e atualmente sem mandato) foi manipulada e mal interpretada. Não sei nem por que ele ainda defende a CPMF hoje... Sem contar que acredito ser a CPMF um instrumento de pressão fiscal de pessoas direitas... Pois os corruptos preferem dólares na cueca, mala de dinheiro...

Sou contra também a (re)reeleição. Para ser mais claro sou contra a reeleição. Um mandato, e de 4 anos, está mais do que bom. A alternância de poder é algo muito bom para retirar vícios e mordomias. Inclusive acho que se deve estender a não reeleição para os cargos do legislativo...

Se algo que sou mais contra do que tudo é a imposição de uma ditadura, não importando qual seja. E quanto mais tempo passa, mas vejo que o problema de Lula com Fernando Henrique Cardoso se dá pelo fato do último ter feito instituições sólidas e democráticas... Acabando com o plano do PT de impor a ditadura popular que cada vez mais se apresenta em seus planos e discursos. Quem não acredita nestes planos e ditadura, basta saber que Hugo Chavez é o “amigão” do Lula... E que Lula disse certa vez que o problema da Venezuela é excesso de democracia... Até o Paulo Maluf, deputado relator da proposta da entrada da Venezuela ao bloco econômico do Mercosul, desconfia da “democracia” venezuelana...

Vamos ver se hoje, dia 2 de dezembro, a Venezuela aprova a sua “ditadura escancarada”... Num plebiscito pra lá de estranho...

Sou contra o comércio de produtos chineses contrabandeados. Sou contra o uso de drogas. Sou contra as FARC. Sou contra o tráfico de drogas não ser duramente combatido no Brasil. Sou contra os fundamentalistas de qualquer gênero. Sou contra o MST. E quero que se danem todos eles juntos...

Já que me perguntaram certa vez do que eu era a favor, eu vos digo: IURD – Igreja Universal do Reino de Deus. Que lá entra, entra por que quer. Afinal este é um país livre, não é? O que ele faz com o seu dinheiro depois que você deu a ele é problema dele, pois se você deu, já não é mais seu... Digamos, você fez sua parte...

Sou a favor da liberação dos jogos e reabertura dos cassinos. Adoraria ir para Araxá, ficar naquele hotel maravilhoso, tomar banho nas termas e depois, durante a noite, ver um belo show e jogar na roleta uns R$5,00... Poderia ser também em Águas de Lindóia. O que não pode ser é em São Paulo, no Rio de Janeiro e em locais onde a fiscalização para conter as drogas e a prostituição seja complicada... Esse é o problema maior do jogo, o que vem com ele anexado. Quanto aos viciados em jogo, que se tenha avaliação de crédito e que os impossibilite de acabar com a vida jogando, assim como deveriam fazer com aquelas mulheres que torram tudo nas compras... Doença é doença, não é solução fechar as lojas, fechar os cassinos e proibir o cigarro e o álcool...

Devo ser a favor de mais coisas, mas não lembro...

E agora é só jogar...

E hoje teremos o fim do campeonato brasileiro, com um Corinthians muito próximo de ser rebaixado. O maior culpado de tudo isso é o próprio time, que não ganhou quando teve a chance. Por ser tão ruim e depender de Finazzi, ou tão ruim porque depende de Finazzi, que não estará nessa “decisão”.

Vamos ver como serão as coisas... Se ganhar tem a chance de continuar na série A, independente dos resultados dos outros times. É só esperar.

dezembro 01, 2007

Guerrilha brasileira...

É com enorme desprezo que faço esta postagem. Não entendo em que momento se tornou motivo de honra alguém se dizer guerrilheiro. Eu vejo alguém saído de uma guerra, qualquer guerra, alguém sempre muito triste, traumatizado com o que teve de passar. Matar alguém é algo que não tem justificativa. Talvez, sendo um traficante ou assassino, não tenho lá muito certeza se me importaria se fossem mortos. Os monumentos espalhados pelo mundo homenageando os soldados sem nome e as muitas lápides nos cemitérios com datas muito próximas são para mim o máximo que uma guerra construiu.

Se uma guerra normalmente tem motivações econômicas eu creio que a ideologia hippie do “se eles derem uma guerra e ninguém fosse” seria até respeitosa se isso tivesse contrapartida dos dois lados da guerra. Num Vietnã sabemos bem que o desfecho após a saída americana foi péssimo e apoiar isso no Iraque é a mesma coisa que dar sentença de morte para muita gente inocente. Mas no Brasil nunca houve guerra nos moldes como vemos no Iraque e Vietnã. Chamar de guerrilha os movimentos armados constituídos a partir de 1963 (ou seja, antes da Revolução de 64) é uma enorme besteira. No máximo eram grupos terroristas. E bem por isso que eu os desprezo. Fazer terrorismo por “uma causa nobre” é em primeiro lugar ridículo. Primeiro que não existe ato mais covarde que o terrorismo. Ações terroristas só atingem pessoas inocentes. E que “causa nobre” poderia ser esta? A constituição de uma ditadura popular no moldes de Cuba ou China? Não há como não ter desprezo por estes que se auto-intitulam guerrilheiros e invertem o valor de uma luta... Sabe-se que a abertura militar, assim como o seu endurecimento, foi sem lutas, sem guerra e sem o derramar de sangue comum nestas ocasiões. Só para dar uma idéia da desgraça do que defendem esses imorais é conhecer o Holodomor, o holocausto ucraniano, ocorrido entre 1929 e 1932 (veja imagens e informações aqui). Essa é a grande “causa nobre” defendida por esses imorais...

A dimensão cultural

A dimensão cultural que cerca a arquitetura como arte e como expressão não esta associada da mesma forma que uma profissão convencional, mesmo sendo esta também criativa. Colocamos em par duas ou três outras profissões como a de jornalista, publicitário e engenheiro mecânico. Veja que nenhuma das três está desassociada a algum tipo de cultura e muito menos à criatividade.

O fato é que o jornalista, quando ao noticiar um fato precisa ter em mente se o fato é inédito, ter grande conhecimento geral e visão crítica, mas sua opinião pode ser momentânea tanto quanto pode ser eternizado como grande crítico ligado àquele momento. Um jornalista cultural mais especificamente deve ter em mente que sua obra pode estar completamente errada e que isso não é um problema. Um exemplo seria aquele do jornalista que falou durante os anos 1960 que os Beatles eram um fenômeno passageiro e que em alguns anos ninguém se lembraria deles. Isso poderia se aplicar ao caso de bandas como Menudo, New Kids on the Block e tantas outras... Mas sobre Beatles aquele jornalista que não lembro o nome errou. Quanto à criatividade, o jornalista tende a escrever ou noticiar os fatos de forma que estes sejam mais lidos e que desta forma a noticia se propague. Não que ele invente a notícia, mas ai que entra a anedota do “passarinho”, tão conhecida no meio jornalístico.

Já o publicitário, ao redigir uma campanha ou mesmo em acertar sua arte gráfica, ele não chega a empreender algo que tenha um longo período de existência. Mas especificamente está bastante ligado a um modelo arquitetônico, o modelo ativista, que é aplicado na arquitetura de lojas, restaurantes e shoppings. Uma bela campanha fica no ar no máximo alguns anos, assim como as arquiteturas dos shoppings, onde a renovação não passa de uma parte do plano de marketing. No caso dos restaurantes, existe ainda um fator técnico, além deste de marketing, que seria o avanço tecnológico de equipamentos. Logo as agencias criam muitas campanhas que estas vão sendo mudadas e novos produtos são lançados, assim criando ciclos. Tem que estar em direta relação com as culturas para as quais se destinam os produtos. Para usar um termo da área, tem que estar de acordo com o público alvo da campanha. Nada mais é que a cultura desde público alvo. Veja só, se um produto quer o público adolescente, têm que buscar o que os adolescentes consomem em termos de música, televisão e roupa, por exemplo. Assim como da mesma forma pode induzir ao tipo de música, roupa etc., mas sempre por um período razoavelmente curto.

O caso do engenheiro mecânico é o mais difícil para expor, pois muita gente não vê o uso da criatividade em sua produção e nem mesmo a ligação cultural que este tem. Vamos num exemplo próximo de meu conhecimento. Um engenheiro mecânico que trabalhe para uma empresa de máquinas e implementos agrícolas. Tem que estar ligado ao tipo de cultura produzida, ou melhor, se os produtos são destinados à lavoura de soja, necessita saber como cresce a leguminosa e como é feita sua colheita, para assim criar com seus instrumentos técnicos as máquinas especificas para a colheita. Mas nessa criação pode interferir no método de plantio, para, por exemplo, deixar fiadas maiores para a passagem de trator etc., sempre fazendo um calculo a respeito de demanda, tempo, perdas e com uma noção completa de processo. Não é ligado logicamente a uma cultura de momento, mas sim por um conhecimento técnico que por sua vez é ligado a uma cultura maior. Vamos por exemplo no caso da soja. Há mais de 30 anos a soja não tinha sequer o interesse comercial que têm hoje, e a substituição da banha do porco pelo óleo de soja esta intrinsecamente ligada à cultura e não a questões econômicas e técnicas. Bem por isso esse é o exemplo mais complicado de se explicar. Tem que se compor que a cultura de momento, a atual de baixas calorias e alimentos mais saudáveis, tem grande participação nas atividades do agro-negócio e da tecnologia aplicada a este. A criatividade do engenheiro mecânico é tão grande quanto á do arquiteto e do publicitário, porém sempre ligada à atividade técnica. É engraçado como se vê hoje falar na questão eletrônica como tecnologia sem sequer notar que as estruturas onde estão colocados os componentes eletrônicos também avançaram muito em materiais, técnicas e projeto. Basta olhar para seu monitor à frente e comparar como eram dez anos atrás e sua televisão com aquelas dos anos 1980, por exemplo. Veja que falo da estrutura mecânica e não das qualidades técnicas, que de certa forma só vieram a mudar com a tecnologia de LCD. Junto a esta nova tecnologia, a dimensão mecânica do uso dos plásticos e dos processos para que fiquem cada vez mais precisos e de melhor qualidade e resistência mecânica. Isso sem contar a questão do design de produto, que é a característica que mais cresceu dentro da técnica mecânica.

Já arquitetura carrega em si muito mais que os três exemplos acima. Vejamos. Quando ao se construir um edifício, este no mínimo tem a duração de mais de vinte anos. Isso, claro, retirando casos de arquiteturas itinerantes, que estão por sua vez colocadas em outro modelo arquitetônico, já citado, o ativista. Ao contrario do modelo ativista, temos o modelo arquitetônico institucional. O império romano teve a maior influencia na história da civilização e por sua vez tudo o que se refere aos símbolos institucionais de poder normalmente está ligado a uma arquitetura de origem clássica (neoclássico – greco-romano). Assim podemos destacar a arquitetura feita par a cidade de Washington D.C., com sua arquitetura em modelo neoclássico, normalmente balizadas por elementos da arquitetura greco-romana, como as colunas com capitéis e os adornos de seus frontões. Da mesma forma Mussolini também elegeu esta arquitetura como o modelo arquitetural de seu governo. A Alemanha que já havia desenvolvido no entre guerras a arquitetura da industrialização, caracterizada pela Bauhaus, nas mãos de Hitler assume também como seu modelo arquitetural formas da arquitetura neoclássica. Mussolini era representado pelo arquiteto Marcello Piacentini e Hitler pelo arquiteto Albert Speer. Assim também a ex-URSS també elegeu como sua a arquitetura neoclássica.

Tanto o modelo ativista quanto o modelo institucional se completam no quesito em que o símbolo é mais forte que a questão técnica e a questão funcional. Lembrando que o conceito definido pelo arquiteto romano Marco Vitruvio Polião, defendido no manifesto da arquitetura, diz ser a arquitetura definida pelos três elementos fundamentais: a firmitas, a utilitas e a venustas. Sendo a firmitas o que se refere à estabilidade, à construção, utilitas que se refere à função, a sua utilidade final e a venustas que se refere à beleza, à estética. Estes três elementos devem sempre estar em equilíbrio.
Mas o campo da arquitetura ainda está muito além destes dois modelos. Tanto o é que a arquitetura de palácios e templos, o que mais se preservou da antiguidade, é somente uma parte da arquitetura. A arquitetura construída para o povo sempre teve características ás vezes não enxergada pelo olho mais desavisado. Basta saber da arquitetura das bandeiras ou bandeirista brasileira. Assim como a arquitetura tradicional ou colonial era diferente da barroca, que de tão diferente e concentrada numa mesma região recebe o nome de barroco mineiro. A arquitetura produzida pelas tribos indígenas está de certa forma concentrada num mesmo modelo arquitetônico chamado vernacular. Assim todas as arquiteturas, por mais diferentes que sejam como as dos Vikings escandinavos, assim como a arquitetura tradicional japonesa, estariam no mesmo modelo arquitetônico. Este seria o modelo da arquitetura de tradição, onde os métodos construtivos são passados de geração a geração, ligados intimamente a culturas regionais. Onde normalmente estes métodos construtivos estão ligados à presença de materiais naturais destas regiões, como madeira, pedras, etc. De outra forma, a arquitetura entendia no modelo arquitetural intuitivo, seriam as arquiteturas feitas de forma expressionista. Esta arquitetura seria a definida por expressões matemáticas ou por traços de expressão como as arquiteturas dos arquitetos Peter Eisenman ou Frank O. Gehry. Estas posturas e de outros arquitetos estariam ligadas ao local e a uma busca por entender as cidades, ou melhor, pontos específicos das cidades. Estes dois modelos arquiteturais estariam ligados a locais específicos, nunca a uma teoria de “modelo internacional”. Suas arquiteturas não fazem sentido fora de seus sítios urbanos. Ou seja, construir um pagode chinês em plena floresta amazônica seria algo sem nenhuma lógica a não ser se alterasse o conceito para aquele do modelo ativista, onde esta arquitetura nada mais fala a respeito dela mesma, mas sim a respeito de um símbolo que ela passou a representar.
Mas que isso, o aspecto atual da arquitetura, que passa a não ser mais relevante em termos culturais, mas somente relevante como símbolo de status. Assim com a dissociação do meio urbano da arquitetura, temos hoje algo que se chama por arquitetura que nada mais é que uma caricatura da arquitetura. O debate de idéias não acontece mais. Conforme boa parte das pessoas desconhece, quando acontece o desequilíbrio entre a arquitetura dita como comercial e daquela ligada a cidade, temos a impressão de que estamos numa cidade de cenários, um parque de diversões. Uma cidade que vive seu espaço urbano de forma alguma perde suas características pela implantação de certas arquiteturas.
No caso, uma teoria bem vinda é a da "terceira era da cidade", do arquiteto Christian de Portzamparc. Nesta teoria critica de forma interessante o chamado urbanismo moderno. Primeiro reflete o que seria a primeira era da cidade, e fala das arquiteturas das cidades medievais, normalmente fortificadas em que a rua e a quadra formavam o espaço urbano. Esta lógica foi alterada durante o movimento moderno, que seria a segunda era da cidade, cuja lógica era a dos objetos isolados. Seria como a implantação de inúmeras edificações isoladas e que seu espaço intermédio seria um espaço vazio. Não teria nada entre elas que se fizesse como ligação. Na sua proposição da terceira era das cidades demonstra que a segunda era queria apagar a primeira era e não conseguiu. Portzamparc sugere então a integração de novos objetos sendo implantados de acordo com o espaço existente e fazendo assim uma ligação pelos espaços intermédios. A valorização da rua é uma de suas metas, assim complementando uma outra teoria que seria a da “quadra aberta”. Onde as quadras teriam acesso aos pedestres e de carros separados. Teria ai a hierarquização dos espaços em público, semi-público, semi-privado e privado, onde sua teoria se encontra com teorias de desenho urbano surgidas nos anos 1960, onde se inicia, digamos assim, as criticas ao movimento moderno.
A cidade que não se apaga com a concentração de uma nova cidade por cima desta é um caso bastante parecido com o da cidade de São Paulo. Por seu crescimento em tão pouco tempo, na introdução do livro de Benedito Lima de Toledo, “São Paulo: três cidades em um século”, Leonardo Benévolo compara São Paulo a um adolescente que cresceu sem trocar suas roupas, assim estas ficando curtas e apertadas.

Em relação à dimensão cultural, que é o foco principal desde texto, temos ai uma nova dissociação entre cultura e arquitetura. São é a toa que a maioria dos edifícios novos residenciais siga uma estética dos neoclássicos. Uma sociedade que não soube guardar o que tinha de valor em seu sítio urbano tenta buscar num símbolo alguma referencia. O fato de edifícios novos residenciais estarem no modelo arquitetônico ativista é péssimo. Diferente por exemplo do edifício da loja Daslú, que é uma loja, e que pode ser renovado a qualquer momento, ele não é um ponto de referencia da cidade, mas sim mais uma loja, mais uma arquitetura efêmera. Por sua vez a Daslú é também muito diferente do edifício da atual loja Fnac, em Pinheiros, antigo Shopping Ática Cultural, projeto do arquiteto Paulo Bruna, que com sua implantação estimulou a renovação daquela área urbana em menos de dez anos.O fato de que um modelo arquitetônico serve bem a uma função, como o ativista para as arquiteturas de lojas e restaurantes, ele pode servir muito mal a outra tipologia arquitetônica como os prédios de apartamentos. Não é a arquitetura que define sucesso ou insucesso de um empreendimento, mas a dissociação ou associação da cultura com a arquitetura sim. No pequeno livro do arquiteto Jaime Lerner, “Acupunturas Urbanas”, podemos ver inúmeros casos onde a arquitetura, o desenho urbano e o urbanismo em conjunto com uma cultura podem fazer para melhorar os espaços urbanos. Tudo isso sem mexer na estrutura de vida das pessoas. Porque mudar a arquitetura para mudar as pessoas é de um autoritarismo sem tamanho e, como toda proposta autoritária, normalmente não encontra eco na sociedade.

Filosofia grega... e cibercultura

Não sei dizer se vale a pena, mas com certeza é melhor a discutir Foucault.

Dia 10 de dezembro, à 19:30h acontecem na Livraria Cultura do Conjunto Nacional:

“Os filósofos pré-socráticos” – com Carlos Eduardo Meirelles Matheus - e “Uma introdução ao pensamento de Platão – O Banquete” – Viktor D. Salis.

Também acontece no mesmo local e hora, o lança mento da biografia do primeiro ditador da república brasileira – “Getulio Vargas, vida e obra”, de Maria Auxiliador Dias Guzzo.

E dia 7 de dezembro, também às 19:30h, na Livraria Cultura do Shopping Market Place, Fábio Fernandes fala sobre “Blade Runner e suas influencias na cibercultura”.

Força Timão II

E a força ao Timão continua... Não acredito, o time perdeu para o Vasco da gama, mas os seus adversários também perderam na rodada, assim ficando a decisão final para quais times serão rebaixados exatamente para a última rodada. Esse ano os campeonatos foram, de certa forma mais emocionantes que os de 2006...

Bem, só espero que o Corinthians, meu time, não seja rebaixado...

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...