abril 09, 2007

Inferno

“O inferno dos vivos não é algo que virá a ser: se houver um, ele já está aqui, o inferno onde vivemos todos os dias, que criamos por estarmos juntos. Há dois modos de deixar de sofrer com ele. O primeiro é fácil para muitos: aceite o inferno e torne-se parte dele de tal forma que não o veja mais. O segundo é arriscado e exige constante vigilância e cuidado: procure e aprenda a reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não são inferno, e então faça-os resistir, dê-lhes espaço.”

Ítalo Calvino, Cidades Invisíveis.

10 anos de internet

Neste ano de 2007 faz 10 anos que naveguei pela primeira vez na internet. O primeiro contato com computadores foi anterior, mas só em 1997 comprei o meu primeiro PC. Um “incrível” Pentium 200 MMX. Era top de linha naqueles tempos. Tinha uma conexão discada muito boa para a época e meu primeiro provedor foi um tal de SOL - SBT ON Line! Uma empresa do grupo Silvio Santos, claro.
Na época estava maravilhado com a rede. Buscava por bandas de rock, quase nenhuma tinha site oficial, por fábricas de carro, como Ferrari, Lancia, Maserati, e tinha as tais salas de bate-papo do UOL. Depois que me expulsaram umas duas vezes eu nunca mais entrei em nenhuma. Logicamente montei um e-mail no hotmail. Lia a Folha e as revistas da Abril, inclusive a Playboy. Nada estava ainda na internet direito. Recebia quem sabe um e-mail por semana. Um tempo depois veio o ICQ. Olhando para o que se tem hoje, com YouTube, a velocidade de acesso e a quantidade de informação, aquilo parece algo pré-histórico. As imagens vinham em sua maioria separadas, pois existia uma lógica dos web designers que três imagens de 30k eram mais rápidas de se baixar que uma de 90k. Depois vieram os sites chatíssimos em flash. Olha só: conceitualmente se perdia a interatividade para ser ter movimentos, animações. Demorava muito mais para carregar as páginas para se ter cinco segundos de animação. E todos queriam as páginas com flash.
Outra coisa era a imagem de baixa resolução. O Photoshop fazia maravilhas já, porém para internet as fotos deveriam ser pequenas, muito pequenas. Felizmente hoje em dia, as fotos digitais são rápidas e em boa resolução, graças à velocidade de conexão isso deixou de ser algo importante.

Agora a respeito dos e-mail´s, ainda hoje se nota uma situação engraçada: logo que a pessoa inicia suas atividades via e-mail ela repassa para todos os contatos as piadinhas, arquivos powerpoint, cartões eletrônicos e imagens que recebem, fazendo o popular spam. Ainda não sei o motivo, mas certo tempo depois pára de enviar. O mais engraçado é o ciclo das piadas. Elas parecem voltar a cada tempo, assim como as lendas urbanas via e-mail. As histórias mais comuns são do famoso golpe “boa noite Cinderela”. Algumas histórias são muito interessantes, como a do Sr. Gorsky, que acho muito bem humorada, mesmo sendo falsa. E também existiam os questionários para se conhecerem melhor, com as perguntas sobre preferências.

No início falavam que a internet iria terminar com os outros meios. Que o fim dos jornais estava próximo. Que a informação seria democraticamente distribuída. Os livros acabariam. Tudo seria virtual. A arquitetura das lojas acabaria, pois tudo se compraria pela internet e as lojas seriam somente galpões de distribuição. Agora se fala em sistemas operacionais livres, como o Linux. Fala-se sobre o fim da Microsoft. Sobre o fim da televisão até.

Nesses dez anos o que pude ver que a única coisa que realmente aconteceu é que agora existe mais um meio, que antes não existia. Que agora se faz coisas novas que antes não se faziam e, com isso, se deixa de fazer ou se faz menos algumas coisas que antes se faziam mais. Mudaram alguns hábitos, mas o mundo continua o mesmo. Talvez se tenha mais comodidade em muitas coisas, como ir ao banco. Será que se vende mais livros hoje do antes? Não sei, mas que se continua vendendo se continua, mesmo podendo baixá-los pela internet. CD´s? Acredito que se tenha caído muito em termos de vendas, pelo menos noto que as lojas só de CD´s estão cada vez mais raras e o mp3 cada vez mais comum. Também é difícil de entender qual a parcela de cada um nesse caminho, considerando também que as lojas mudaram seu modo de operação.
Em 1997 fui na inauguração do Ática Shopping Cultural (hoje Fnac). Era o inicio do que se chama de mega-stores. A Saraiva fez o mesmo. Nesses locais se encontra tudo o que define Arnaldo Jabor por “indústria cultural”. Pois se tínhamos então um modo de vender e simultaneamente se introduz um novo meio, os dois motivam as mudanças de hábitos e consequentemente a nossa forma de fazer as coisas. Colocar somente a culpa na internet seria uma visão parcelada da situação. Agora em relação aos “alarmismos”, sempre é bom pondera-los, mas não repeti-los sem a mínima reflexão.

Sobre a indústria cultural acredito que com a internet se conseguiu muita coisa boa. Aliás é difícil entender essa indústria. Entender nem tanto, mas conseguir ver qual a finalidade é mesmo complicado. Se popularizou muita coisa em termos de literatura, de DVD´s e até mesmo de cd´s. Dizem os defensores das gravadoras que se investe muito na busca de novos nomes a serem lançados, na divulgação e distribuição dos cd´s e enxergar somente o preço do cd prensado como produto final é um erro lamentável. Dizem defensores da música “trocada” gratuita dos mp3 que o importante é divulgar o artista, que este não estaria prejudicado, pois sua renda principal provém de shows. Até alguns dizem que na era do vinil não havia a pirataria que hoje existe, da qual nem os artistas e nem as gravadoras aprovam.

Parece por enquanto que todos não se acertaram num novo meio onde se pode ter de graça aquilo que custava muito caro. Os direitos autorais estão cada vez mais complicados. O próprio Arnaldo Jabor escreveu em seu livro “Pornopolítica” texto referente a artigos repassados na internet que não eram de sua autoria. A grande pergunta é qual a melhor maneira de se arrumar tudo isso? E a resposta é tão simples: deixar as coisas fluírem ajustando na medida dos acontecimentos. Não é com a numeração dos cd´s, como Lobão queria, que se vai diminuir a pirataria. Não vai ser vendendo cd´s a R$9,00 que se vai se acabar (Experiência do Supla, cujos cd´s eram copiados e vendidos a R$3,00 nos camelôs à época de sua participação na “Casa dos Artistas” em 2001, mesmo custando R$9,00 nas bancas de jornal). A melhor forma é se trabalhar para conquistar seu público. Isso serve para tudo. As revistas devem ser interessantes (design bonito, boa qualidade gráfica) para serem lidas no ônibus, no metrô, na casa de praia, no momento de prazer. Os livros devem ter seu conteúdo interessante e sua edição ter qualidade (papel bom). Acho muito difícil ler “Crime e Castigo” na tela do computador... Os músicos devem entender que o importante de sua música não é a capa do disco, mas conseguir conquistar seus apreciadores com um projeto gráfico e talvez até um texto explicativo. Talvez a idéia de fazer a revista com cd junto seja interessante. A melhor forma para se acabar com a pirataria é usar a criatividade e oferecer algo a mais. Entender que a exclusividade de um item só interessa a quem considera exclusivo o autor, a banda, o cineasta. Assim como acredito que a indústria cultural se mantém não por ser rentável vender livros, cd´s e dvd´s, mas por incentivar a busca pela cultura, assim formando um público e não somente atendendo a demanda dos já conhecedores daquele produto. Veja que o interessante do YouTube não é baixar os vídeos existentes e sim vê-los a qualquer hora. A perenidade das coisas na internet é seu sucesso futuro. Assim como Dante Alighieri, Shakespeare e outros são à séculos relidos e reeditados e os filmes são exibidos nos canais de televisão, a internet deve seguir este caminho. Já imaginou buscar daqui a 50 anos noticias sobre como foi este ano de 2007? Tudo em pouco tempo.

abril 08, 2007

Boa Sorte, Sr. Gorsky!

Histórias da Internet - Boa Sorte, Sr. Gorsky!
Quando o Astronauta da missão Apollo, Neil Armstrong, andou pela primeira vez na lua, não apenas disse a sua famosa frase: "Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade", mas seguiram-se vários outros destaques no tráfego normal das comunicações entre ele, os outros astronautas e o centro de controle da missão.
Entretanto, um pouco antes de reentrar no módulo lunar, ele fez um comentário enigmático: "Good luck Mr. Gorsky". Muitas pessoas na NASA pensaram que ele estava fazendo uma menção a algum provável rival soviético. Porém, ao checarem, descobriram que não havia nenhum Gorsky no programa espacial soviético ou no americano.
Durante muitos anos várias pessoas indagaram o que "Good luck Mr. Gorsky" pudesse significar, mas Armstrong simplesmente sorria. Somente em 5 de julho de 1995, em Tampa Bay, Flórida, quando respondia sobre um discurso que acabara de proferir, um repórter levantou essa pergunta de 26 anos de idade e ele finalmente a respondeu. Mr. Gorsky tinha finalmente morrido e ele achou que poderia responder a pergunta. Certa vez, quando garoto, jogava baseball com um amigo no quintal e seu amigo lançou uma bola alta, que caiu bem perto da janela do quarto de seus vizinhos, Sr. e Sra. Gorsky. Quando ele se agachou para pegar a bola, bem perto da janela, ouviu a Sra. Gorsky gritar ao seu marido: "Sexo oral! Você quer sexo oral?! Você terá sexo oral quando o pirralho do nosso vizinho andar na lua!"

Autodidata

“(...) A infância foi feliz em Ipanema. Eu diria que foi feliz e algo triste. Triste porque um traço que me acompanharia toda vida, ali se acentuou: o autodidatismo. Aliás ninguém perdoa o êxito de um autodidata. O autodidata não é o que aprende sozinho. Essa é a forma externa do autodidatismo. O autodidatismo é aquele que ensina a si próprio. Ensina a si próprio como? Com o que vai gradativamente a descobrir nos caminhos da existência. Se for atento a esses caminhos e a si próprio, o autodidata é sempre um limitado e um inseguro. Ao mesmo tempo alguém sempre capaz de continuar e de certa forma de crer em si, como dizia o poeta Rudyard Kipling, quando todos em de redor duvidam. (...)”

Artur da Távola

abril 07, 2007

Agarra-me se puderes

A nostalgia dos anos 80 parece não terminar nunca. A seção da tarde da rede Globo nos anos 80 teve alguns clássicos como “Curtindo a Vida Adoidado”, onde Ferris Bulller curtia com a namorada e o amigo um dia matando aula. Outro filme inesquecível da seção da tarde era “Agarra-me se puderes” (Smokey and the Bandit, 1977). No elenco Burt Reynols e Sally Field – a inesquecível noviça voadora. Burt Reynolds era o “Bandido” (tradução grosseira de Bandit) e dirigia seu incrível Pontiac Trans Am preto. Sally Field era a noiva em fuga, perseguida pelo xerife Smokey (seu ex-futuro sogro) e pega uma carona com “Bandido” no meio do filme. O filme nada mais é do que uma aposta de trazer do Texas para Atlanta, 400 caixas de cerveja Coors em 28 horas (Nota: Nesse período era proibido vender Coors na Costa Leste). Seu amigo seguia dirigindo o caminhão e Bandido ia despistando o xerife e os patrulheiros com o Trans Am. Um filme típico de seção da tarde, mas extremamente interessante pela ação, pela trilha sonora country e pela maneira simples de mostrar o american style debochado. Fora que, no ano de 1977, foi a segunda maior bilheteria nos Estados Unidos, perdendo somente para “Guerra nas Estrelas”. Sally Field teve uma indicação para o Globo de Ouro como melhor atriz. A simplicidade do filme está numa história muito simples cheia de pequenos detalhes, como a cena do chapéu pendurado na árvore, a torcida para Bandit durante o caminho e a briga do motorista do caminhão com os motoqueiros no bar. Teve duas seqüências com os nomes em português os piores possíveis: “Desta Vez Te Agarro” (1980) e “Agora Você Não Escapa” (1983) Estes três filmes passavam tanto na seção da tarde! Sally Field para mim, assim como Marisa Tomei em “Tudo por um Sonho”, são de uma beleza e ao mesmo tempo uma competência artística excepcional. Fazer o simples como Sally Field faz em “Agarra-me...” não é fácil. Saudosismos a parte, o filme até hoje quando me encontro com ele nos “Corujões” ainda me segura acordado.

Sweet Gardênia

Um das curiosidades de encartes de discos sempre foi para mim as “Sweet Gardênia” I e II, do encarte de “Revolta dos Dândis” (Engenheiros do Hawaii, 1987). Vale também conferir que havia neste disco uma subliminar citação à Albert Camus. Entre as linhas dos caminhos...

Sweet Gardênia I

“Ele trabalhava num posto de gasolina
Ela era a filha mais bela
Da família mais fina
Um dia eles se encontraram
Numa dessas esquinas
E nada aconteceu
(Nada aconteceu)”

Sweet Gardênia II

“Ele trabalhava o dia inteiro na oficina
Ela ficava em casa
(Casa com piscina)
Um dia eles se encontraram
(Um dia de neblina)
E nada aconteceu
(Nada aconteceu)”

Não é só esta a curiosidade desse encarte. Tem uma foto de Leonel Brizola logo após a de José Sarney, numa seqüência de fotos de ex-presidentes brasileiros desde Juscelino Kubitschek. A foto de Tancredo Neves exibe uma santa imagem sob sua cabeça. Uma foto do edifício do Ministério da Educação e Cultura, projeto da equipe de Lúcio Costa com consultoria de Le Corbusier, de 1930, uma gravura do “Sr. Jeca Tatu”, de Monteiro Lobato, um desenho do “Eddie” (o mostro das capas dos discos do Iron Maiden) entre outras.

Alexandre Dumas

“(...) We'll drink together
And when we drink we'll drink together, not alone!
All For One, and One For All! (...)
We'll fight together
And when we fight we'll fight together, not alone!
All For One, and One For All! (...)
We'll fall together
And when we fall we'll fall together, not alone!
All For One, and One For All!”

All for One - Blackmore´s Night

Não, não é da rua na Chácara Santo Antonio que vou falar. Vou falar do homenageado mesmo, do romancista francês do século XIX que escreveu nada mais nada menos que “Os três Mosqueteiros”, “O homem da Máscara de Ferro” e “O Conde de Monte Cristo”.
Lembrando o lema dos três mosqueteiros - Um por todos e todos por um – que esta na memória de muita gente, fiquei nostálgico. Lembrar dessas histórias me faz lembrar a infância. Um outro romance, também muito marcante para mim na infância, devido a uma série de TV, foi a “Tulipa Negra”. Tulipa se passava na Bélgica, na cidade de Haarlem. Não a toa que Blackmore escreve uma música em apologia aos mosqueteiros. Estava escutando esta música e ela inspirou esse tópico. Será que ainda hoje se fala em Alexandre Dumas? Suas histórias ainda estão no subconsciente das pessoas e há de se reconhecer que na França existem vários grandes escritores, más nenhum deles foi tão lido quanto Alexandre Dumas.

TV Alternativa

Um amigo sempre diz que assisto coisas absurdas na TV em canais exóticos. Hoje resolvi citar alguns. Nota-se que nunca acompanho nenhum. Devo perder muita coisa boa deles, mas esse meu mundo de não-horários não me deixa escolha.

Começo citando o popular “Quem tem medo de música clássica?”, apresentado na TV Senado pelo ex-senador Arthur da Távola. Fora suas interrupções nas pausas das peças apresentadas, ou às vezes no meio, seu discurso inicial apresentando a obra sempre é bastante interessante. Basta só ter paciência e estar disposto à música erudita naquele momento.

Na TV Câmara no programa “Sempre um papo” já vi ótimas apresentações de autores como Zeca Camargo, falando de seu livro “De A-Ha a U2”, Moacir Scliar, Fernando Moraes, Danuza Leão e família Schurmann.

E o melhor deles todos: “Provocações”, apresentado por Antônio Abujamra na TV Cultura. Esse nem posso dizer mais que é alternativo. É quase um clássico dos menos assistidos e mais comentados. Ele é o “Raízes do Brasil” da televisão brasileira.

Existem, claro bons momentos em canais como Canal Universitário, mostrando um “tititinho” da produção universitária brasileira. Onde já vi depoimento de Alberto Botti, falando sobre a arquitetura paulista (TV Mackenzie), entrevista de Orlando Villas Boas ao Dr. Dráuzio Varella (TV Unip) entre outras coisas como o programa de debates apresentado pelo jornalista José Nello Marques, na TV Uniban.

Continuo, outra vez, concluindo que o Arnaldo Antunes não sabe o que fala. Além da já citada “Televisão”, dos Titãs, no seu projeto “Tribalistas” inclui a pérola:

“(...) Não tenho paciência pra televisão
Eu não sou audiência para a solidão (...)”

Só pode ter sido ele que escreveu isso. Sua birra com a televisão já é de longa data. Ele parece “disco riscado”, batendo na mesma tecla 20 anos depois. Será que para ele a televisão continua a mesma? Será que ele acredita na “Rede Pública de Televisão”? Aliás, esses três programas não passam em redes públicas? Para que se discute Rede Pública de Televisão?

PS: “Raízes do Brasil” é o livro de Sergio Buarque de Holanda, muito citado em todos os meios universitários, mas realmente muito pouco lido.

Rede Manchete - 1985

Nos anos 80 só existiam canais de TV VHF. Eram seis, em São Paulo, até 1983: TV Cultura, canal 2, TVS, canal 4, Globo, canal 5, Record, canal 7, Gazeta, canal 11 e Bandeirantes, canal 13. A partir de 5 de junho de 1983, o grupo Bloch começa a operar o canal 9: Rede Manchete. Nesse ano passou um filme (que nunca mais revi) cuja música talvez seja a das mais chatas do universo: “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”.
Em 1985 estréia a primeira tele novela da Rede Manchete: "Antonio Maria" (um português no Brasil. Só lembro do belo Opala 4 portas, verde metálico). Também estréia um humorístico chamado “Tamanho Família”. Do qual lembro muito bem. Do elenco, lembro bem de Diogo Vilela. Um dos episódios que mais me marcou era do lançamento do livro contando a vida da personagem (que não lembro o nome). O livro foi enorme sucesso, porém o problema era escrever o segundo, pois tinha contado tudo já no primeiro. Depois de um monte de tentativas de novas experiências, a personagem lança “Chongas”. Que contava as longas tentativas de experiências onde nada de novo acontecia. Foi um fracasso de vendas. O programa era muito bem feito. Não sei se o sucesso não foi maior por algum motivo específico, mas não me sai da cabeça. A formula dele era muito simples. Praticamente a mesma do atual remake de “A Grande Família”. E o patrocínio das panelas de pressão Clock, então... Era um slogan mais ou menos assim: “Uma panela tamanho família”. Tratava-se de mostrar o produto que tinha tamanhos pequenos (“tititinhos”) e os tradicionais.
Conforme declarou a escritora e jornalista Ana Maria Bahiana, autora do “Almanaque Anos 70”, em entrevista no programa “Sempre Um Papo” da TV Câmara (2006), a década de 70 era uma até 1975 e outra a partir daí. Dizia que nos anos 1972/73 não havia esperança de acabar com o regime militar e a partir de 1975/76, com a anistia, tudo parecia tomar outra linha. O mesmo parece se suceder na década de 80. Até 1985, os carros, os programas de TV e até as embalagens, eram ainda muito “setentões”. Acredito em 1985 marcava uma nova forma de se fazer televisão, oriunda da extinta TV Manchete. Começa a fazer tele novelas, algumas marcantes como Dona Beija, já tínhamos um presidente civil, nem a moeda era mais a mesma, a FIAT lançava o Uno (não sei se é bom ou ruim, mas é melhor que um 147, com certeza).
A TV Manchete tem sua importância naqueles anos 80. Naqueles mesmos anos que Arnaldo Antunes declarava que “a televisão me deixou burro, muito burro demais”. Não sei de que forma ele assistia à televisão naqueles anos, mas eu não achava, já naquela época, ainda criança, que um meio não pode deixar alguém mais burro do que já se é. Afinal, quem educa são os pais. E na Escola é que se tem de aprender. A Televisão é entretenimento. Se agrega cultura, tudo bem, mas não é sua função educar. Só para lembrar de um desenho animado da boa seleção da TV Manchete, naquele “Pintando no Ar”, apresentado por Xuxa e depois Angélica, cito “D´Artagnan e os Três Mosqueteiros”, onde todos os personagens eram cachorros e o cardeal Richelieu uma raposa. Nunca passar Alexandre Dumas para crianças pode deixá-las mais burras. Bons tempos de TV Manchete!

A Enigmática

Certa vez a vi em seu ambiente de trabalho. Cabelos lindos, bela e vistosa. Assunto não existia mas por sua simpatia logo surgiu um. Sem saber seu nome fui seguindo em frente, “tocando a boiada”. Mas não saiu de minha mente. Voltei várias vezes ao local e não mais a vi. Quando, sem nenhuma prévia ligação de destinos ela reaparece. Lógico, não a reconheci. Ambiente distinto, porém a memória reaviva rapidamente os fatos e logo veio todo o contexto. Agora levo um sorriso no rosto. Sei seu nome, mais nada.

Lista de arquitetos

Fazer uma lista é sempre fazer escolhas baseadas em algum critério. Pode ser pessoal, técnico, até duvidoso. Eu faço aqui uma lista de 10 arquitetos de que gosto muito de suas obras. Não vou citar as obras, pois seriam mais que uma. Ou seja, um critério bom: gostar de mais de uma obra desses arquitetos. Esta lista é mais um referencial para os próximos posts do que propriamente um assunto.
Eu acho interessante fazer listas. Eu gosto. Assim como Daniel Piza comenta (em http://www.danielpiza.com.br/interna.asp?texto=2062) as listas não contém uma verdade factual e plena. Neste caso é bastante subjetiva, mas, como sempre friso, é um primeiro caminho para desaguar num assunto mais específico. O que mais me incomoda é não conhecer pessoalmente muitas das obras. Isso fica deixa o critério mais subjetivo. Pois, existe na arquitetura três situações significativas: o estado de conservação da obra, a sensação espacial interna e externa e o contexto da época em que foi construída. Visitar a Pampulha e entender que lá existia um cassino (anos 1940) é muito diferente de ver hoje aquele complexo cultural. Da mesma forma, visitar a FAU-USP, na Cidade Universitária, mesmo sem saber a história do edifício, é muitíssimo interessante pelas sensações internas despertadas. Assim como ver o edifício do IAB no estado em que se encontra dá certa sensação contrária ao leigo. Agora a subjetividade também mora naquele consumo feito por fotografias e análises das peças gráficas (plantas, cortes, etc). E estas mesmas fotos trazem, como no caso do IAB, a noção das diretrizes de projeto e da riqueza da edificação quando da sua conclusão. Vamos a lista:

1 - Jean Nouvel
2 - Antoine Predock
3 - Vilanova Artigas
4 - Affonso Eduardo Reidy
5 - Frank Lloyd Wrigh
6 - Dominique Perrault
7 - Álvaro Siza
8 - Norman Foster
9 - M.M.M. Roberto
10 - Eduardo de Almeida

Nota: Oscar Niemeyer não esta na lista, não por não apreciar suas obras, onde poderia citar o Parque do Ibirapuera e a Pampulha facilmente. Acredito que estaria na 11º posição, certamente! Também é bom lembrar que esta lista só trata praticamente da arquitetura moderna. E é mais uma lista dos arquitetos que me influenciaram de alguma forma a uma lista da história da arquitetura. Também sou obrigado a citar mais dois nomes: Paulo Mendes da Rocha e Lina Bo Bardi. Pode parecer estranho citar Eduardo de Almeida e não citar estes dois. Mas tem um sentido: as casas de Eduardo de Almeida tem para mim um especial valor. Fica também difícil para mim não colocar outros dois arquitetos estrangeiros: Alvar Aalto e Richard Neutra. Mas, talvez num post futuro, separe a lista dos 10 arquitetos brasileiros e dos 10 arquitetos estrangeiros que mais me influenciaram.
Vamos separar dentro dos meus dez escolhidos algumas questões. Jean Nouvel, Antoine Predock, Dominique Perrault e Norman Foster são para mim o que se faz de novo na arquitetura. Suas obras recentes e mesmo aquelas com até 20 anos, me fascinam em termos tecnológicos e, Nouvel e Predock, vão para mim muito além disso. Enquanto que diria que Artigas, Reidy, irmãos Roberto (ai acrescentaria mais outros dois nomes, o já citado Paulo Mendes e o Oswaldo Bratke) seriam a minha formação de arquiteto. Assim também como Siza e Frank Lloyd Wright. Ainda destacando Artigas mais que qualquer outro.
Não poderia deixar de citar outros arquitetos contemporâneos muito interessantes: Renzo Piano Rem Koolhaas e Daniel Libeskind. Assim como também no Brasil outros arquitetos com uma produção interessante nos últimos anos: Mario Biselli, MMBB, Francisco Spadoni e Brasil Arquitetura.

Os três textos

Já que continuo aguardando o Renzo Piano da postagem anterior – comprar a Black Friday é isso: o melhor preço, porém, não chega nunca – aca...